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Wes Montgomery – Impressões
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Victor Assis Brasil – Arroio
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Artigo
O amoralismo político não pode triunfar
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Ainda é citada no campo político – e quase sempre combatida – a sentença dolosa que reza “os fins justificam os meios”. Extremistas políticos e religiosos se acusam mutuamente de serem os criadores do aforismo; Trotsky diz que foram os Jesuítas e Truman, quando presidente dos EUA, afirmou ser usado pelos comunistas.
Trotsky perdeu a simpatia dos católicos e Truman, com a acusação direta ao governo da URSS, iniciou a guerra fria.
Este princípio amoral acaba de ser usado no Brasil pelo teórico social-fascista do lulo-petismo, José Dirceu, diante de um auditório de jovens militantes do partido em Brasília no 2º Congresso da Juventude do PT.
Discursando, o deputado cassado e réu como chefe da quadrilha do “mensalão” no Supremo Tribunal Federal, disse com todas as letras que as denúncias contra a roubalheira no governo não passam de uma “luta moralista contra a corrupção”. O que quer dizer: “o moralismo” atrapalha a prática corrupta que já derrubou cinco ministros e ainda tem dois sob suspeita.
Entre os intelectuais chapas-branca mais velhos o chavão assume um aspecto histórico, chamando a intolerância contra a depravação do patrimônio público de “udenismo”, relembrando as campanhas de Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas e a campanha eleitoral de Jânio Quadros na sucessão de JK.
Esse “moralismo” ou “udenismo”, como queiram, é para mim um sofisma verbal para justificar os roubos escandalosos apontados pela reportagem investigativa da imprensa que protagoniza o que deveria ser feito pelos partidos de oposição.
As revelações feitas nos ministérios e empresas estatais mais do que envergonham, enojam os brasileiros honestos, pela maneira com que são utilizadas as ONGs, prefeituras ou os sindicatos, ao longo dos últimos anos.
José Dirceu defende os partidos que dão sustentabilidade ao esquema superior da corrupção, o governo hegemonizado pelo seu partido. Subestimando as denúncias, ajuda as máfias ministeriais para quem seria melhor que não ocorressem acusações sobre a distribuição de verbas públicas para as máquinas partidárias.
É claro que para os partidos que enfeudam os ministérios, e os seus prepostos, que sempre embolsam as rebarbas da distribuição criminosa das verbas, é preferível que a imprensa fique calada, englobando todos os meios de comunicação, inclusive as redes sociais na Internet.
Mas quando estouram as bombas – cada vez mais repetidas, porque as fraudes foram explicitadas na gestão Dilma – pouco importa que venham demissões, porque as agremiações reassumirão com outros testas-de-ferro, mantendo a arrecadação imoral das propinas, dos subornos e aliciamentos criminalizáveis.
A garantia da impunidade vem “de cima” em nome da governabilidade. É essa palavra mágica que garante as prerrogativas e os privilégios que permitem aos vigaristas se associarem às Ocips e ONGs que facilitam a divisão do butim pirateado do Erário.
Nesta fase condenável que o País atravessa, a cidadania está convocada a lutar contra este câncer que é a corrupção, cuja metástase já contamina claramente os três poderes da República. A falta de pudor decanta das altas esferas para os escalões inferiores e destes para o povão mal-educado por formação e índole.
São tão generalizados os malfeitos que não dá para saber qual foi o pior. Foi a adulteração nos Transportes, ou na Agricultura? O que mais chocou a opinião pública a bandalheira dos Esportes ou os convênios dolosos do Trabalho? Quem sabe se não seriam as maracutaias que desmoralizaram o Enem?
Dona Dilma, presidente da República pelo voto popular sabe disso. Tanto, que prepara um decreto que responsabiliza os agentes do primeiro escalão pelos desvios na repartição das verbas públicas. Se for para valer só o tempo dirá; mas uma coisa é certa, o amoralismo político não pode continuar.
Rocinha é ocupada sem tiros, mas teme o futuro
Ação do governo preocupa moradores, dominados pelo tráfico há 30 anos
As forças de segurança do Rio retomaram ontem o controle das favelas da Rocinha e do Vidigal, as principais da zona sul da cidade. As duas áreas estavam dominadas pelo tráfico de drogas havia mais de 30 anos.
