Artigo
A FORÇA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a afirmação do seu direito” (Rui Barbosa)
A “História Oculta” – sim, porque nem sempre a História Escrita registra fatos que ocorreram –, nos informa que em 1438 um aventureiro (o nome não foi registrado) contou a um curioso mecânico alemão, Johannes Gutenberg, que na China eram usados tipos móveis que, carimbados imprimiam várias vezes a mesma escrita.
Um ano depois, Gutenberg desenvolveu um sistema mecânico aproveitando-se dos tipos móveis, e com ele alcançou duas proezas: acabou com o monopólio dos monges que manuscreviam livros e popularizou a Bíblia.
Embora por séculos se ensine que é do Alemão a invenção da imprensa trata-se de uma falácia. A tecnologia de impressão revolucionou a divulgação de livros, mas os jornais já eram conhecidos séculos anteriores na Fenícia, em Cartago e Roma.
Na própria Alemanha, muito antes de Gutemberg, circulavam na Cidade Livre de Hamburgo jornais manuscritos em forma de panfletos anunciando chegadas e saídas de navios e, principalmente, informando, estoques e preços de mercadorias.
Um herói anônimo do jornalismo introduziu nas comunicações comerciais notas sobre viagens de personalidades, missas, falecimentos e legislação. Daí o nascimento do jornal como se conhece hoje…
No Brasil há uma polêmica danada – quase ideológica – sobre o surgimento do primeiro jornal impresso no País. Um lado defende que foi a Gazeta do Rio de Janeiro, outro, que foi o Correio Braziliense.
Cronologicamente, porém, sabe-se que a Gazeta nasceu com a transmigração da Corte Portuguesa quando foi fundada a Impressão Régia, em 1808; o Correio Braziliense, também chamado Armazém Literário chegou antes, mas era impresso em Londres sob a direção de Hipólito José da Costa.
“Força”, como se sabe, é substantivo feminino de origem latina (fortĭa,is) ‘força’ e ‘forte’. Na Física, a força é um dos seus principais componentes relacionados com as três leis de Newton. Definições à parte, a imprensa é uma força. Na minha juventude – que já vai longe –, era considerada o Quarto Poder da República.
O jornalismo foi considerado assim pela sua condição política de arbítrio, ascendência e autoridade. Mas isto depende do jornalista vocacionado e consequentemente qualificado, honesto e independente, uma espécie em extinção; presença rara nos grandes jornais em circulação no País.
Não é de se exigir que o jornalista seja um herói das histórias de quadrinhos como He-Man, que tem a força e os seus cultuadores da banda Trem da Alegria cantaram: “ele nasceu para o bem!”. O que queremos dos jornalistas é a responsabilidade com a informação, um direito inalienável do povo.
Ocorre que no quadro atual de decadência ampla, geral e irrestrita no mundo, temos no Brasil a mediocridade locupletada nos poderes republicanos, na universidade e na Academia Brasileira de Letras. Na imprensa não seria diferente.
Hoje, a força está nas manifestações populares nas ruas, aqui, no Chile, no Iraque, na França ou em Hong Kong… Chegando à Ásia, lembro o que disse a Madre Teresa de Calcutá, respeitada por todos, católicos, espíritas, evangélicos, umbandistas e até ateus: “A força mais potente do universo é a fé”.
Guardo a fé de que o povo brasileiro se una e se mobilize para conquistar o futuro que todos desejamos, democrático, justo, sem corrupção e desenvolvido economicamente.
EÓLICAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Não precisas de um homem do tempo para saber para que lado sopra o vento” (Bob Dylan)
Para justificar a roubalheira dos 16 anos de governos lulopetistas, alunos de Marilene Chaui e devotos do Frei Boff costumam justifica-los dizendo que o vento que fez mover as velas das caravelas de Pedro Álvares Cabral trouxe consigo a corrupção dominante nas cortes portuguesas…
Não mentem; mas, como lulopetistas – sem exceção – fraudam a História para justificar o assalto institucionalizado pelo ex-presidente da República à coisa pública, e por isso, bi condenado de Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro.
Historicamente, o Almirante lusitano, sem dúvida conhecedor do disse-me-disse em Lisboa sobre o avanço reinol ao Erário, não tem um boletim de ocorrência que registre a sua desonestidade. A sua culpa em cartório é ter aportado num território que 500 anos depois se transformou num porto dominado por piratas apátridas.
