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A Gerentona no bambolê da maquinação

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Não se podia esperar outra coisa de um “poste”, postado na Presidência da República pelo Pelegão, a quem falta preparo, cultura política e competência. Com o povo nas ruas, indignado com a corrupção, a impunidade e o desarranjo administrativo, é evidente que, para manter o seu partido no poder, a Gerentona roda no bambolê da maquinação.

O povo é mais sabido do que os pelegos pensam. Submeter o povo não é manobrar com frações minoritárias que comparecem às assembléias dos sindicatos. Os brasileiros estavam sufocados em ver que nos onze anos de PT-governo o roubo impune consumiu 40% de carga tributária imposta por uma política econômica equivocada.  

E não são apenas os impostos escorchantes e a roubalheira… Assistimos ao sucateamento da assistência médica, das escolas públicas e o deperecimento da Petrobrás, por culpa de um obsceno pacto da inaptidão e o assalto às verbas públicas.

Acumulam-se também as promessas sempre requentadas com repetição marqueteira para enganar as camadas mais indiferentes ou ignorantes da população. Nem é preciso enumerar todas; lembrar apenas as 6.000 creches, os 800 aeroportos, a faxina ética, o equilíbrio fiscal e o combate à inflação.

Em lugar dessas ofertas eleitorais, vieram bolsas disso e daquilo, ora estimulando a vadiagem, ora desestimulando o trabalho. Dá-se dinheiro sem contrapartida aos beneficiários e proveitos a bandidos condenados e presos, acima do salário mínimo.

Revela-se, também, que além de toda a demagogia, o País foi vendido e colonizado pela FIFA, organização criminosa para a exploração do futebol. Com isso, fez-se a festa das empreiteiras que contribuem para a “caixinha eleitoral”, superfaturando a construção de estádios (chamados, na novilíngua petista, de ‘arenas’).

A parceria dos corruptos e corruptores levou o povo às ruas com um multicolorido de clamores, denúncias e reivindicações, sem partidos manobrando. É um combate contra a politicagem irresponsável, antinacional e antipopular.

Então assistimos que o PT-governo não teve condições de erguer as barricadas contra a massa, embora experiente em blindar os corruptos do partido, sanguessugas, aloprados, mensaleiros, cuecões, traficantes de influência e íntimos de copa e cozinha,

Assim, o lulo-petismo partiu para conspirar e intentar um golpe contra a cidadania e as instituições. A Presidente, limitada de conhecimentos, e inexperiente na política, foi buscar no blog do condenado de Justiça Zé Dirceu, a idéia disparatada de uma ‘constituinte exclusiva’, sem ter um assessor para lhe orientar neste lance aventureiro contra a Constituição.

Como encontraria alguém – entre cidadãos e cidadãs instruídos e informados – que aceitasse essa proposta de sã consciência? Para consolidar o intento golpista, teria que contar com o apoio popular… Mas, como?

As manifestações – num crescendo espantoso – começaram contra o aumento excessivo das tarifas do transporte público, acorrendo para denunciar os lucros das empresas do setor. No bojo das passeatas surgiu espontaneamente o repúdio à manipulação dos partidos, e novas denúncias, queixas, reivindicações e o enfrentamento com o PT-governo, responsável por ressuscitar o Dragão da Inflação e suas conseqüências trágicas no bolso dos assalariados.

Levantaram-se problemas na Educação, Saúde e Segurança… A ‘reforma política’ nem foi cogitada… Apareceu depois, de cima para baixo, da hierarquia governamental, para salvar-se, desviando a atenção dos protestos…

O repúdio foi unânime, ou quase unânime. A tal reforma rola no vai e vem no ping-pong de um Congresso onde fervilham os antigos 300 picaretas e outro tanto de neo-picaretas; como crer que essa gente faça uma reforma ética? Como acreditar que legislem para enfraquecer suas mamatas?

Poderá este governo fracassado, infiltrado de ladrões, convocar e presidir um plebiscito sobre novos mandamentos políticos, federativos, e o processo eleitoral? É praticamente impossível que faça algo contra a sua própria natureza…

Felizmente o povo vem mostrando que não aceita mais os floreados do lulo-petismo. A prova disso é a continuidade das mobilizações e concentrações. É o cerco à casa de Lulla, em São Bernardo, com o coro de “Luladrão!”. É a ação direta sobre os governos estaduais e municipais.

O PT-governo está desacreditado e o Poste sem iluminação. Chega de incorreção, falta de decoro e conveniência. Basta de enrolação. Lulla não engana mais.

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Esquerda, direita… Marche, em frente!

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Do observatório conquistado nos meus oitenta anos de vida, com sessenta e cinco dedicados a estudos teóricos e observação da realidade brasileira, verifico várias convergências de personalidades e instituições políticas brasileiras.

Nos meados do século 20 registra-se a intervenção de Plínio Salgado, integralista, católico e conservador, que pontificou na Semana de Arte Moderna, afirmar no seu manifesto literário “Discurso às Pedras do Deserto” que o Brasil não podia continuar sendo o “paraíso dos banqueiros”.

No universo paralelo das idéias, Luiz Carlos Prestes, militar revolucionário, positivista e depois comunista, denunciou a tentativa de neo-colonização do País pelo imperialismo econômico europeu e norte-americano.