Anunciada dez dias antes, a operação envolveu cerca de 3.000 pessoas e não encontrou resistência armada. Nenhum tiro foi disparado. A única ação do tráfico foi derramar óleo nos acessos ás favelas.
Moradores temem pela falta do assistencialismo dos traficantes. “O Nem pagava aluguel de quem precisava, dava cesta básica, ajudava as creches. Quero ver o governo fazer isso”, disse X; que não se identificou.
Poucas armas e uma agenda do ‘delivery’
Apesar de ter apreendido menos armas do que se esperava (15 fuzis, 20 pistolas, duas espingardas, uma submetralhadora e três granadas) a polícia prendeu cinco pessoas, entre elas Aureliano de Oliveira Neto, o Edu, que coordenaria o delivery de drogas da quadrilha. Ele tinha uma agenda telefônica com números de supostos consumidores de drogas. Foram apreendidos 112 quilos de maconha e 60 quilos de pasta-base de cocaína.
O silêncio do morro
As noites de sábado na Rocinha são barulhentas. Mas anteontem o silêncio imperava, e só foi quebrado pelos galos da madrugada. Às 4h09m, chegaram os blindados da Marinha, testemunhou Vera Araújo. De dia, havia uma felicidade no rosto de moradores, relata Jorge Antonio Barros, que em 1988 escapou de morrer na favela, fazendo uma reportagem.
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chamadas de 1ª página_14.nov.11
FOLHA DE SÃO PAULO – Programa de Dilma na área da saúde tem licitação sob suspeita
O GLOBO – PF investigará carona de Lupi em avião de ONG
O ESTADO DE SÃO PAULO – Lobistas atuam dentro do Ministério do Trabalho
CORREIO BRAZILIENSE – Está cada vez mais difícil se aposentar
VALOR ECONÔMICO – União retoma ofensiva para agilizar as execuções fiscais
ESTADO DE MINAS – Ficha Limpa: Relator espera a lei para 2012
JORNAL DO COMMERCIO – Polícia Federal apura denúncia contra Lupi
ZERO HORA – Dilma espera explicações de Lupi
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Paul Desmond – Bossa Antigua
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Lee Konitz – Skylark
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Artigo
Strogonoff, bang-bang à italiana e o tiro de Lupi
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Como a minha filha Manuela vem de São Paulo passar o feriadão conosco aqui no Rio, resolvi voltar à cozinha para fazer um strogonoff para ela, que é o prato que mais adora. “Voltar” a cozinha é um acontecimento, embora eu tenha sido um excelente cozinheiro, antes de usarem a palavras “chef”.
Gosto de cozinhar ouvindo música e resolvi escutar um interminável mp3 de músicas dos filmes daqueles westerns macarrônicos que fizeram sucesso entre os fãs do Far West.
Encontrei maravilhas do excelente compositor Ennio Morricone, que aderiu ao arranjo musical cinematográfico e fez trilhas notáveis, e, entre outros, também o álbum “O Melhor do Bang Bang à Italiana”, de Maurice Renet, autor do imortal “O Dólar Furado”.
Entre o trinchar da carne, o cortar das cebolas e as mexidas nas panelas, meu pensamento levou-me ao bang-bang que impera na política nacional, tendo como cenário não um vilarejo do Oeste norte-americano, mas a moderníssima Brasília.
Para mim é lá, na cidade traçada pela insigne dupla Niemayer-Lúcio Costa que se desenrolam os piores filmes classe “C” da política nacional…
É em Brasília, no Distrito Federal, capital da República, que fica o estúdio e os camarins que exibem as descaradas e impudentes armações políticas e os cínicos depoimentos dos seus atores.
Ali, no Planalto Central, assistimos os trailers dos curtas-metragens da derrubada escandalosa de cinco ministros sob suspeita de corrupção, expondo, cada um deles, um descaramento tão vergonhoso que inverte a tragédia republicana em comédia chapliniana. Chanchada de Oscarito e Grande Otelo.
Agora entraram em cena o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. O Ministro é um canastrão, astro improvisado, sem preparo, inoportuno e inconveniente, colocado no cargo por uma súcia de burocratas do Partido Democrático Trabalhista que manobra a política de resultados depois da morte de Brizola.