Não consigo afastar da mente as circunstâncias do meu ódio à corrupção endêmica na vida nacional, vista não somente nos grandes assaltos na Petrobras, nas propinas das empreiteiras corruptas e corruptoras, como também no uso criminoso do BNDES pelos governos petistas e na venda de Medidas Provisórias por Lula da Silva, então na presidência da República.
No varejo, seguindo os exemplos vindos “de cima”, temos fraudes cartoriais em grilagem de terras, fiscais desonestos que atuam municipal, estadual e federalmente, juízes, parlamentares nos três níveis federativos e prefeitos que enriquecem de um dia para o outro.
A aragem de benesses, compadrio, leniência legalizada, privilégios e vantagens de toda espécie, criou no País uma organização criminosa, solidária com o crime, como se atestou na campanha do Lula Livre, uma ode à perversão política.
Pode-se dizer que se enraizou no País uma política “eólica”, inflando com maus ventos um balão multicolorido de bandeiras partidárias, com predominância do vermelho…
A palavra eólica, dicionarizada, é um adjetivo usado com tudo que se relaciona com o vento. Tem origem na mitologia grega referindo-se ao deus Éolo, que exercia o domínio sobre os ares, tanto nas brisas leves quanto as piores tempestades.
A Anemologia, ciência que estuda a atmosfera terrestre, principalmente sobre os movimentos de ar, aborda um item importante: a erosão eólica provocada pelos ventos; esta, na ambiência da política brasileira, cobre, infelizmente, os três poderes republicanos.
Tivemos há pouco na capital paulista, a ação criminosa de ONGs nas creches, que qualquer pessoa de boa-fé considera um crime hediondo; vimos quase permanentemente assaltos a merendas escolar, não menos repulsiva; e a sórdida falsificação de remédios. São as brisas da corrupção…
E não há corrupção maior do que meter a mão no bolso do contribuinte para financiar os pelegos sindicais, agentes partidários minoritários que dominam as entidades que devem ser mantidas pelos seus associados. Se este projeto abjeto que revolta os brasileiros honestos passar, será mais uma tormenta promovida pelos picaretas do Congresso Nacional.
Delatado por corruptos presos pela Lava Jato, Rodrigo Maia diz que “não é papel do Congresso ser juiz de execução penal” justificando a sabotagem que faz contra o projeto AntiCrime do ministro Sergio Moro… enquanto incentiva a obscenidade de tirar dinheiro da Saúde, Educação e Segurança para os criminais fundos partidário e eleitoral.
Um dos meus escritores preferidos, Eça de Queiroz, que teve o mérito de modelar o idioma português, nos legou o belo pensamento: “Palavras ao vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.
É pensando com Eça que rogo uma praga dirigida aos capangas da bandidagem de colarinho branco: “Que paguem as suas consciências imundas no mármore do inferno”!
PICARETAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Eu sabia que seria cassado. Só não sabia que ia ser por esse número cabalístico. Foram os 300 picaretas do Lula mais os treze do PT” (Roberto Jefferson)
Tempos atrás (aliás, muito tempo atrás…), quando iniciei meus trabalhos em redação de jornal, os repórteres que recebiam “agrados” (propinas) de pessoas que queriam influenciar matérias, eram chamados de “picareta”.
Era uma alusão à ferramenta usada para arrancar pedras, escavar a terra ou derrubar paredes e muros. Dicionarizado, o verbete Picareta é um substantivo feminino de diversos significados abrasileirados que vão do enxadão e chapéu de palha ao vigarista, mas a versão, em sua origem, é portuguesa.
Vem da formação do idioma e é usada até hoje em Portugal na forma de “pícaro”, referindo-se a bêbado, irresponsável, vagabundo e velhaco. Do “pícaro” veio o “picareta”, e foi incorporada à gíria brasileira como aproveitador, embusteiro, marreteiro, mentiroso e safado.
Os ardis dos picaretas deram origem ao termo “picaretagem”, ação que visa burlar, enganar, fraudar, iludir, trapacear… Desde as capitanias hereditárias a História registra casos de picaretagem dos capitães, dos governadores-gerais, nas câmaras do Império e na República em todas as suas fases, antiga, nova e novíssima…
O expediente para obter vantagens na política é praticado de todo lado nos três poderes republicanos, sendo mais visível no Legislativo. Quando ainda conseguia enganar a população brasileira, o pelego sindical Lula da Silva fez uma referência aos “300 picaretas do Congresso Nacional” – com os quais, ao assumir a presidência da República, se aliou e aprimorou o assalto ao Erário.
A picaretagem se refere, também, a ações políticas e jurídicas questionáveis. O próprio Lula quando presidente editava medidas provisórias com brechas para favorecer banqueiros e empreiteiros e com elas usufruir propinas, segundo delação do seu ex-ministro Antonio Palocci.