No fim do século passado, outra convergência: Leonel Brizola, exilado pelo vigor das suas convicções trabalhistas e nacionalistas, cutucava as remessas de lucro das multinacionais estrangeiras, ao tempo em que o general João Batista Figueiredo, na presidência da República, repudiava a proposta de João Havelange, então na CBD, para realizar a Copa do Mundo no Brasil, dizendo: “A Nação Brasileira tem muitos problemas a cuidar no campo da Educação e da Saúde não pode arcar com os gastos desta competição esportiva internacional.”

Hoje, a falsidade dos lulo-petistas ocupando o poder se confundem, por oportunismo, à esquerda e à direita. Não teem convicções patrióticas, são levados exclusivamente pela ânsia de poder e o enriquecimento ilícito assaltando os cofres públicos. A honestidade não pode ser dimensionada por discursos demagógicos, mas por atitudes.

Em 1964, fui preso como dirigente de diretório acadêmico e defensor da legalidade. Interrogado por um major do Exército na 2ª Companhia de Guardas, no Recife; ele perguntou o que eu faria se desembarcassem no Brasil tropas cubanas para implantar o comunismo. Respondi que me juntaria a ele, que me aprisionava, para lutar contra qualquer intervenção estrangeira no meu País; e depois, rindo, disse também que duvidava muito que viessem soldados da pequenina ilha do Caribe invadir o Brasil…

Nisso se vê a diferença de um zelador da democracia republicana e os pelegos do PT que só teem a preocupação de se manter no poder. Fazem discursos dizendo-se democratas, resistentes à ditadura: mas foram desmascarados pelo jornalista, escritor e político Fernando Gabeira, confessando que não lutavam pelo retorno à Democracia, mas para implantar o comunismo e atualmente defendem uma invasão cubana de médicos…

Na sua permanente impostura, os pelegos lulo-petistas, hoje guardiães do paraíso de banqueiros e da exploração de capitalistas estrangeiros e financistas da Bolsa, agem inversamente aos brasileiros honestos. E deixam transparecer a sua ideologia equivocada, nem de esquerda nem de direita, apenas de oportunismo populista.

A falsidade ideológica e intelectual do PT e satélites culmina na preparação de um golpe contra a Constituição e a jovem Democracia brasileiras.

O porta-voz desta perversão é o alter ego de Lula da Silva, Dilma Rousseff, acossada pela rebelião popular que vai do Oiapoque ao Chuí mostrando indignação contra a corrupção, a impunidade, a incompetência, a ressurreição da inflação e os desvairados gastos com a Copa do Mundo.

A saída encontrada por Dilma e seus 40 ministros, é atentar contra a normalidade constitucional. Bem poderia legitimar a reforma política desejada pelo povo com a sua maioria de 420 parlamentares na Câmara Federal, que aprovam servilmente insólitas medidas provisórias do PT-governo.

Mas os pelegos, na aflição da perda do poder, recorrem a meios ilegítimos, contrários ao Direito e, por que não dizer, contrários à moral e a ética. Preparam um golpe arquitetado pelo aprendiz de Mussolini, José Dirceu, condenado à cadeia, pelo STF, por formação de quadrilha e assalto ao Erário.

Os brasileiros conscientes obrigam-se a reagir contra esse lance indigno da pelegagem, e as redes sociais – com seu multicolorido ideológico – já tomaram conhecimento da ameaça fascista e, com probidade e amor ao Brasil, dizem presente! Esquerda, direita, marchem… Em frente!

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Protestos violentos e vaias muito  mais contundentes

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Como o Brasil de hoje me faz lembrar Castro Alves, ao poetar “Quando das ruas se eleva/ Do povo a sublime voz/ um raio ilumina a treva (…)”, o poeta do patriotismo brasílico, está vivo entre nós!

As manifestações de protesto pelo efeito mais direto da inflação no bolso do povo, teem um quê de patriótico e do despertar da nossa gente, diante da enxurrada de promessas não cumpridas – e sempre repetidas, para ludibriar os desavisados.

Alguns otimistas prenunciam uma “Primavera Brasileira”, capaz de varrer os erros acumulados de há muito, que ficaram claros como cristais nos desacertos e na desonestidade da Era Lulo-petista, com incompetência, mentiras, roubalheira e a voraz fome pela manutenção do poder.

Quem sabe se o aprendizado democrático do protesto popular não será a faísca, de que falava Rosa de Luxemburgo, para incendiar uma revolução? O cenário está pintado com o realismo da crise econômica, que o irresponsável Lula classificou de ‘marolinha’, e com a crise política provocada pela inaptidão e falta de autoridade de Dilma.

A agitação que se multiplica com rapidez por todo território nacional deve-se, em grande parte, ao despontar de novas lideranças estudantis, independentes da pelegagem que se apossou da UNE e outras entidades de classe. A juventude é o tempero no caldeirão efervescente da insurreição inconsciente nascida de reivindicações diversas que estavam reprimidas na sociedade.

Caindo oito pontos percentuais na popularidade, e talvez mais, nas pesquisas nem sempre confiáveis, Dilma sofre o julgamento popular pelos desacertos da economia maquiada e remendada, com os pacotes que revelam a covardia em realizar as reformas necessárias ao País. E também pela mediocridade da ação política, como se assiste no balcão de negócios sujos instalado no Congresso Nacional.

