Artigo

IGNORÂNCIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O que nos causa problemas não é o que não sabemos, mas aquilo que temos a certeza que é verdade” (Mark Twain)

É assustadora a obrigação de tomar conhecimento da Lei, conforme ordena a Introdução ao Código Civil, que traz no seu artigo 3º: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Isto atinge em cheio, calculando por baixo e com muito otimismo, 80% da população brasileira, onde, sem excluir bacharéis em direito e até mesmo doutores diplomados na variedade dos cursos universitários, maioria é formada por pessoas que não sabem sequer escovar os dentes, como disse o general João Batista Figueiredo.

Trata-se, porém, de uma presunção legal absoluta que atropela a ignorância inocente e vulgar. Fico às vezes pensando como é torturante sujeitar milhões de pessoas honestas a conhecer e entender o incomensurável universo das leis federais, estaduais e municipais…

Imagino que a própria Constituição de 88, tão citada, um catatau enciclopédico vindo de egos vaidosos dos constituintes mal saídos de um regime de exceção, dissidentes e ex-colaboradores querendo parecer mais democratas e mais humanistas do que os outros.

Essa Constituição é tão abrangente ao enumerar direitos e tão lenitiva com os criminosos que nos leva a perguntar, como fez o grande Dostoiewski; “Porque, seus ignorantes, haveis de praticar fraudes fora da Lei? Há dentro dela muito espaço para fazê-las…”

Os políticos e magistrados corruptos sabem disto muito bem. Os ignorantes que restam continuam sendo presos por uma barra de chocolate, enquanto se trama nos porões dos três poderes a impunidade para o chefe da Orcrim política, Lula da Silva, condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

Assistimos o STF encenar a sua própria interpretação constitucional do artigo que reza “todos são iguais perante a Lei”, admitindo, pelo favoritismo, que os seus protegidos são “mais iguais do que os outros”.

Na tribuna diante dos divinos ministros, advogados são milionariamente pagos por saberem explorar a diferença entre o desconhecimento da lei e o erro de interpretação do texto. E com a mesma sutileza capciosa dos julgadores livram seus clientes de colarinho branco.

Do lado de cá, passando pelo túnel que evita contato dos deuses togados com o povo, vive a Ignorância, um sonoro substantivo feminino de origem latina, (ignorantĭa,ae) interpretado como a condição do indivíduo sem instrução, que não tem cultura, experiência ou prática em alguma coisa.

A ignorância é classificada de três maneiras: ignorância factual (ausência de conhecimento de algum fato), ignorância objetual (não-familiaridade com algum objeto) e ignorância técnica (ausência de conhecimento de como fazer alguma coisa).

A primeira, em relação ao arcabouço jurídico, é do povão; a segunda, das classes médias letradas, fugindo da realidade; e a terceira, a secular e repetida prática dos que ocupam eventualmente o poder.

Pela incultura e desinformação das massas, o teólogo e orador sacro Martin Luther King construiu um belo pensamento: “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente. ”

E é assim que o Brasil se divide, não pela Geografia Física, mas entre a ignorância e a estupidez. Numa banda, ficamos enfrentando a desinformação dos cúmplices da corrupção que aliena o povo; na outra banda, sobrevoam os corvos grasnando um latinorum bacharelesco para favorecer seus bandidos de estimação.

RELATIVIDADE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A ‘Genebra’, se chamares Genebra, é bebida do povão; se disseres ‘Gin’ é bebida de burgueses” (Pittigrilli)

Curioso e ávido por conhecimentos, li muito sobre o aspecto científico da relatividade e divirto-me muito com a linguagem popular de que “tudo é relativo”.  Descobri assim que relativismo é uma moeda, cujas faces no levam a pensar sobre a realidade em que vivemos.

Dicionarizado, o verbete “Relatividade” é um substantivo feminino expressando aquilo que é acidental, casual, fortuito e o que pode ser comparado ou proporcional. Para a Ciência, a “Relatividade” nomeia a teoria revolucionária do genial Albert Einstein, levando à Física novos conceitos de tempo, espaço e movimento.

Einstein defendeu primeiro que tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados; e mais tarde desenvolveu que também a matéria e a energia estão ligadas igualmente como espaço e tempo.