Tudo o que é feito de maneira a proporcionar vantagens aos que ocupam cargos públicos é picaretagem, e o maior exemplo disto está no STF, com alguns ministros interpretando a Lei conforme o interesse dos seus bandidos de estimação; nas casas do Congresso, parlamentares legislando em causa própria com os criminosos fundos partidário e eleitoral.
Estes “fundos” são realmente criminosos. Pena que não se leve um questionamento ao Supremo sobre isto: o contribuinte ser extorquido por partidos e políticos com os quais não concorda; agora mesmo, o relator do Orçamento de 2020, o deputado cearense Domingos Neto está propondo ampliar valor do “fundo eleitoral” para R$ 3,8 bilhões. TRÊS BILHÕES!
Quer dizer que os picaretas dos treze partidos que apoiam este assalto, PP, MDB, PTB, PT, PSL, PL, PSD, PSB, Republicanos, PSDB, PDT, DEM e Solidariedade querem que a gente financie a sua campanha eleitoral, além de chuparem as verbas do famigerado e não menos criminoso “fundo partidário” que nós pagamos para mordomias dos donos de partidos.
Esta outra mamata revoltante é fruto da leniência feita em nome da Democracia pela execrável Constituição de 88 – que deve ser mantida, sem dúvida, até que tenhamos outra -, o tal “fundo partidário” que tem a previsão no orçamento para 2020 de outros TRÊS BILHÕES.
Os brasileiros pagarão para o PT vender o País para Cuba e Venezuela R$ 350 milhões e para o PSL, partido que cresceu às custas do presidente Jair Bolsonaro, terá R$ 359 milhões. É a polarização da roubalheira.
O roubo oficial, legalizado, se mantém sob a capa leniente dos três poderes republicanos e o silêncio dos seus cúmplices levando-nos a pensar como o anarquista Piotr Kropotkin que dizia haver duas correntes de pensamento em conflito na sociedade humana: uma pela liberdade e bem-estar do povo; outra, das elites e dos governantes dominadores para explorá-lo”
EXAGEROS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A heresia e a ortodoxia não derivam de um exagero fanático dos mecanismos doutrinários, elas lhes pertencem fundamentalmente. ” (Michel Foucault)
Quando alisava os bancos escolares da Faculdade Nacional de Direito entusiasmei-me pela Teoria Geral do Estado, matéria que ao que me parece saiu do currículo dos cursos atuais. A nível do ensino superior um programa conexo é estudado como “Ciência Política”. Por causa de uma publicação recente, lembrei-me de uma lição dada pelo professor Hermes Lima: -“As ações dos ocupantes do poder, seus erros, favores e vacilações, se refletem como padrão por toda administração pública”.
A notícia cobriu a decisão da juíza Christiane Bimbatti, da Justiça do Trabalho, vetando a transferência dos funcionários da Usina de Itaipu de Curitiba para Foz do Iguaçu, onde a empresa está sediada.
A Meritíssima alega que “a empresa não conseguiu justificar o motivo das transferências”. Acho que a justificativa é óbvia: a sede da Itaipu é em Foz e não em Curitiba…. Voltando de memória à aula de Hermes Lima, vejo que a Juíza comete o mesmo equívoco que vem de cima, do STF: decide como executivo imaginando-se como legislativo…
Uma coisa não aparece na grande imprensa e é ignorada por muitos que se propõem a criticar e denunciar os malfeitos seculares da administração federal e, por conseguinte, nos estados, municípios e empresas estatais: As incríveis mordomias gozadas no Brasil pelos afilhados dos poderes republicanos.
Parentes e cabos eleitorais de parlamentares, juízes togados e ministros de Estado ganham cargos sem função com altos salários. E muitas vezes intocáveis…. Foi isto que o general Joaquim Silva e Luna, diretor brasileiro da Itaipu Binacional, quis fazer, pondo centenas deles para perto de si, produzindo alguma coisa para justificar o emprego.
Para o Diretor, o escritório de Itaipu na capital paranaense só precisará ter cinco ou seis funcionários. A grita é esta. Cumprir as obrigações empregatícias dará um fim aos convescotes, esvaziará clubismo e silenciará as colunas sociais da imprensa local.
Não custa lembrar, também, os proveitos adicionais que ocorrem por lá: hotéis cinco estrelas, voos em classe executiva, férias esticadas e palestras remuneradas, vantagens publicadas na revista Crusoé, numa matéria que estimulou investigações.
