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Agentes provocadores e a “Primavera de Junho”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Desde a “Passeata dos 100 mil” não se via o povo brasileiro coeso ganhar as ruas contra um governo. As manifestações de junho, como aquelas que ajudaram a derrubar a ditadura militar, foram igualmente autênticas. Ambas nasceram do descontentamento contra governos que se fecharam em si, isolados da realidade, e, por vários motivos, privados da simpatia das frações pensantes da sociedade.

Apenas uma diferença: A primeira reivindicava as liberdades democráticas dirigindo toda energia coletiva para a democratização do País; a atual reflete a indignação contra os desmandos governamentais; partidarização da administração pública; desastradas gestões nas empresas estatais; e o populismo inconseqüente da distribuição de bolsas disto e daquilo.

Todo o leque dos malfeitos do PT-governo converge para uma odiosa corrupção, sistematizada e vulgarizada pelos pelegos sindicais que chegaram ao poder por um estelionato eleitoral. Nem mesmo o indiscutível carisma de Lula da Silva os preserva da investida popular, de tantos que são os seus insultos à inteligência nacional.

Mas como não podia deixar de ser, a chispa revolucionária que levantou o povo brasileiro num movimento independente de classes sociais, espontâneo e apartidário, arrefeceu. E foi substituído pela ação imprudente de reformistas desorientados, de anarquistas pequeno-burgueses, de agentes provocadores a soldo de verbas governamentais e dos eternos assaltantes de propriedades depredadas. Enfim, dos inimigos da Democracia.

O oportunismo desses grupos, aproveitando-se do descontentamento popular dirigido contra o PT-governo, é o reconhecimento da força do povo. E os detentores do poder, em vez de entender isto e fazer uma autocrítica, incentivam o imediatismo dos ignorantes e mantém mercenários infiltrados nas manifestações para desmoralizá-las e enfraquecê-las.

Quando oficializam as concentrações de protesto contra os governantes que lhes interessam combater, reúnem uma meia dúzia de gatos pingados, como se viu na manifestação na porta da Firjan, no Rio, com três centrais sindicais e quatro partidos, que mobilizou menos de duzentas pessoas…

Somente o povo com autenticidade – acima dos partidos e movimentos cooptados pelo PT-governo – é capaz de agrupar gente decidida e radical contra a corrupção generalizada, refletida nos gastos da Copa do Mundo. Somente o povo, manifestando-se sem premeditação ou desvios, pode derrotar o sistema corrompido e degenerado do lulo-petismo.

Um novo levante como a “Primavera de Junho” precisa se apresentar natural e inevitavelmente exigindo do Supremo Tribunal Federal o fim da impunidade e a prisão da quadrilha de mensaleiros que atentou contra a Democracia, fraudando o Erário. O julgamento do Mensalão, emblemático, não pode ficar à mercê de chicanas e chicanistas.

É verdade que há na mídia oficiosa à custa de bilionárias verbas publicitárias do PT-governo e ‘militontos’ nas redes sociais, defendendo orquestradamente os corruptos e corruptores. Como gatos escondidos com o rabo de fora, uns e outros tentam iludir a opinião pública com artimanhas diversionistas.

Os que se atrevem a defender a impunidade, por fanatismo ou pagamento à vista ou a prazo, limitam-se a repetir que a corrupção do PT-governo não é só de um partido, que vem de longe, é fortuito, acidental: um mantra hinduísta do Bhagavad-gita.

Mas o povo, com sua compreensão intuitiva – repudia a tentativa de absolvição dos criminosos flagrados praticando o crime, onde foram manuseados muitos milhões de reais que faltam para a Educação, a Saúde e a Segurança.

É preciso que a voz rouca das ruas se avolume e repila a vileza dos agentes provocadores. É preciso que autênticos patriotas gritem, e gritem alto, para que o STF ouça: Exigimos Justiça boa e perfeita! Prisão para os mensaleiros!

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Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, é injustiça manifesta”

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Após uma demora incomum e, de certa maneira estranha, o Supremo Tribunal Federal recomeça o julgamento do Mensalão, num quadro que assusta os cidadãos e cidadãs que querem que impere no Brasil uma justiça boa e perfeita. Eu me incorporo entre estes brasileiros e trouxe para intitular este artigo uma irrepreensível lição do mestre Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, é injustiça manifesta”.

De olho no STF, ainda considero essa instituição emblemática que apesar dos pesares ainda merece respeito, e neste momento difícil da vida nacional, precisa ser preservado.

É inegável que já assistimos escorregos da Corte – e o exemplo dignificante foi transferir para o então presidente Lula da Silva a decisão sobre o asilo do terrorista assassino Cesare Battisti, que conferiu esse direito em nome de uma nebulosa e equivocada ideologia.

Ouvi, outro dia, uma pergunta que para mim paira em todas as cabeças pensantes deste País: “Para que serve a Justiça?”. Acho que a resposta está no ‘b’-‘a’-‘bá’ dos cursos de Direito. Fazer Justiça é aplicar a correção de um crime pela punição do criminoso.

Voltando a apreciar e julgar o revoltante crime do Mensalão, que já condenou os réus que o praticaram, tem um “novo STF” que se depara com o dilema: Ou cumpre a sentença condenatória, já proferida, ou destrói toda a crença na sua autoridade perante a Nação Brasileira.