Os protestos, principalmente no Rio e em São Paulo, trazem uma face negativa, por causa da reação diante de uma polícia truculenta. Isto, porém, não lhes tira a justeza da demonstração democrática, nem inibe o aplauso dos que os consideram fundamentais para as mudanças que a Nação precisa.

Àqueles que condenam as ações de rua apontando as bandeiras dos partidos extremistas de esquerda, PCO, PSOL e PSTU, exageram, porque essas organizações não mobilizam ativistas com intenção de ir às ruas para fazer baderna e depredações. Não. Alguém levantou, com propriedade, que o que ocorre é a indignação da massa desacostumada ao exercício democrático, enfrentando uma polícia treinada e acostumada ao desrespeito ao povo e à repressão irascível. 

O termômetro que mede os protestos populares é a feira; é a carestia encontrada nas prateleiras dos supermercados e a própria queda das vendas no comércio, pela perda do poder aquisitivo do povo.

E isto se viu mais contundente na reclamação pacífica dos torcedores brasilienses vaiando a presidente Dilma no Estádio Mané Garrincha. na abertura da Copa das Confederações. E não foi por acaso; os presentes ao jogo Brasil x Japão aplaudiram tudo, a dedicação dos voluntários, a entrada dos jogadores e a execução dos hinos dos dois países.

Os apupos começaram ao ser anunciados a presença e os discursos do presidente da colonialista FIFA, Joseph Blatter, de Marín, presidente da CBF, e de Dilma, que não se encorajou a falar. Blater pediu ´fair play´ aos torcedores, o que incentivou o recrudescimento das vaias nas arquibancadas lotadas…

Por duas vezes Dilma foi vaiada quando anunciada oficialmente. Fechou a cara e resumiu seu programado pronunciamento a uma frase: “Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações FIFA 2013”.

Testemunhas oculares garantem que a Presidente saiu do Estádio com lágrimas nos olhos; e, sem dúvida, mereceu este constrangimento. Que isso seja motivo para ela venha a refletir sobre os equívocos políticos e econômicos na condução do seu governo.

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A questão indígena: prós e contras

MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Quando portugueses espanhóis e franceses chegaram neste lado do Atlântico, encontraram povos organizados. De acordo com Capistrano de Abreu, havia setenta e seis tribos, divididas em cinco grupos distintos, Tupis, Cariris, Aimorés, Caraíbas e Nuaruaques.

Os tupis (ou tupis-guaranis) eram os mais numerosos, ocupando grande extensão geográfica: habitavam o litoral que ia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul; alcançavam Uruguai, Paraguai e até as encostas dos Andes.

Um estudioso do problema indígena, o jornalista e escritor Otávio Brandão, escreveu: “Pelos métodos mais bárbaros, na violência, no sangue e na lama, a comuna primitiva dos índios começou a ser destruída no século XVI. (…) Para os índios, a História do Brasil e da América se resume numa palavra escrita a ferro e fogo: Extermínio.”

A execução desta barbárie se deveu – na maior parte, aos bandeirantes – os heróis paulistas. Em São Paulo há uma coisa esquisita: Não há um só beco com o nome de Getúlio Vargas, mas uma imensa quantidade de logradouros dedicados aos bandeirantes.

As “Entradas” e “Bandeiras”, para glória de ‘Deus’ e da ‘Coroa’ dizimaram a maior parte das setenta e seis tribos enumeradas por Capistrano. Além da invasão, a destruição. E ainda pior, conseguiu-se jogar índios contra índios, numa auto-exterminação, para tristeza e vergonha das novas gerações.  

Seria fastidioso enumerar os massacres. Chegando aos dias atuais, cabe uma pergunta: os indígenas restantes, que receberam o amparo de Rondon (“Morrer se preciso for matar nunca!”), e tiveram reconhecidas extensas reservas por diversos governos republicanos, são violentados atualmente?                                                                                                                                                                          

Somente em parte, para ser benevolente… Recebem a solidariedade da ampla maioria dos brasileiros, e recebiam uma respeitável assistência da FUNAI – herdeira do SPI –antes deste órgão ser vilmente aparelhado pelo PT-governo.

É impossível deixar de registrar, também, o trabalho que foi desempenhado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cuja assistência humanitária (e política) era notável, antes de sofrer a influência da ideologia dominante, desviando-o dos objetivos.

Assim se vê, tristemente, que a movimentação política dos nossos índios está infiltrada de oportunistas das próprias etnias, e também de bolivianos e paraguaios, além dos agitadores político-partidários, grupos religiosos e ONGs.

Daí, vale citar as brigas e invasões de propriedades rurais, em nome de um direito ilusório, a recuperação de terras ancestrais há muito ocupadas por ruralistas. Os índios brigam e invadem fazendas, estimulados por frações oportunistas que se aproveitam da má atuação pela incompetência e relaxamento da FUNAI e órgãos correlatos.

Qualquer cidadão e cidadã de bom senso, desejoso de justiça social e desenvolvimento econômico, enxerga as vacilações e erros do PT-governo neste caso. Por isso, vivemos uma tremenda confusão, que embaraça e atrapalha a formulação de políticas sérias que todos, índios e não-índios, merecemos.

Como aceitar que se perpetre a invasão do plenário da Câmara dos Deputados por índios, instrumentalizados por movimentos sociais? … E que a Presidência da República disponibilize aviões da FAB para transportar os ocupantes à força das obras de Belo Monte?

