Artigo
VACILO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Você vacilou/ Você vacilou/ Você me perdeu” (Forró Sacode)
Impressiona-me ver que pessoas inteligentes e relativamente bem informadas acreditem em benzeduras, fórmulas mágicas sensitivas e simpatias para curar doenças e resolver problemas financeiros.
Embora, por minha formação positivista jamais tenha defendido exploradores do misticismo, condeno que sofram atrocidades como fez a Inquisição torturando e mandando para a fogueira pessoas que enfrentavam dogmas e fugiam da confissão; isto seria, para mim, vacilar diante da escravização das mentes.
Sabemos que além das “parteiras” tidas como bruxas, e os violadores dos dogmáticos pecados capitais, também eram perseguidos aqueles que mantinham laboratórios e faziam pesquisas científicas para a cura de doenças, diferente das mandingas e dos exorcismos que enriqueciam clérigos e igrejas.
Imagino como seria errado combater pandemias como a que o mundo atravessa; plágio do que ocorreu na peste negra, aconselhando-se orações e vendendo santinhos e escapulários, mais ou menos como fizeram agora certos pastores evangélicos negociando feijões curativos.
Pior do que os charlatães, são os que creem neles. Uma amiga da minha mulher garantiu que se livrou de uma feiosa verruga no nariz graças a um simples toque de mão de uma benzedeira; e, no Twitter, tivemos alguém (não importa revelar a identidade) que se curou da covid-19 com drogas ineficazes aconselhadas pelos negativistas….
Coincidências ou não, é certo que acontecem curas e soluções de casos independentes da ação médica ou métodos científicos; mas não podemos acreditar que um boneco furado com alfinete agrida e mate uma pessoa distante, e muito menos que ganhar na loteria depende de ajuda de almas do outro mundo.
Será uma justaposição aceitar que a maldição escrita na tumba do faraó Tutancâmon tenha levado à morte os violadores do seu túmulo, e que a maldição do líder da Ordem dos Templários, Jacques De Molay, que envolto em chamas da fogueira inquisitória bradou que morreriam em breve os responsáveis pelas perseguições sofridas e a proibição da simbólica cruz da Ordem.
Entretanto, a História registra que a morte do rei Felipe de França e o papa Clemente V, perseguidores dos templários para readquirir o poder político do Papado, ocorreram em um mês depois da execução de De Molay.
Repito, coincidência, ou não, acontecem coisas entre o céu e a terra que a nossa imaginação não alcança.
Caindo na real, vemos que no cenário político do Brasil coisas que nos fazem vacilar diante de coincidências. Pode-se acreditar que a caçada movida aos condutores da Operação Lava Jato no MP e na PF contra a corrupção, seja um acaso? Prefiro, da minha parte, abraçar a tese de que foi uma contingência “movida” pelos políticos corruptos e seus cúmplices.
Não são apenas “suspeitos”, como quer a legislação leniente, os que avançam no dinheiro público, seja no “roubozinho” das rachadinhas, como se referiu Olavo de Carvalho sobre a ação criminosa dos Bolsonaro, ou o assalto de bilhões de reais movido pelos governos lulopetistas e empresários corruptores na Petrobras.
Na minha opinião, é mais do que um simples “Vacilo”, primeira pessoa do presente do indicativo do verbo Vacilar; do latim (vacillo, -are), significando hesitar, tergiversar, titubear.
Condeno os vacilantes que se curvam para a exigência imposta nas circunstâncias da polarização eleitoral entre o ruim e o pior. Ninguém, nestas alturas, pode estar ou ficar indeciso obrigando-se a votar nos populistas corruptos que concorrem fraudulentamente nome da “direita” e da “esquerda”, quando a ideologia de ambos se limita a exercer o poder pelo poder.
ENIGMAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são” (Shakespeare)
Quem gosta de Teatro se obriga a conhecer o dramaturgo grego, Sófocles, autor de várias peças do gênero tragédia, entre as quais Édipo Rei, que é encenada de vez em quando para gáudio dos amantes da arte.
Relata o dramaturgo a cena trágica da saga de um herói que mata o próprio pai e desposa, sem o saber, a própria mãe, situação que levou ao consultório médico o “Complexo de Édipo”, cria de Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise.
Freud desenvolveu a teoria de uma atração das crianças pelos pais de sexo oposto, ressaltando o desejo incestuoso pela mãe no caso do filho na fase fálica do desenvolvimento mental.
