RESENHA DESTA SEXTA-FEIRA, dia 10.ag.07
– Ao apresentar o termo de deportação para os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara assinarem, a Polícia Federal cometeu “um equívoco”, afirmou ontem o secretário nacional de Justiça, Antonio Carlos Biscaia. “Ele [o delegado da PF] colocou termo de deportação, mas na realidade a saída foi espontânea e, juridicamente, não se trata de uma deportação”, disse Biscaia. E completou: “A autoridade policial cometeu um equívoco. Eles não estavam em situação ilegal no país. Também não entraram no Brasil de maneira ilegal.
– O corregedor do Senado, Romeu Tuma, vai pedir ao Ministério das Comunicações todos os documentos da empresa de rádio que se suspeita pertencer ao presidente do Senado, Renan Calheiros, mas estaria em nome de laranjas. Tuma confirma que na documentação enviada ao Senado para análise da concessão não consta o nome de Renan. “Precisamos analisar se depois houve a mudança na sociedade”, afirmou Tuma. A Mesa Diretora da Casa deve encaminhar na terça-feira a denúncia ao Conselho de Ética.
– O economista Marcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), deverá assumir a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) na próxima semana. A indicação partiu de Mangabeira Unger, secretário de Estratégias de Longo Prazo, a quem o IPEA está subordinado. A escolha passou ao largo de pressões políticas ou fisiológicas. Pochmann é um quadro acadêmico respeitado e tem forte vínculo com o pensamento econômico desenvolvimentista, que vem ganhando espaço no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– A mais grave crise financeira desde o atentado de 11 de setembro atingiu o ápice ontem. Para evitar uma quebradeira generalizada, bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa injetaram mais de US$ 150 bilhões no mercado. Bovespa fechou em queda de 3,28%..O socorro mais relevante foi do Banco Central Europeu (BCE), no valor de 94,8 bilhões de euros (US$ 130,6 bilhões) – a ajuda supera a do 11 de Setembro, em 2001, quando foram postos no overnight europeu 69 bilhões de euros . A operação foi realizada pelo BCE depois que o BNP Paribas suspendeu resgates em três fundos. O Federal Reserve (Fed) emprestou no “over” americano US$ 24 bilhões para impedir a alta dos juros de curto prazo e defender sua meta de 5,25%. O BC do Canadá injetou US$ 1,55 bilhão.
– A oferta da Petrobras pela Suzano Petroquímica está causando desconfiança no mercado e no Congresso, por isso, as empresas terão de se explicar em audiência pública na Câmara dos Deputados no dia 22. Os deputados querem explicações sobre o valor da operação, uma vez que a Petrobras teria pago cifras que estariam bem acima do mercado. Casos cada vez mais freqüentes de vazamento de informações sobre operações de compra como a da Suzano levaram a CVM a acelerar a criação de uma superintendência especial para julgar os processos, disse a presidente da autarquia, Maria Helena Santana.
– O governo costurou com líderes da base governista amplo acordo para aprovar a prorrogação da CPMF por mais 4 anos, em troca de novos projetos de reformas política e tributária. Para preservar intacta a arrecadação da contribuição, que deve garantir este ano cerca de R$ 36 bilhões, o governo aceita votar projeto de fidelidade partidária que permitirá a “anistia” de 38 parlamentares que mudaram de legenda após as eleições de 2006 e estão ameaçados de perder os mandatos por decisão do TSE. Outra promessa é de incluir na nova reforma tributária instrumentos que garantam desonerações para beneficiar Estados e municípios
– O novo presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Sérgio Gaudenzi, admitiu que a pista do Aeroporto de Congonhas pode passar de 1.900 para 1.600 metros, para permitir que os aviões tenham 300 metros de área de escape. Ele disse ao Estado que a proposta, apresentada pela Aeronáutica, obrigaria as empresas a limitar o peso dos aviões que usam Congonhas. “Se quiserem maior carga devem ir para Guarulhos”.
– A caixa-preta de dados do Airbus-A320 acidentado em Congonhas revela que os pilotos Kleyber Lima e Henrique Stephanini di Sacco acionaram corretamente os manetes que aceleram as turbinas no pouso anterior, em Porto Alegre. No pouso da tragédia, o gravador registra que o manete da turbina direita (que tinha o reversor inoperante e pinado) não se movimentou nem sequer um grau, permanecendo em ponto de alta aceleração.
– Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo, o vice-presidente de Segurança de Vôo da Airbus, Yannick Malinge, defendeu os aviões de sua empresa, negou que o “sistema automatizado” do modelo tenha contribuído para o acidente do vôo 3054 da TAM e afirmou que falhas humanas podem ser “imprevisíveis”. De acordo com Malinge, o procedimento correto de acionamento dos manetes para caso de reversor inoperante entrou em vigor em abril de 2006 e todas as operadoras de aviões Airbus foram devidamente informadas.
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