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Chamadas de 1ª página_14.abr.12

O GLOBO – CPI terá Collor e Renan

FOLHA DE SP – Deputado diz que sabia de contravenção de Cachoeira

ESTADÃO – Dilma pede a Lula cautela com CPI do Cachoeira

C. BRAZILIENSE – Demóstenes ofereceu ajuda do MP de Goiás a Cachoeira

ESTADO DE MINAS – Faltam hospitais para fazer aborto no país

JORNAL DO COMMERCIO – Demóstenes sofre derrota no Supremo

ZERO HORA – Ação de Cachoeira no DF já pressiona Agnelo

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César Vallejo

OS ARAUTOS NEGROS

 
Há golpes na vida tão fortes… Eu nem sei!
Golpes como do ódio de Deus; como se ante eles
a ressaca de quanto foi sofrido
se empoçara na alma… Eu nem sei!

São poucos, porém são… Abrem sulcos escuros
no rosto mais fero e no lombo mais forte.
Serão talvez os potros de bárbaros átilas;
ou os arautos negros que nos manda a Morte.

São as caídas fundas dos Cristos da alma,
de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que na porta do forno se queima.

E o homem… Pobre… pobre! Volve os olhos, como
quando por sobre os ombros nos chama uma palmada;
volve os olhos loucos, e todo o vivido
se empoça, como charco de culpa, na mirada.

Há golpes na vida tão fortes… Eu nem sei!

César Vallejo
Tradução de Fernando Mendes Vianna

Um artigo polêmico

Ecos da semana santa: o crucifixo e a Justiça

 MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

 

Os ecos deixados pela semana santa nos trazem os protestos pela retirada de um crucifixo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul; e, por outro lado, também tivemos reclamações contra a presença de crucifixos em repartições públicas e questionamentos sobre os critérios que devem reger o ensino religioso nas escolas.

Na realidade, o que se discute é o princípio constitucional da laicidade do Estado, a idéia nacional majoritária de que o Estado não deve se meter nas questões de fé, e consagrar a plena liberdade de crença.

É claro que por demagogia eleitoralista, muitos políticos atropelam este princípio de neutralidade do Estado. Há câmaras de vereadores, por exemplo, que abrem as sessões plenárias com orações e, outro dia, a PresidentA da República conclamou ministros a uma prece pela recuperação da saúde do seu antecessor e criador, acometido de um câncer.

Num dos centros mais avançados do País, tivemos através do noticiário dos jornais, um fato que não me passou despercebido: informou-se que os candidatos à prefeitura paulistana, Serra e Haddad, correm atrás dos votos da igreja católica, enfrentando o ex-seminarista Chalita, que pode atrair o apoio de padres e bispos diocesanos.

Cumprindo a minha decisão de assumir minhas convicções pessoais, evoco, no caso do Estado laico e da liberdade religiosa, a respeitável opinião do professor Themistocles Brandão Cavalcanti de que a conquista constitucional da liberdade religiosa é verdadeira confirmação de maturidade de um povo.

Há uns 60 anos, assisti constrangido o apedrejamento de um templo da Assembléia de Deusem Nova Friburgo, Estado do Rio, e corri para a frente da casa juntando-me aos evangélicos que a defendiam. Eu não tinha religião, como ainda hoje não tenho, tendo inveja – como meu amigo Darci Ribeiro – de quem guarda esta fé no coração.

Mesmo sem crença defendo com todas as minhas forças a tolerância religiosa e a proibição do Estado em impor à cidadania uma religião oficial. Para mim, a liberdade de religião e crença é um direito inalienável do povo. E ressalto que esta liberdade de convencimento íntimo deve se estender a quem não crê ou professa uma fé, inclusive adotar o ateísmo.

Com isto, reservo um aplauso ao Estado de São Paulo, jornal de propriedade de uma família tradicionalmente católica, que publicou um Editorial, ‘Religião na escola’ pedindo ao Estado para impedir práticas confessionais em sala de aula na rede pública, citando Carlos Drummond de Andrade que, na adolescência, foi expulso do colégio de jesuítas por”insubordinação mental” – isto é, não aceitar a imposição religiosa.

Passei por algo parecido com alguns colegas – entre eles Jean Francesco Guarnieri – ‘convidados’ à transferência para outra escola por nos recusar assistir as missas dominicais.

Ao citar a defesa do Estadão da não intervenção religiosa na escola pública e recordar o poeta Carlos Drummond e o teatrólogo Guarnieri, gênios da raça, chega-me à lembrança um dos meus ídolos da juventude, Voltaire, que escreveu no seu ‘Dicionário Filosófico’: “O homem sempre criou deuses à sua imagem”.

Outro pensador, seu contemporâneo, Feuerbach, deixou-nos um conciso pensamento ateísta: “Não foi Deus que fez o homem, mas sim o homem é que fez Deus à sua semelhança”.

Finalmente, ocorre-me um dos mais admiráveis intelectuais de língua portuguesa, Anthero de Quental, com um programa político-ideológico nas ‘Odes Modernas’, propondo: “Reconstrução do mundo humano sobre as bases eternas da Justiça, da Razão e da Verdade, com exclusão dos reis e dos governos tirânicos, dos deuses e das religiões inúteis e ilusórias”.

