CULTURA
Interferência prejudicial
A população brasileira, e a classe artística em especial, têm sido informadas nos últimos dias de uma iniciativa surpreendente: não contente em negligenciar suas responsabilidades com a educação, a cultura e o autêntico desenvolvimento social do País, o governo federal, por meio dos Ministérios da Educação e do Trabalho, prepara um golpe mortal contra uma das iniciativas de maior sucesso nessas áreas. Refiro-me à proposta de intervenção na estrutura e no funcionamento das entidades que compõem o chamado Sistema S, criadas e mantidas pelo empresariado com seus próprios recursos, desde os anos 1940.
Trata-se de intervenção inesperada, retrógrada e autoritária. Prenuncia, na realidade, um processo de estatização de entidades que, a exemplo do Sesc de São Paulo, cumprem a função de preencher lacunas deixadas pela incapacidade do poder público. O Estado, no Brasil, é reconhecidamente inepto na promoção de melhores padrões de vida de nossa sociedade, carente de elevação intelectual tanto quanto de recursos de subsistência. A transformação do Sesc e de entidades semelhantes em mais um conjunto de repartições públicas levará, pela mutilação de seus recursos e autonomia, à destituição de um trabalho primoroso, que, em vez de ataques absurdos, merece incentivo e emulação.
BEATRIZ SEGALL, atriz
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