Ao Debate (2):
Fábrica de racismo
Rita de Cássia Camisolão, coordenadora do “Programa de Educação Anti-Racista” da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que utilizará pela primeira vez um sistema de cotas no seu vestibular, reuniu-se há pouco com estudantes de escolas públicas para prestar esclarecimentos sobre as regras do sistema. Confrontada com a questão de saber como devem proceder os jovens com “fenótipo pardo”, mas certidões de nascimento que os identificam como “brancos”, fulminou: “O documento comprobatório da opção do cotista é a autodeclaração, não a certidão. O que importa é a aparência.”
Está claro? Mais ou menos, pois nada é o que parece quando se trata de atribuir rótulos raciais às pessoas. Na Universidade de Brasília (UnB), também é a “aparência” que importa – mas uma aparência interpretada por sábios acadêmicos e militantes de movimentos negros, congregados em tribunais raciais que até há pouco se dedicavam à análise de fotografias dos candidatos, mas agora preferem apenas submetê-los a “entrevistas identitárias”.
Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP(demetrio.magnoli@terra.com.br)
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