 

Por 8 votos a 2, STF libera aborto de fetos sem cérebro

Ministros consideraram que anencéfalo não tem vida e, nesse caso, interrupção da gravidez deixa de ser crime

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem que mulheres que optam por abortar fetos anencéfalos e os médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem crime. Oito ministros votaram a favor e dois contra. A maioria entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal. A coordenadora da área técnica da saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilella, afirmou que o governo quer acelerar a habilitação de mais 30 centros, além dos 65 já existentes, para realizar os abortos nos casos previstos por lei. O governo reconhece que a procura deve crescer, mas não a ponto de sobrecarregar o sistema.

Legislação é desconhecida

Em pesquisa do Hospital das Clínicas na capital paulista, 97% dos enfermeiros e 33% dos médicos disseram não saber quando o aborto é legal. . (Estadão)

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Base cede, e CPI prevê ampla apuração

Acordo fechado com a oposição inclui investigação de agentes privados ligados a Cachoeira

Após o impasse da véspera, líderes da base governista cederam e incluíram, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre as atividades de Carlinhos Cachoeira, a investigação de agentes privados ligados ao bicheiro. Apesar de ter conseguido um acordo que prevê ampla apuração, a oposição diz contar com a pressão da opinião pública, já que será minoria na CPMI. Parte dos governistas reagia à inclusão de agentes privados entre os alvos da comissão por temer que a investigação chegue à Delta, construtora que tem bilhões de reais em contratos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e com governos estaduais comandados por aliados. Com o acordo fechado ontem, começou a coleta de assinaturas necessárias para a instalação da CPMI e o início dos trabalhos, previsto para a próxima semana. (O Globo)

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Chamadas de 1ª página_13.abr.12

O GLOBO – Agnelo já admite ter encontrado bicheiro

FOLHA DE SP – Criação de CPI do Cachoeira preocupa Dilma e divide petistas

ESTADÃO – Por 8 votos a 2, STF libera aborto de fetos sem cérebro

C. BRAZILIENSE – STF libera aborto de fetos sem cérebro

VALOR ECONÔMICO – Planalto monitora composição da CPI

ESTADO DE MINAS – CPI já passa por esvaziamento

JORNAL DO COMMERCIO – PT insiste no controle da mídia

ZERO HORA – Pivô dos atos secretos defende governo do PT

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T. S. Elliot

Os homens Ocos

 
Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada.
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam – se o fazem – não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
– Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.
V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o mundo.
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

PT quer abafar mensalão com a CPI do Cachoeira

Presidente do partido diz que investigação vai acabar com farsa

O presidente do PT, Rui Falcão, associou a CPI do Cachoeira, defendida pelo partido para investigar conexões criminosas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a uma operação para desviar o foco do mensalão – que será julgado este ano Supremo Tribunal Federal. Num vídeo postado no site do PT, Falcão convocou centrais sindicais e partidos a se mobilizarem contra o que chamou de “operação abafa” que tentaria impedir investigações sobre Cachoeira e parlamentares de várias siglas, como DEM, PPS e do próprio PT. “A bancada do PT na Câmara e no Senado defende uma CPI para apurar esse escândalo dos autores da farsa do mensalão”, afirmou. No Congresso, governistas trabalham para assegurar o comando da CPI e impedir que a comissão fuja do controle, atingindo aliados. A oposição, com PSDB à frente, fala em investigação sem limites. (O Globo)

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Chamadas de 1ª página_12.abr.12

O GLOBO – Ideli é convocada a se explicar sobre lanchas

FOLHA DE SP – Gravação da PF indica pagamento de propina no DF

ESTADÃO – Grampo indica que Agnelo, o ’01’, procurou Cachoeira

C. BRAZILIENSE – Aliados temem que CPI do Cachoeira vire tsunami

VALOR ECONÔMICO – A CPI que todos apoiam e ninguém quer

ESTADO DE MINAS – Aborto de anencéfalos tem maioria no Supremo

JORNAL DO COMMERCIO – Câmara dobra valor da multa da lei seca

ZERO HORA – Venezuela: Por que Chávez não veio ao Brasil

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Gravações da polícia indicam pagamento de propina no DF

Operador de Cachoeira aparece como intermediário de construtora em diálogos

Diálogos telefônicos interceptados pela Polícia Federal sugerem que a construtora Delta, uma das maiores do país, pagou propinas para receber pagamentos por serviços prestados ao governo do Distrito Federal.

As conversas foram gravadas com autorização judicial durante as investigações sobre os negócios do empresário Carlos Cachoeira, preso em fevereiro sob a acusação de explorar jogos ilegais.

A construtora Delta é a empresa que domina o serviço de coleta de lixo no Distrito Federal. O contrato mais recente foi assinado em 2010, antes da posse do governador Agnelo Queiroz (PT).

Numa conversa interceptada em abril de 2011, um assessor de Agnelo, Marcelo Lopes, afirmou que o governador instruíra sua equipe a “cuidar da Delta” para “não dar problema no lixo”.

Do outro lado da linha estava o sargento da Aeronáutica Idalberto Araujo, o Dadá, apontado pela polícia como principal operador de Cachoeira. Ele também foi preso junto com o empresário.

Em outro diálogo interceptado pela PF na mesma época, Dadá disse a Marcelo que a Delta “não vai dar um real para ninguém”, por causa da demora para receber do governo os pagamentos pelos serviços de coleta de lixo.

O então diretor da Delta na região Centro-Oeste, Claudio Abreu, avisou o operador de Cachoeira que faria isso em março de 2011. “Não dá mais, rapaz, estamos sem receber, não cai dinheiro”, disse.

As conversas gravadas pela polícia mostram também que Abreu e Dadá trabalharam para nomear pessoas de sua confiança nas áreas do governo do DF responsáveis pelo gerenciamento dos contratos do lixo.(Folha de SP)

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