Notícias
Chamadas de 1ª página_Domingo,27.mai.12
O GLOBO – Lei de Acesso mira políticas públicas
FOLHA DE SP – Lula propôs troca de favor, diz ministro do STF
ESTADÃO – Mais de 14 milhões de famílias no País estão superendividadas
C. BRAZILIENSE – Proibição a contas-sujas sob risco
ESTADO DE MINAS – Mudanças no TSE põem em risco veto a contas-sujas
J. DO COMMERCIO – Classe C troca escola pública por particular
ZERO HORA – As legendas deixaram de ser uma referência
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Wallace Stevens
O HOMEM DO VIOLÃO AZUL
I
Homem curvado sobre violão,
Como se fosse foice. Dia verde.
Disseram: “É azul teu violão,
Não tocas as coisas tais como são”.
E o homem disse: As coisas tais como são
Se modificam sobre o violão”.
E eles disseram: “Toca uma canção
Que esteja além de nós, mas seja nós,
No violão azul, toca a canção
Das coisas justamente como são”.
II
Não sei fechar um mundo bem redondo,
Ainda que o remende como sei.
Canto heróis de grandes olhos, barbas
De bronze, mas homem jamais cantei.
Ainda que o remende como sei
E chegue quase ao homem que não cantei.
Mas se cantar só quase ao homem
Não chega às coisas tais como são,
Então que seja só o cantar azul
De um homem que toca violão.
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Ruralistas e verdes atacam vetos ao Código Florestal
Mudanças de Dilma na lei ambiental reabrirão a disputa entre produtores rurais e ambientalistas no Congresso
O governo anunciou que a presidente Dilma vetará 12 dos 84 artigos do Código Florestal e enviará ao Congresso uma medida provisória para introduzir outras mudanças, reabrindo a disputa em torno da lei ambiental.
O anúncio, que desagradou tanto ambientalistas como ruralistas, elucidou apenas dois dos vetos.
O mais polêmico deles retira da lei o que o governo qualificou como anistia ao desmatamento ilegal feito em matas na beira de rios.
Dessa forma, ela tentou evitar desgastes às vésperas da cúpula ambiental Rio+20.
A presidente buscou um meio termo entre os interesses de produtores rurais e as exigências feitas pelos ambientalistas, mas recebeu críticas de ambos os lados.
Os ambientalistas queriam o veto total ao código e reclamam, principalmente, da falta de informações.
Já os ruralistas estão descontentes com o alto custo do reflorestamento para os grandes produtores, exigido pelo novo texto. (Folha de SP)
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Chamadas de 1ª página_Sábado, 26.mai.12
O GLOBO – Esquema de laranjas da Delta funcionou em SP
FOLHA DE SP – Inadimplência do consumidor sobe em abril, diz BC
ESTADÃO – Governistas na CPI vão convocar Marconi Perillo
C. BRAZILIENSE – Avaliações sob suspeita na cultura
VALOR ECONÔMICO –
ESTADO DE MINAS – Collor acusa Gurgel de ação criminosa
J. DO COMMERCIO – Dilma veta parte do Código Florestal
ZERO HORA – Veto irrita grandes e agrada a pequenos
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William Shakespeare
O amor no papel
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
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Artigo de fim de semana
História do Brasil: Um capítulo jubiloso ou uma página suja
MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Até agora ninguém sabe o que se passou na cabeça de Lula da Silva – que se compara a Deus na sua onisciência, onipresença e onipotência – ao estimular a convocação da CPMI do Cachoeira. Correm várias versões, mas as principais delas são três: investir contra a liberdade de imprensa através da revista Veja; destruir o governador de Goiás, Marconi Perillo, ferindo o PSDB; e, desviar o julgamento do Mensalão.
Parece-me que o Pelegão quebrou a cara em todos os possíveis objetivos. No caso de Veja, ficou diminuta, inexpressiva, a relação da revista com Carlinhos Cachoeira; em relação ao golpe contra Perillo e em conseqüência, nos tucanos, terminou revertendo para o PT, do governador Agnelo Queiroz, do DF; e para o íntimo parceiro, também governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro.
O terceiro alvo, a pretensão de abafar o Mensalão, ficou longe de ser atingido; ao contrário, parece que estimulou o Supremo Tribunal Federal, com seus ministros ativados pelo apelo à própria dignidade.
Tendo a CPMI começado com todos os cuidados burocráticos e zelosa escolha de sabujos petistas e aliados para protagonizá-la, os seus desdobramentos são naturalmente imprevisíveis.
Dessa maneira, vê-se que Lula, contrariando (dizem) a presidente Dilma, incitou as investigações para uma emulação política, assistir à reversão das expectativas. Vê que a coisa desandou, e que já é tarde para voltar atrás. Então se esconde sob o manto do silêncio matreiro como aprendeu na escola da pelegagem.
