Artigo

INDIO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

Precisamos usar nossa flecha da sabedoria com o arco da esperança e reconquistarmos o que éramos…” (India Anara)

Mal encerradas as festividades carnavalescas, senti-me obrigado a escrever este artigo, por duas razões especiais. Há uma infinidade delas, para nós que somos – pelo menos a maioria dos brasileiros – orgulhosos descendentes dos indígenas que os descobridores encontraram aqui.

Sob a minha lupa – que aumenta consideravelmente os fatos sociais – vi a primeira razão com revolta, quando um idiota, dito “aculturado”, investiu contra o uso como fantasia, no carnaval, da indumentária e apetrechos silvícolas presentes na nossa memória.

Com exceções respeitáveis não é incomum assistirmos em demonstrações reivindicatórias e até políticas, manifestantes tribais de calça blue jeans, com relógios de marca e falando ao Iphone.

E nos serviços públicos, e nas universidades, encontramos representantes de várias etnias brasílicas. Não são poucos os colaboradores de pastorais católicas e missões pastorais evangélicas. Para mim, isto é bom; não sei se o é para a turma do “politicamente correto”…

Temos também conhecimento de que em certas reservas indígenas paga-se pedágio para transitar, propinas na exploração de garimpos e o desmatamento predador para o comércio de madeiras de lei.

Tais contravenções se chocam com o brio heroico de um descendente indígena, o marechal Cândido Rondon, que desbravou os sertões brasileiros levando linhas telegráficas pela Amazônia até então inexplorada; e de Nunes Pereira, também indígena, antropólogo, etnólogo e ictiólogo renomado no mundo inteiro. E o mais perfeito dicionário de língua tupi é do indigenista Gonçalves Dias.

Do poeta maranhense da saudade, por demais reverenciado, não é preciso nos estender. Os livros de Nunes Pereira, falam por si. Quanto ao marechal Rondon, cumpre-nos registrar que levou 40 anos explorando o sertão brasileiro, por mais de 100 mil quilômetros, equivalentes a 2,5 voltas ao redor da Terra. Entre seus títulos, destacam-se a candidatura ao Prêmio Nobel, e o de ser chamado pelos indígenas como “Grande Chefe”.

Destas personalidades, destoa o proibidor das fantasias de índio no carnaval, almejando os 15 minutos de fama. Ele não conhece sequer a história do seu povo ao querer silenciar o maracá e os tambores populares, negando a herança que temos das festividades alegres, com ruidosas danças coletivas dos corpos pintados, dos cocares multicoloridos, dos colares e das pulseiras…

Certamente influenciado pelas mentes perversas de uma ideologia distorcida, o patrulheiro desconhece a divisão social das nações pré-cabralianas, com seus nobres, soldados e escravos, e, tampouco lembra que seus ancestrais eram antropófagos…

Formado na escola do “politicamente correto”, o ignorante neo-censor comete o mesmo erro daqueles que cobram a dívida dos brasileiros pela escravidão negra, omitindo que os grandes traficantes de escravos eram os próprios negros, intermediados por britânicos, espanhóis e portugueses.

Por falta de cuidados ou desatenção, indígenas “aculturados” são capazes de adorar Tupã, que os jesuítas impuseram como “um deus único” do povo brasílico…  Esta farsa em busca de conversões foi desmentida por J.F. Monterroyo Mascarenhas no seu livro “Os Orizes Conquistados”; para ele, religião indígena era antropomórfica.

Caetés, Guaicurus e Tamoios com suas subdivisões, adoravam a coruja como deus, pelos benefícios que recebiam desta ave sagrada, inimiga das cobras que lhes tirava a vida.

Antiga deidade das selvas, a coruja é vista hoje como mau agouro, quando na verdade, o mau agouro está na doutrinação fraudulenta de alguns professores que seguem a doutrina apedeuta narcopopulista do “quanto pior melhor”.

Os doutrinadores lulopetistas, para roubar mais, pensam em fazer o que Renato Russo alertou: “O Brasil vai ficar rico quando vender todas as almas dos nossos índios em um leilão”.

A NATUREZA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier)

O milagre da vida nos apresenta uma forma de existência cuja origem e fim obedecem às leis da Natureza. Entretanto, a Natureza não é levada a sério na História das Religiões.