Os curiosos acham a Teoria da Relatividade complicada, por causa da equação matemática, E = mc2 (energia = massa x a velocidade da luz ao quadrado); mas o seu Autor explicou que é fácil entendê-la sentindo que ao lado do seu amor uma hora parece um minuto; mas um minuto parece uma hora quando sentado nu num formigueiro…

Do tempo em que jornalismo era exercício de jornalistas, Carlos Heitor Cony escreveu sobre a relatividade, dizendo que: “Todo conhecimento humano é relativo. Cada subida prepara a queda proporcional. Cada fossa abre espaço para a altura equivalente. No final da estrada estamos no mesmo ponto de onde saímos, no zero, no nada. ”

Acho que os políticos brasileiros deveriam raciocinar sobre isto e deixar de praticar falcatruas, pois quanto mais alto imaginam subir, a inevitável queda se torna maior; entretanto, como a ganância lhes impede pensar, o que lhes resta são as transações para impedir que se investigue os crimes cometidos contra o País e o seu povo.

É preciso atentar para a relatividade das coisas, aprendendo com a simplicidade de Exupéry que escreveu: “É o mesmo sol que derrete a cera e seca a argila”. A cera do poder é efêmera sob o brilho abrasador da realidade, e a argila de que nós somos feitos nos torna rígidos contra o crime organizado e a corrupção.

Por isso, lutamos em defesa da Lava Jato e do Pacote AntiCrime do ministro Sérgio Moro, assistindo o choque entre duas tendências na atual conjuntura sócio-política.

Vemos de um lado, os que querem a volta do status instituído dos governos corruptos do PT e, do outro lado, um vozerio tumultuado com discursos vazios que sabotam a faxina ampla, geral e irrestrita no que resta do antigo regime corrupto e corruptor.

Os saudosistas da Era da Pelegagem mostram-se dispostos a manter a leniência com o crime; são os congressistas eleitos pelo voto cúmplice de eleitores ignorantes e/ou viciados, e ministros alçados aos tribunais superiores pelo favoritismo político.

Contra esta claque que quer brandura para corruptos, levanta-se a maioria patriótica dos brasileiros recusando-se a tomar os amargos xaropes que o relativismo político-jurídico tenta nos ministrar, com a bula do Mateus: “Primeiro os Teus”.

Mantenho-me coerentemente contra as filigranas discursivas dos que abusam da paciência do povo, seja a qual partido pertençam ou da ideologia que dizem defender. Os programas político-partidários e a ideologia são relativos: deles só podemos afirmar que tiveram um começo e fatalmente terão um fim.

 

 

 

 

O TRIÂNGULO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A geometria é a ciência de todas as espécies possíveis de espaços” (Immanuel Kant)

Havia na Grécia antiga uma escola filosófica em cujo frontispício se lia: “Quem não souber geometria não entre por esta porta”. Nos meus tempos ginasianos tive um professor que nos inculcou postulados e teoremas com tanta insistência que nos enlouquecia…. Mas por isto, sei de cor até hoje os postulados da geometria plana, os teoremas pitagóricos e de Tales, e a relação do triângulo com as retas e paralelas…

Geometria, como um verbete dicionarizado, é um substantivo feminino de etimologia do grego antigo, γεωμετρία; geo- “terra”, -metria “medida”. Uns a classificam como ciência, outros como um ramo da Matemática. Significa comumente, estudo da medida das linhas, das superfícies e dos volumes.

Em todos estudos científicos os vários tipos de geometria estão presentes influenciando pesquisas e seus resultados. É indispensável na arquitetura, na astrologia, na astronáutica e na navegação.  Newton nos mostrou com precisão os planetas sobre as tangentes das suas órbitas…

Na geometria, o mistério da esfera, a complexidade do cone e a perfeição da circunferência se rivalizam com o triângulo equilátero. Estas figuras fizeram Euclides dizer que “Deus fez geometria por toda parte”; projetando do seu tempo para os nossos dias o reconhecimento de um deus com precisão matemática…

O triângulo equilátero é mágico. É usado como símbolo reverenciado desde a antiguidade; aparece em todos os textos sagrados das chamadas grandes religiões, sacralizando o número 3 ao representar a divindade pela trindade.

No antigo Egito adorava-se Ísis, Osíris e Hórus; o hinduísmo tem Brahma, Vishnu e Shiva; e o cristianismo e o islamismo possuem Pai, Filho e Espírito Santo.

O ocultismo venera o Delta Luminoso, um triângulo duplicado trazendo no centro o Olho de Rá que tudo vê, e é adotado pela Franco Maçonaria, reverenciando o Grande Arquiteto do Universo no Painel da Loja.

O Triângulo além de aparecer nas artes, nas ciências e nas religiões, também está presente no dia a dia das pessoas, como tese, antítese e síntese; trazendo os ângulos positivo e negativo da convivência, do bem e do mal na vida social.