Então, eis que chega coisa pior e mais suspeita, baixada de cima para baixo do modelo de todos equívocos, benesses e vacilações, o STF, que desde agosto do ano passado, impede o Tribunal de Contas da União de fiscalizar a Itaipu. Uma pergunta besta: ‘Porque será? ’
São os exageros cozinhados nos caldeirões da infâmia. Exagero, como todos sabemos é um substantivo masculino, significando aquilo que ultrapassa o necessário, demasiado, desmedido, excessivo, e figuradamente, abuso. Flexionou um verbo, ‘Exagerar’.
O exagero é uma das máscaras do fanatismo, que se multiplicam no carnaval da politicagem; e os fanáticos se multiplicam, à direita e à esquerda como cogumelos após chuvas. Inflacionam as estacadas que impedem o fim da corrupção e a punição dos corruptos. Quem exagera perde o objetivo.
Felizmente, a juíza Gabriela Hardt, que condenou o ex-presidente corrupto Lula da Silva, e o TRF-4 que confirmou a sentença, acarinham a esperança em nossas cabeças. Deixam-nos acreditar e confiar que há no Brasil magistrados livres das algemas prateadas da politicagem.
Li certa vez um texto psicanalítico (acho que Reich) que as exagerações são quase sempre estados infantis da inteligência, e bastará atentar nas crianças para nos convencermos disso.
Essa ingenuidade sadia e positiva encontramos em Cora Coralina, mostrando que somente a necessidade nunca exagera: – “A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar. Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca! ”. É desse generoso excesso que o Brasil precisa.
J’ACUSE
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“A acusação contra os maus é necessária para que o ser humano se respeite e respeite os seus iguais” (Clarice Lispector)
Muito aplaudido e com algumas vaias, não pela fita, mas pela indicação, o excelente cineasta Roman Polanski lançou o seu novo filme, “J’Acuse”; em que aborda o julgamento por espionagem do capitão Alfred Dreyfus, que abalou a França nos fins do século 19.
O roteiro segue a carta aberta que o escritor Émile Zola dirigiu ao presidente da República, publicada no dia 13 de janeiro de 1898 pelo L’Aurore, jornal parisiense com a impressionante tiragem de 300 mil exemplares na época.
O processo foi uma manifestação típica de racismo. Como judeu, Dreyfus tinha inimigos no exército e foi injustamente incriminado por alta traição e julgado às escondidas, sendo condenado à prisão perpétua.
Um investigador policial, Picquart, resolveu por uma questão de consciência seguir as pistas que levaram à denúncia, e conseguiu mostrar fraudes que ocorreram por trás da punição aplicada pelo tribunal.
Daí Émile Zola comprou a briga e terminou revertendo a pena. Ainda hoje, em forma de livro, a defesa de Dreyfus por ele é um best-seller.
Curioso é que Polanski sofre durante muitos anos, mais da metade de sua vida, incriminações, que considera falsas, e usou a sua arte como uma metáfora do seu caso.
Temos assistido no Brasil contemporâneo processos de flagrante injustiça, e uma Corte Constitucional à mercê do ex-presidente corrupto Lula da Silva, já condenado por três instâncias, e envolvido em vários processos por corrupção e lavagem de dinheiro.
Na onda dessas atitudes seletivas, a culpabilidade de criminosos no País passou a ser tratada com leniência – sem exclusão -, após a suspeita decisão de seis ministros do STF.
Os brasileiros, estão cônscios do perigo que representa a soltura de verdadeiros criminosos do crime organizado, estupradores, homicidas, ladrões, pedófilos e traficantes, por causa da intromissão da política no Supremo graças à maioria que tem bandidos de estimação.
E além do favoritismo flagrante, os togados interferem no Legislativo e no Executivo, o que se reflete numa pesquisa recente – ah, como deveriam ter crédito as pesquisas! -, para 45% dos brasileiros, Judiciário interfere nos outros Poderes.
Não é por acaso que já não se dá crédito à Justiça. As manifestações de rua deveriam influenciar na realidade das evidências judiciárias que favorecem o crime. As multidões refletem a opinião pública e deveriam derrubar a ditadura da meia dúzia que se arvora dona da verdade com as suas próprias mentiras.
Como Émile Zola, eu acuso o STF. Atribuo aos seus integrantes a culpa de zombarem do povo. Acusar é um verbo transitivo direto, bitransitivo e intransitivo significando atribuir falta, infração ou crime a alguém; e também, verbo pronominal que exprime julgamento moral desfavorável a quem está errado.