Do antigo Egito, da Índia e da Mesopotâmia vieram as fábulas incorporadas ao livro sagrado dos judeus e dos cristãos, a Bíblia. O livro traz como explicação para a vida e para os seres vivos, a criação do mundo por Deus em seis dias; e, no terceiro dia, formou as plantas; no quinto, os peixes e os pássaros; no sexto, os animais; e por fim os seres humanos: Adão moldado em argila e vivificado com um sopro; da sua costela, veio Eva.

A ciência moderna nos prova que essa concepção mística para a origem da vida não passa de uma lenda cujo simplismo é substituído pela comprovação científica laboratorial; entretanto, arrastou-se por séculos do mesmo modo como o geocentrismo criado pelo astrônomo grego Ptolomeu, no século II d.C., e imposto aos cristãos pelo papado como uma verdade divina.

Quem tentou apontar a falsidade deste modelo, pagou caro. A obra de Copérnico foi condenada pela Inquisição e Giordano Bruno foi morto na fogueira ao apoiar o heliocentrismo.

Um dos mais importantes estudiosos da astronomia, Galileu Galilei, comprovou o heliocentrismo com base em observações; porém foi obrigado a retratar-se perante a Igreja para não ser condenado à morte.

O termo “Natureza” refere-se aos fenômenos do mundo físico e à vida em geral; e, embora não incluindo os artefatos produzidos pelo homem, tem através deles a explicação dos seus fenômenos.

A Natureza se vinga dos que tentam impor-lhe condicionamentos com a promulgação de leis…  Apareceu no Brasil recentemente uma lei esticando a adolescência até os trinta anos, atropelando a Biologia para atender facções extremistas e possivelmente também ao Mercado.

Os cientistas, todavia, apresentam estudos que desmentem legisladores despreparados, coagidos ou comprados, os mesmos que não dão importância social à culpabilidade de crianças e adolescentes nos crimes cometidos por eles.

Um estudo publicado pela Universidade de Stanford, “As Sete Idades do Homem”, traz uma série antológica de consagrados estudiosos, organizada pelos professores Robert R. Sears e S. Shirley Feldman.

As exposições sobre a “adolescência” (de 12 a 18 anos) e o “adulto jovem” (de 18 a 30 anos) descrevem o desenvolvimento corporal, a formação da personalidade e a capacidade física e mental dos indivíduos.

No tocante à “adolescência”, o estudo reconhece a sua maturidade física e o crescimento intelectual e emocional. Citada, a “Teoria da Personalidade” de Erikson expõe a busca da identidade pela autonomia comportamental, o isolamento dos adultos e forte relacionamento com colegas da mesma idade. A inteligência chega ao auge em torno dos 16 anos, tanto para meninos como para meninas.

O “adulto jovem” é aquele que já completou todo o ciclo físico e mental. Entre os 18 e 30 anos o indivíduo chega ao estado de plenitude mais elevado. Foi superada a dependência anterior da adolescência e atinge o equilíbrio emocional em relação ao sexo.

Aprofundando estas questões, vê-se a necessidade de se dar mais seriedade aos limites cíveis ou penais. O “adulto jovem” já não é um adolescente e este não é um irresponsável atoleimado, incapaz de distinguir um comportamento sadio de uma ação criminosa.

Felizmente os brasileiros acordaram para a questão da maioridade penal, com pesquisas que indicam 84% favoráveis à redução de 18 para 16 anos. Eu defendo a abstração da idade e a condenação pela natureza do crime.

Para os que ainda não despertaram para a realidade, declaro meu apoio a Victor Hugo: “É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve”.

ESTATÍSTICA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas” (Mark Twain)

Escrevi o artigo “PESQUISA”, comentando o uso do empirismo – pesquisa sujeita a erros estatísticos e realizada em qualquer ambiente -, dizendo que teria sido Satanás quem induziu um vigarista qualquer para aplicá-la como “pesquisa eleitoral”.

Recebi algumas críticas, de pessoas que ainda acreditam na honestidade de quem mexe com política…  Tudo bem, que cada um acate as amostragens dos institutos que exploram esta modalidade como ferramenta; só não aceito é dizer-se que a Estatística é uma ciência…

A Estatística é, na realidade, um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa, responsável pela coleta, organização e interpretação de dados e a demonstração dos resultados obtidos, na maioria aleatórios.

Na minha opinião, a estatística não é uma ciência, apenas um método matemático aplicado em estudos observacionais e análise dos resultados, o que é positivo; mas quando usada para fins eleitorais não passa de uma arte de enganar desavisados.