Oferece-nos o discernimento da realidade e o conhecimento dos indivíduos que nos cercam, particularmente na triarquia dos poderes republicanos, este triângulo obscuro que contraria o que preconizou Montesquieu, pois são iguais apenas nos desígnios do auto favorecimento e privilegiando os achegados.

É o que assistimos, infelizmente, no Brasil, vendo a livrança dos corruptos pelo Executivo, Judiciário e Legislativo. Só não enxergam isto, os que sofrem da cegueira do fanatismo ou são comprometidos com os esquemas da corrupção do lulopetismo, esta praga que atravessou o tempo e é aproveitada ainda hoje por corruptos que vieram depois.

As figuras que controlam as casas do Congresso e transitam nos corredores palacianos mostram diuturnamente as suas tendências para o avanço na coisa pública. Resta-nos a esperança de que a Geometria lhes ofereça a clareza do raciocínio e estimule a reconquista dos valores éticos negados pelos que pregam a falácia do “quanto pior, melhor”.

Que se faça tudo, e se faça com patriotismo em novas ações populares para derrubar os falsos deuses que ocupam nichos da catedral dos nossos sonhos, substituindo-os pelo triângulo do Amor, da Ordem e do Progresso.

 

 

 

 

FAKE NEWS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A falsidade é susceptível de uma infinidade de combinações; mas a verdade só tem uma maneira de ser” (Jean-Jacques Rousseau)

Sonhei que por todo o Brasil haviam outdoors com a mensagem “MANTENHA O SISTEMA – Chega de investigações”, foi um pesadelo assustando-me como defensor da guerra contra a corrupção que a Lava Jato vem cumprindo patrioticamente.

Quando acordei, lembrei-me do livro de Orwell, “Keep the Aspidristra Flyng”, cujo título adotado no Brasil pela Hemos Livraria Editora foi exatamente “Mantenha o Sistema”; e pensei que os corruptos e seus cúmplices estão exagerando na campanha que empreendem contra os procuradores, policiais federais e juízes da Lava Jato.

Também me veio à mente a locução “Mutatis mutandis” a expressão latina que significa “mudando o que tem de ser mudado” que nos orientou nas últimas eleições presidenciais. É-me inesquecível o que fizeram os integrantes das redes sociais contra a tentativa de volta dos corruptos e corruptores do lulopetismo.

Alegro-me porque não perdi a lembrança das manifestações populares em todo País. A luta contra as ameaças totalitárias do narcopopulismo, os assaltos praticados na Petrobras, demais empresas estatais e bancos públicos, milhões de brasileiros hastearam civicamente a Bandeira Nacional.

Nas ruas, o não-conformismo popular com a roubalheira institucionalizada pelos governos da pelegagem tomara conta da cabeça dos brasileiros e terminou levando Jair Bolsonaro à presidência da República.

Todos aplaudimos o início de governo com um ministério indicado fora dos padrões populistas implantados anteriormente como “governo de coalizão” que na verdade era o troca-troca devasso entre libertinos ocupantes do poder e os picaretas do Congresso Nacional.

Apesar de alguns poucos ministros serem fracos por motivos vários, a força do Governo Bolsonaro está assegurada nas pastas principais, será fastigioso citá-las todas, mas destacam-se a dos Direitos Humanos, Economia, Educação, Exterior e Justiça, postos aqui em ordem alfabética…

Os avanços, embora lentos, são transparentes à vista até dos desconfiados; apesar disto, o Planalto e o Presidente sofrem uma virulenta campanha interna e externa, movida pela chamada grande mídia, pelos aparelhados nos três poderes e pelos que foram privados de mamar nas tetas do Erário.

A tirania do dinheiro – na maioria das vezes oriunda de fraudes, propinas e trapaças – mantém redes televisivas e jornais tradicionais, cujo material jornalístico é característico do “jornalismo marrom”, manipulado, seletivo e sensacionalista.

E na cauda deste cometa da órbita do mal, vêm as fake news, noticiário com notícias falsas divulgadas contra a ordem e o progresso do Brasil. Dizem tratar-se de um fenômeno social e mundial, mas são, na verdade, uma ferramenta de corruptos, criminosos e terroristas.

Para alguns, este termo fake news, de língua inglesa, traduzido para nós como notícia falsa, é novo; entretanto vem de longe, como registra o dicionário Merriam-Webster, é usada desde o final do século XIX.

Inicialmente trazia um objetivo comercial, propagandístico, o que chamamos de propaganda enganosa, mas depois passou a ser usada na política e por “celebridades” escolhidas para criar boatos e reforçar campanhas negativistas por meio de mentiras e disseminação de ódio.