Este “Acuso” não é somente meu; é de todos aqueles que desejam um Brasil respeitado no concerto das nações como um Pais igualitário e justo.
E a acusação deveria ser sempre vinda por quem comete um erro e se arrepende, se culpe e se corrija, o que não é o caso dos que agem ideológica e partidariamente neste jogo em que o povo chuta com a bola do patriotismo, faz gol, e os inimigos da justiça boa e perfeita apelam para o VAR da impunidade.
BRASILÍADAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Encontrar lugares por setores e endereços que são coordenadas cartesianas, parece um mistério” (Alexandre Orrico)
Jantando em Brasília com um amigo de priscas eras, jornalista que cobre o setor militar e possuidor de fontes seguras e informações valiosas, como antigo profissional de imprensa ouvi coisas de arrepiar os cabelos.
Entraram na pauta da conversa, relacionamentos vis em parcerias obscuras, investigações bem-sucedidas engavetadas na Justiça, compromissos inimagináveis entre parlamentares e multiplicação de dossiês envolvendo figuras palacianas.
Este filme de horror onde as vítimas são a República e a Democracia obedecem a scripts utilizados em filmagens feitas nos 16 anos de ocupação do poder pelo lulopetismo. Com boa vontade poder-se-ia recuar no tempo e recordar fitas antigas em preto e branco…
Em verdade, a corrupção veio com as caravelas do almirante Pedro Álvares Cabral e foi institucionalizada a partir das Capitanias Hereditárias. Esteve presente nos Governos Gerais, no Império e na República, mas, sem apadrinhamento, em escala bem menor.
Comentava-se na década de 1950 sobre a existência de avanços ao Erário no Governo Juscelino Kubitschek, principalmente na construção de Brasília e na transferência da capital do País do Rio de Janeiro para o Planalto Central.
O futuro demonstrou que houve desvios de dinheiro público naquela época, como ocorria em São Paulo nos governos “que roubavam, mas faziam”. Eram, porém, gotas d’água no oceano que transbordou no território nacional após a “redemocratização”.
Pode-se reconhecer erros de JK e na sua politicagem que pôs de lado as astúcias e malandragens dos seus auxiliares diretos. É indubitável historicamente que ele fez um governo que trouxe esperança e consequentemente a alegre torcida dos brasileiros por um futuro melhor.
Tudo isto, negação e afirmação, está no Memorial JK para quem olhos de ver e ouvidos de ouvir. É uma visita obrigatória para quem visita o Distrito Federal. É de Juscelino a frase: “O otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando.”
Mais adiante, a derrubada de Jango e a ascensão dos governos militares ainda são avaliadas pelos historiadores isentos de ideologias. E mais recentemente não é preciso pesquisar para que se passe uma vista nas consequências da chamada redemocratização.
As práticas corruptas estiveram presentes na Assembleia Constituinte que pariu uma Constituição filha bastarda de advogados lenientes com o crime, na Nova República de Sarney, na compra da reeleição por Fernando Henrique Cardoso e nos impeachments de Collor e Dilma.
E Brasília assistiu tudo isto placidamente como os espelhos d’água projetados por Niemeyer…. Uma coisa, porém, é certa: os protagonistas políticos em sua maioria – será injusto não citar que há honrosas exceções –, os brasilienses reagem inconformados com a corrupção, a impunidade e a enganação lulopetista.
Diz-se que para cada 10 pessoas em Brasília, oito são flamenguistas…. Podem usar os mesmos números e afirmar que repudiam do mesmo jeito Lula e os seus quadrilheiros do PT. O povo da capital brasileira conhece muito bem a hipocrisia dos lulopetistas que se harmoniza entre o comportamento e o discurso.
Em Brasília se afirma, e é verdade, você pode sair às ruas a qualquer hora do dia sem medo, porque os ladrões não agem ao ar livre e sim dentro dos palácios na Praça dos Três Poderes…
Comenta José Coutinho que “notícias vindas de Brasília nos dão o pânico nosso de cada dia” e a presença fantasmagórica de Enéas Carneiro responde: “Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole”.
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4 HORAS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança” (Camões)
Muitos anos atrás, no meu tempo de repórter político cobrindo a Câmara dos Deputados ainda no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, corria uma piada sobre os parlamentares mineiros. Exemplificavam um deles que ficava quase sempre em cima do muro, e que o seu voto não era sim, nem não, mas pelo contrário…
Foi mais o que se viu no voto estendido por quatro horas do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, sobre um recurso que questionava uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Apesar da origem do recurso Toffoli iniciou a sua intervenção dizendo que “aqui não está em julgamento o senador Flávio Bolsonaro; e que a sua decisão monocrática paralisante da Justiça, atingiu apenas “poucos processos”.