À nova composição do plenário da Corte, entraram dois novos membros, os ministros Luís Barroso e Teori Zavascki, ambos indicados pela presidente Dilma Rousseff e aprovados na sabatina do Senado Federal; e agora as suas qualidades e o seu caráter estarão à prova.

A retomada do processo do Mensalão passará por um ritual. Primeiro, serão analisados os embargos de declaração, através dos quais os defensores tentarão reduzir penas de seus clientes. Depois entram os embargos infringentes, que se baseiam na premissa de que a condenação foi definida em votação apertada, 7 x 4.

Os quinhentistas embargos infringentes que veem das Ordenações do Reino e que a legislação atual não prevê, constam esdruxulamente do Regimento Interno do STF e dividem o mundo jurídico de forma radical, sendo que a maioria das opiniões é contrária ao seu acatamento.

Joaquim Barbosa, que é o relator do processo e atualmente preside a Corte, queria iniciar a colisão nesse ponto polêmico, mas reverteu a pauta em razão da morte da esposa do ministro Teori Zavascki, justificando a ausência deste.

Assim, a plenária iniciará com pontos de menor tensão, os embargos de declaração em que os réus contestam contradições no acórdão, obscuridades, ou omissões na decisão condenatória.

O ministro Gilmar Mendes foi enfático ao considerar estes recursos protelatórios. “Tem muitas questões que já foram objeto de discussão, inclusive aqueles pontos polêmicos suscitados. Com toda elegância, pode-se dizer que são, nesse sentido, sem nenhum desapreço, protelatórios”.

Por outro lado, uma matéria publicada no Estadão, informa que “um integrante do Supremo que votou pela condenação da maioria dos réus disse reservadamente que, por ser um julgamento em instância única, o tribunal pode alargar os efeitos dos embargos, inclusive alterando penas.

Se a posição de Gilmar Mendes for apoiada pela maioria do tribunal, antecipará a prisão dos condenados; porém se a tese for considerada irrelevante, o STF poderá reverter o resultado do mensalão, dependendo dos votos dos recém-chegados ministros Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki.

Quero crer que a primeira sentença vigorará, a despeito dos boatos de que os novos ministros estão presos a compromissos político-partidários e subalternos à chefia do Poder Executivo; mas isto poderá dar o contrário nos termos do velho adágio: “Não se sabe o que pode sair da cabeça de um magistrado”.

O grande Rui Barbosa poderá também influenciar o julgamento quando condena a pusilanimidade: “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde!”

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“Mais Médicos” – Improvisação é gêmea da corrupção

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br )

As improvisações político-administrativas do PT-governo são tão constantes e repetidas que causam espanto. O último arranjo, o Programa Mais Médicos, traz a freqüência dolosa das audaciosas ações corrupta e corruptora dos pelegos que ocupam o poder, mostrando que a improvisação é irmã gêmea da corrupção.

O que o regime populista quer, na realidade, é trazer médicos cubanos para o interior do país, estabelecendo bases para a sistematização do “bolivarianismo”, um conjunto de idéias abstratas para perverter a democracia e manter a pelegagem lulo-petista no governo federal, pela dominação pseudo-ideológica.

Que adianta mais médicos se não se constrói e se mantém hospitais de qualidade? O que assistimos no país é a diminuição do número de leitos nos estabelecimentos públicos e mesmo nos privados, com uma demanda crescente de clientes dos planos de saúde.

A oferta de leitos caiu de 453.724 para 448.954 (4.770 a menos), entre 2007 e 2012; registre-se as datas e verifiquem que se deu em pleno reinado do PT.  E tem mais; a Organização Mundial da Saúde estabelece 3 a 5 leitos por mil habitantes, e o Brasil oferece apenas 2,3 na mesma proporção.

Explica-se oficialmente o fechamento de hospitais que atendiam os pacientes do Sistema Único de Saúde – e davam carona aos planos – pelo descompasso das tabelas de procedimentos do SUS. Não é verdade. As verbas destinadas ao atendimento médico público raramente chegam à ponta; ficam na mão de sanguessugas federais, estaduais e municipais.

Este argumento é uma nova estratégia dos ladrões do Erário. Preenchendo vagas com brasileiros em cidades convidativas e levando os estrangeiros para os rincões, a falta de instrumental adequado para o atendimento da população despertará exigências e fará alarde para a volta da CPMF, sonho de consumo do lulo-petismo… 

Depois de onze anos de governo do PT, a improvisação apressada é um gato escondido com o rabo de fora. E mobilizou a classe médica, e agitou o pessoal da Saúde, e despertou os estudantes que deveriam cumprir um “serviço civil obrigatório disfarçado” como classifica o Conselho Federal de Medicina à residência obrigatória no SUS para o exercício profissional.

Para aos médicos “estrangeiros” não se fala nisso. Pelo contrário, eles iriam escapar dos exames de validade dos seus diplomas pelo CFM. E mesmo depois da revolta dos médicos e dos estudantes, se submeterão ao chamado “Revalida” em escolas pouco conhecidas, e não nos centros de qualidade do ensino médico.