A peça de Sófocles mostra também a ansiedade humana pela marcha do destino de cada um conforme seu comportamento ético e moral na vida social. Se desenvolve com a disposição de Édipo de enfrentar a Esfinge que ameaçava Tebas. Uma aventura que exalta o racionalismo – a base do pensamento filosófico ocidental.
A Esfinge impedia a passagem dos que entravam ou saiam de Tebas; desafiando-os a adivinhar uma charada que consistia em responder: – “Que criatura pela manhã tem quatro pés, a tarde tem dois, e à noite tem três? ”
Édipo foi ajudado pela deusa do destino, Moira, a responder o enigma, e teve uma pronta resposta: – “É o homem; quando criança engatinha com braços e pernas; quando adulto caminha ereto com duas pernas; e, na velhice, apoia-se numa bengala”.
Desmoralizado e envergonhado, o Monstro se atirou do alto de um rochedo, salvando a cidade-estado do seu boicote e constantes ameaças.
A representação da adivinhação nos leva a observar – sem ajuda de nenhum deus mitológico -, que os mistérios ocorrem sempre. Lembro uma historinha que a minha mãe contava sobre Terezinha do Menino Jesus: – “A santa Terezinha diante de uma noviça que vivia chorando, sugeriu que guardasse as lágrimas num copo, e com o conselho fez com que a chorona perdesse a vontade de chorar preocupada com o copo”.
Respostas para os enigmas se resolvem desta maneira simples. Basta discernir com a experiência de vida como fazíamos naquele jogo infantil das adivinhas do nosso folclore, “o que é, que é”?
Difícil de resolver é o desafio da charada política, principalmente nas vésperas de uma eleição presidencial. Como interpretar o pensamento de um ocupante do poder que diz – “no meu governo não roubo nem deixo roubar”, mas apoia os vigaristas que vinham achacando prefeitos para liberar verbas públicas?
O escândalo foi escancarado e o capitão Bolsonaro se fingiu de doido não tomando conhecimento de que o seu ex-ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro (considerado um “santo” pela primeira-dama) confirmou o lobby dos pastores corruptos em depoimento à Polícia Federal.
Relatou também o pastor Ribeiro que a entrada dos lobistas no Ministério foi facilitada a pedido de Bolsonaro. Assim, só não vê quem não quer ou omite o fato por fanatismo o arranjo para a extorsão de propinas pelos pastores bolsonaristas tornando-se cúmplice da corrupção.
Curioso é que o Capitão mitômano, em campanha reeleitoral, assume nos discursos ser o líder na guerra do Bem contra o Mal. Pura declaração marqueteira que o faz aparecer o que na realidade não é; pelo contrário, não está do lado do Bem um praticante de Rachadinhas, patrono de funcionários fantasmas, calado no caso dos cheques de Queiroz….
Teatro por teatro, Shakespeare no “Romeu e Julieta” esculpiu a frase “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”; esses enigmas nos divertem vendo pessoas de nível escolar superior dar crédito à honestidade do “Tchutchuca do Centrão”…
Sem argumento contra, o ministro Fábio Faria afirmou em comício no Rio Grande do Norte que é melhor “ser “tchutchuca do Centrão” do que ser chamado “luladrão”; levando-nos a raciocinar sobre o outro lado da moeda populista.
De fato, o ex-condenado Lula da Silva que teve o processo contra si revisto, e ficou livre para candidatar-se; mas não inocentado. Merece a alcunha de “Luladrão”, tendo em vista as investigações que sofreu na Operação Lava Jato e condenado em três (TRÊS!) Instâncias judiciais.
Para mim, não há enigmas na polarização eleitoral dos dois populistas. Só não a decifra quem não quer, ou é ruim da cabeça!
CONFISSÃO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Psicanálise é confissão sem absolvição” (G. K. Chesterton)
Não estou procurando a absolvição de pecados à maneira obscurantista das igrejas Católica e Luterana, conservadoras, nem ao menos revelar culpas; quero manifestar para os colegas do Twitter o orgulho de considerar-me, como jornalista, herdeiro da escrita milenar dos cuneiformes, dos geoglifos, dos hieróglifos e dos ideogramas rupestres.