Aproveitam-na, por exemplo, com a capciosa a aplicação de teorias probabilísticas para explicar ocorrências políticas. Lembro uma anedota sobre tal obtenção de dados em situação indefinível ao se concluir que, sentados à mesa, um dos convivas come um galeto e outro não, resulta estatisticamente que cada qual comeu meio galeto…

A respeito dessa possibilidade pouco se pode acrescentar, exceto reconhecer que a estatística é, sem dúvida, um ramo da matemática que, se aplicada com seriedade, auxilia a interpretação de um levantamento de dados.

Os fenômenos naturais, econômicos e sociais exigem sua compreensão principalmente para os governos e também para o mundo empresarial. Este seria o objetivo da Estatística; extrair informações para possibilitar o planejamento administrativo.

Nunca, porém, para acompanhar o aleatório universo da participação individual ou coletiva na política, pela sua volatilidade. Um político mineiro, acho que foi Milton Campos, disse que a política é como uma nuvem que você vê uma vez e se olha de novo foi modificada pelo vento.

Assim, tanto a pesquisa eleitoral como a estatística nela aplicada, são ilusórias. São aproveitáveis somente como propaganda, pela facilidade de convencimento. As previsões – mesmo fraudulentas – persuadem parte do eleitorado.

A pesquisa falsa vem avalizada por números que as ornamentam com as cores da verdade, por que o número afasta a dúvida, afugenta a incerteza.

Shakespeare botou na boca de Hamlet uma célebre indagação: –  “palavras, palavras, e falem nada além disso? ”. O gênio do Teatro respondeu por outro personagem em cena, o Frade: – “Certamente não lhe passou pela cabeça a tirada zombeteira de Mefistófeles sobre como é fácil manejar as palavras…”

Poderíamos parodiar o Mestre, trocando as palavras pelos números, e dizer: – “Números, números, precisa-se acrescentar algo mais nisto? “. Aí alguém acrescentaria que não passa pela cabeça de ninguém descrer ou desconfiar de números, nem por instigação de Satanás…

O presidente Itamar Franco, inesquecível por ter adotado o Plano Real, referindo-se a estatística aplicada a pesquisa eleitoral, disse – “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”.

É chato a gente acreditar que existem dois tipos de estatísticas: as que os jornais publicam e os canais de televisão alardeiam, e as que você próprio faz…

 

PESQUISA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Quando se rouba de um autor, chama-se plágio; quando se rouba de muitos, chama-se pesquisa.” (Wilson Mizner)

A pesquisa como trabalho científico é para comprovar hipóteses no campo da História, da Medicina, da Literatura, das artes, da Tecnologia, enfim, para trazer à tona novos conhecimentos. É indispensável ao progresso da humanidade.

Trata-se de uma atividade de importância cultural que aprofunda conhecimentos pré-existentes e gera novos conhecimentos pela investigação sistemática.

A etimologia da palavra “Pesquisa” leva-nos ao latim, perquirere, de per-, intensificativo, mais quaerere, “busca, procura, problema”. Em português temos o antigo verbo, hoje pouco usado, perquirir, investigar minuciosamente.

Do espanhol, a corruptela do latim vulgar, pesquisa, dicionarizada em português como substantivo feminino; designando aprofundar na busca, buscar com cuidado, indagar, informar-se bem, inquirir, perguntar, procurar, procurar por toda a parte.

A pesquisa é definida como o conjunto de ações orientadas e planejadas para comprovar um alvo desejado. Nesta investigação o pesquisador deve estabelecer ou confirmar fatos, reafirmar resultados de trabalhos anteriores, resolver problemas novos ou já existentes, apoiar teoremas e desenvolver de novas teorias.

Pode parecer exagero, mas na Antiguidade já eram usadas pesquisas e estatísticas para levantar dados sobre o número de habitantes, riquezas, casos de doenças e mortes, e até para obter informação sobre a segurança e o poder militar ofensivo. Desconhecia-se, porém, pesquisas de caráter político.

As pesquisas se subdividem como pesquisa acadêmica, pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo, pesquisa descritiva, pesquisa empírica e pesquisa laboratorial. Dessas, a pesquisa empírica, sujeita a erros estatísticos e realizada em qualquer ambiente, transformou-se em “pesquisa eleitoral” por indução de Satanás a algum vigarista.