Precisamos estar atentos para estas investidas, sem renunciar aos nossos direitos de expressão, da crítica e das denúncias, presentes na consciência de cada um de nós resistentes contra os defensores do pensamento único.

Não esqueçamos o que Shakespeare pôs na boca de um dos seus personagens: “O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém”.

CALIDOSCÓPIO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Há um tempo para todos, se eles apenas aprenderem, que o caleidoscópio distorcido nos mova por sua vez”. (Elton John)

A idade avançada traz lembranças inabituais…  Estive rememorando a atração que sentia, quando menino, pelo Calidoscópio, que consiste num tubo, tipo de luneta com terminal de vidros espessos superpostos cujo espaço entre os dois encerra fragmentos de vidro colorido.

Visto através de um triângulo de espelhos para a claridade externa, cria um número infinito de mandalas coloridas na medida em que se gire o instrumento. A triangulação dos espelhos formando ângulos de 60º refletem a cada virada quatro imagens duplicadas.

Cheguei a fabricar muitos deles de vários tamanhos para os meus filhos. Catava pela rua pedaços de vidro. A cor mais difícil era o azul, que a gente só achava nos vidros de magnésia de Philips…

Quando eu era menino, cursando o Primário, se escrevia com “K” e a grafia era Kaleidoscópio, hoje o “K” sumiu, mas ainda se usa a versão antiga, Caleidoscópio, com “C” e o ditongo “ei”. Todo mundo dizia que este brinquedo era chinês, porém foi inventado pelo físico escocês Dawid Brewster em 1817, e o seu uso virou uma moda pelo mundo afora.

Dicionarizado atualmente, o verbete Calidoscópio é um substantivo masculino, etimologicamente formado pela combinação de três palavras gregas kallós (“belo”, “bonito”); eidos (“imagem”); e skopeo (“olhar para”, “observar”), com o sentido de “ver belas imagens”.

Passou de instrumento recreativo para fornecer inspiração de desenhos artísticos e publicitários e o seu nome também passou a ter um amplo sentido figurado, referindo-se a imagens bonitas, coisas em constante movimento, mudanças rápidas de comportamento humano e referências poéticas.

Conheci um político paraibano (está morto, vou respeitá-lo omitindo o seu nome) que ficava sempre ao lado do governo mesmo sendo eleito do lado contrário. Um seu adversário escreveu um artigo chamando-o de “caleidoscópio” – um “vira folha”.

Por causa de gente assim, dá um medo danado de ficarmos apegados a uma personalidade e ter de dar explicações se ele mudar de posição, abandonando o discurso eleitoral depois de eleito.

Não são poucos os congressistas que se comportam assim; aliás, pensando bem, me parece que são maiorias na Câmara e no Senado. Agora mesmo a cobertura jornalística do Congresso noticiou que 13 senadores governistas traíram o Presidente votando contra a reforma da Previdência.

Não haverá uma traição maior da que sofreram os obreiristas da USP que fizeram Lula da Silva, um pelego sindical, presidente da República acreditando que “um trabalhador” faria um governo para os trabalhadores e o viram governando para os banqueiros e empreiteiros…

Muito pior, Lula se associou com os 300 picaretas que condenava anteriormente e passou a roubar muito mais do que eles, liberando os filhos, parentes, hierarcas do seu partido, enquanto assaltava o BNDES e a Petrobras.

Uma virada no calidoscópio da vida, os brasileiros derrotaram nas urnas com cores e formas diversas, o lulopetismo corrupto e corruptor.

Uma coisa é certa: as imagens deles nunca se repetirão – só por milagre ou fraude – como os números sorteados na Mega Sena… Assim espero que seja impossível também a tentativa sectária de alguns “direitistas” de trocar uma ideologia por outra, inda que seja diametralmente oposta…

 

 

REMÉDIOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“A história exata é sempre vista como paradoxal. O bom historiador está sempre em contradição com o seu meio” (Nietzsche)

Fui hóspede de um querido amigo em Natal, no Rio Grande do Norte, e numa conversação à mesa, a mulher dele reclamou que ele não estava tomando os remédios prescritos pelo cardiologista após a colocação de stents em artérias do coração.

Eu, que me submeti ao mesmo procedimento médico quase ao mesmo tempo que ele, tomei um susto, pois rotinizei obrigatoriamente a medicação diária. Como o meu amigo imprudente, conheço muita gente que é contra os remédios; mas ainda não tinha visto alguém se recusando a cumprir uma prescrição médica vital.