Dos bonzos do terceiro mandato de Lula da Silva – que nunca se afastou do governo na palavra de Dilma – o mais falante é o ministro Aloizio Mercadante, da Educação, que pôs na sombra o titular da Saúde, Alexandre Padilha, criando uma nova versão para a proposta inicial de ampliar de seis para oito anos o curso de graduação em Medicina.

Mercadante ocupa um lugar de destaque junto à Presidente-Adjunta, e sua resolução é fazer da residência médica obrigatória no SUS  interferindo na liberdade de opção dos formandos na busca de melhores centros de especialização.

Por tudo o que compõe o ‘Mais Médicos’ o que mais causa estranheza, surpreende e revolta é o PT-governo usar para sua implantação uma Medida Provisória, atropelando o Congresso e, porque não dizer, o CFM e demais entidades médicas.

Um editorial do Estadão trouxe a crítica sobre o gasto de tempo e energia com esta Medida Provisória. Embora concordemos em parte, temos observado que o PT-governo e a Presidente-Adjunta se sustentam pelas crises que eles próprios criam. É uma tática conhecida dos governos para fascistas.

Com médicos espalhados territorialmente – repito – entremostrarão a exigência de centros de Saúde, quando não de hospitais. Mas a construção será demorada e passará por diversas revalidações e reajustes para alegria dos empreiteiros ligados ao governo e patrocinadores do partido…

Evidentemente, esta conjuntura dependerá de bilionárias verbas, que tardarão também pelas dificuldades em compor o Orçamento, e, por sua vez, à pilhagem das verbas parlamentares.

O cenário é de tragédia. Não é possível deixar a população sem atendimento, que o “Mais Médicos” está longe de resolver. Enfermos em macas e até no chão dos corredores de hospitais, partos realizados nas calçadas, cancerosos à mercê de exames que levam há 180 dias para ser executados, enfim, a constatação do abandono pela incompetência.

Esta situação deve levantar o povo e levá-lo às ruas, com os médicos, o pessoal da Saúde e os estudantes; não dá mais para aceitarmos apáticos que a demagogia e os improvisos continuem vigorando no País.

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Mentiras de Lula que elegeram Dilma

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br )

O fabulário das imposturas de Lula da Silva é uma coletânea maior do que as “Mil e uma noites”, e como no famoso livro persa poderia também trazer o texto ”Ali Babá e os 40 ladrões” contendo as roubalheiras dos 11 anos de reinado do Pelegão.

Entre os artifícios de iludir o povo brasileiro, o Rei da Mentira inventou um perfil de eficiência para a sua candidata e atual presidente Dilma, que o tempo vem esgarçando em farrapos. Na verdade, sua sucessora é um fantoche por ele conduzido e movimentado, como ela própria confessa ao dizer que ele nunca saiu do governo…

Seria enfadonho enumerar as enganações de Lula para eleger Dilma além de vendê-la como a ‘gerentona’, pessoa adequada e suficiente para gerir o Estado. As principais petalhadas, a meu ver, são o fim da dívida externa, a auto-suficiência do petróleo, a facilidade de exploração do pré-sal, a transposição das águas do São Francisco e, a pior de todas, que a Saúde no país se encontra à beira da perfeição…

Foi inesquecível o bombástico anúncio de que a dívida externa brasileira havia sido quitada. Sem o menor acanhamento, Lula disse – e está documentado nos arquivos de jornais e da internet – que “O Brasil deixou de ser um país devedor para tornar-se um país credor”.

Ocorre que a dívida externa brasileira está em US$ 322 bilhões no mês passado, segundo o Banco Central, e é atualmente a segunda maior entre os países subdesenvolvidos. No ano passado, ultrapassou em US$ 316 milhões, 6,24%, o valor de 2011; este ano houve um aumento próximo de US$ 1 bilhão de março para abril.

Escondida embaixo do tapete fica a dívida interna que já superou um trilhão de reais, disparando pela incompetência do PT-governo.

Ao lado disso, veio uma maciça (e milionária) propaganda lulo-petista gabando-se da auto-suficiência brasileira em petróleo. Mil palanques seriam poucos para esta demagogia fantasiosa de Lula. É impossível esconder que hoje a tal auto-suficiência foi mais uma balela.

Nós importamos petróleo leve e, assustador, até álcool motor, apelidado de etanol. O óleo produzido pela Petrobras é um dos mais caros do mundo e de pior qualidade. A gasolina é misturada com etanol e água…

Mas os objetivos pouco lícitos do Chefão, presidente adjunto, pega carona na histórica campanha do “petróleo é nosso!” e a Petrobras continua a prometer investimentos para atingir a auto-suficiência na produção de combustíveis no país. Até quando, meu Deus!

A enxurrada de dinheiro gasto em propaganda tenta tapar o sol com uma peneira… A Petrobras, apesar da auto-suficiência lulista não livrou o Brasil das importações, e vem acumulando déficits em sua balança comercial, sem esconder as dificuldades de caixa.

No caso da transposição das águas do São Francisco, assistimos os nordestinos de boa vontade manterem ouvidos moucos para a falação enganosa de Lula e continuam mantendo fé de que a mentira repetida se transforme em verdade… Desde a implantação em 2007, o que se vê na ‘obra do século’ é uma passarela quimérica de canais desconectados, dutos enferrujados, ferros retorcidos e fantasmagórica estação elevatória de concreto corroído.