Primeiro, não viu que, por interesse profissional, estava presente na sessão o advogado de Flávio Bolsonaro e que ninguém iria deduzir que mesmo que fossem meia dúzia de processos a Justiça havia sido prejudicada. Na verdade, foram 935 processos brindados com os dados do Coaf.
Encerrados os trabalhos no plenário do STF, correspondentes que faziam a cobertura da sessão, publicaram que o ministro Luís Roberto Barroso disse que chamaria um “professor de javanês” para explicar o resultado do voto relatado.
Os que traduziram, entretanto, dizem que o antigo advogado do PT quer impor limites para a atuação da Receita Federal e do antigo Coaf, transferido a pedido dele e feito pelo presidente Jair Bolsonaro e rebatizado como UIF.
Quem ouviu, ou leu mais tarde, comprovou que Toffoli, na sua dicotomia empolada não recuou na tentativa de acessar ilegalmente dados sigilosos dos contribuintes listados no sistema do antigo Coaf, atentando contra a Constituição.
Quatro horas foi tempo gasto, bastante para uma autocrítica, o reconhecimento de um equívoco e, quem sabe, voltar atrás com uma certa dignidade, mas isto não ocorreu. Se conhecesse o filósofo Millôr Fernandes teria aprendido que “quem mata o tempo não é um assassino: é um suicida. ”
O verbete Tempo, dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina (tempus, oris) significando uma série ininterrupta e eterna de instantes e, após a invenção da ampulheta, avó do relógio, uma medida arbitrária da duração das coisas.
Mário Quintana, o inesquecível poeta gaúcho, filosofou que “o mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família. ”
A determinação de uma época nos faz olhar para o passado e pensar no futuro, dando-nos o ensejo de pensar como mudaram os tempos para pior no Brasil; da Academia Brasileira de Letras que se empobreceu de valores, até ao Congresso, invadido por uma orla de aproveitadores – com honrosas exceções -, e ao Supremo Tribunal Federal, onde alguns ministros se esforçam para desacreditá-lo.
Isso nos leva a meditar como Gandhi, que ensinou aos seus discípulos que “o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente. ”
Vivemos um tempo de perigo, com a Nação insegura pelo descrédito na Justiça e na Política. É chegada a hora de pensarmos nisto.
Está ficando insuportável para os brasileiros que querem legar um País democrático, justo e desenvolvido para os pósteros, se reunir, discutir e traçar um projeto para nos libertar desta situação.
Só a conscientização do povo nos apontará o caminho.
SIMBOLISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Um símbolo sozinho pode não representar nada, mas se todos se juntam, um símbolo pode significar muito, pode significar a mudança de um Pais” (‘V’ de Vingança)
Plotino, um dos principais filósofos gregos da antiguidade, que os estudiosos de sua obra notabilizaram criando para ele o termo “neoplatonismo”, deixou-nos um notável pensamento: – “Tudo é símbolo. E sábio é quem o lê em tudo. ”
A palavra Símbolo vem da Grécia Antiga, “symbolon” (σύμβολον), significando um tipo de signo que, mesmo de simplicidade extrema, representa algo abstrato. Uma figura que vai de propostas interpessoais até algo grandioso como uma divindade, uma ideia, uma nação, um protesto, uma revolução.
O verbete dicionarizado é um substantivo masculino figurando num desenho, num som e até num gesto, algo relacionado com o cotidiano das pessoas. A química o adota para os elementos atômicos da tabela periódica e o cristianismo com a cruz, o ícone do martírio de Jesus.
Aliás, os primeiros cristãos adotaram como símbolo a configuração de um peixe; só mais tarde a cruz se popularizou quando foi adotada como religião oficial do Império Romano. História ou lenda, registrou-se que Constantino, tornado imperador sem muita legitimidade, para conquistar o apoio do cristianismo divulgou que olhando para o céu viu nuvens em forma de cruz e a inscrição: “In hoc signo vinces” (“Com este sinal vencerás“).
Eram vésperas da batalha em Adrinopla e os cristãos se negavam a pegar em armas (como fazem ainda hoje as Testemunhas de Jeová), decidiram acompanhá-lo, saindo vencedores. Ele, garantindo o poder; e eles, legalizando a sua religião.