É condenável, por exemplo, o aplauso dos religiosos do Cimi à invasão de um hotel no sul da Bahia. Registre-se que esta expropriação foi fotografada, mostrando os ocupantes ‘índios’ despojados em poltronas assistindo tevê, e enfatuados nos quartos do hotel.

Saiu da pauta e ficou fora das colunas dos grandes jornais, a arbitrariedade com que se fez a ocupação da Raposa-Serra do Sol, em Roraima. A bola da vez é o Mato Grosso do Sul, onde a encenação é burlesca. Ali se vê o quanto a FUNAI definhou.

Diante disso, acho que seria aconselhável a suspensão de todos os processos em curso de identificação e demarcação de terras pela FUNAI, que age – como escreveu Denis Lerrer Rosenfield, “ao arrepio da lei”, incentivando a instalação do caos no mundo rural…

 

 

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Fraude ideológica lulo-petista aniquilou o MERCOSUL

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

O ilustre pensador brasileiro Edmundo Muniz, recentemente biografado pelo jornalista Sérgio Caldieri, deu uma lição que cai como uma carapuça na fraude ideológica do lulo-petismo, ensinando: “São ‘caranguejos da utopia’ os que incapazes de projetar o futuro, querem restabelecer o que perdeu a razão de existir”.

A exatidão desta colocação deveria nortear as análises sobre o definhamento do MERCOSUL, criado com sadias intenções de estabelecer um mercado comum no Cone Sul da América.

Por temer o progresso, os ‘caranguejos da utopia’ que assumiram o poder no Brasil e na Argentina barraram, com politização retrógrada, a integração comercial pretendida pelos fundadores do MERCOSUL. Enquanto isso, os países libertos do contrabando ideológico ‘bolivariano’, formaram a Aliança do Pacífico abrindo perspectivas auspiciosas.

O Brasil dos pelegos lulo-petistas, amarrado a conceitos ultrapassados, dança do concerto mundial, jogando confetes aqui e acolá. Fantasia a reativação da Rodada Doha, paralisada há vários anos, e se ilude perseguindo uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU… Os carreiristas procuram ‘aparelhos’ em vez de trabalho.

Inversamente aos objetivos do PT-governo, concretiza-se a iniciativa dos governantes mexicanos, colombianos, peruanos e chilenos, buscando num ajuste com enormes possibilidades de ramificação. Sem medo de fazer contratos com os países do Primeiro Mundo, escapam da estreiteza das relações exclusivas Sul-Sul e miram o futuro.

É tão promissor o futuro da Aliança do Pacífico, que oito países já mantêm o status de observadores, Austrália, Canadá, Costa Rica, Guatemala, Japão, Panamá, Nova Zelândia e Uruguai; e, no mês passado, em Cali, Colômbia, foram admitidos sete novos membros observadores – El Salvador, Equador, França, Honduras, Paraguai, Portugal e República Dominicana.

Assim, ativa-se com o México e os países andinos uma estratégia oposta à do MERCOSUL. Pensam em ocupar espaços como os emergentes África do Sul, China, Índia e Rússia, que os produtores brasileiros perdem.

A História recente da América Latina registra que nos últimos dez anos o Brasil cristalizou-se como a mulher de Loth, por só olhar para trás, preso a uma ideologia superada, impostora. Comete um erro geopolítico imperdoável. Falta aos governantes petistas perspicácia no conceito de livre comércio e sobram-lhes os obstáculos das suas limitações culturais e ambições políticas.

Neste quadro, vemos o raquitismo econômico brasileiro pelo desequilíbrio entre importações e exportações de bens, com um déficit acumulado em maio de US$ 4,6 bilhões; e, para tapar esse buraco, precisa-se de um superávit mensal de US$ 2,7 bilhões até dezembro, para cumprir a projeção do Banco Central.

Do outro lado, os quatro países da Aliança do Pacífico crescem mais que o Brasil, têm inflação menor, e multiplicam acordos comerciais com países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Como se vê, há uma diferença enorme entre os membros do MERCOSUL e os da Aliança, uma oposição do que está estagnado e do que se sobressai. Vê-se que as lideranças empresariais dos países da Aliança apóiam vigorosamente a política empreendida pelos seus governos, enquanto é visível o abatimento do setor privado brasileiro, desesperançado com o MERCOSUL.

É chegado o momento limite para nacionalizar as relações internacionais do Brasil, desviadas pelas distorções ideológicas do Itamaraty “do B”, que arrastam pelo focinho os búfalos que carregam as decisões econômicas do PT-governo.

 

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PIB: Um alçapão que engole a incompetência

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Enfim, os números – que não mentem jamais – mostram o desencontro da nossa economia entregue ao mais incompetente ministro da área, Guido Mantega, cuja faculdade de apreciar a conjuntura econômica se resume em maquiar resultados e projetar mentiras para o futuro.

Com mais cores do que as bandeiras das passeatas gay, Mantega ornamenta o resultado da operação econômica acreditando enganar a Nação com a verbosidade com que os pelegos controlam sindicatos.

O PIB – Produto Interno Bruto – em economês, é a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos num espaço econômico por um período determinado. Serve para aferir a atividade econômica deste espaço, região, país, estado ou município. Na adição, agregam-se somente bens e serviços finais, excluindo-se todos os bens de consumo de intermediário.