Os quatro estados que seriam beneficiados, sofreram a pior seca dos últimos tempos, patinando nas promessas da Gerentona de construir 296 mil cisternas e manter imaginários seis mil carros-pipa. Os ‘industriais’ da seca faziam melhor.

Finalmente chegamos à permanente reprodução dos juramentos lulo-petistas de melhorar a Saúde. Mesmo depois do Chefão ter entoado louvaminhas a uma UPA em Recife dizendo que “está tão bem localizada, tão bem estruturada, que dá até vontade de ficar doente para ser atendido’. No Rio, foi mais audacioso. Discursou enfatizando que ‘o Brasil não está longe de atingir a perfeição no tratamento de saúde’.

Tudo foi respaldado pela marquetagem chapa-branca. O certo é que sintomas cancerígenos levam mais de 30 dias para um exame correto, outros 76 para o tratamento quimioterápico e 113 dias se precisar de radioterapia.

À beira da perfeição fica a saúde dos ‘companheiros’ Lula, Dilma e dos sibaritas da corte, que vão para o Sírio-Libanês, que faz diagnóstico num dia e inicia a químio no outro. Eles, curados, insistem em criar utopias como o programa “Mais Médicos”, um engana-trouxa pela impossibilidade do médico atender sem hospitais apropriados, instrumentos técnico-científicos, medicamentos e até sem algodão e esparadrapo!

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Será que adianta ‘fazer o diabo’ e ‘afiar as unhas’?

MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Aguardamos a publicação da pesquisa CNT/ Ibope, hoje, 25 de julho, para escrever este artigo. Aí veio o resultado em que a aprovação do PT-governo caiu 24 pontos percentuais. Hoje, Dilma é avaliada por ótimo ou bom apenas por 31% dos entrevistados.

A avaliação negativa de Dilma superou a positiva pela primeira vez na série histórica das pesquisas e caiu de 55% para 31%, segundo o Ibope. De acordo com a amostragem, 6% dos eleitores não sabem ou não responderam.

Os números são, de certa maneira, irrelevantes. Até por que as pesquisas ‘políticas’ têm a mesma falta de credibilidade das entrevistas engroladas – com o fim de iludir – do Mr. Bean Mantega… O que se ouve e se vê é a manifestação nos supermercados (e nas ruas) expressando a ausência de liderança e a queda da popularidade de Dilma e do PT-governo.

Esse desastre traumático tem um nome: Inflação; e com o apavorante dragão, um dos ovos chocados por ele, a carestia de vida visível, perceptível nos preços que os brasileiros pagamos pela equivocada política econômica.

Com o desgaste de Dilma, acorre para ocupar a mídia o seu patrocinador – incômodo e repetitivo Lula da Silva. Vem para buscar a salvação do projeto petista de poder, sem o antigo charme e o carisma opacificado pelos desmandos difíceis de ocultar, como se viu no Caso Rose.

Antes dos protestos populares de junho, ainda senhora de si pelo aplauso fácil do fisiologismo, Dilma disse, sem-cerimônia, que “em época de eleição poderemos fazer o diabo”; agora, lhe acudindo na queda vertiginosa para a diminuição da credibilidade, seu patrono se diz de “unhas afiadas” para defendê-la.

Fazer o diabo e mostrar as unhas tem um quê de diabólico e desastradamente coincidem com a chegada do papa Francisco ao Brasil. E aproveitando a presença do Pontífice para fugir das vaias, Dilma não teve o acanhamento de mostrar seu satanismo num discurso palanqueiro, demagógico, enumerando avanços virtuais do País…

Como o Papa conhece bem sua convizinha Cristina K, o poste argentino eleito pelo fantasma de Néstor, sabe que as vantagens relacionadas de melhorias sócio-políticas, vêm do Plano Real, de Itamar Franco, e do Bolsa Família criada nos governos anteriores.

O que a conjuntura mostra são sinais claros de aperto na política monetária e o vergonhoso ‘pibinho’, reduzido quase mensalmente… E tristemente se vê que o propagandeado ‘pleno emprego’ também murcha como o PIB, o menor entre os Brics.

Com a vinda do papa Francisco viu-se também a administração desastrada no Rio de Janeiro. Com o PT-governo e seus parceiros Cabral, no plano estadual e Paes, municipalmente.

Viu-se uma “segurança” estupidamente aumentada em força e ímpeto contra o povo, e sem evitar que o ilustre visitante corresse riscos; a infraestrutura para mobilidade urbana caótica atordoando os peregrinos; os transportes urbanos tendo como modelo um Metrô paralisado, enfim, a exibição vergonhosa da incompetência administrativa.

Para horrorizar, a infiltração de agentes de órgãos federais e estaduais agitando, provocando e vandalizando nas manifestações populares e tendo como resposta a atitude fascista diante da violência e destruição, com o governador Cabral querendo espionar oficialmente as redes sociais…

Nasce daí a nossa pergunta: Será que adianta ‘fazer o diabo’ e ‘afiar as unhas’ para enganar o povo mais uma vez com objetivo re-eleitoral e manter a pelegagem no poder?

