Notícias
Rainer Maria Rilke
A PANTERA
(No Jardin des Plantes, Paris)
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
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Dilma ataca bancos em rede nacional
Em discurso pelo Dia do Trabalho, presidente diz que é ‘inadmissível’ que as instituições privadas cobrem ‘os juros mais altos do mundo’
O governo elevou o tom na briga contra os juros altos cobrados pelos bancos. A presidente Dilma Rousseff aproveitou um pronunciamento ontem à noite, em cadeia nacional de rádio e televisão, para orientar os clientes a exigirem “melhores condições” de financiamento. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, disse a presidente, em seu pronunciamento aos trabalhadores pelo 1° de Maio. Apesar de os maiores bancos privados terem anunciado cortes nos custos dos financiamentos por causa da pressão que o governo vem fazendo nas últimas semanas, Dilma deixou claro que há mais espaço para cortes e recomendou às instituições privadas que sigam o “bom exemplo” da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que já cortaram em pelo menos duas ocasiões as taxas de juros de várias linhas de empréstimo. (Estadão)
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Decreto reduz publicidade em lojas e prédios do Rio
Medida vale no início para Centro e Zona Sul, mas exclui propaganda oficial
A poluição visual que suja a paisagem do Rio entrou na mira da prefeitura: amanhã será publicado decreto proibindo boa parte da publicidade em imóveis de 22 bairros do Centro e da Zona Sul. Inspirado na Lei Cidade Limpa, de São Paulo, de 2007, o decreto é implacável com a propaganda dos outros: proíbe anúncios em outdoors, laterais e coberturas de prédios; reduz o tamanho de letreiros de lojas, bares, restaurantes, bancos e shoppings; mas permite que o próprio prefeito autorize publicidade oficial ou transitória (de eventos) pelas ruas.Em São Pauloa lei vale, desde o início, para toda a cidade e inclui ônibus, táxis e até panfletagem. (O Globo)
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Chamadas de 1ª página_2ª feira, 1º.mai.12
O GLOBO – PMDB age para blindar Cabral e evitar CPI
FOLHA DE SP – Cachoeira negociou a compra de partido, diz PF
ESTADÃO – Cachoeira negociou em Goiás compra de partido
C. BRAZILIENSE – Cachoeira afirma ser sócio de empreiteira
ESTADO DE MINAS – Bancos espanhóis são rebaixados
JORNAL DO COMMERCIO – CPI de Cachoeira: “convite” a Gurgel
ZERO HORA – CPI irá a Gurgel convidá-lo a depor
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O ‘moralismo udenista’ e o ‘amoralismo lulo-petista’
Artigo de MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
No momento em que a Nação Brasileira debate o aviltamento da moral política, com a multiplicação das denúncias de corrupção nos círculos do poder, põe-se no plano das idéias a dicotomia ideológica ‘esquerda – direita’.
A tendência dessa discussão desaguará, como uma cachoeira, no delta de um princípio filosófico que a direita aponta para a esquerda e esta, por sua vez, alega ser da direita, “os fins justificam os meios”.
Assim, na inevitável colisão da oposição com o governo, ouve-se o oficialismo rotular de ‘moralismo udenista’ a busca de criminalizar os assaltos ao Erário. Os lulo-petistas querem minimizar os desvios de conduta de seus partidários, como se fossem sacrificados por excessivas exigências moralizantes.
Talvez os que papagueiam este argumento nem saibam o que é ‘moralismo udenista’, o que foi a UDN e o udenismo na História Republicana do Brasil. Pois bem. A União Democrática Nacional foi um partido político brasileiro fundado em 7 de abril de 1945, em oposição à Ditadura Vargas.
A UDN nasceu conservadora, defendendo o liberalismo clássico e agarrando-se ao moralismo institucional. Embora assentado nas classes médias, o partido por ser contra o populismo que caracterizava o governo de Getúlio Vargas, assumiu uma postura aparentemente antipopular, tachado de “partido dos casacudos”.
Tendo a probidade e a honradez como marca nos seus programas, manifestos e discursos, a movimentação de suas lideranças era direcionada às denúncias de corrupção governamental ou da “sindicalização” do poder.
Isto não significou reacionarismo e muito menos fascismo. Atendia a valores defendidos pelos tenentes de 22 e 24, e da expressão esquerdista ‘prestismo’ que aflorou na década de trinta com a Aliança Nacional Libertadora.
Em nome da verdade histórica, a UDN – pela sua formação – foi mais avançada do que os partidos getulistas, tendo votado a favor do monopólio estatal do petróleo, contra a cassação dos mandatos da bancada comunista e o fechamento do PCB, proposições em que o PSD e o PTB se dividiram.