É claro que a pelegagem brasileira não segue à risca essas regras, procurando sempre o consagrado ‘jeitinho’ da Lei de Gérson para ficar bem na fita… No caso atual, o PIB do primeiro trimestre do ano foi fraquíssimo, de apenas 0,6%, e mesmo assim graças ao desempenho agropecuário, para quem os lulo-petistas torcem a venta, desprezando e sabotando…

“Especialistas” chapas-branca explicam que a debilidade se deveu à queda do poder de compra das famílias, ignorando ser isto uma consequência infalível das ameaças do dragão da inflação. Apesar dos lulo-petistas explicarem, tentando justificar, o certo é que assistimos uma situação embaraçosa para o PT-governo.

A decepção com o PIB foi anunciada. Só os estúpidos e ignorantes se desiludiram com a mesquinhez dos números, porque acreditaram na presidente Dilma que disse alto e bom som, que tudo ia bem salientando o engana trouxa do ‘pleno emprego’, bandeira e slogan dos defensores do seu (des)governo.

A ex-gerentona emaranhou-se na burocracia implantada pelo seu criador, confundindo-se com seus quarenta ministros. Pode até ser que ela reconheça a parvoíce dos paspalhões ‘imexíveis’, mas obediente ao seu superior, nada faz.

Com isso, descemos a ladeira da economia. A maior prova está na decisão unânime do BC, (unânime!) subindo os juros em 0,5%, fruto da inquietação diante da inflação.

Com otimismo, pode-se projetar que o país cresça 2% este ano, quadro que certamente deverá ser explorado pela oposição em 2014. E somente por um milagre, o PT-governo sairá do atoleiro provocado pelo recuo de 0,3%, da indústria, da falta de investimentos e pela queda do consumo.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), sem nenhum favor, melhor aparelhada de técnicos competentes do que o PT-governo, divulgou as projeções para este ano: o crescimento do PIB para 2,5%; o da indústria de transformação para 1,9%; o da construção civil para 1,9%; o dos serviços, para 2,7%; e o da agropecuária, para 3,7%.

Assim sendo, e mais com o ritmo das exportações caindo, a Governanta, ao que me parece, está como cega no meio de um tiroteio. A saída honrosa seria ter coragem de passar o bilhete azul para Mantega, comprovadamente inábil e sem credibilidade.

A ele, foi dada a força para intervir na economia; e até fantasioso, como se viu na invenção da classe média ‘D’, com o estímulo ao consumo, nas desonerações e nas maquiagens estatísticas… Mas chega a ser ridículo pelos vaivens da sua inaptidão e a empáfia arrogante dos seus pronunciamentos.

Repito, é preciso que Dilma tenha coragem para nomear outro titular do Ministério da Economia. Mantega é o pôster da frustração, e mesmo com o BC elevando a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 pontos, para 8% ao ano, não se evitará que a descida seja maior.

O ‘pibinho’ é o alçapão que engole a incompetência. Um comentarista desta cena decepcionante ironizou, propondo que para brecar a inflação e impor o mínimo de 2,7% para o PIB, só através de decreto ou medida provisória… E que sejam revogadas as disposições em contrário…

 

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Bolsa Família: Boatos típicos da contra-informação

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

O fato político mais importante da 2ª quinzena de maio foi, sem dúvida, o boato sobre o Bolsa Família, nascido no seio do PT-governo, que o demonizou, acusando ou apenas insinuando tratar-se de uma manobra da oposição.

A presidente Dilma referiu-se a ‘crime’ definindo a corrida dos bolsistas como um fato “absurdamente desumano”, e solicitou da Polícia Federal investigação imediata. É impossível provar se ela sabia que a origem de tudo foi a alteração no calendário dos pagamentos do benefício, sem aviso prévio.

Sem aviso prévio e suspeito, porque à primeira hora a direção da Caixa Econômica negou essa informação. Porque a negativa? Depois, oficialmente, numa cuidadosa nota, alterou a negativa e admitiu ter antecipado o pagamento para a sexta-feira, dia 17, com o objetivo de melhorar o Cadastro de Informações Sociais.

Huuummm… E o boato, partiu de quem? Foi uma chispa que levou pânico a milhares de beneficiados, numa manifestação inesperada. Inexplicável é que os caixas estavam reforçados com antecedência e atenderam 920 mil saques no momento, despendendo 152 milhões de reais no pagamento do benefício.

A Polícia Federal levou a sério a ordem de Dilma e em menos de 48 horas apresentou os primeiros resultados apontando a ação partiu de ligações originadas por telemarketing. E, sem dar o nome da empresa à publicidade, concluiu a investigação.

Agiu bem e prontamente a PF, por se tratar de um crime. Quando alguém recebe uma notícia que foi preparada para causar efeito político está sendo vítima de estelionato. Onde há crime, há criminoso; neste caso, autor da contra-informação oficial presente no cotidiano dos brasileiros.

É uma manobra executada na propaganda do PT-governo, nas ‘sondagens’, nas ‘pesquisas’, em estudos e no levantamento de estatísticas para alimentar o marketing – cérebro, coração e pulmões do governo virtual de Dilma.