Partindo do ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, há também pessoas que negam os avanços da farmacologia e a eficiência dos medicamentos. Eu tenho um primo vegano defendendo “ideologicamente” que os remédios “só fazem bem aos laboratórios estrangeiros…”

Confesso em que houve uma época que eu também refutava as “bolinhas” até o dia em que precisei delas… Combatê-las é, a meu ver, um contrassenso; não reconhece a milenar prática medicinal negando através dos tempos, desde os xamãs europeus, videntes indianos e tibetanos, curandeiros africanos e pajés brasileiros.

No nosso rico País onde a Natureza é pródiga, a fitoterapia estudada entre os indígenas pelo etnólogo amazonense Nunes Pereira, revela a existência da farmácia da floresta, o mítico Noçoquén – horta de plantas curativas –, que, segundo a lenda, é guardada “por uma jovem e bela mulher conhecedora de processos curativos e da oração pela defesa do mundo vegetal”.

A mitologia das tribos Apiacá, Maué, Munducuru e Mura, ensina-lhes como remediar as doenças com a flora, assim como fizeram os geniais Pasteur e Hahnemann, patronos da Medicina moderna.

Antiquíssimo, vive ainda nos nossos dias o Buda da Cura tibetano, apontando o caminho da salubridade com o chá de certas ervas mágicas e a meditação. Além de salvar o corpo físico, o budismo ensina a cura e a evolução da alma pelas sucessivas reencarnações, trazendo o exemplo evolucionário do próprio Sidarta Gautama – O Buda –, na sua passagem pela Terra.

Conta-se que Sidarta pregava sobre a conquista da santidade pelo espírito assumindo uma nova vida material após a morte, quando um dos presentes lhe indagou qual fora a sua primeira encarnação, e ele respondeu: – “Foi uma lebre”.

… E relembrou: – “Caminhando pelo campo, vi um pobre homem botar uma panela no fogo com um pouco d’água. A água ferveu e o miserável nada tinha para acrescentar-lhe; tive pena dele e pensei que uma lebre lhe serviria; então atirei-me à panela”.

Este comportamento altruísta é raro no mundo, pois necessita de ações voluntárias de solidariedade humana, pessoais e coletivas, como o Cristo enfrentou o martírio e a cruz para salvar a humanidade.

Pelo visto, é contraditória a visão terapêutica dos povos ditos primitivos e a desconfiança atual pela farmacologia, seja alopática ou homeopática, que é indispensável no combate de inúmeras enfermidades.

Na verdade, ocorre que só não há remédio para a morte e muito menos para o crime antissocial. Nem o altruísmo budista, nem o sacrifício da autoflagelação de algumas seitas impedem o castigo para os bandidos, traficantes, ladrões, corruptos e corruptores que desrespeitam, infringem e violam os direitos da cidadania.

Que o falso humanismo dos cúmplices da corrupção não nos impeça de sugerir que sejam ministradas aos corruptos, milicianos e traficantes doses cavalares de curare, ao contrário do que fazem alguns ministros do STF, remediando com a impunidade presos condenados pela Justiça em instâncias inferiores.

SINAIS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Às vezes os problemas são sinais de que chegou a hora de o guerreiro iniciar uma nova batalha” (Roberto Shinyashiki)       

O historiador judaico-romano Flávio Josepho, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador Vespasiano, traz no seu livro, “Antiguidades Judaicas” um depoimento sobre o judaísmo no século I.

Josefo menciona uma voz do santuário que era chamada pelos rabinos de bath kol, que literalmente é “filha da voz”, significando evocação ou eco, vozes celestiais ouvidas ao longo da história de Israel.

O Bath kol é também um princípio mágico da Cabala Judaica e está presente no Novo Testamento, referindo-se às vozes do céu ouvidas por Paulo e Pedro (Atos 9: 4; cf. 22: 7 e 26:14; 10: 13,15).

A Teologia Esotérica expõe este mistério batizando-o em latim de ‘Filia vocis’, sinal que o indivíduo recebe inconscientemente dando-lhe uma orientação. Este sinal tem a ver com a que se discutia outro dia no Twitter sobre Semiótica e Comunicação; informando sobre algo, ou prevê alguma coisa.

Os sinais nos permitem conhecer, reconhecer ou prever fatos e presenças; são como signos, dando informações e avisando como se deve conduzir diante de um acontecimento. Ambos levam as pessoas a uma ação, o que fazer ou não fazer.

O verbete Sinal, dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina, (signālis, e) ‘que serve de signo, de sinal’. No cotidiano, é pôr em alarme, chamar a atenção.

