Lobie, lobistas e a relatividade da vergonha
“O lóbi também pode existir como uma presunção de governantes e legisladores, se não honestos, pelo menos neutros nas suas convicções e compromissos. Abertos à argumentação, venha ela na forma de arrazoados ponderados ou de espécie, ou fins de semana com a patroa em algum resort convincente. O que é melhor, o lóbi institucionalizado cuja função declarada é influenciar opiniões e comprar decisões, ou um lóbi que, como no Brasil, não ousa dizer seu nome?
A presunção implícita do lóbi discreto ou mascarado é que ele não adianta muito, os legisladores ou governantes já chegam a seus postos tão comprometidos com interesses especiais que qualquer tentativa de aliciá-los para outros seria um gasto inútil. No Brasil, a vergonha não é o lóbi, mas o lóbi que não se declara, e ajuda a manter a ficção de uma democracia ciceroniana de homens especiais dedicados ao interesse geral. Mas isso, claro, também depende de como você vê esse negócio de vergonha”.
Luiz Fernando Veríssimo, jornalista e escritor
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