O método para contribuir na obtenção de dados a serem usados pelo governo e outras organizações, foi oficializado no Brasil com a criação do IBGE; entretanto, é mais conhecido pela propaganda política de pesquisas fraudulentas divulgada nos jornais, noticiários de televisão e revistas.

A estatística é Irmã siamesa da pesquisa e, do mesmo modo em que contribui para a veracidade de um levantamento, pode levar ao desvio da realidade usando variáveis como convém ao executor.

Pesquisas de opinião feitas de encomenda não cobrem o universo sócio-político que deveria, e seus fundamentos estatísticos estão mais para a teoria das probabilidades por Pascal e Fermat, que surgiu com o estudo dos jogos de azar…

Já se ouviu no Brasil uma afirmação de Lula da Silva de que não é difícil controlar uma pesquisa de opinião. Na verdade, pela experiência que temos, na sua maioria, elas envolvem interesses político-partidários, dependendo de quem as patrocina.

A coleta do levantamento feito, a análise e a interpretação de dados são compensados por um exponencial ampliado de “uma margem de erro”, o que quer dizer que a própria relação dos pesquisados que é divulgada, é posta em dúvida.

Acaba de sair uma nova pesquisa DataFolha, motivo de violentas e razoáveis críticas por driblar a legislação vigente incluindo na lista de pré-presidenciáveis Lula da Silva, condenado da Justiça e inelegível pela Lei da Ficha Limpa,

Por isso é impossível negar apoio à iniciativa de um dos candidatos, deputado Jair Bolsonaro, que entra na Justiça para impedir a divulgação de pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro que inclua o nome do corrupto Lula.

ESTÁTUA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Reagindo ao escultor o bloco de pedra pensa: ‘batem em mim, estragam-me, insultam-me, quebram-me, estou perdido…’ (Jean Cocteau)

Nas antologias do mundo inteiro, encontramos uma frase de Bertolt Brecht que é motivo de reflexão para quem tem cabeça para pensar: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis…”

A origem desta sentença, na verdade, vem de personagens da peça “Galileu Galilei” do próprio Brecht, em que um aprendiz do laboratório do sábio italiano exclama: “Pobre da nação que não tem heróis! ”; ao que Galileu replica com rispidez: “Não, pobre da nação que precisa de heróis”.

No meu tempo de menino visitava nos domingos, pelas mãos dos meus pais, várias praças do Rio de Janeiro, e daquele tempo guardo de cabeça algumas estátuas que se afixaram na lembrança, como a de Pedro II na quinta da Boa Vista e o Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados na Praia Vermelha.

Passo atualmente por muitas estátuas que visitei quando criança, a de Tiradentes, na praça do mesmo nome, a do General Osório, na Praça XV, a do positivista admirado pelo meu pai, Benjamim Constant, no Campo de Santana e a de Cabral, na Glória.

Recordo até dos jacarés de Mestre Valentin no Passeio Público e do tigre da Praça Paris e das ninfas em mármore que ficavam no Jardim da Glória e hoje decoram a entrada do Túnel Novo (como se chamava no meu tempo, atualmente não sei como).

Das novas homenagens em mármore bronze, pouco conheço; mas uma, em especial, chama atenção por estar constantemente na página policial dos jornais, a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, instalada no calçadão de Copacabana à altura do Posto 6.

Ele é frequentemente alvo da ação de criminosos. Se não me engano, desde o seu erguimento, a 15 anos, Drummond teve, pela 11ª vez, seus óculos, incluindo o aro e parte das hastes do acessório, furtados.

Os vândalos cariocas são isentos de respeito pelas tradições, além da revoltante violência contra a propriedade alheia; colaborando com a falta de respeito aos protagonistas da nossa cultura, estão abandonadas pela administração municipal as estátuas de dom João VI, na Praça Quinze, do grande Noel Rosa, na Vila Isabel, do professor Malba Tahan, na Cidade Nova.

Enquanto isto, na doentia imaginação dos fanáticos lulopetistas, ergue-se a estátua do pelego, arquicorrupto Lula da Silva. Para não ficar atrás da horda acumpliciada com a corrupção, os vereadores de São Paulo, que não são muito cristãos, homenagearam a mulher dele, a falecida Marisa Letícia, pelo mérito de não fazer nada.

A estátua do Pelegão, é ele mesmo que vem esculpindo a anos. No monumento, ainda inacabado, vê-se as marcas das contradições, das mentiras, dos roubos e dos anacronismos. Falta-lhe acrescentar a ingratidão para ilustrar as alegorias.