Voltando ao boato do Bolsa Família, é evidente a participação nele de agentes do lulo-petismo. Basta lembrar a pressa da ministra Maria do Rosário acusando a ‘oposição’, com base na escapatória inicial da Caixa Econômica e o pronunciamento sisudo do Ministro da Justiça suspeitando de responsabilidade da internet…

Ora, a rapidez do boato leva à Rede Social, sem dúvida, mas a população interessada que não tem acesso à internet; e esse foi o fio da meada para os hábeis investigadores da PF: só pode ser o celular o meio de comunicação acessível a todos…

Aí, uma pergunta se faz necessária: Como e por que a tal empresa de Telemarketing – cuja razão social está escondida até a hora em que redijo este artigo – possuía a relação dos dependentes do Programa?

Ocorre é que os tempos que atravessamos favorecem preocupações sociais e está na carestia de vida o retrato da inflação provocando insegurança financeira. Neste terreno fértil de inquietação, uma visita ao supermercado ou à feira, dá força a boatos de todos os gêneros.

Isso facilitou o trabalho da central de boatos apontada pelos ministros de Dilma e na fala revoltada dela. Estava armado um golpe para um dos dois presidentes aparecerem defendendo ‘os pobres’ contra a direita reacionária.  O boato sem dúvida se beneficiaria politicamente o PT-governo: um atendimento rápido à corrida nas agências bancárias mostrando eficiência; e as acusações feitas à oposição atingindo os menos dotados de inteligência.

Outra coincidência bem coincidida: Dilma estava no Nordeste, onde o mapa registra a maior incidência de bolsistas familiares… Seu discurso estava pronto para atender aos nordestinos dependentes dos programas sociais.

Foi lá em cima (geograficamente) que ela havia dito estar disposta “a fazer o diabo’ para se reeleger… Naquele palanque de acolhimento a pronunciamentos retóricos e demagógicos, Dilma não teve cerimônia em insinuar o boato como ‘de oposição’.

Faz parte da teoria da contra-informação provocar emoção intensa ao auditório, e a denúncia imediata de que foi a ‘oposição’ a responsável pelo boato semeou dúvidas até agora não desmentidas. Venho colocando aspas em ‘oposição’ por que não vejo organização e muito menos força aos partidos que, apenas no parlamento – reagem às maracutaias do PT-governo.

 

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Atraso na MP dos Portos e 2 Eduardos conflitantes

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Entre os disparates permanentes e ininterruptos do PT-governo na sua incompetência e flutuante ideologia, assistimos à novela do marco regulatório do setor portuário, que o lulo-petismo combateu quando FHC tentou implementá-lo.

Assim se passaram 11 anos do primeiro intento privatista, tendo no permeio uma exdrúxula, demagógica e incompetente intervenção do ex-presidente Lula da Silva, com um decreto que impediu, por falso nacionalismo, investimentos e modernização dos portos.

A MP dos Portos veio atrasada e apressada, tendo como protagonistas dois Eduardos, o deputado Eduardo Campos e o senador Eduardo Braga. Além das posições conflitantes, mostraram uma contradição: Campos, deputado, defendeu o princípio federativo; Braga, senador, que deveria fazê-lo, defendeu o centralismo totalitário.

Vi, com total isenção, Eduardo Campos reivindicar a autonomia dos estados para gerir os seus portos, demandando, como bom pernambucano, a gerência do Porto de Suape; do outro lado, Eduardo Braga como tarefeiro do PT-governo, foi obrigado a recuar no seu relatório, permitindo aos Estados e municípios controlarem seus terminais portuários.

Nos capítulos que se sucederam assisti a debilidade dos articuladores de Dilma no Congresso, e a derrota acachapante da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman – que arrogantemente afirmara não ceder qualquer item da MP original.

Apesar de um final feliz para os governistas o processo legislativo foi escandaloso, com subornos pela liberação de emendas parlamentares, enfrentamentos pessoais de deputados e o aviltamento do Senado ao Palácio do Planalto.

O Senado foi tão subalterno que até mesmo seu voto sofrerá veto a alguns artigos da MP que aprovou. Dilma, fazendo o diabo a perseguir a reeleição, não tocará na emenda que garantiu a presença integral dos serviços prestados pela Receita Federal, ANVISA e Ministério da Agricultura.

Entretanto, ávidos da centralização, setores lulo-petistas encastelados no Planalto pensam em trair a concessão federativa, impedindo que as novas licitações sejam feitas pelo Estado ou município, como poder concedente.

A rasteira que preparam obedece à cultura da pelegagem sindical ansiosa pelo faturamento político, pessoal ou grupista. Pouco importa aos pelegos a chiadeira dos companheiros estatistas.

É certamente necessária e de certa maneira urgente, a privatização dos portos para garantir o escoamento da produção, não somente para exportação como na circulação interna. Isto, porém, não deveria ser a custo da desmoralização do Poder Legislativo.

A aceleração para aprovar esta MP dos Portos sugere que o seu conteúdo não deveria ser apreciado condizentemente. Restam dúvidas quanto à proposição original: era realmente honesta ou trazia contrabandos no seu conteúdo?

A independência e a harmonia entre os três poderes da República são fundamentais para a Democracia, e devemos preservá-la. Parece-me, porém, que o PT-governo usa as Medidas Provisórias como ferramenta da sua marcha batida para um golpe de Estado.

Será que parlamentares sujeitos às ordens ‘de cima’ foram industriados a fazer inclusões ilegítimas no texto, dando margem aos vetos? Sem medo de errar, afirmo que mais de 80% dos parlamentares que aprovaram a MP desconhecem a realidade portuária e o próprio conjunto das providências que aprovaram.