Trabalhei em jornal desde criança; primeiro incentivado por minha mãe em boletins caligráficos e depois com a máquina de escrever, uma série de mimeógrafos, xerox, e mais tarde, com impressoras tipográficas, rotativas offset e diagramação computadorizada.
Assim sinto-me com moral para comparar o jornalista vocacionado como um liquidificador liquefazendo a informação, o pensamento analítico dos fatos e a crítica construtiva a quem de direito…. Não se limita à perfeição do texto e a elaboração de frases.
Faço-o agora expondo meu comportamento como participante do Twitter e articulista nas redes sociais divulgando opinião política. É meu desejo não fazer segredo (eu, que combato os indesejáveis e suspeitos “sigilos” governamentais) na necessidade que sinto de revelar a minha posição nas próximas eleições.
A palavra “Confissão” é um substantivo feminino vinda curiosamente do latim eclesiástico “confissĭo,ōnis” significando reconhecimento de seus pecados’; no latim clássico significava ‘declaração, reconhecimento’.
Pergunto-me a quem interessará a minha confissão. Espero que sejam aqueles que me honram com a leitura dos meus textos, uma fração selecionada pela personalidade revelada nas mensagens virtuais, independente da opção filosófica, política ou religiosa. Um público que pensa, sabe pensar e quer pensar.
Como respeito a psicologia de agrupamentos sei de antemão que aqueles que me seguem conhecem a minha posição ante o Governo Bolsonaro, cujo titular recebeu meu voto e me traiu, mostrando-se tão ou quanto corrupto como o adversário que enfrentamos à época.
Também ao se posicionar como inimigo da Lava Jato Bolsonaro aliou-se aos picaretas do Congresso em nome de uma tal governabilidade, o mesmo argumento dos governos lulopetistas corruptos.
Por isto, a partir da saída de Sérgio Moro do Ministério, assumi o combate, o bom combate ao presidente Jair Bolsonaro e sua execrável patota familiar intolerante e agressiva contra os não seguidores.
Intolerável também a milícia política fanática do cercadinho que os aplaude. Os estúpidos, fazendo-o de graça, e os malandros mercenariamente; os civis como bois de piranha e os militares mamando silenciosamente o duplo salário que recebem.
Do outro lado, lembro a desvairada corrupção dos governos Lula e Dilma, que só o fanatismo cego e uma ideologia distorcida negam, mas os brasileiros honestos não esquecem e não se dispõem a votar pelo retorno dos gafanhotos que o candidato do Partido dos Trabalhadores traria, se eleito.
Analisando desta maneira, venho defendendo uma Terceira Via, que ocorreria com Sérgio Moro, se ele não tivesse sido infantil duas vezes, assumindo um Ministério e depois caído na esparrela de um partido controlado por picaretas.
Pelo exposto, confesso que votarei na chapa das senadoras Simone Tebet e Mara Gabrilli, levado nas asas da esperança que elas trazem como mulheres e pelo comportamento parlamentar delas. Esta é a confis são que faço cordialmente aos leitores dos meus artigos.
VIVÊNCIA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Eu vou no passo do compasso desta vida/ A hora que se passa nunca mais é revivida” (Jorge de Altino)
Entre as coisas boas que idade avançada traz é a acumulação de conhecimentos que nenhum aprendizado familiar, escolar ou mesmo a impregnação da cultura popular é capaz de cobrir. É a chamada “Vivência”, um substantivo feminino que significa a manifestação da vida inteligente do ser humano.
A etimologia da palavra é latina, viventĭa, um acusativo neutro plural de vivens,ēntis, particípio presente do verbo vivĕre: ‘viver, estar em vida’.
Na rica sinonímia de “Vivência” temos “experiência” na linguagem coloquial referida também nos métodos científicos de pesquisa; e, na Filosofia, considera-se todos conhecimentos obtidos por meio dos sentidos.
O poeta e pensador agora pouco divulgado, Fernando Pessoa, exprimiu que “pensar é viver, e sentir não é mais que o alimento de pensar”. Eis a definição do processo de agregar e armazenar na memória o que os sentidos percebem, distinguem e consideram valioso.
Alcançando cerca de 90 anos sempre atento à habitual rotina de observar a natureza, o comportamento das pessoas e as informações trazidas pelos meios de comunicação, penso, procedo e me expresso conforme regras estabelecidas pelo método dialético de avaliar o que vejo e escuto.
