Internet: o vírus autodestrutivo do capitalismo

Comentários desativados em Internet: o vírus autodestrutivo do capitalismo
Compartilhar

“A defesa de uma radical liberdade criativa no mundo virtual não passa apenas por garantir uma permanente disseminação do conhecimento e das tecnologias ao maior número possível de usuários. Passa também pelo combate à concentração da distribuição e da circulação. Uma das formas atuais dessa disputa é a contraposição entre o modelo da loja virtual de música, a iTunes, controlada pela Apple (ainda neste ano deve começar a funcionar a loja da Amazon também), em que o usuário paga para fazer o download, e o modelo de sites como o eMule ou Kazaa, que permitem o compartilhamento gratuito de dezenas de milhares de títulos. Essa mesma disputa é travada também em outros campos por modelos colaborativos como os da Wikipédia e do Linux. Em fevereiro, o presidente da Apple escreveu uma carta aberta às gravadoras com o objetivo de convencê-las a deixar de usar dispositivos de proteção para os chamados “direitos digitais”. Na prática, essa música “não protegida” permite em princípio uma reprodução ilimitada, por vários meios e aparelhos. Parece mesmo que Karl Marx (1818-1883) tinha razão em considerar que o capitalismo carrega um vírus autodestrutivo. Pelo menos no mundo virtual, as ameaças à lógica da propriedade privada tal como entendida até hoje são bastante reais”.

Marcos Nobre, jornalista

Os comentários estão fechados.