Para a auto escultura do pelego narcopopulista, talha-se no pedestal a distribuição do dinheiro do BNDES para as ditaduras que defende, e o presente de uma refinaria da Petrobras ao cocalero Evo Morales, da Bolívia.

Nessa atmosfera de fuga da realidade, a dança frenética dos oligofrênicos Gleise e Lindemberg em torno do ídolo, restando para a posteridade a escultura da fraude, da impostura e da mentira. Um monumento ao cadáver de uma ideologia distorcida e superada.

 

 

PALAVRAS

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

Há três coisas que não voltam atrás; a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida” (Provérbio chinês)

Tenho definido muitas palavras que intitulam meus artigos, mas nunca dicionarizei, nem estabeleci a etimologia do verbete “Palavra”… Emprego-a agora inspirado numa antiga locução que anda sem uso nos dias de hoje: “Dou a minha palavra”.

Em português, “Palavra” deriva do latim parábola, que por sua vez deriva do grego parabolé. É um substantivo feminino, uma unidade da língua escrita com o significado de nota ou comentário que foi registrado, anotado; anotação, apontamento, registro.

Aldous Huxley escreveu que “apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. ” Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana.

Assim vou abranger a sinonímia de palavra no sentido de acordo, ajuste, combinação, compromisso, pacto e promessa; enfim, vê-la como obrigação. Preocupa-me a falta de palavra nos poderes da República: falta-lhes respeitar os juramentos e voltar atrás do que estabelecem.

Entristece-me em ver que após a legislação que deu fim à famigerada contribuição sindical, o governo Temer insista em doar às centrais sindicais dominadas por pelegos, R$ 500 milhões do dinheiro público.

Aflige-me ver a bandalheira reinante no Congresso Nacional, com os parlamentares tratando apenas de interesses próprios e partidários e não dos anseios nacionais.

Indignava-me – o verbo agora vai no passado –   como vinha sendo feita a Justiça em nosso País, principalmente nos tribunais superiores, com julgamentos seletivos e privilégios a personalidades condenadas.

Minha indignação morreu nas prainhas do Rio Guaíba com o forte eco da sentença proferida pelos três desembargadores do TRF.4, confirmando à unanimidade a condenação de Lula da Silva pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A sessão jurídica calou o grito rouco do lulopetismo pedindo provas. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator do processo, foi de uma transparência cristalina: Há provas, sim, “testemunhais e documentais” de que o ex-presidente é dono do imóvel, e que a OAS é apenas “laranja” dele.

Os votos dos desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus que se sucederam ao Relator, destacaram também a culpabilidade de Lula como agravante para o aumento da pena, pelos crimes terem sido praticados por um ex-presidente da República.

É por isso, que lembro o grito do libertário Bertold Brecht realçando o esquete de François-Guillaume “O Moleiro de Sans-Souci”: “AINDA HÁ JUÍZES EM BERLIM! ”. Substituo-o por “AINDA HÁ JUÍZES NO BRASIL!”.

As palavras gravadas em ferro e fogo nos votos dos desembargadores, sustentando a decisão do juiz Sérgio Moro no processo movido pelo MPF, lembram a história de Frederico II, rei da Prússia, visitando a construção do seu palácio, quando não gostou de um casebre na paisagem e mandou que pagassem ao dono para demoli-lo.

O proprietário, um moleiro, não aceitou a proposta e desafiou o rei a expulsá-lo, com as palavras: “Há Juízes em Berlim”, indo ao encontro da lição de Rui Barbosa “A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”.

Dessa maneira, já não me angustia esta primeira etapa do processo. O Brasil não acabou e fica esclarecido que o lulopetismo perdeu a força; manifestações convocadas fracassaram e a antiga militância perdeu a fé…

Para Lula e aos que ainda o acompanham com o espernear de uma defesa fraudulenta, repito com Mark Twain: “Nestas circunstâncias, um palavrão provoca um alívio inatingível até pela oração”…

 

JULGAMENTO

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo” (Rui Barbosa)

Quando se fala em julgar, penso que o melhor é a equidistância entre Pôncio Pilatos e Nietzsche. O gestor romano da Palestina avaliou o que é a verdade, e o filósofo alemão vacilou, perguntando-se o que é a mentira…

O escritor italiano Pitigrilli – muito lido na minha mocidade – publicou uma anedota sobre “julgamento” contando que o imperador Teodorico ouviu numa audiência pública a queixa de uma viúva sobre um processo que se arrastava a três anos e estava engavetada. Do alto do seu poder, o Imperador ordenou aos juízes que dessem uma solução dentro de 24 horas, sob pena de serem punidos.