 

 

 

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O Papa e a fragilidade do PT-governo

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Encontro-me em minoria entre pesquisados do IBGE para o Censo 2010, por não ter filiação religiosa; mas de formação, respeito todas as religiões e – como dizia meu amigo Darcy Ribeiro – morro de inveja de quem tem fé…

Por isso, sinto-me à vontade para aplaudir a vinda do papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, e com ele a revoada de jovens levados pelos princípios cristãos do amor ao próximo e o humanismo solidário.

O Brasil muito ganhará com este evento, principalmente pela desenvoltura intelectual e a autonomia política do Pontífice; e não é por acaso que os círculos do poder central e a própria presidente Dilma estão preocupados e temerosos com a agenda independente de Francisco, que não aceitou mudar as regras para evitar protestos.

Isso me faz reiterar os aplausos ao líder da Igreja Católica. Por outro lado, espanta-me a movimentação das forças de repressão no país, onde até o Exército – cuja tradição de sua oficialidade é recusar-se a ser “capitães do mato” – entrou na paranóia da segurança do governo contra o povo.

ABIN, Força Nacional, Polícia Federal, polícias militares e civis estaduais mobilizam-se considerando as manifestações populares uma ameaça à presença de Francisco, e o Exército confessa que está fazendo o monitoramento cibernético de internautas simpáticos aos protestos.

Tudo isto me parece antidemocrático. Mas quem sabe, não estariam certas essas táticas e estratégias do Partido dos Trabalhadores para se eternizar no poder, junto aos seus sabujos que, em nome da “ideologia” gozam privilégios inomináveis e ainda por cima assaltam o Erário.

Recear, ter medo da mensagem que o papa Francisco pode exprimir – e deixar – é coisa própria de quem se desligou do povo e dos anseios nacionais. E os brasileiros de todas as religiões – e sem nenhuma delas – aguardam ansiosos os pronunciamentos franciscanos.

Aliás, o Papa já passou um recado direto aos “proletários” de vôos especiais na FAB: Embarcará de Roma em avião de carreira, enquanto os pelegos e a “base aliada” do PT-governo se recusam a fazê-lo.

Estou quase certo de que tenhamos um discurso de Francisco defendendo os pobres com autenticidade, não com programas eleitoreiros ou projetos demagógicos que não saem do papel. E nisso ecoa a voz rouca das ruas.

O Pontífice Católico – bem informado pelo sistema eclesial – sabe que em nenhum momento os protestos se referiram a ele, ou a Igreja, e muito menos à convocação e preparação da Jornada Mundial da Juventude. O alvo dos protestos eram outros. O povo reclama dos impostos exorbitantes, da inflação sem controle e dos gastos governamentais milionários para escoar nas mãos de pelegos e desvios partidários.

É insuportável para a Nação, isto sim, assistir estarrecida o festival de gastança com estádios luxuosos (onde o povo não pode entrar) e os acontecimentos pontuais tipo Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas, corridas internacionais de automóveis e congêneres.

Talvez num mergulho nas águas revoltas da teoria da conspiração, acho que o PT-governo e seu revelado aparato policial, nivelado aos regimes ditatoriais, tem por objetivo distanciar o Papa do povo. E, honestamente, encontro razões para isto, pelos motivos do conhecimento público.

Imaginem se diante da fragilidade do PT-governo, as mazelas na economia, a Petrobras em queda, o BNDES acoitando aventureiros, o desprezo pela pobreza com bilhões gastos numa Copa do Mundo, ouvíssemos Francisco enaltecendo o direito democrático do povo se manifestar pedindo ética e moralidade políticas e honestidade dos governantes?

Afinal, uma liderança espiritual tem a obrigação de apontar aos jovens, futuros governantes do amanhã, o caminho para conquistar uma Pátria com liberdade e justiça.

 

 

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À espera de um milagre… Virá do espaço?

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@ul.com.br 

Após as vigorosas manifestações de protesto do povo brasileiro e a conseqüente e lógica queda de 27 pontos percentuais da popularidade da presidente Dilma, veio o pior. Na mais perfeita expressão popular referindo-se a repulsa: “Além da queda, coice!”, evidenciando-se que 81% dos brasileiros tacham partidos como “corruptos ou muito corruptos”.

Não se destacou uma só exceção na pesquisa Ibope divulgada pela transparência internacional. O que ficou transparente é que partido a varejo só confunde e prejudica o exercício democrático: um balaio-de-gatos, que pressupõe vigorar no Brasil trinta e oito ideologias à disposição do eleitorado…

Escreveu alguém, não gravei o nome do articulista, colunista ou talvez missivista do Estadão: “Haja ideologia para tanto partido”; e a gente pode estilizar, escrevendo: “haja partido para tanta fraude”.

Os piores e maiores partidos, dominam um Congresso à mercê de uma “classe política” de duvidosa representatividade. Bancadas envolvidas em esquemas de clientelismo, nepotismo, fisiologismo e o efeito dessas práticas, a corrupção. E o inconveniente é que está nas mãos desse Congresso a desejada reforma política para higienizar a nossa Democracia.

Saindo da picaretagem parlamentar – ou para lamentar – caímos no pântano de uma administração pública incompetente. Como nunca neste país, temos um governo, o governo do PT, tão inapto! A Presidente diz uma coisa hoje e outra amanhã; ou diz uma coisa e um ministro ou secretário distorcem o sentido.