Se o ‘moralismo udenista’ é um defeito, o que dizer do ‘amoralismo lulo-petista’? É bom lembrar que o amoralismo político recebeu uma dura crítica de Marx, cuja explicação da moral encontra-se nas ‘Teses sobre Feuerbach’ e no ‘18 Brumário de Luiz Bonaparte’.
E embora com grande influência no lulo-petismo, suponho que os trotskistas devem ter lido ‘Moral e Revolução’ para saber que o teórico da revolução permanente acusa o jesuitismo pela criação do princípio “os fins justificam os meios”. O ‘amoralismo lulo-petista’ não tem resguardo na esquerda marxista, pelo contrário.
Podíamos até dizer – ou ensinar a certos professores uspeanos – que o ‘amoralismo lulo-petista’ nada tem de esquerda, como negação dos valores sociais. Como filosofia, está afixado no individualismo requentado de Stirner e Nietzsche.
A concepção de moral pode e deve ser vista como contribuição para fortalecer a sociedade humana. São necessários princípios e critérios para uma Nação civilizada, mesmo quando se exerce o realismo político dominante entre nós, nos poderes republicanos, nos partidos, nos movimentos sociais e até na economia…
Subtrair da vida social a avaliação moral dos agentes públicos é impensável para quem defende o bem comum e justiça para todos. Como se vê na conjuntura atual do País em que vigora a Lei de Gerson: Cada qual querendo levar vantagem em tudo.
Pobre Brasil em que os Legisladores legislam em causa própria; os magistrados vacilam em julgar os poderosos e os governantes enriquecendo do dia para a noite. Tudo isto “bem nascido” de um sistema partidário deperecido, e da irresponsabilidade moral dos carreiristas e oportunistas – de direita ou esquerda – que profissionalizaram o exercício da política e assumiram a exploração do aparelho de Estado.
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William Carlos Williams
RETRATO PROLETÁRIO
Mulher jovem corpulenta sem chapéu
de avental
Cabelo puxado para trás parada
na rua
A ponta do pé descalço
tocando a calçada
Sapato na mão. Olhando-
o atentamente
Retira a palmilha de cartão
para achar o prego
Que a estava machucando
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Governo opera para controlar foco da CPI
Base aliada quer restringir investigações a Marconi Perillo e desviar as atenções da empreiteira Delta
Partidos aliados do governo, em especial o PT, já definiram a estratégia para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. Os principais pontos são concentrar as investigações no governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), evitar eventuais vazamentos de documentos sigilosos e poupar a Delta Construções, limitando a apuração aos funcionários da empreiteira com participação no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Os petistas, incentivados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, querem também tirar o foco da Delta por sua condição de principal construtora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). (Esyadão)
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Chamadas de 1º página_2ª feira, 30.abr.12
O GLOBO – Portos terão investimentos de R$ 31 bi com privatizações
FOLHA DE SP – Brasil deveria dar prioridade ao combate à impunidade
ESTADÃO – Governo opera para controlar foco da CPI
C. BRAZILIENSE – A CPI não tem tempo a perder, dizem congressistas
VALOR ECONÔMICO – Delta recebeu mais de R$ 1 bi da gestão Cabral
ESTADO DE MINAS – PF amplia leque dos investigados
JORNAL DO COMMERCIO – Delta recebeu R$ 3 bilhões de verbas do PAC
ZERO HORA – Empresário gaúcho foi alvo de Cachoeira
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Alberto Caeiro
POUCO ME IMPORTA
Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me
[ importa.
24/10/1917
(Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos, 1913-15)
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Patrimônio de Demóstenes quadruplicou após eleição
Senador disse à Justiça Eleitoral ter R$ 374 mil, mas logo depois comprou apartamento de R$ 1,2 milhão
Quatro meses depois das eleições de 2010, o patrimônio do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) praticamente quadruplicou. O parlamentar suspeito de participar de esquema com o contraventor Carlinhos Cachoeira, comprou um apartamento de R$ 1,2 milhãoem Goiânia. Oimóvel tem701 metros quadradose está num dos edifíciios mais luxuosos da cidade. Em 2010, quando se reelegeu senador, Demóstenes declarou patrimônio de R$ 374 mil – na relação entregue à Justiça Eleitoral, não constam imóveis. Promotor de Justiça, Demóstenes optou pelo salário de senador ao assumir o cargo e recebe mensalmente R$ 26,7 mil. O parlamentar negou irregularidades. (Estadão)
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