Por isto escrevi outro dia, numa referência aos magníficos contos da “Mil e Uma Noites”, ( هزار و یک شب; em persa), citando que foi a esperta Sherazade a criadora das novelas televisivas e séries cinematográficas; e mais, foi imitada pelo famoso cineasta Alfred Hitchcock com a criação do “suspense”.
A História das Mil e Uma Noites, traduzida em todas as línguas vivas e mortas, começa com o enredo sobre Shahriar, rei da Pérsia da dinastia dos Sassânidas, que traído pela esposa, após matá-la, passou a considerar que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança.
Adquiriu assim o hábito de matar todas as cônjuges no dia seguinte à primeira noite do casório; e o fez com várias mulheres que desposou. Quando voltasse da guerra que movia contra um país vizinho, a próxima seria Sherazade.
Inteligente e estudiosa, a futura rainha por 24 horas combinou com a irmã Dinazade um plano para escapar da morte. Pediu ao esposo que deixasse a sua irmã dormir num quarto ao lado deles; Dinazade teve a tarefa de acordá-la antes do amanhecer e pedir-lhe para contar a última história que vinha narrando para ela.
Curioso, o rei Shahriar resolveu ouvir também a narrativa que a esposa desenvolveu; um capítulo cheio de excitações e incertezas de um romance entre jovens apaixonados perseguidos por inimigos. Sherazade, porém, deixou a trama interminável. Assim, para conhecer o final da história, o Rei poupou-lhe a vida. Vieram a seguir novas aventuras, como o “Ladrão de Bagdad”, “Ali Babá e os 40 Ladrões”, a “Lamparina Mágica”, o “O Gênio da Garrafa”, enfim, mil e um contos que pagaram a sobrevivência de Sherazade e um reinado longo e feliz.
O número “Mil” inspirou uma sábia advertência de Confúcio, exprimindo que “Mil dias não bastam para aprender o bem; mas para aprender o mal, uma hora é demais”. É uma verdade incontestável, ocorrendo diariamente no noticiário político mundial e, especialmente, na revoltante corrupção institucionalizada no Brasil na Era Lula que volta mais forte do que nunca no governo do capitão Bolsonaro.
Ambos corruptos infelizmente polarizam as atenções eleitorais da população ignorante e supersticiosa, sem saber que está crucificada metaforicamente como Cristo, entre dois ladrões. Bolsonaro e Lula exploram o fraudulento discurso ideológico de representantes “da direita” e “da esquerda”, quando na realidade não passam de populistas ambiciosos e desonestos.
Craque da MPB, Renato Russo filosofou que “O céu já foi azul, mas agora é cinza/ E o que era verde aqui já não existe mais…” Na minha vivência, creio mais do que nunca na volta das cores que alegravam o País, aparecendo alguém que, numa 3ª Via eleitoral, derrote o esquema criminoso da polarização!
DEFINIÇÃO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“És a areia que o vento não leva, o indefinível que teimamos em definir” (Anônimo)
A História do Brasil registra (pena que muitos não estudem esta matéria) que o oficialato militar responsável pela Proclamação da República, definiu o futuro do país sob inspiração positivista com a doutrina: “O Amor por Base, a Ordem por princípio e o Progresso por fim”.
Esta definição vem gravada na Bandeira Nacional, mas é desdenhada pelos arrivistas que assumiram o poder republicano, em vez do amor, pregam o ódio; subvertem a ordem pelo caos; e, trocam o progresso pelo obscurantismo de grupos religiosos politiqueiros.
A palavra “Definição” vem dicionarizada como substantivo feminino de etimologia latina “definitione”, que significa expor com clareza e precisão. Trata-se de um conceito para representar algo concreto na expressão do pensamento; e o interessante é que aparece muitas vezes com uma simplicidade chocante.
Lembro que ouvi em Campina Grande, muitos anos atrás, o grande poeta Raimundo Asfora contar a definição de um menino sobre a água mineral com gás dizendo: – “É uma água cheia de furinhos com gosto de pé dormente”.
Assim constatamos que as crianças dominam com graça e precisão as definições. O raciocínio infantil é impecável, a ver como conseguem antropomorfizar objetos, animais ou até plantas, conversando com eles. Ao tropeçar numa pedra, protestam – “Oh, pedra filha da puta! ”….