Sinais transmitidos silenciosamente, acumulam histórias do dia-a-dia, contadas por parentes e amigos, ou através de gerações. Todos ouvimos falar do caso de alguém que teve um pressentimento e desistiu de uma viagem, sabendo depois que o veículo em que ia sofreu um desastre com mortos e feridos.

Demócrito de Abdera, filósofo e matemático da Grécia Antiga, foi discípulo e depois sucessor de Leucipo de Mileto. Sua fama chegou aos tempos modernos como criador da teoria atômica, o chamado ‘atomismo’.

De Demócrito conta-se uma história: Caminhando ele pelo campo, apreciou e se encantou com a maneira com que um jovem selecionava a lenha e fazia cuidadosamente o seu feixe; foi um sinal. O filósofo convidou-o para ser seu aluno. Era Protágoras, que se tornou um dos mais célebres sofistas gregos.

Qual de nós também não recebeu um aviso, um aceno, um toque, ou teve um pressentimento, para o bem ou para o mal? As predições são tão comuns como comentários de mesas de bar.

Os profissionais da política sabem muito bem disto, e pior, aprenderam a transmiti-los, com informações de interesse próprio. Os politiqueiros são como placas que indicam direções; apontam um lado para o eleitor, mas seguem pelo outro.

Nas últimas eleições tivemos exemplos disto. Conservadores e liberais se uniram para derrotar a quadrilha lulopetista e varrer definitivamente a corrupção e o crime organizado do País. Alguns eleitos nesta onda patriótica cedo trocaram de camisa, e outros sabotam a Lava Jato.

Assistimos no Congresso a atuação sórdida dos presidentes das duas Casas engavetando os projetos da Nova Previdência, o Pacote Anticrime e a CPI Lava Toga, para investigar ministros do STF suspeitos…

No STF, os ministros advogam em causa própria, blindando-se e ameaçando seus críticos. As medidas tomadas contra o ex-procurador Rodrigo Janot são claramente inconstitucionais e os conchavos de Dias Toffoli para soltar o presidiário Lula da Silva, condenado em três instâncias, é criminoso.

É pesaroso vermos defensores disto entre os achegados ao poder; alguns deles deletaram o slogan “O Brasil Acima de Tudo”. Assim, caminhando pelo desconhecido, o ladrar dos cães é sinal de perigo…

 

 

POLITICAGEM

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

 “Eu não entendo nada de política. Mas percebo todas as politicagens…” (Millôr)

Em alguns artigos, entre mais de quinhentos que escrevi desde que criei o meu Blog e aderi ao Twitter, refiro-me muito à estante de livros do meu pai. Era uma coletânea rica em obras sobre as religiões e tinha, talvez, o melhor acervo de obras anarquistas do século 19. Após a sua morte, guardei muitos deles como a herança sentimental e cultural.

Voltando de viagem a poucos dias, ávido por uma leitura, encontrei uma brochura de páginas amareladas, sem capa e remendado no dorso com uma faixa de papel craft. Era “Napoleão e Cromwell”, de Thomas Carlyle, com o esplêndido prólogo de Jean Trolet, “Crepúsculo dos Deuses”.

Não havia anteriormente folheado o livro, e surpreendi-me com vários comentários e sublinhados escritos à mão pelo meu saudoso genitor. Um deles, curiosamente, registrava o pensamento de Carlyle: “Não foi somente a fome que produziu a Revolução Francesa; não, e sim o sentimento de insuportável Falsidade que tudo invadia” (sic).

Esta afirmação corajosa que vai de encontro a vários textos históricos, me trouxe aos dias que estamos vivendo no Brasil; e puxando as conclusões em linguagem atual, temos enfrentado, não só as desonestidades e trapaças deixadas pelo lulopetismo, mas a ideia que sobrou na cabeça de vários políticos e magistrados, de que o nosso País é uma propriedade do Charlatão e dos charlatanismos.

São estas figuras que praticam a politicagem, a negação da Política, com “P” maiúsculo. Politicagem é o jogo da troca de favores e ações que favorecem interesses parentais, pessoais ou grupistas.

Disto, transparece a insistência insana do esquerdismo lulopetista que defende a inocência do presidiário Lula, condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro, numa campanha organizada e repetida à la Goebbels influenciando os poderosos-de-dia.

A politicagem se reflete na blindagem que o STF impõe em defesa de alguns dos seus ministros, que por sua vez defendem com argumentos capengas os corruptos presos pela Lava Jato, e despertam a revolta popular e dos próprios magistrados, algemados à pérfida Lei de Abuso de Autoridade.