Com a corrupção irradiada em todas as esferas do poder, as suspeitas permanecerão. O crescimento econômico não se resume a portos; como a infraestrutura é indigente, será que virão novas MPs para cada uma das malhas da rede econômica? Como tratar dos aeroportos, ferrovias, rodovias, enfim, dos meios de escoamento da produção? Assistiremos a reprise da repugnante negociação no Congresso?

 

ARTIGO

O Dragão da Inflação e a Classe Média

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br

A presidente-adjunta Dilma Rousseff susteve consciente a chave da jaula que prendia o Dragão da Inflação e deu liberdade ao monstro. Ao assumir este grave crime contra os brasileiros dá mais um passo para a desordem nacional, preparando as condições desejáveis para um golpe institucional contra a República e a Democracia.

É a manobra final dos perseguidores do totalitarismo. É o desejo obsceno dos pelegos que tomaram o poder por um estelionato eleitoral e querem mantê-lo na forma de uma pseudo ‘ditadura popular’.

Isto me leva a um dos vultos mais respeitáveis da nossa História, o jurisconsulto Ruy Barbosa, legando-nos o patriótico pensamento, “abomino as ditaduras de todos os gêneros, militares ou científicas, coroadas ou populares”.

Amante da liberdade republicana, Ruy já havia previsto que um dia os oportunistas assumiriam a supra-estrutura ideológica, impondo o demérito, a corrupção e a inconsciência jurídica.

Escreveu o Águia de Haia na sua Oração aos Moços: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Não à ditadura. Mas, como evitá-la se a inflação já atormenta as famílias mais pobres, desgastando os seus parcos rendimentos com alimentos, transporte e aluguel. O salário-mínimo é corroído, e a cada dia essa desgraça se torna incontrolável pela leniência do próprio PT-governo.

O pior de tudo é que cavalgando o Dragão vemos o consumismo incentivado e implementado pelos detentores do poder. A cena é horrenda envolvendo outra criação maldosa, a virtual classe média “C”, englobando 30 milhões de brasileiros figuradamente promovidos, pois se mantêm sem saúde, educação, moradia e sem o direito de ir e vir pela insegurança das ruas.

Uma lição elementar da ciência econômica ensina que o fundamento da economia é formado pelo tripé inflação, juros e câmbio. A inflação se define pela queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro; popularmente interpretando o aumento geral dos preços no mercado consumidor.

A inflação se deve ao descontrole dos juros e do câmbio. Arruinando a equação dos três elementos fundamentais, mergulhamos no ciclo diabólico do quanto pior melhor como querem os golpistas.

A tradicional e verdadeira classe média obriga-se a cortar itens de consumo necessário e fazer dívidas. Assiste a chegada da carestia nos alimentos, aluguel e remuneração dos serviços e do pessoal doméstico.

Este endividamento cresceu justamente nos cartões de crédito (73,6% do total das famílias), obrigando-se a quitá-lo a 190% de juros ao ano sob duras penas.

Pior de tudo é sujeitar-se a ouvir aberrações da ideóloga do lulo-petismo Marilena Chauí (o neologismo é preciso para sermos ‘politicamente corretos’). Diz a professora obreirista “odiar a classe média”, que considera ‘conservadora’ e ‘reacionária’. Este ‘ódio’ é dirigida à fração social que estuda, pesquisa, trabalha e produz riquezas, apesar de achacada por impostos escorchantes.

A odiosidade dos militantes do fascismo lulo-petista inspirados por Marilena Chauí, se volta contra os colegas dela, os professores; e também aos artistas, bancários, funcionários públicos e privados, aos jornalistas, militares e pequenos e médios empresários.

Qual o motivo deste ódio? Não há dúvida de que é dirigido às pessoas bem informadas, e por isso inconformadas com os rumos que o país toma sob o reino da impunidade acobertando a corrupção, os mensalões e o peleguismo oportunista com sua ineficácia arrogante e terrorista.

Na marcha batida para o golpe, aproveitando o descontentamento da nacionalidade, fica como peça de museu o tempo esperançoso do Plano Real, deixando no passado a mentirosa e fugaz Era do Consumo, propagandeada pelo PT-governo, na esteira da estabilização econômica no país.

Quando Cuba balança, dá um nó na minha pança. E do Brasil.

Já não basta vivermos no país dos absurdos, ser governado por um bando de aloprados que nos engana com a falsa idéia de um ótimo ensino público na base da não reprovação dos alunos, o qual engana as estatísticas mundiais (ou nem isso), uma máfia dos PTralhas que incentiva a educação superior na base do PROUNI ajudando a pagar os estudos em faculdades de péssima avaliação no MEC, que estavam às portas de fechar, e hoje é capaz de financiar a campanha de seus donos. Não é suficiente pagar uma das maiores taxas de impostos do mundo. Esse governo insaciável também quer acabar com a democracia à base de PECs, enquanto não aprova a PEC da saúde, a PEC 29, que está “deitada em berço esplêndido” desde 2002. Ah! Saúde essa que, dentre tantos despautérios governamentais, consegue ainda se destacar como o pior ponto.

Para quem não conhece, a PEC 29, dentre outras coisas, exigiria que 10% do orçamento do governo fosse automaticamente destinado à saúde. Além disso, distribuía de forma justa o orçamento com a saúde entre Municípios, Estado e Federação. Hoje nosso financiamento por parte do governo federal tem como estrutura base o PAB FIXO, que destina (pasmem!) 12 a 18 reais por paciente na atenção básica.

