Poesia
Mash-up 4
Ele fez essa carne
de gente, essa bolha
inflada, essa massa
socada que engarrafa e gruda
no chão da terra essa alma
humana, bafo da boca dEle,
vaporosa vertigem de cinza e nada.
E Ele faz aparecer nessa mesma
carne esses picos e rachaduras por onde
esse vapor engenhoso, esse fogo
esbelto, essa música
delgada, essa coluna de silêncio
puro, esse rio assombroso
que se levanta do leito e flui
pelos ares, que escapa assim de volta
à fonte, sempre um pouco antes da hora.
Isso e tudo mais nesse inferno
que é o artesanato Seu aqui na terra
me aparece assim:
torcido e torneado
com tinta que escorre da Sua boca
e se condensa no papel
jornal de um livrinho vagabundo
jogado num canto cheio
de problema sobre-humanos.
Formigueiros crescendo
dentro de uma caixa de ferro:
Deus nos quer assim:
sem caber dentro.
Robert Browning
O Poeta
Robert Browning (1812-1889) Poeta inglês nascido em Londres, cujo talento só foi reconhecimento postumamente e produziu uma obra baseada na convicção de que a arte tinha valor superior, como expressão mais pura da emoção humana, e de que a tarefa do artista seria unir o ideal ao real.
De família rica, estudou para a carreira diplomática mas desistiu para se dedicar apenas à literatura. Casou-se com a poetisa Elizabeth Barrett e mudou-se para a Itália (1846), onde passou grande parte da vida, morrendo em Veneza. Entre suas principais obras citam-se Pauline: A Fragment of a Confession (1833), Paracelsus (1835), Sordello (1840), a série Bells and Pomegranates (1841-1846) e a mais famosa, The Ring and the Book (1868-1869).
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