No dia seguinte a sentença foi pronunciada e a queixosa foi agradecê-lo; na presença da mulher, Teodorico convocou de novo os magistrados e perguntou-lhes: – “Porque levaram três anos num processo, resolvido tão prontamente? ” Sem aguardar a resposta, mandou que fossem executados…

Exemplo de Justiça? Também dos tempos antigos a gente tem a máxima de Platão que precisa ser lembrada sempre: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a Justiça, mas para julgar segundo as leis”.

Teremos no Brasil um bombástico julgamento. A apelação de Lula, condenado a nove anos está na 2ª Instância do TRF 4, em Porto Alegre. Lá, não há “juízes nomeados”. A Justiça Federal não tem dessas coisas que o STF, STJ e TJ estaduais têm garantidos pela imprudente Constituição de 88.

Dessa maneira, aguardamos que se faça justiça boa e perfeita. O Tribunal vai apreciar a sentença do Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância em Curitiba, em que Lula da Silva foi considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro atribuídos a ele pelo MPF.

Trata-se do caso do tríplex no Guarujá, reservado e reformado como propina para Lula pela empreiteira OAS ao custo de 2,4 milhões de reais. Convém lembrar que além de ter pegado nove anos e seis meses de prisão, o chefe do PT é réu em outras quatro ações penais e alvo de uma denúncia do Ministério Público Federal ainda não analisada pela Justiça.

Julgar é um verbo transitivo direto e intransitivo, indicando a decisão de um juiz ou árbitro sobre uma ação judicial. É dicionarizado como sentenciar; proferir uma sentença, condenando ou absolvendo.

O julgamento precisa de provas cabíveis tanto da parte acusadora como da defensora a fim de apresentar seus argumentos. Não se julga sem provas. Na disputa judicial que aguardamos as provas superabundam…

Não esquecer que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot denunciou Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff, e outros seis membros do PT por suspeita de organização criminosa. A denúncia foi apresentada no inquérito que investiga outros petistas e tramita no STF.

Além disso, Lula tem de nove denúncias de autoria do MPF e tornou-se réu em cinco ações penais, englobando corrupção ativa e passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Esta situação pode pasmar um leigo, analfabeto ou mal-intencionado.

Se a sentença for confirmada em Porto Alegre, o Pelegão ficará impedido de concorrer pelas regras vigentes da Lei da Ficha Limpa. Quanto aos desembargadores, é bom lembrar-se que o antônimo de julgar, é conviver indulgentemente com a impunidade.

LOUCURA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“A ira começa com a loucura e acaba com arrependimento” (Textos Judaicos)

Tive a honra de conviver com um dos maiores jornalistas da minha época, o paraibano José Leal, ganhador do Prêmio Esso com a reportagem “180 dias na fronteira da loucura” saída nos tempos áureos d” O Cruzeiro”.

Na redação em que trabalhamos juntos, José Leal era mais velho do que nós e muito contribuiu para a formação dos mais moços do que eu e a maioria da redação. Ele sabia de tudo e tinha fontes que pareciam inesgotáveis. Para sacanear o pessoal, chamava-nos de “ratatúia”…

O apodo era uma referência a uma mistureba francesa – ratatouille – muito conhecida nos círculos gastronômicos. Diz-se tratar-se de uma receita provençal rústica, do século 18, uma mescla de legumes e ervas aromáticas, fácil de fazer, um quebra-galho para uma refeição feita em minutos.

Um filme norte-americano de animação intitulado “Ratatouille” popularizou a iguaria, e teve em Portugal o nome de Ratatui. Acho que ratatúia – como divulgamos entre os amigos agradou mais, e o Zeca Pagodinho saiu com a batucada Ratatúia…

Trago esta alegoria, como de costume, para homenagear um grande profissional de imprensa e expressar-me no contexto da excelente reportagem premiada “180 dias na fronteira da loucura”.

A loucura, como enfermidade, sofre divergências entre clínicos e psiquiatras, mas há uma convergência quanto aos diagnósticos descritivos que a Psiquiatria adota.