Lembro de um sobrinho criado na casa dos avós, que falou para minha mãe na hora da ceia: – “Você diz que esta sopa de legumes é boa só porque vovô gosta dela”; e temos o registro que os norte-americanos fascinados por pesquisas e estatísticas tiveram a informação de que 93% dos filhos garantem que sua mãe é mais bonita do que as outras mães….
Um dos meus filhos escreveu numa redação que a palavra Segredo, “é uma coisa que se diz em voz baixa perto no ouvido de alguém recomendando para que não conte para ninguém”.
Como agora vivemos a Era dos Segredos instituída pelo capitão Bolsonaro, os órgãos governamentais decretam sigilo de 100 anos para casos bestas como um diagnóstico médico do Presidente, e para a “punição” de um general da ativa que quebrou a hierarquia do Exército subindo num palanque político.
Embora sem qualquer explicação, a cidadania fica privada de informações necessárias à sua definição política, principalmente nas vésperas de pisarmos na passarela eleitoral; é um absurdo que nos leva a crer que o silêncio chapa branca é para esconder a verdade.
Com sua reconhecida lucidez, o chanceler Otto von Bismarck – o estadista mais importante da Alemanha do século XIX -, nos legou um pensamento que nos leva a refletir: “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”.
Então temos que exigir dos candidatos (todos e principalmente os que representam a farsa da polarização) uma verdade bem-conceituada, em vez das mentiras como as de Lula vociferando contra a corrupção e de Bolsonaro defendendo risonho as liberdades democráticas….
Os tolos e fanáticos aceitam as mentiras dos políticos cultuados por eles; mas a nacionalidade não deve antropomorfizar a pedra posta no caminho do nosso futuro! Não vai xingá-la como a criança, mas removê-la através de uma 3ª Via, por que os velhos políticos devem ser trocados como as fraldas, pelo mesmo motivo. Eis uma definição de Eça de Queiroz….
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MINISTÉRIOS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“O Estado é como o corpo humano. Nem todas as funções que desempenha são nobres” (Anatole France)
Corre nos meios diplomáticos bolivianos uma piada sobre um embaixador brasileiro indicado fora dos quadros do Itamaraty, (como Bolsonaro quis fazer com seu filho Eduardo); o cara, ignorando o trato cerimonioso e respeitoso que deve prevalecer nos encontros internacionais falava pelos cotovelos….
Então perguntou ao colega da Bolívia o porquê do seu país, sem litoral oceânico, tinha um Ministério da Marinha. A resposta foi direta: – “Da mesma forma como o Brasil tem um Ministério da Justiça. ”
Na verdade, em termos governamentais, a atribuição de cada ministro é administrar os negócios do Estado; se não tem mar, tem rios, lagoas e interesses em transações comerciais via marítima; se não tem Justiça, atua atendendo interesses políticos e ideológicos do governante.
Desgraçadamente, os ministérios deveriam elaborar normas, acompanhar e fiscalizar os recursos públicos na aplicação dos programas federais; entretanto só os vemos usando prioritariamente táticas e estratégias para reeleição do Presidente. Sob o Governo Bolsonaro, é este o quadro que temos.
O conceito de Ministério, porém, é mais amplo. Nos dicionários define-se a palavra Ministério como um substantivo masculino com etimologia latina “ministerĭum,ĭi” significando ofício, mister, trabalho, etc. e na linguagem usual execução de uma tarefa, de uma obra; atividade; e ocupação exercida por alguém; cargo, função, profissão.
Nas antigas Grécia e Roma ministério era uma função servil, daquele que está ao serviço dos outros, e no contexto religioso era prestar serviço aos altares dos deuses, a ministra era a escrava, a criada ou a sacerdotisa.
Isto foi herdado pelos meios evangélicos, onde é comum usar-se o termo “ministério” referindo-se a determinado segmento da igreja ou de grupos que compartilham da mesma crença.
Talvez por isto alguns pastores confundiram o ministério da cura de almas com o Ministério da Educação, locupletando-o com um gabinete paralelo para extorquir prefeitos sedentos de verbas públicas, praticando assim o conto do vigário ou do pastor… rsrsrsrs.
Antes, grupos bolsonaristas organizados atacaram o Ministério da Saúde principalmente no caso da compra da inexistente vacina Covaxin em troca de “comissionamentos”, ocupando cargos ministeriais de ação social….
Considera-se agora, com a ocupação de ministérios em Brasília por milhares de militares reservistas, uma outra anedota correndo entre os antigos servidores. Diz-se que os militares ocupantes de cargos comissionados são aqueles que chegando sempre atrasados, se encontram com os que saem adiantado no horário.