Esta politicagem ocorre com a aceitação tácita dos presidentes das duas casas do Congresso. Foi a ação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o projeto para dificultar as prisões preventivas de criminosos e corruptos.

Assim, em correlação com o Judiciário, o Legislativo engaveta o fim do foro privilegiado, a CPI das Togas e o Pacote Anticrime do ministro Sérgio Moro; e aprova privilégios imorais para parlamentares e partidos políticos como o pagamento de advogados pelo Fundo Eleitoral e engessa as investigações das contas eleitorais.

É triste constatar que toda esta balbúrdia politiqueira ocorre sob o silêncio do Executivo, a partir de decisões do ministro Dias Toffoli que favoreceu o senador Flávio Bolsonaro e estabeleceu e ampliou a livrança dos políticos corruptos com vistas ao criminoso Lula, aos tucanos de proa como Aécio Neves e aos ministros sob desconfiança como Gilmar Mendes.

O grande orador paraibano José Américo de Almeida trouxe na sua antologia discursiva a frase: – “É preciso que alguém fale, e fale alto, e diga tudo, custe o que custar”. Este apelo patriótico não é seguido pelos fanáticos, pelos convictos e pelos covardes.

Clamo aos céus que o povo desperte e volte às ruas enfrentando o movimento golpista para matar a Lava Jato, símbolo da luta contra a corrupção e o crime organizado. É preciso impedir o fim do slogan “O Brasil Acima de Tudo” que levou o presidente Jair Bolsonaro à vitória nas urnas eleitorais.

 

 

 

A FAMA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

                 A fama dos grandes homens devia ser sempre julgada pelos meios que usaram para obtê-la” (La Rochefoucauld)

Quem disse que em Nova Iorque a televisão não traz reprises de filmes? Para relaxar, encontrei uma noite dessas “Um Lugar Chamado Notting Hill”, comédia romântica anglo-americana dirigida por Roger Michell com Julia Roberts e Hugh Grant.

Assistir mais de uma vez um bom filme tem certas vantagens para quem gosta de cinema, a gente sempre encontra algo de novo que chama a atenção.

Da minha parte, neste pensar, achei um tesouro no diálogo de recusa de Will Thacker (Hugh Grant), dono de uma modesta livraria londrina, quando Anna Scott (Julia Roberts), famosa atriz americana, lhe oferece amor. Numa determinada deixa, ela diz: “A fama não é real”.

Essa pérola encontrada dá em que pensar: Uns idiotas se rasgam para conquistar 15 minutos de fama sob os holofotes da mídia; os realmente famosos são aqueles que agem desprendidos por autossatisfação, e são reconhecidos pelos que se satisfizeram também nos seus trabalhos escritos ou interpretados.

Muitas pessoas pagam o preço do ridículo pela fama transitória. É um fato que se repete continuamente nos meios sociais e, grotescamente, entre os profissionais da política. Os novos ricos e os politiqueiros que exibem a fama nas colunas sociais nunca esperam que a sua aquisição seja avaliada pelos meios usados para isto.

No Brasil, os figurantes que perpassam nas novelas do Projac se escondem em nichos, do mesmo jeito como fazem alguns políticos querendo engavetar as denúncias das delações premiadas na Lava Jato ou nos malfeitos encontrados pelo Coaf…

Não sei se o raciocínio é correto, mas creio que tem muito na nossa herança neolatina esta ânsia por aparecer… São tantos casos que os cariocas usam a expressão “pendurar uma melancia no pescoço” referindo-se a pessoas que tatuam o corpo inteiro, multicolorem os cabelos e põem pegador de roupa no nariz…

Em Nova Iorque também transitam esses maluquetes, mas em contraponto me lembra o Rio antigo, da minha adolescência, quando a gente via atrizes e atores nos ônibus da Light, caminhando na Rua do Ouvidor, indo para o Cassino da Urca de bonde e lanchando nas confeitarias Cavé e a Colombo.

Eu queria que vocês vissem o consagrado ator, cineasta, escritor e músico, Woody Allen, andando pelas ruas do Queens…. Cruzei com ele e me deu vontade de voltar aos 12 anos para pedir-lhe um autógrafo…. Pensei cá comigo que anos atrás eu teria encontrado um dos meus ídolos, Louis Armstrong…

Para os narcisistas, a fama encanta e extasia. Dicionarizada, a palavra Fama é um substantivo de dois gêneros oriundo do latim, fama.ae , reconhecimento favorável, pelo talento, habilidade ou saber de alguém ou desfavorável (má fama).