Os dicionários tratam o verbete loucura, substantivo feminino, como a alteração mental de um indivíduo caracterizada pela fuga do controle da razão; um distúrbio do comportamento e a maneira habitual de pensar.

Que é uma doença, é, e me parece endêmica (e epidêmica) entre os fanáticos do lulopetismo. Não há exemplos maiores do que a expressão de hierarcas do PT, em particular, da senadora Gleise Hoffman, sobre o julgamento do arqui-corrupto Lula da Silva.

A senadora paranaense disse publicamente que — “Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”. Tal declaração sofreria uma condenação num País sério, tratando-se de uma afronta à Justiça e ao Estado de Direito.

Infelizmente os nossos poderes republicanos não passam de uma ratatúia…  Senão tomariam as devidas providências para impedir um incitamento da subversão da ordem democrática contra a sentença de um crime sobejamente provado pelo Ministério Público e condenado pelo juizado de 1ª Instância.

Os salpicos da manifestação da parlamentar incitadora recaem sobre a manada de búfalos cegos que fazem o culto da personalidade do Pelegão, criminoso que usou a administração pública com conveniência e abusiva prática corrupta.

Nas redes sociais os descerebrados, movidos por uma ideologia distorcida, postam mensagens violentas contra magistrados e defensores da legalidade jurídica, com ameaças de agressão, sabotagem e até de assassinato.

Como se trata de uma minoria ruidosa, tomada de histeria coletiva próxima da loucura, não assusta a imensa maioria dos brasileiros que lutam contra a corrupção e a impunidade dos corruptos e corruptores.

Machado de Assis ensinou que “a loucura é uma ilha perdida no oceano da razão” e nos dá medo é que como doença, contagie grupos políticos desesperados com a situação reinante, buscando soluções heterodoxas para o futuro do Brasil.

JULGAR

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” (Rui Barbosa)

No Japão há um templo que projeta no frontispício as estátuas de três macacos de pedra preciosa, um trio que forma um conjunto inseparável. Os símios usam as duas mãos para cerrar a boca, fechar os olhos e tapar as orelhas. Essas figuras são encontradas hoje como bibelôs em qualquer loja de R 1,99.

É um simbolismo que representa a maneira Zen de fugir à responsabilidade de avaliar, tirar conclusões e julgar o que de real se lhes apresenta. “Não ouça, não veja e não fale. Não sei se os deuses e seus profetas interpretam assim. Creio que não, porque todas as religiões do mundo falam de um julgamento divino nas acepções jurídica, psicológica e religiosa.

Está escrito em Sânscrito e nos chegou através do latim, o verbo Julgar, duplicado em transitivo direto e intransitivo; o “judicare” (julgar) é formado por Jus, “lei, direito”, mais Dicere, “dizer, falar”, significando tomar decisão, deliberar na qualidade de juiz, ou formar conceito, emitir parecer, opinião sobre alguém ou algo.

A nossa cultura ocidental miscigenada com o judaísmo e sacramentada pelo cristianismo expõe como ideal de Justiça os julgamentos conforme o Rei Salomão, que se encontra no primeiro livro dos Reis 3,16-28 este exemplo de isenção e sabedoria.

Todo mundo ouviu um dia a história de Salomão julgando a causa de duas mulheres, que haviam parido ao mesmo tempo e o filho de uma delas foi natimorto. Restando apenas um bebé, ambas reivindicaram a maternidade dele.

Resolvendo a questão Salomão decidiu cortar a criança ao meio e que cada mulher ficasse com uma parte. Uma delas disse: – Ah, meu senhor! Dês o menino vivo, não o mateis. A outra, porém, disse: Já que não será meu, nem teu; dividi-o.

O sábio juiz distinguiu que a verdadeira mãe era aquela que impediu a morte do filho e deu-lhe a posse, enquanto condenou à morte a falsária.

A degenerescência dos costumes herdadas do totalitarismo desumano e a concepção maniqueísta criada pela guerra fria, incentivou o egoísmo, a disputa desregrada pelo poder político e a corrida insana pelo dinheiro. Isto feriu as tradições de respeito humano, subvertendo os conceitos de moral e ética.

Esta revolução nos costumes do século XX envolveu arbitrariamente a todo mundo, e no Brasil, tornou-se inseparável da ganância política e do favoritismo jurídico. Os políticos – em sua maioria – tornaram-se desonestos; e os magistrados – pelos desonestos nomeados – fugiram à responsabilidade de julgar.