Com a execução das tarefas governamentais os mercadores do templo propõem a formação de um Ministério de Louvor ou, no mínimo, Ministério de Oração como quer o capitão Bolsonaro na abertura das sessões do STF…. Por outro lado, os colegas fardados, mais de oito mil com salário dobrado, querem um Ministério da Continência para receber cumprimentos do eleitorado….
Uns e outros estão visivelmente fora do compasso e do esquadro que desenham o Estado de Direito, e é por isso que uns estão recolhendo dízimos e outros em marcha batida para o golpe. Querem manter as mamatas.
Lembrando que como o corpo humano nem todas as funções que o Estado realiza são nobres, o genial Eça de Queiroz escreveu: “Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente pela mesma razão”. Lembrem-se disto ao votar; pense na 3ª Via!
ALFABETIZAÇÃO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Veja que neste dia eu o estabeleço sobre as nações e sobre os reinos para arrancar e derrubar, para destruir e demolir e também para construir e plantar” (Jeremias, 1.4-10)
Trata-se de uma contestação, por lembrar-me do tempo em que os governos militares combatiam a burocracia como um mal na administração pública. Inesquecível também é que os generais antigos estudavam e eram respeitados pela formação intelectual.
Havia a Escola Superior de Guerra para formação de oficiais superiores que realizava programas aprofundados sobre a economia mundial e estudos abrangentes da Geopolítica, realizando pesquisas sobre a segurança nacional.
Conhecido pela sigla ESG, este instituto cultural militar foi fundado em 1949 e estendia seus cursos a civis de várias categorias profissionais. Já não se fala mais nele, graças à mediocridade triunfante no País, que hoje só conhece os “Programas ESG” que trazem soluções para a Governança e Gestão Corporativa para empresas….
Assim, a História mostra um período de decadência no visível deperecimento que reflete a Era da Mediocridade nascida dos semialfabetizados pelego Lula, a confusa Dilma Rousseff e do inculto Bolsonaro….
Como uma lanterna carregada nas costas, alegra-nos ver também que a História mostra experiências positivas de combate à burocracia e a formação intelectual dos militares. Nos traz um capítulo sobre o bom senso do general italiano Luís Cardona ao inspecionar um regimento na frente de combate.
Conta que Cardona se deparou com um soldado que ostentava quatro medalhas no peito por valor nas batalhas; então chamou o comandante e perguntou: – “Por que este soldado ainda não foi promovido? ”. O oficial respondeu: – “Excelência, ele não recebeu as divisas porque não sabe ler, nem escrever…”
O General-Guia das tropas italianas foi curto e grosso: – “Quem lhe pede que leia e escreva? Seu merecimento está em tomar trincheiras…”. E promoveu o soldado a sargento.
No Brasil atual dos generais à paisana ocupando cargos no Governo Bolsonaro, saem promoções para os colegas analfabetos limitados a dar ordem unida; o prêmio é pela invasão das trincheiras da Democracia a fim de defender o desmatamento da Amazônia e a dispersão dos índios….
Passaram-se também várias eleições desde a redemocratização, mas as queixas contra o processo eleitoral de inspiração “trumpista” só apareceram através dos generais de pijama, subalternos ao Capitão expurgado por desobediência e subversão. Para nossa alegria, a maioria silenciosa nos quarteis não aceita esta insanidade.
Os generais que formaram o time da Escola Superior de Guerra se remexem nos túmulos, preocupando-se com os destinos do País e da Nação, e não cultuando a personalidade inexpressiva do capitão Bolsonaro, afastado do Exército por insubordinação.
Esta influência positiva ficou clara na negação dos comandantes das tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica ignorando o convite para o “brienfing” do capitão Bolsonaro que nos envergonhou diante de embaixadores estrangeiros.
Nossos parabéns à oficialidade dos quarteis que herdeira da histórica ESG se mantém defensora da Pátria e da Democracia. Está representada na desatenção dos seus comandantes, general Marco Antônio Freire Gomes, almirante-de-esquadra, Almir Garnier Santos e tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior.
Os militares da tropa conhecem as pesquisas de opinião pública e como pensa o povo através dos seus próximos. Sabem que o povo não cai na fantasia das “Jeremiadas” pregadas no culto pelos pastores bolsonaristas….
