Reflexões sobre a popularidade
“Mesmo depois do caos aéreo e do acidente em Congonhas, a popularidade de Lula não caiu. E daí? Fujimori – aquele bandido que governou o Peru na década de 1990 – tinha 70% de aprovação no seu período áureo, quando violava direitos humanos e assaltava os cofres públicos. Esses números são sempre supervalorizados, em especial pelos tolos, pelos não-convertidos à democracia e pelos bandidos. Entre os tolos que ficam embasbacados com a resistência da popularidade do nosso chefe populista (como se alguém pudesse sê-lo sem tê-la) estão, é claro, os tucanos. Foram eles os que mais contribuíram para que Lula desse a volta por cima no final de 2005. Se depender deles, nosso líder vai crescer de novo e ainda mais no final de 2007.
Cada resultado de pesquisa favorável a Lula funciona como um reforço negativo para o PSDB. Reforça o eleitoralismo (segundo o qual tudo se decide pela popularidade). Reforça, é inevitável reconhecer, uma certa covardia (segundo a qual não se deve afrontar alguém com tão alto índice de audiência). E reforça uma incompreensão da democracia (segundo a qual quem tem maioria tem sempre legitimidade). Hitler e Mussolini também tinham altíssimos índices de popularidade.
Augusto De Franco, analista político do site e – Agora www.e-agora.org.br
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