Uma ideologia desmembrada de princípios, mesmo aleijada expõe a Justiça a uma tortura diária. Neste momento em que escrevo, milhares de crimes são cometidos; a violência contra a mulher e a criança, o tráfico de drogas, a formação de quadrilhas, o roubo e o assassinato fazem parte do nosso cotidiano.

O culto da justiça como o alicerce fundamental da República e da Democracia está sendo trocado pela paixão partidária, subserviência, interpretação restritiva e prevaricação jurídica, por culpa de alguns juízes

Por defender os poderosos, a Justiça está moribunda. Sua túnica pregueada e os olhos vendados são a própria mortalha, sem a espada e a balança; assim será enterrada em vala comum como indigente e dispensável, sem choro, nem vela…

Esta situação faz-me lembrar Rui Barbosa. Os magistrados envolvidos em tramoias não escaparão ao ferrete de Pilatos: “O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde! ”

DIETA

MIRANDA SÁ (E-mail: [email protected])

“É uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar” (Montesquieu)

Dicionarizada, a palavra “Dieta” é substantivo feminino, usado como termo medicinal como regime alimentar prescrito pelo médico a um doente ou a um convalescente; e também como receita de emagrecimento.

Aliás, a dietética dissocia “dieta” de “regime”. Para eles, a dieta é uma mudança de hábitos alimentares, e o regime é uma restrição de alimentos sólidos e líquidos para obter um resultado em curto prazo para o emagrecimento.

É interessante irmos à etimologia do termo “dieta”, do antigo grego diaita, tem um sentido econômico, com significado de ficar empobrecido; não difere muito do sentido de “perder peso”…

Tanto uma versão como a outra ensina a comer. Para o emagrecimento existem um sem números de dietas, que os nutricionistas científicos sugerem aos seus pacientes e, multiplicadas por mil na interpretação de nutricionistas amadores.

Há um tipo de “dieta”, a japonesa que promete eliminar mais de 6 kg em apenas 1 semana – está no Google – e é interessante que a palavra dieta também indica lá o parlamento, a Dieta Nacional do Japão (国会, Kokkai), bicameral, composto da Casa dos Representantes e a Câmara dos Conselheiros, que indicam ao Imperador um Primeiro Ministro.

Nos dias que atravessamos, preconceitos de toda espécie, as moiçolas andam tão magras que parecem um louva deus; acreditam no disse-me-disse que os homens preferem as magras… Por outro lado, os dietistas “politicamente corretos” aterrorizam as pessoas, dizendo que os gordos morrem mais do que os magros.

Teve até um alucinado que escreveu que “a cada hora que passa, toda gordura em excesso diminui na sua vida uma batida do coração”.  Assim, o estudo das calorias entrou na moda e existem pessoas que as veem num simples cone de sorvete.

Saindo do politicamente correto para outro tipo de politicagem, devia-se aconselhar, isto sim, aos nossos políticos abstinência, jejuns e restrições, para os excessos dos corruptos, expressa na célebre palavra do ex-governador do Rio, amigo e parceiro de Lula, quando se expressou: “abusei”.

O abuso é, em todos os casos, seja em termos biológicos ou no exercício da política, sempre um mal. É revoltante constatar que isto acontece nos dias sombrios que atravessamos, com um governo fraco se debatendo para sair da crise deixada pela incompetente e irresponsável Dilma Rousseff.

A cidadania observa igualmente o estrebuchar do lulopetismo, cujo comprometimento com a corrupção, revolta e arrepia. Às vésperas do julgamento que deverá sentenciar o cultuado chefe do narcopopulismo brasileiro, a Nação fica na expectativa da sua prisão e perda dos direitos políticos.

Jejuno de patriotismo – transferiu o dinheiro resultante do trabalho, das lágrimas e do sacrifício do povo para ditaduras estrangeiras -, Lula, obeso de ganância e amoralismo, deve ser condenado a uma dieta política prisional para o bem do País.

E não se pode ver “um golpe” na punição de um culpado por uma série de delitos cometidos já descobertos e um sem número por descobrir. Foi fácil a dieta para engordar consumindo áureas calorias com o dinheiro público, por que, como diz o pensador Edmund Burke, “quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso”.

Também não será difícil corrigir os abusos seguindo uma dieta atrás das grades para emagrecer da gordura trans da maldade acumulada, e corrigir os excessos.