Brasileiros não creem que o conformismo seja recompensado pela graça dos céus, e não se calam com a perda do seu poder aquisitivo, que desconfiam dos governantes golpistas e que sentem a falta da alegria que a esperança no futuro trazia.
A alfabetização para reconduzir o Brasil aos trilhos da Ordem e do Progresso é o “fora Bolsonaro”, sem pensar em substituí-lo pelo pelego corrupto Lula da Silva, mas por um nome que surja como 3ª Via para nos salvar!
MATEMÁTICA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo.”(Galileu Galilei)
Numa crônica antiga, dos anos de 1950, o magistral jornalista ítalo-argentino Pittigrilli foi ao Velho Testamento para comentar um salmo de Davi em que o rei israelita, decantado pelos judeus ortodoxos, confessa ignorância sobre “sefphoroth” palavra hebraica que significa números.
As primeiras gramáticas da civilização ocidental usavam as letras do alfabeto como caracteres numéricos; fizeram-no os fenícios, os gregos e os romanos, assim também os hebreus. E parece que Davi (como poeta) se preocupava mais com o lado literal….
A Bíblia, para milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, só traz verdades; então, pela liberdade de traduzir “sefphoroth”, significando matemática, a serventia dos números atende o mercado de compra e venda, então aprendemos que não é de hoje que há governantes incultos em relações numerais e, consequentemente, broncos em economia.
Muitos deles se apoiam em economistas consagrados. Tivemos na presidência da República o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que não entende bulhufas de Economia, mas se projetou como “pai” do Plano Real, elaborado por uma equipe de notáveis.
Outro presidente, Lula da Silva, condenado em três instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro teve como ministro da Fazenda um cara sério, Antônio Palocci, que segurou a barra na condução da Economia, mas discordou da Medida Provisória assinada por Lula a pedido do lobista da indústria automobilista, Mauro Marcondes Machado, em troca de propina a Luís Cláudio Lula da Silva, seu filho caçula.
Está sendo alardeada a relação entre Lula e o PCCC, que o doleiro Marcos Valério tenta provar (e cai no ensurdecedor silêncio da mídia). As transações constam da delação premiada de Palocci, arquivada no STF, dizendo que o “PT usou o PCC para lavar dinheiro com empresas no Ceará”. Até hoje estas empresas estão em sigilo….
Mal-entendido também em “sefphoroth”, embora usando e abusando na citação de passagens bíblicas para se fingir de crente, o capitão Bolsonaro, sentado atualmente na cadeira presidencial sabe muito bem amealhar dinheiro alheio com rachadinhas e verbas públicas para comprar picaretas no Congresso.
Estes exemplos por estarem enquadrados na Matemática, são científicos… Pois não: a “Ciência dos Números”, como definiu um Prêmio Nobel, tornou-se fundamental na vida humana. Não se limita somente às conhecidas operações de cálculo ou contábeis; vai às Integrais e chegou à Inteligência Artificial.
Segundo os dicionários, o substantivo feminino Matemática, ciência que relaciona as práticas do cotidiano e da natureza ao raciocínio humano e à lógica numérica, tem uma origem antiquíssima. Sua raiz é indo-europeia “mendh-“ (aprender); chegou ao grego como “mathēmatiká” (postulando conhecimento); e, ao latim como “mathematĭca” (também contemplando o aprender).
Em seus métodos de estudo e pesquisa, a Matemática abrange objetos abstratos (números, figuras, funções) formulando hipóteses ilimitadas mantendo relação entre o número um e o infinito. Mas jamais encerra a Mentira.
O genial Pitágoras definiu que “todas as coisas são números”, e está nos números a expressão da Verdade. Daí a confiança que temos de que a eleição até agora polarizada entre os políticos populistas pouco confiáveis “de direita” e “de esquerda”, ainda não está definida.
“Eles” têm 30% cada um (aproximadamente), sem contar com a margem de erro. Por isto, vendo a inegável apatia popular sobre a eleição, e os 40% indefinidos, quem sabe se não surge um nome capaz de derrotar um deles no 1º turno e, quem sabe também, o outro no 2º turno?