Não há exemplo melhor para constatar isto do que o devaneio da constituinte exclusiva… Repudiada e natimorta. E veio depois o insustentável plebiscito, defendido como questão de princípio pelo lulo-petismo, mas rejeitado até pela base alugada… E foi empurrado com a barriga para depois da eleição de 2014!

Há uma figuração que descreve com exatidão o que ocorre com a presidente Dilma; ela está como cachorro que caiu do caminhão de mudança… Corre atrás do veículo até cansar. O animal de estimação desiste; mas ela se põe à espera de um milagre, um fato extraordinário, acima do determinismo histórico.

Seu profetizador, capaz de feitos notáveis na arte de vender idéias, é o marqueteiro João Santana, preferido das entidades bolivarianas… Aqui, elegeu um poste; na Venezuela, criou um ‘pajarito falante’ ressuscitando discursos demagógicos do finado Hugo Chávez. De Santana, os projetistas do poder de 20 anos do PT esperam a impossível recuperação do PT perante a opinião pública.

O mago do marketing já iniciou o processo de prestidigitação, ao estabelecer o prazo de quatro meses para Dilma recuperar o patamar de prestígio. Não sei como. O que se vê é a perda política no Congresso e uma economia descendo o tobogã implacável da inflação, trazendo a carestia de vida com o aumento geral dos preços e a queda do poder aquisitivo do dinheiro.

Ilusionismo não dá certo posto na realidade. O horizonte da conjuntura econômica, social e política está nevoento, enigmático. E o PT-governo, sob a batuta da desastrada maestrina Dilma, para Lula uma virtuose do gerenciamento, é o retrato do fracasso que, aliás, demorou a chegar graças à herança bendita do Plano Real.

A verdade está iluminada nas ruas: de um lado, assistimos a explosão espontânea das massas, sem organização, sem lideranças, e sem um programa, senão o protesto contra os malfeitos que se acumulam cotidianamente. Do outro lado, a mobilização endinheirada para uma reação típica do fascio-populismo, com os “movimentos sociais”, liderados por centrais sindicais cooptadas, de um MST adestrado, e de uma UNE amestrada…

O heróico povo brasileiro levou milhões às ruas com vigor e independência, enquanto o braço apelegado do PT-governo não arregimentou 10% do que pretendeu, e radiografou o insucesso da estratégia desesperada do golpismo.

Que ‘elles’ continuem à espera de um milagre. Que não virá do espaço…

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As manifestações pelegas, concorrência desleal!

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

As manifestações pelegas convocadas pelas centrais sindicais para o dia 11 tratam-se apenas de uma concorrência desleal ao povo que ganhou as ruas numa explosão de protestos e reivindicações sem precisar dos ‘movimentos sociais’ cooptados pelo PT-governo, chapas-branca mamando verbas espúrias. Desleal, porque tem o apoio oficial; fala-se até em dar feriado escolar na data.

O que se viu – e não há exagero em dizer – foi o povo brasileiro nas ruas em 277 cidades do País, sem regras de organização, sem lideranças históricas, apartidárias, sem os braços avançados do PT, CUT, MST, UNE e outros menos votados… Assistiram-se as bandeiras expulsas, quando não rasgadas, e seus portadores vaiados.

Isto foi um soco no fígado do PT-governo, que cambaleou sonado, esquecido das vaias históricas a Lula no Maracanã e a Dilma no Mané Garrincha. Partido e governo mesclados num projeto de poder só despertaram ao ver a boneca de ventríloquo ocupante da Presidência da República, cair 27 pontos nas pesquisas sobre sua popularidade.

Na mais perfeita sincronia – nos moldes fascistas – Partido e Governo estavam acostumados ao aplauso nas reuniões oficiais e oficiosas, do oportunismo, do ufanismo pelego de pseudo líderes comunitários, estudantis e sindicais. Essas expressões davam a impressão que o povo estava engessado, submisso à demagogia e/ou anestesiados pela ação marqueteira e a propaganda bilionária.

Cometeram um grande erro, como se viu com a voz rouca do povo erguer-se por todo canto, nas metrópoles, cidades médias, vilas e nos campos. A princípio dirigida por um pequeno grupo que defende a ‘tarifa zero’ nos transportes e revoltada com abusivos aumentos. A seguir, surgiu poderosa, com queixas e reclamações multifacetadas, até com vigorosas denúncias contra a corrupção e a impunidade.

Assim, as massas tomaram forma. Assumiram a personificação da sociedade civil, enfrentando o poder, passando por cima da repressão, pichando e quebrando o que encontrava pela frente. Mas não tresloucadamente. Atacaram a péssima administração dos serviços públicos e investiram contra a inutilidade e a roubalheira da Copa do Mundo.

Como reação, aconselhadas por Lula da Silva, apoiadas pelo PT-governo, as centrais sindicais marcaram para o dia 11 de julho uma greve geral, para contrabalançar os efeitos dos protestos populares. Depois recuaram; não será mais uma greve geral, mas um “Dia de Luta”. Luta por quê? Contra quem? Revocando ou exigindo o quê?

O “Dia de Luta” recebeu o apoio de uma réstia de centrais penduradas no famigerado Imposto Sindical, multiplicadas como os partidos e os ministérios da pelegagem: CSP-Conlutas, CUT, Força Sindical, UGT, CGTB, CTB, CSB e NCST.