Já não bastasse o supracitado, os corredores sempre cheios, a falta de postos de saúde de atenção primária que funcionem, rede de médio complexidade nos interiores maiores e sempre jogarem a culpa nas costas dos médicos, eis o cúmulo do absurdo, a importação de 6 mil médicos cubanos. E há quem diga que há mais 8 mil no gatilho, oriundos de Cuba e Bolívia.

Agora podem estar me perguntando se isso não seria bom, já que vemos tantas áreas periféricas sem médicos. Vamos enumerar pontos para facilitar o entendimento ao cidadão de tamanho absurdo, e da manipulação absurda (mais uma) que esse governo populista tenta fazer com as massas.

1-Segundo a ONU, o recomendado é termos 1 médico a cada 1000 habitantes num país. No Brasil temos 1,08 médicos por 1000 habitantes, de forma mal distribuída, de forma que RJ e DF apresentam as maiores proporções, com mais de 5 médicos por 1000 habitantes, e estão os piores indicadores de saúde pública do Brasil.

2-O Brasil está entre os 5 países com maior número absoluto de escolas de medicina, superando países maiores como Estados Unidos e Austrália.

Então, temos médicos suficientes. Ok. Mas se estão mal distribuídos, não seria bom trazê-los? NÃO!

3-Esse é o principal ponto. Essa é a principal queixa dos médicos, há décadas, e os Governos, independente de ideologias, bandeiras, partidos, nunca atenderam. Há muito não se faz mais medicina apenas com a iluminação divina, estetoscópio e uma boa cabeça entre as olivas. Precisamos de um MÍNIMO de dignidade para trabalhar. Precisamos no mínimo de laboratório, exames de imagem como Raio-X, eletrocardiograma e tomógrafos, precisamos de medicamento ao nosso dispor. Precisamos de segurança para não sermos expostos à ira de uma população mal assistida que é  ludibriada ao achar que o médico é herói ou vilão. Precisamos, como qualquer trabalhador, de sermos remunerados de acordo com nosso trabalho, de forma justa, e em dia. Precisamos de um mínimo de dignidade para exercer tão nobre arte.  Engana-se quem acha que os médicos não adentram ao interior e à Amazônia por má remuneração ou por falta de interesse. Eu me uso como exemplo. Trabalhei por um mês numa cidade a 200km da capital onde por 1 mês minhas únicas três solicitações nunca foram atendidas: um técnico de laboratório de plantão, um equipamento de Eletrocardiograma que por falta de equipe treinada eu mesmo iria realizar os exames e uma mísera lanterna para exame da cavidade oral, e ainda passei 3 meses esperando para receber meu salário. Saí de lá e voltei para a capital para trabalhar ganhando 60% menos pela mesma carga horária em atividade semelhante por encontrar um mínimo de estrutura na segunda cidade. NÓS CLAMAMOS POR UM MÍNIMO DE CONDIÇÃO DE TRABALHO E REGULAMENTAÇÃO DE NOSSA PROFISSÃO. No Brasil até a prostituição está em vias de ser regulamentada, e a profissão médica, não.

4- Os médicos formados em Cuba e Bolívia possuem em sua formação acadêmica algo em torno de 50% a menos de carga horária de aulas e atividades práticas que a nossa no Brasil. Suas faculdades de medicina são defasadas e sem infra-estrutura para uma boa prática médica de ensino. Reflexo disso é o índice menor que 5% de aprovação não REVALIDA, prova em que QUALQUER profissional formado em medicina formado em QUALQUER país do mundo que não o Brasil precisa se submeter para exercer a medicina no nosso país, já que os mesmos são oriundos de escolas que o MEC não pôde fiscalizar. O nosso Governo Federal quer trazer para nos atender esses médicos mal capacitados e fazer com que os mesmos NEM SEQUER SEJAM SUBMETIDOS A UM EXAME QUE AVALIE A QUALIDADE DE SUA FORMAÇÃO.

5-A qualidade da medicina no país já vem numa decrescente desde a enxurrada de novas escolas de Medicina abertas no país com critérios duvidosos. A vinda de uma enxurrada de profissionais mal qualificados e vindos para receber uma baixíssima remuneração, no qual grande parte ficará nos cofres do Regime cubano, ainda desvalorizará mais ainda o profissional, tanto em termos de qualificação, como em termos de remuneração, ao invés de estimular profissional que há tanto tempo pede aos governos por infra-estrutura para trabalhar de forma adequada, piso salarial e regulamentação da profissão.

Em suma, o que querem é literalmente “tapar o sol com uma peneira”. Querem jogar a culpa do péssimo estado de saúde da nossa saúde aos médicos, profissionais que trabalham em média 12 horas por dias, no qual a maioria não recebe 13º salário, não tem férias ou aposentadoria, se não for por meio de uma previdência privada, e ao invés de oferecer condições de uma distribuição demográfica adequada dos médicos, estrutura para ofertarmos uma boa saúde à população, o governo opta pelo mais fácil, imediato e não resolutivo, a vinda de mão-de-obra desqualificada para mais uma vez enganar a população.

Até quando a população será passiva em permitir os absurdos desse País?

De um país que político é uma profissão não podemos esperar muita coisa de braços cruzados.

 

Jaime José de Arruda Martins, 25 anos, médico do HSPE/Iamspe.