E nós, como projetamos o processo investigativo? Creio que virão a quebra dos sigilos da Delta Nacional, e também a convocação de Marconi Perillo. Isto, sem dúvida, comprometerá o PAC e arrastará Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral para a CPMI.
Vejo também que o Procurador Geral da República, Fernando Gurgel, cutucado com vara curta pelos lulo-petistas, poderá pedir a prisão dos réus do Mensalão – os principais, pelo menos – ou receoso, amaciará o juízo sobre a matéria e proporá advertências, multas ou prestação de serviços civis.
É evidente que o que deseja e reivindica a opinião pública é a punição mais grave. A ‘voz rouca das ruas’ clama pela prisão dos quadrilheiros, certamente uma medida incomum no Brasil, mas necessária para destronar a asquerosa impunidade do reino das justiças, das imunidades e dos privilégios.
Merece a cadeia, sem regalias, quem desmoralizou o Congresso e assaltou o Erário. Os elementos nocivos à República e à Democracia devem ir para uma penitenciária de segurança máxima, para exemplo dos que tentarem repetir a infâmia do Mensalão.
Quem sabe se assim não será proclamada a justiça boa e perfeita para toda a cidadania? Quem sabe se o Poder Judiciário se elevará instituindo e multiplicando tribunais para julgamentos ágeis, encerrando prontamente os processos?
Deixará de ser uma Utopia, ver-se os políticos serem disciplinados desde a campanha eleitoral até o exercício do mandato; e também assistir-se a exterminação das relações criminosas de advogados e juízes conspurcando a Justiça.
Assim, creio que o julgamento do Mensalão e dos mensaleiros entrará para a História do Brasil de uma maneira ou de outra. Ou teremos um capítulo jubiloso que marcará o fim da impunidade ou uma página suja com a fotografia das vísceras apodrecidas de um País corrompido.
Ex-vereador diz que comprou casa de Perillo com dinheiro de sobrinho de contraventor e Cláudio Abreu
Em depoimento lido à CPI do Cachoeira, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez complicou o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao apresentar versão diferente da do tucano para a venda de uma casaem Goiânia. Presona Operação Monte Carlo, da PF, Garcez disse que ele mesmo comprou a casa de Perillo, com cheques do diretor da Delta, Cláudio Abreu, e do sobrinho de Carlinhos Cachoeira, Leonardo Almeida Ramos. Em declarações anteriores, o tucano disse ter negociado a casa com o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, e que Garcez teria sido apenas intermediário. Garcez contou que Perillo lhe disse estar vendendo a mansão e aceitou receber R$ 1,4 milhão. Como não conseguiu vender o imóvel com lucro, começou a ser pressionado por Abreu para devolver o empréstimo. “Com medo de perder o emprego, resolvi procurar o professor Walter. Eu a vendi pelo mesmo valor e repassei ao Cláudio, quitando, assim, a dívida dos três cheques”, disse.
Acordo adia quebra de sigilo da Delta
Acerto entre PT, PMDB e PSDB adiou para a semana que vem votações sobre convocação de governadores e quebra de sigilo da Delta. O relator da CPI só decidirá esses pontos na terça-feira. (Folha de SP)
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Delta e Cachoeira usaram laranjas também no Rio
PT e PSDB batem boca na CPI, que antecipa votação sobre governadores
A rede de laranjas que alimentava, com dinheiro da Delta, o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira não era exclusiva de Goiás: se estendeu também ao Rio. Entre os sócios de duas empresas que receberam R$ 521 mil da Brava Construções, ligada a Cachoeira, há duas faxineiras, um ajudante de caminhoneiro e uma desempregada, informam Cássio Bruno e Maiá Menezes. Na CPI, a revelação de que o contador do bicheiro movimentou R$ 12 milhões da Delta provocou a antecipação, para terça que vem, da votação sobre convocação de governadores e quebra do sigilo bancário da empresa. PT e PSDB bateram boca, mas se uniram depois para evitar que a votação ocorresse ontem. (O Globo)
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Chamadas de 1ª página_25.mai.12
O GLOBO – Delta e Cachoeira usaram laranjas também no Rio
FOLHA DE SP – Fracassa programa para renovar frota de caminhão
ESTADÃO – Acordo adia quebra de sigilo da Delta
C. BRAZILIENSE – Para blindar Perillo, PSDB esquece CPI
VALOR ECONÔMICO – CPI deve convocar Perillo e quebrar sigilo da Delta
ESTADO DE MINAS – Bicheiro fez depósito para subprocurador
J. DO COMMERCIO – Brasil no banco dos réus em conselho da ONU
ZERO HORA – Voto secreto pode salvar Demóstenes
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Gilberto Freyre
O outro Brasil que vem aí
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.
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