Acrescente-se aos penduricalhos do PT-governo, o MST, com suas entidades afiliadas, como Via Campesina, Movimento dos Atingidos pelas Barragens, Movimento dos Pequenos Agricultores e Movimento dos Sem-Teto. E na rabeira de tudo, a desmoralizada UNE transformada em ONG do PCdoB, como aquelas que sugam as verbas do Ministério dos Esportes.

Nenhuma dessas entidades se apresentou na comoção popular d’ “Gigante na calçada,/ De pé sobre a barricada/ Desgrenhado, enorme, nu” – no cantar do imortal Castro Alves. Ali, sim, corporificou-se o autêntico “movimento popular”, movido pela chispa de que falava Rosa de Luxemburgo.

Do outro lado a pelegagem. E o pior de tudo, marchando sob as bandeiras do PT, convocada por Lula e o comando nacional do partido, a participar da programação das centrais sindicais para o dia 11. Além do apoio da inseparável dupla Dilma-Lula, vai ressuscitar a natimorta proposta da constituinte exclusiva e o plebiscito eleitoreiro sob a máscara de ‘reforma política’.

O mais interessante é que se previa um confronto entre os verdadeiros representantes do povo e os pelegos; não será preciso. Entre eles já existe uma contradição. O deputado Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical, já se indignou com o que chamou de “enxerto”, a entrada do PT na passeata do Dia de Luta, afirmando “se o PT insistir em levar essa história de plebiscito na manifestação de quinta-feira, 11, a Força Sindical levantará a bandeira do ‘Fora Dilma’”. Os pelegos acordam; mas não se entendem…

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Plebiscito de mentirinha… É apenas uma reforma eleitoral!

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br ) 

Dezenas de reivindicações justas, de aplicação simples nos três poderes, foram bandeiras nas manifestações de rua. Preço alto e péssimas condições dos transportes públicos; Educação e Saúde no padrão FIFA, mais segurança pública, contra a corrupção e a impunidade, e por respeito dos políticos ao povo.

Nada disso foi cogitado pelo PT-governo. E a boneca de ventríloquo que está na Presidência da República aparece com um plebiscito de mentirinha que não passa de uma reforma eleitoral para favorecer o seu partido.

Não é exagero dizermos que grande parte da população é alheia à política e mesmo acovardada para enfrentar o poder até em defesa dos próprios direitos… Com isso, é facílimo para os detentores do poder, pela propaganda massiva e caríssima, conquistar as mentes pouco esclarecidas e desinformadas.

É nisso que aposta a quadrilha organizada que chegou ao poder por um estelionato eleitoral. E, vergonhosamente, conta com o apoio dos chamados ‘movimentos sociais’ cooptados a peso de ouro para servir de ‘tapia’ para atender ao proselitismo partidário.

Nenhum desses instrumentos oficiosos participou das manifestações de rua e dos protestos populares. Agora são mobilizados – no mais perfeito instrumental fascista – para enfrentar como zelosos serviçais dos interesses do PT-governo o ímpeto das massas descontentes.

A UNE há muito, deixou de lado a defesa da Educação. Não mais se preocupou com um ensino público de qualidade e nem sequer defende os estudantes de medicina ameaçados de exercer a profissão em virtude da importação de médicos ‘estrangeiros’ (leia-se cubanos); o MST arquivou de uma vez por todas a luta pela Reforma Agrária para mamar nas tetas do Erário.

Com relação ao movimento sindical, o que se vê são enxames de pelegos dominando quase todas centrais sindicais, somente para se apropriar do famigerado imposto sindical ou usar o sindicalismo como trampolim eleitoral. Fundada para defender os trabalhadores, faz tempo que a CUT abandonou seus mais fiéis afiliados, os sindicatos de servidores públicos.

Sem cumprir suas tarefas corporativas, e muito menos se interessar pelos anseios sociais do povo, esses movimentos sociais “chapas-branca” são sombras daquilo a que teoricamente se propõem. Não servem sequer para criticar o assalto ao FGTS e o FAT ou. ao menos, questionar a hedionda impunidade de autoridades corruptas.

O inconsciente popular movido pela acumulação de revoltas pontuais contra os malfeitos da administração do Estado,  que ganhou as ruas espontaneamente num autêntico pacto nacional contra a inação dos governantes, contra a roubalheira desenfreada em todos os setores das administrações municipais, estaduais e federais.  

Então, as lideranças partidárias no Congresso acordaram e foram a reboque, particularmente na Câmara dos Deputados. Entretanto, o partido governista perdeu o rumo. Fala pelo frustrado Ruy Falcão, presidente do PT, bancando ave de rapina para o povo que trata como se fosse uma revoada de pássaros. Lula desapareceu de cena, aproveitando o momento para “arrecadar”  simpatias africanas.

Ateste-se que em nenhum momento, as massas e seus condutores eventuais, pediram um plebiscito ou um referendo. Cobraram sim, ações para enfrentar os problemas percebidos e cada vez mais agravados. Dois deles foram resolvidos facilmente: Redução das tarifas e o arquivamento da PEC 37, um aborto natimorto da corrupção.