A força do símbolo alcançou o dia-a-dia de todos os povos, nos quatro cantos do mundo. A publicidade é riquíssima de logotipos e logomarcas, reconhecidas até por habitantes das regiões mais remotas; a Internet trouxe para as redes sociais os emojis, emoticons ou smiley, com as representações artísticas de animais, caveira, coração, estrelas, flores, gestos mímicos e sinais matemáticos.
Os partidos políticos procuram com símbolos atrair aderentes, uns que passam despercebidos, outros que ficam marcados pela tendência totalitária das ideologias e a disposição ao fanatismo dos seguidores, como a foice e o martelo dos comunistas, o fascio dos fascistas italianos e a cruz gamada dos nazistas.
Desses mais consideráveis signos da política contemporânea, nasceram algumas caricaturas derivadas, e entre elas surgiu a estrela petista roubada dos arquétipos fixados primitivamente no inconsciente coletivo.
Assim, pela vocação lulopetista de se apropriar do poder e de tudo que o poder concilia, eles começaram roubando a estrela dos poetas, namorados, seresteiros e sonhadores para depois assaltar a Petrobras, as empresas estatais e os fundos de pensão.
Não deveria ser a estrela a alegoria do Partido dos Trabalhadores como se comprovou no desprezo pelo povo que o levou ao poder elegendo o pelego Lula da Silva, corrupto e corruptor, presidente da República.
Pela ingratidão demonstrada e a adoção do anagrama de símbolo, “lobismo”, na imaginação popular o PT exprimiria o que o fabulista La Fontaine propôs: “o símbolo dos ingratos não é a Serpente, é o Homem”. É por isso que Lula se assume como “jararaca”.
Um símbolo curioso é imagem da Justiça. É estranha e imponderável os seus olhos vendados; os otimistas dizem que é para não fazer distinção entre os que estão sendo julgados… esses distintos veem também equilíbrio na balança e a força na espada. Será que esse julgamento é imparcial ou igual ao dos togados que atropelam a lei para soltar os seus bandidos de estimação?
ESQUERDISMO
MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)
“O maior perigo para as ideias, para a cultura e para o espírito, pode mais facilmente vir de um inimigo sorridente” (Aldous Huxley)
Vitoriosa a revolução bolchevique na Rússia, o seu venerado líder Vladimir Ilitch Lênin (cuja múmia é exibida num Mausoléu em Moscou), escreveu o livro “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo” alertando os fundadores da Terceira Internacional Comunista para os desvios ideológicos esquerdistas na “construção do socialismo”.
Esta preocupação com a estreiteza e as ambições inexequíveis dos “revolucionários tresloucados” como chamou, vigora até hoje entre os herdeiros de Stálin, inconformados com o fracasso do regime na União Soviética. Efetivaram-se como defensores do “quanto pior melhor”, e para isto topam tudo todo tempo.
Embora alguns aceitem o Esquerdismo como uma “teoria praticista”, móvel das contestações sociais que sempre existirão, não sabem que foi o suporte midiático de apoio à ditadura stalinista e dos tentáculos imperialistas soviéticos nas chamadas “Repúblicas Populares” do Leste Europeu.
Sem a formação fatalista do islamismo, o esquerdismo de hoje tornando-se um braço do globalismo, adota o terrorismo de gabinete nas democracias praticado pelas minorias parlamentares, como os pelegos fazem nos sindicatos. Tem atuação nos quatro cantos do mundo, mas na América Latina, e principalmente no Brasil, se veste com os trajes do populismo.
Aqui, é praticado pelas frações infiltradas nas organizações sociais, corporações e movimentos populares servindo-se destes para fazer manifestações rumorosas assustando os detentores do poder. Aparecem como defensores dos explorados e perseguidos em qualquer reivindicação que surja. Usam-nos para fins partidários.
Além dos sindicatos e órgãos representativos de profissionais liberais, de estudantes, mulheres, camponeses sem terra e trabalhadores sem moradia, é visível na multiplicação de partidos inexpressivos eleitoralmente, mas mamando nas verbas públicas para sabotar as instituições republicanas.
Mesmo com os seus dirigentes corrompendo-se com os benefícios governamentais e propinas empresariais, o esquerdismo se mantem na massa influenciável pela repetição de slogans; e isto estimula o carreirismo dos doutrinadores que algemam os fanáticos à causa.
Os que se assumem humanistas, sentem-se devedores da humanidade, e se propõem a pagar essa dívida com o dinheiro dos outros, como disse G. Gordon Liddy. Os outros travestem-se de bonzinhos para conquistar espaços políticos aliando-se aos corruptos políticos, corruptos empresários e corruptos sindicalistas. Tal parceria rende-lhes posições nas estruturas do poder, que usam para miná-las. Isto fica transparente no engavetamento do projeto AntiCrime de Sérgio Moro na Câmara e o favorecimento ignóbil de alguns togados do STF à campanha do “Lula Livre”.