O outro não. É um ator na mais legítima definição de Fernando Pessoa, “Um homem que sabe fingir”. Vem da mesma escola que o penúltimo ministro a cair, Orlando Silva, que desmoralizou o Ministério do Esporte com uma infinidade de malfeitos e contravenções dirigidos em nome da “causa” defendida pelo seu partido, o PCdoB.
Agnelo é o desmentido mais veemente da correção do pobre e ignorante eleitorado brasiliense que o elegeu pensando em punir os maus políticos que se sucederam no governo do DF. O episódio da sua eleição trouxe debaixo dos panos a ajuda de lobbies que se aproveitaram de sua passagem na ANVISA.
As denúncias saíram agora, numa confusão de compra e venda de lobista que primeiro afirmou e apresentou documento dizendo ter pago, em 2008, propina de R$ 50 mil a Agnelo em troca de autorização à empresa de setor farmacêutico para participar de licitações. Essa empresa doou depois, para a campanha eleitoral, R$ 200 mil.
Diante da acusação, Agnelo fala que o valor depositado em sua conta tratava-se da “devolução de quantia concedida em empréstimo à referida pessoa”. Não diz o como e o porquê do empréstimo.
O roteiro original se inspirou certamente do domínio do Poder Central por um grupo de arrivistas que conquistaram a presidência da República por um estelionato eleitoral e se mantém graças ao amoralismo que transformou o Ministério em capitanias partidárias, verdadeiros feudos com faculdade de distribuir o dinheiro público como lhes aprouver.
Dói na consciência dos patriotas brasileiros verem que em paralelo aos crimes contra o Erário, a nacionalidade é agredida por uma crise econômica, política e ambiental, que põe em risco o futuro nacional.
Para fugir ao mergulho inconsciente numa crise psicológica – existencial – que amargura os espíritos lúcidos deste País lamentando o caso Agnelo Queiroz, o melhor é fazer strogonoff, ouvir o bang-bang à italiana e rir – rir muito – do “tiro” de Carlos Lupi.
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A hora da UPP da Rocinha
Secretário diz que, pacífica ou não, ocupação, amanhã, será definitiva
Às vésperas da ocupação das favelas da Rocinha e do Vidigal, pondo fim a décadas de domínio do tráfico armado e abrindo caminho para a implantação da 19ª UPP da cidade, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse ontem que a polícia está preparada para o confronto, caso seja necessário, e pediu que os moradores tomem cuidado: “A gente nunca sabe o que o bandido vai fazer. Estamos prontos para o que tiver que acontecer. Se não tiver confronto, melhor para todos nós. Esperamos que seja pacífico.” Todos os acessos às duas favelas amanhecerão fechados pelo Batalhão de Choque e por 18 blindados da Marinha, enquanto o Bope entrará pelas matas. O feriadão evitou que moradores de São Conrado e Gávea tivessem que sair às pressas de casa, com medo de um confronto.
Os que dizem não à corrupção
O segundo-tenente da PM Ronald Cadar e o primeiro-tenente Disraeli Gomes, que prenderam o traficante Nem, da Rocinha, recusando propina de R$ 1 milhão, foram elogiados pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que os considerou exemplo para a polícia e as famílias. Os dois policiais receberam também o apoio dos colegas de farda. (O Globo)
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Desaceleração faz governo aliviar restrição ao crédito
Bancos terão margem maior para financiamento e pagamento mínimo do cartão não será reajustado
O Banco Central anunciou ontem medidas para estimular o consumo no final deste ano e evitar que a economia sofra uma forte desaceleração. Será reduzido o volume de dinheiro que os bancos precisam manter reservado para fazer empréstimos de curto prazo. Com isso, abre-se espaço para aumentar os financiamentos de até 60 meses. O governo também desistiu de elevar o pagamento mínimo de cartão de crédito, que passaria de 15% para 20% do valor da fatura em dezembro. Ao retirar parte das travas impostas no final do ano passado ao crédito, o BC segue a estratégia definida pela Fazenda para enfrentar a perspectiva de um longo período de deterioração da economia mundial. (Estadão)
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