No epicentro da politicagem restaram Dilma e seus acólitos. Despreparada tanto ela como eles. Os desnecessários e estéreis 39 ministros não pesam a metade do marqueteiro bolivariano João Santana, hábil maquiador dos desmandos presidenciais. Dizem que foi dele a idéia do plebiscito para desviar o foco dos protestos; por puro diversionismo.

O tal plebiscito, ao que vê, resume-se a um disfarce. Não aborda os fundamentos do exercício político, como autonomia do Banco Central, o voto secreto dos parlamentares, o fim da excrescência dos suplentes de senador, a garantia de punição para os fichas-sujas, o controle dos gastos públicos, enfim, para pôr na cadeia os assaltantes do Erário.

 

 

 

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O outro diabo, do povo, venceu o 1º round

MIRANDA SÁ ( E-mail: mirandasa@uol.com.br )

Quando Dilma disse que faria o diabo para conquistar a reeleição, a memória levou-me à adolescência quando encontrei na estante do meu tio Batista o livro de Anatole France “A Revolta dos Anjos”, que li com sofreguidão. Para mim foi dali que surgiram os diabos, um grupo deles. O líder, Lúcifer, rival de Deus, ainda é anjo, segundo a concepção dos católicos.

O grande Dostoievski não acreditava no demônio, como escreveu no seu “Os Irmãos Karamazov” num arrebatado diálogo: “− O diabo existe? − Não, não existe. − Tanto melhor. Não sei por que eu o temia.” Tomás de Aquino, doutor e santo da Igreja Católica, porém, assegura na Suma Teológica a existência dos anjos caídos, personificando o mal.

Fora da Teologia, a crença popular é riquíssima na fauna demoníaca, enumerando dos doutos Lúcifer, Belzebu e Belial, e ainda Demônio, propriamente dito, Satã, Satanás, Coisa Ruim, Canhoto… Os jesuítas encontraram até na língua tupi-guarani nomes para ele, anhanga… E o povo usa a expressão “o diabo a quatro” e, ainda, inflacionando: “Com mil e seiscentos diabos!” Assim, se tem tantos diabos, se tem um para Dilma, tem um para o povo.

O diabo do povo foi solto nas ruas. As manifestações populares surgiram espontaneamente em mais de 300 cidades do País; são vozes roucas, quase cavernosas, excessivas e ampliadas, entoando um canto diferente, um madrigal de insubmissão diante do oficialismo instalado, acomodado, repetitivo, incompetente e inidôneo.

Essas vozes das ruas acordaram o gigante que estava deitado em berço esplêndido, esquecido de que podia ficar de pé… Levantou-se e pisou forte, exigindo direitos que lhe eram negados, do preço dos transportes até a exigência de uma Educação pública de qualidade, de hospitais de padrão de nível civilizado e de justiça boa e perfeita, sem privilégio nem impunidade.

As palavras-de-ordem adotadas exaltaram melhores condições de vida e se dirigiram contra o governo lulo-petista e seus onze anos no poder. Os protestos acusaram-no de autoritarismo por cooptar os movimentos populares, sindicais e estudantis, aparelhando-os e submetendo-os ao partido e ao governo, no mais perfeito modelo fascista.

Foi isto que espantou os ocupantes dos três poderes da República. O Legislativo, acusado pelo cultuado chefe do PT de abrigar 300 picaretas, sujeitou-se pelo fisiologismo pelo loteamento de 40 ministérios; e o Judiciário, enroscado num emaranhado de leis e burocratizado pelo bacharelismo, imobilizou-se.

O Executivo, então, certo de controlar o povo através da maior central sindical, a CUT, do movimento camponês dos sem-terras, MST, e da UNE, entregue à dissipação e passividade. E surpreendeu-se.

A independência do povo assustou o PT-governo como nunca antes neste país… O apartidarismo chocou os ‘especialistas’, e revoltou os sectários, vendo suas bandeiras rasgadas e frações organizadas da militância vaiadas e escorraçadas.

O diabo do povo acicatou com seu tridente o Congresso, que se apressou em desengavetar projetos antigos que atenderiam as exigências populares, como também o STF, tomado de coragem prender um deputado bandido, até então acoitado pelos seus pares na Câmara.

Constrangido, o PT-governo admite alguns equívocos selecionados e pinçados pelos pelegos assessores. Mas “esqueceu” de muitos; e os principais são a leniência com o processo inflacionário, a blindagem dos corruptos do partido e da copa e cozinha de Lula da Silva, e o sucateamento da Petrobras, corroída pela corrupção.

Finalmente, o alvo mais visado, é o escândalo da Copa do Mundo, destacado na precedente Copa das Confederações. Esportivamente, despiu a inaptidão da falsa “gerentona”, um estelionato eleitoral explícito. Indignou a entrega da soberania nacional à FIFA, pelo grupo Lula-Teixeira-Cabral-Paes, envergonhando e revoltando os brasileiros de todas as classes sociais.

Assim, o diabo do povo ganhou o primeiro round contra o diabo de Dilma. Com ele, tivemos uma vitória satânica: O esvaziamento da Tribuna de Honra do Maracanã, sem a Chefe da Nação e seus acólitos, acovardados com medo das vaias e emparedados no bunker brasiliense tramando diabolicamente uma desforra.