É indesmentível que o esquerdismo armou uma conjuração contra a Lava Jato no Congresso, no STF e, por oportunismo, de alguns membros do círculo presidencial, conchavando com conhecidos protagonistas do Legislativo e do Judiciário. Só não vê isto quem não quer, ou usa antolhos para não ver o envolvimento dos seus mitos.
Entretanto, queiram ou não os defensores de uma volta ao passado, o Brasil acordou; o povo continua reagindo contra os políticos corruptos, o crime organizado, os privilégios de minorias e o carreirismo dos oportunistas. Ouvimos isto nos trens, nos ônibus, nas filas de banco e dos supermercados.
Em comunhão com o povo, os patriotas precisam voltar às ruas e às praças neste momento crucial para o País. Vamos a um Verão Democrático para impedir a volta apocalíptica da pelegagem corrupta e do esquerdismo degenerado, narcopopulista e corrupto.
INCORREÇÃO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
“Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo” (Albert Camus)
Na época ingênua da minha infância os parques de diversão tinham uma Sala dos Espelhos, aonde a gente via a nossa imagem distorcida, gordíssima, magérrima, agigantada ou mirrada. É o que assistimos agora no cenário de insegurança jurídica criado pelo STF no caminho sinuoso da impunidade.
A Corte Suprema, dominada pelo Bando dos Quatro, abriu os portões das cadeias para os bandidos políticos de estimação e, em consequência, para criminosos de alto coturno, aqueles que podem pagar os advogados que conhecem as artimanhas dos togados.
Na antiga Grécia, nascedouro da Filosofia, o sábio Platão alertou que “o juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”. Como pensaria o sábio grego se vivesse atualmente no Brasil dos juízes nomeados para fazer favores? …
Em tempos passados, nos meados do século 18, Joseph-Marie de Maistre escritor, filósofo, diplomata e advogado escreveu: – “Posso dizer que nunca serei assassino, nunca hei de furtar; mas ninguém pode afirmar que nunca irá para a prisão”. Entre nós, esta observação se aplica ao cidadão comum, mas não aos que roubaram da Petrobras quantias suficientes para assegurar que o crime compensa.
Como a cabeça (de alguns) é um cofre que guarda pensamentos, os que refletem sobre a Justiça brasileira entendem que as últimas sentenças do STF foram lenientes e seletivas, satisfazendo os criminosos de colarinho branco e suas organizações criminosas.
Convencido que o destino do ser vivente é a morte (não é uma conclusão da ciência materialista, mas a Bíblia), vejo que este destino biológico dos homens não é admitido pelos imortais togados. Se aceitassem isto destinariam os seus nomes para o futuro, para os seus netos, ao inexorável julgamento dos seus contemporâneos.
O último ato dos ministros do STF contra a prisão de 2ª Instância, afronta a consciência nacional, porque foi sustentado por fraudulenta argumentação e a tentativa de iludir a Nação inventando salvaguardas constitucionais na sua incorreção.
Incorreção. Este substantivo feminino de pouco uso na linguagem corrente, vem do latim vulgar interpretando erro, imprecisão e inexatidão. Acho o seu uso literário melhor, “comportamento incorreto ou impróprio, desonestidade e deslealdade”.
Negar evidências criminosas, impedir investigações, interpretar as leis de acordo com os próprios interesses conspurcam um magistrado; as consequências das suas incorreções o levarão para o lixo da História.
O uso correto das palavras é para ser aplicado como defesa do nosso idioma, conforme Rui Barbosa alertou: “a degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo desvirtuamento da própria língua”.
Seguindo esta lição, aponto a incorreção dos seis ministros do STF, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, acusando-se de que terão o sangue dos brasileiros nas mãos, por ter estimulado a guerra civil que Lula, o criminoso solto por eles, está convocando.
Se lhes restasse um mínimo de patriotismo, se colocassem o Brasil acima dos interesses pessoais, poderiam pensar no que disse Juscelino Kubistchek: – “Costumo voltar atrás, sim. Não tenho compromisso com o erro”, e usar o título deste artigo do jeito como as imprensas oficiais fazem de vez em quando:
“Republicado por incorreção, tendo em vista erro na grafia do valor do instrumento contratual na publicação anterior. ” A admissão de um erro é um sinal de força e não uma confissão de fraqueza.
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