Curupira_Texto de Dora Kramer

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Em poucos dias, o presidente Lula reafirmou algumas convicções que podem ser lidas tanto pela ótica do equívoco quanto pela lógica do atraso.No campo dos equívocos, está a afirmação de que “há um dogma” quanto à exigência de diploma universitário para o exercício da Presidência da República. Não há. O que há é o pressuposto de que formação educacional deve ser um objetivo de todos e um imperativo para quem, como ele, dispõe de condições materiais fartas.

No terreno do atraso, Lula produziu duas assertivas erráticas. A primeira desqualifica o valor dos princípios (por ele qualificados de forma pejorativa como “principismo”), aos quais só se deve aderir enquanto se é oposição. Por esse ângulo de visão, entre as responsabilidades de um governante estaria o abandono dos princípios e, portanto, a adesão aos fins que justificam quaisquer meios para alcançá-los.

A segunda assertiva, feita ontem – “é preciso parar com a mania de que contratar mais gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina” -, consagra o empreguismo e o gigantismo como metas e marcas de eficiência na gestão. Junte-se a isso a celebração do fisiologismo como norma “culta” do governo de coalizão e teremos o que se pode chamar de um legítimo salto para o passado. Nesse quadro de culto ao retrocesso e desmonte de valores, o anúncio de que Fernando Collor pretende retomar a trajetória interrompida pelo impeachment, candidatando-se ao governo de Alagoas, fazendo uso da licença do mandato de senador, acompanha o padrão.

Dora Kramer, jornalista

OPINIÃO: Não negamos a Lula da Silva a louvação da ignorância. É a cara dele. Não é possível calar, porém, diante a astúcia – que lhe proporciona a fama de “inteligente” – querendo passar à opinião pública uma trapaça, defendendo nomeações “de pessoas capacitadas e bem pagas para trabalhar para o Estado”. Esta afirmação omite que as contratações a que se refere não cumprem a exigência do concurso público, como ocorreu no caso dos seiscentos cargos da Sealopra. É justo, sim, contratar-se mais gente para fazer funcionar os serviços públicos; mas isto requer candidatos que se submetam a concurso público e não aterrizem pelo pára-quedas do favoritismo político-partidário. A assertiva do Pelegão, ao nosso ver, é mais um um ardil para ludibriar os incautos. MIRANDA SÁ

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