Renan usa cargo para adiar perícia

Comentários desativados em Renan usa cargo para adiar perícia
Compartilhar

Num uso explícito do cargo para retardar a investigação a que responde no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adiou para terça-feira, véspera do recesso, o envio para a Polícia Federal dos documentos de sua defesa para que seja ampliada a perícia.
Com a decisão, Renan rompeu acordo firmado um dia antes para que a Mesa Diretora – a quem caberia formalizar o pedido à PF – se reunisse ontem.

A oposição reagiu à manobra, abandonando o plenário e prometendo a partir de agora obstruir todas as votações até que ele deixe a presidência do Senado. E já avalia a hipótese de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso ele volte a interferir com o objetivo de restringir a perícia da Polícia Federal.Diante dos últimos movimentos do presidente do Senado, a oposição teme agora que ele não convoque sequer a reunião da Mesa, o que jogaria para agosto o início das investigações. “O que neste momento passa para o País é que a presidência do Senado está armando alguma chicana jurídica para daqui até terça-feira procrastinar o processo”, reagiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Ele lembrou que, naquele momento, Renan estava na presidência do Senado, a poucos metros do plenário, e “não teve coragem de justificar face a face” sua decisão. Na quarta-feira, Renan, por meio de senadores aliados, fechara com a oposição um acordo que viabilizou a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sem obstruções e protestos.

Pelo acerto, os partidos de oposição não obstruiriam a votação da LDO e a Mesa Diretora encaminharia sem falta na tarde de ontem o pedido de uma perícia aprofundada nos documentos do presidente do Senado.Ao lado de Agripino, Sérgio Guerra (PSDB-PE) ressaltou que a decisão de Renan foi na contramão do que ele próprio dizia até ontem. “Uma coisa é o presidente peticionar, como já o fez, na sua defesa. Outra coisa é, sem nenhuma razão concreta ou objetiva, atrasar a reunião da Mesa para a semana que vem. Isso não é sensato. É extremamente grave”, afirmou o tucano.

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, repórteres (ESP)

Os comentários estão fechados.