O PREÇO
MIRANDA SÁ: (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Venderam tudo de vez/ por diminuto dinheiro/ por que o retalhador/ botou preço e atacou/ depois de justo, pagou…” (José Pacheco, cordelista cearense)
Com as suas gírias e os seus poetas a cultura popular nos traz inúmeras referências à palavra Preço. Lembro que ouvi no Brejo Paraibano a expressão recolhida de uma resposta a ataque verbal sofrido por um feirante que contando a história. disse que “vendeu pelo mesmo preço” a ofensa recebida.
No dia-a-dia, quando encontramos no mercado uma pechincha dizemos que está “a preço de banana”; e, quanto está alto, criticamos: “carregou no preço”. Dicionarizado, o verbete Preço é um substantivo masculino de etimologia latina “pretium. ii”, mérito. Entre nós e a contabilidade comercial, Preço significa o valor dado a um produto ou a um serviço a relação previamente combinada de trocar um bem por outro ou por dinheiro corrente.
Pela espumante química da memória, lembro várias particularidades encontradas na máquina distribuidora de casos e perfis da História da Humanidade. Algumas delas, no Velho Testamento, nos parecem extravagantes para estranhos pagamentos e sobre figuras que aprendemos a respeitar pela seriedade e sisudez.
As narrativas antigas falam de situações jurídicas. Registra-se ressaltando a justiça salomônica, as sentenças imparciais do rei São Luiz julgando processos sob um carvalho, e a Inquisição ajuizando criminosa e fraudulentamente em processos que devem ser condenados pelos que se dizem cristãos.
Inegavelmente há magistrados que atropelam as leis escritas ou o preceito que o professor Hermes Lima chamava “o direito de fraldas” – o costume -, uma prescrição que encerra as práticas e os usos comuns dos povos pelo mundo afora.
Constata-se que no Brasil, por exemplo, temos normas constitucionais que só existem impressas nos livros ou citadas nos discursos demagógicos dos políticos populistas; uma delas ilustra a nossa imaginação como uma bruxa maltrapilha e moribunda: – “A Lei é igual para todos”.
Esta igualdade legal se enquadra no magistral pensamento de Dale Carnegie que escreveu: “Um homem é presumido culpado até que prove ser influente…”. O Pensador referiu-se aos Estados Unidos, mas se ajusta como um boné verde-amarelo na cabeça dos bolsonaristas que se assumiam como inimigos da corrupção, e hoje a defendem.
Alvo dos corrompidos, corruptos e corruptores, dos quadrilheiros seus cúmplices, temos o exemplo do ex-juiz Sérgio Moro cuja coragem e patriotismo levou o ex-presidente Lula da Silva para a cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro. Esta sentença foi aprovada em três instâncias jurídicas, mas suspeitosamente anulada pelo STF.
Certo ou errado, com apoios ou não, por ingenuidade ou deslumbramento, Moro transferiu seu domicílio eleitoral para o Estado de São Paulo e foi lançado a deputado federal pelo confuso partido União Brasil de preço inflacionado no balcão de negócios sujos.
Foi julgado sem o direito de concorrer sem as mesmas condições que contam símiles de outros estados e comprovadamente sem residência em São Paulo, como Tarcísio Freitas e Marina Silva que tiveram suas candidaturas aprovadas.
Não sei qual o preço pago a esta “justiça” (com minúsculas) que temos; na política não dá para esquecer o preço pago pelo boquirroto ditador Hugo Chávez que, falando besteira numa reunião da Cúpula das Américas, ouviu do rei Juan Carlos, de Espanha – “Por que não te calas? ”.
Silenciar sobre a visível perseguição a Moro não deveria ser de pessoas honestas, de qualquer ideologia ou do partido que for; mas calou muita gente que se expõe como ilibada…. Vendidos? É difícil, quase impossível provar, mas na minha opinião, sim.
O riquíssimo Dicionário de Termos e Expressões Populares de Tomé Cabral, editado pela Universidade Federal do Ceará além dos vários exemplos de Preço, fala de “Preço Alterado”, de valor aumentado ou elevado, lembrando-me o Barão de Itararé que escreveu: “Um homem que se vende recebe mais do que aquilo que vale”.
PARECE ROTEIRO DE FILME PORNÔ
RT @77_frota
“O Palácio esta assim, Presidente da Caixa assediando as funcionárias, o Vice da Caixa oferecendo vinho e convidando para uma sala particular as funcionárias, o Maquiador da Primeira dama falando que gosta de suruba,Pastor pedindo propina em barra de ouro . Governo Bolsonaro .
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