Nietzsche diz que a fama se cria “quando o reconhecimento de muitos por um único afasta qualquer pudor”; e o sábio dos Pampas, Mario Quintana, completa:  “quem pretende apenas a gloria não a merece”.

Mesmo sendo inútil lembrar as lições daqueles que conquistaram a fama pela vocação, esforço ou sapiência, no Hemisfério Sul surgiu uma moda repugnante: jornalistas, humoristas e blogueiros invadem a privacidade das pessoas para aparecer, e a mídia escrita imprevista e decadente lhes cede espaços, e a presença de 15 minutos na TV.

Esses penduricalhos usados por maus profissionais são, infelizmente, alimentados pelas personalidades boquirrotas das novelas, da magistratura de nomeação e dos políticos picaretas.

Com isto, acreditam conquistar fama, que na realidade é uma má fama, lembrada pelo grande Miguel Unamuno: “A má chaga cura-se, a má fama mata”.

AVALIAÇÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Podereis avaliar um homem tanto pelos seus inimigos, como pelos seus amigos”  (Joseph Conrad)

A palavra Avaliação é dicionarizada como um substantivo feminino com origem no verbo avaliar, direto e bitransitivo que, por sua vez, provém do latim, (a + valere) que quer dizer “dar valor a …”.

Esticando no uso comum, avaliação é calcular a grandeza, a intensidade, a qualidade a alguma coisa, ou a força de alguma ação, e para a professora Isadora Moreira vai além de uma medida de valor: “é muito mais ampla que a medição ou qualificação; não é um processo parcial nem linear. ”

Assim, pela abrangente definição, a sinonímia de avaliar é riquíssima, indo de ajustar, apreciar, estimar, calcular e cotejar, para análise, exame, opinião, prova e até crítica! E, no mundo em que vivemos, nos deparamos com vários tipos de avaliação, que vão do processo ensino-aprendizagem ao crescimento econômico de um País.

O tempo, por exemplo, é o avaliador da História, como o interesse avalia os homens, as coisas e os eventos. Conta André Maurois que visitando um observatório, ouviu de um astrônomo uma interessante definição do tempo sem comparação ou números; o cientista modelou:

– “Cole um selo sobre uma moeda de dez centavos (estou adaptando) e ponha a moeda em cima de um obelisco (como o da revolução constitucionalista de São Paulo). Se a altura do conjunto, selo, moeda e obelisco, representa o tempo de existência da Terra, a espessura da moeda figura o tempo do surgimento do homem e a do selo a idade da vida social, intelectual, artística e moral da civilização. ”

A metáfora da grossura no selo nos leva a refletir sobre o comportamento de pessoas, observando como se conduzem nas redes sociais. Não são poucos os que se dizem “democratas” e reagem com brutalidade diante de uma crítica às suas convicções.

Nietzsche, rejeitado por certos círculos pelas críticas feitas à religião e a cultura; mas como filósofo adeja acima disto. É dele o admirável pensamento: – “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”.

Na minha opinião pessoal, as excessivas convicções se refletem na conduta de indivíduos antissociais que ultimamente se achegam como um enxame nos sites e aplicativos da Internet.

Fôssemos psicanalistas, diríamos que uma avaliação psicológica os classificaria como psicopatas e sociopatas. Entretanto, devido à minha predileção pela ironia e a metáfora, reservo-me a mostrar apenas as diferenças entre eles e o seu exemplo maior.

A literatura clássica da psicanálise mostra que enquanto os sociopatas sentem remorso e culpa, os psicopatas são calculistas e frios, desconhecendo delitos e arrependimento.

O modelo da psicopatia melhor desenhado é Lula da Silva. Com seu carisma pessoal aliado à inegável esperteza de pelego sindical, aprimorou a astúcia e a malícia diante dos auditórios, tornando-se convincente e perigoso.

Os brasileiros vimos que além dessas qualidades, ele teve às mãos e usou habilmente no varejo político, bilhões de reais dos assaltos à Petrobras e propinados de empreiteiras corruptoras! Com este dinheiro comprou a mídia, cooptou os movimentos sociais e as Ongs, e subornou parlamentares e juízes.

Assim, não é por acaso que essa compra de consciências mantém uma massa saudosista da divisão dos assaltos ao Erário. Suas viúvas não se envergonham de fazer a campanha “Lula Livre”, enaltecendo a corrupção.

Isto representa o valor e o preço de uma herança maldita, a sombra de uma personalidade psicopática que ocupou despudoradamente o poder por 16 anos.