POESIA
A UMA PASSANTE
A rua, em torno, era ensurdecedora vaia
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
uma mulher passou, com sua mão vaidosa
erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
no tempestuoso céu do seu olhar distante,
a doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho… e a noite depois! – Fugitiva beldade
de um olhar que me fez nascer segunda vez,
não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui ! Tarde demais! Nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
Baudelaire
Poeta e crítico francês, Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris em 9 de abril de 1821, na Rua Hautefeuille, nº 13 (casa já demolida; localização atual da Livraria Hachette, Boulev. St. Germain). No dia 31 de agosto de 1867, morreu de paralisia geral nos braços da sua mãe.
Baudelaire é considerado freqüentemente um dos maiores poetas do Século XIX, influenciando a poesia internacional de tendência simbolista. De seu estilo de vida originaram-se na França os chamados poetas “malditos”.
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