Etanol é combatido pelos europeus e por Fidel

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O jornal El Mundo, da Espanha, está circulando hoje afirmando que a União Européia repudia o “etanol sujo” do Brasil, porque as lideranças do bloco desconfiam que as práticas brasileiras de cultivo de açúcar são danosas ao meio-ambiente. A notícia vem após Lula da Silva ter discursado em Bruxelas, na conferência internacional sobre biocombustíveis, tentando conquistar a simpatia dos europeus assumindo o compromisso de que o Governo Brasileiro garantirá a qualidade do etanol de exportação. Asseverou também que a produção da cana-de-açúcar respeitará os critérios ambientais, sociais e trabalhistas.

Em coro com as críticas ao etanol brasileiro, o italiano La Repubblica lembrou a existência de trabalhadores escravos nas zonas canavieiras do Pará, relatando que nas plantações de cana do norte do País, milhares de camponeses emigrados de outras regiões “vivem da miserável paga de um euro por tonelada de cana, sujeitos aos abusos dos patrões e da precariedade”. O Financial Times, com o tradicional comedimento britânico, levantou a necessidade da preservação da natureza, advertindo que as novas áreas de plantação da cana poderão trazer conseqüências imprevisíveis ao meio ambiente.

Há, na repercussão que o álcool combustível suscitou na Europa, a incrível coincidência de se somar ao combate que Fidel Castro abriu contra os biocombustíveis. Entretanto, a preocupação dos países ricos é com a preservação do meio ambiente, e a de Fidel e dos seus seguidores bolivianos, equatorianos, nicaragüenses e venezuelanos, é defender as áreas de plantio de alimentos – que serão prejudicadas pela corrida usurária do “capitalismo selvagem” para conquistar mais lucros. A desconfiança dos latino-americanos é de que o etanol venha tirar comida dos pobres para alimentar a população automobilística dos opulentos…

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