Artigo para o matutino JH1ªEdição
As ditaduras começam fechando jornais
MIRANDA SÁ, jornalista
O ataque de autoridades governamentais e dirigentes do PT-partido à mídia é permanente e ininterrupta. Jornais impressos, televisivos e radiofônicos são alvos de críticas contundentes dos intelectuais e jornalistas chapas-brancas ávidos em dejetar teorias sobre a democracia direta, como se a Democracia precisasse de adjetivos para garantir as liberdades e dos direitos do homem. Os dejetos filosóficos de Marilena Chauí, por exemplo, vão pelo cano da louvaminha a Lula da Silva que ela com ardor de mal-amada chama de “Nosso Guia”.
O próprio Presidente se queixa do noticiário e apela para a divulgação de “notícias boas”. Por “notícias boas” leia-se adulações e lisonjas ao PT-governo e a omissão do seu desfastio pelo trabalho. Os pelegos no poder não querem nem ouvir falar de jornalismo investigativo e informar sobre a corrupção, nem nas entrelinhas…
Esta é a expressão corrente e a indução para a pelegagem que aparelha o governo se empenhe para achar uma maneira de controlar a imprensa e disciplinar os jornalistas. Umas três ou quatro tentativas já foram feitas, sendo que uma delas contando com a colaboração dos pelegos que compõem a Federação dos Jornalistas.
Até então parecia que essas manifestações eram espontâneas, mas agora a ordem totalitária se revelou oficialmente com uma resolução aprovada pela Executiva Nacional do PT, convocando filiados a reagir contra o que classificou como uma ofensiva articulada pela mídia para prejudicar o partido e o governo. Dá vontade de rir, não?
Não bastando despejar milhões em agências de publicidade e veiculação de farta propaganda nos meios de comunicação, o PT-governo ainda distribui verbas oficiais e secretas com a irresponsabilidade de usá-las ao deus dará para Ongs ligadas à informação, além das publicações partidárias – jornais e revistas à mancheia – pagas pelas estatais. Se essas coisas não bastam para defender o partido e o governo, deve-se apenas à incompetência dos agentes ao seu serviço.
Gosto de repetir à exaustão que a liberdade de expressão através da imprensa é a base da Democracia. Este alicerce é intocável ou o regime corre o risco de ceder lugar à ditadura. Felizmente muitos jornalistas brasileiros – como eu –despertaram para isto e usam seus espaços na mídia para sustentar a cruzada em defesa da liberdade de imprensa. Agora os ecos vêm do exterior. Primeiro chegou o alerta dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), entidade respeitável no mundo todo.
Agora outra importante organização internacional, o Overseas Press Club of America (OPC), criado em Nova York em 1939, mandou uma mensagem ao presidente Lula da Silva condenando o ‘crescente autoritarismo’ do seu segundo mandato e aponta atos de ‘violência’ contra jornais e jornalistas, além do esboço de uma lei que estabelecerá uma ‘censura preventiva’.
O texto endereçado a Lula é assinado pelos membros do Comitê de Liberdade de Imprensa Jacqueline Albert-Simon e Larry Martz e se refere diretamente ao documento da direção do PT-partido, dizendo: “Essa resolução, grosseira como é, tem ominosas implicações na essencial liberdade da imprensa e deveria ser reconsiderada e abandonada. Ela é vista como um reflexo do crescente autoritarismo de seu segundo mandato e ameaça seu bom nome – assim como a democracia do Brasil”. Eu gostaria de firmar este sobreaviso da OPC com o meu autógrafo…
Comentários Recentes