O degenerado 1º de maio dos pelegos
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
A instituição do Dia Mundial do Trabalho não foi um ato oficial. Nasceu de um processo histórico que começou com uma greve geral deflagrada em Chicago no ano de 1886, reprimida violentamente pela polícia com inúmeras prisões, muitos feridos e 13 mortes.
O sacrifício dos operários – na sua maioria espanhóis, suíços e italianos anarco-sindicalistas – recebeu a solidariedade mundial, e as vítimas fatais nomeadas de “Os mártires de Chicago”, em nome dos quais foram realizadas manifestações em vários países, nos primeiros de maio subseqüentes.
Um congresso semi-clandestino da Internacional Socialista, reunido em 1889 na cidade de Paris, estabeleceu a data como Dia Mundial do Trabalho, com apoio unânime do movimento operário, anarquistas, socialistas, radicais e católicos, estes últimos influenciando a Igreja Católica para adoção do dia como de “São José Operário”.
Além do aspecto político, a data tem uma influência astral. Segundo pesquisadores históricos, o mês de maio e o dia primeiro eram consagrados pelos antigos povos nórdicos e arianos – particularmente os misteriosos celtas – a festas religiosas. O ritual consistia em plantar um grande tronco de árvore enfeitado de flores e fitas coloridas no centro das aldeias, e a comunidade, homens, mulheres e crianças, cantava e dançava à sua volta. Dizia-se o “Dia das Flores”, que chegou até Roma levado supersticiosamente pelos legionários.
Depois da revolução de 1917, a III Internacional (Comunista) adotou a data, herdeira que foi da Internacional Socialista. As centrais internacionais de agitação e propaganda mantidas pela União Soviética, primeiro o Comintern e depois o Cominform, baixavam palavras-de-ordem para os partidos comunistas mobilizarem os trabalhadores em memória dos Mártires, realizando manifestações, passeatas, piquetes e comícios relâmpagos, conforme a realidade nacional de cada país.
Nos países sob regime comunista, URSS, China e democracias populares, o 1º de maio servia, paradoxalmente, para demonstrações de caráter militar, com exibição de disciplina infante e demonstrações de poderio bélico.
No Brasil, os sindicatos de influência anarquista, comunista e socialista, e mais tarde dos trabalhistas, aproveitavam o Dia do Trabalho para fazer um balanço das atividades classistas e levantar reivindicações corporativas e políticas. Depois dos sindicatos ficarem sob o domínio dos pelegos, o primeiro de maio serviu para fazer propaganda político-partidária.
Nada de denúncias às condições de trabalho, nem protestos e reclamos contra os salários injustos. Shows e sorteios substituíram as manifestações de trabalhadores e, com o PT-governo no poder e o pelego Lula da Silva na presidência da República, o oficialismo cooptou as comemorações trabalhistas.
Não se fala mais das necessidades básicas, alimentação, moradia e lazer, reforma agrária, justiça social, educação e saúde accessível a todos. Em defesa dos idosos, aposentados e pensionistas, nada. O silêncio foi comprado pelo roubo de um dia anual de salário, entregue aos pelegos sem necessidade de prestação de contas.
Politicamente o 1º de maio foi degenerado. Exibiu nos palanques da CUT e da Força Sindical corruptos e corruptores, os mensaleiros do PT, réus no STF por formação de quadrilha, e o bando do PDT, envolvido em fraudes no BNDES, denunciados pela PF. Que pena este tempo que atravessamos!
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