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O aparelhamento do PT-governo

Miranda Sá, jornalista

O PT-governo e suas frentes políticas que atuam nos movimentos populares, sindicais e estudantis não suportam críticas. Qualquer um que expresse opiniões contrárias ao governo virtual de Lula da Silva é “golpista”; e se for através da mídia, participa da “conspiração das elites”. As frações partidárias não falam pelo todo associativo substituindo a sua militância aguerrida dos 24 anos de lutas por um “Brasil feliz”. A antiga militância desapareceu, por desencanto ou pela nomeação para cargos públicos que levou muitos ativistas à acomodação.

Bem-aventurados do poder, os neopetistas restringem sua ação política a mexer os cordéis. Com verbas fáceis, passagens aéreas e hospedagens em hotéis de luxo, promovem reuniões de todo tipo, seminários, fóruns, painéis, congressos, o escambáu, e assim fazem a cooptação dos incautos e/ou arrivistas para usá-los como massa de manobra no apoio público ao PT-governo. Até o “top-top” de Marco Aurélio Garcia, pornomímica condenável para quem ocupa cargo no primeiro escalão do governo, recebeu solidariedade.


Cientistas políticos e sociólogos procuram explicações para os números das pesquisas de opinião pública que ainda mantêm em alta a popularidade de Lula da Silva. Na verdade, são várias as expressões do “fenômeno”, mas dois deles estão na cara: primeiro, os institutos, contratados pelo oficialismo, não são confiáveis; segundo, as esmolas do Bolsa Família, política imoral de compra de votos e inação produtiva dos beneficiados.

Há outro aspecto também muito importante – e pouco falado pelos “golpistas” e “conspiradores” – que é o aparelhamento do Estado. A explosão da tragédia do Airbus da TAM produziu aspectos sociológicos que abriram cortinas e facilitaram a visibilidade da conjuntura nacional, a monumental vaia que Lula levou no Maracanã e a abertura da “caixa preta” das agências reguladoras, a partir da aparelhada Anac.

Com isso a gente viu com clareza quem dirige o país, ao tomar conhecimento de que seis das 10 agências estão nas mãos do PT e da chamada “base aliada” – eufemismo para indicar outras tendências da pelegagem do PT-governo. Além das presidências, são os filiados do PT e do PC do B que dirigem os órgãos ligados a petróleo, aviação, água, cinema, saúde e segurança sanitária.

A ANA (recursos hídricos) é presidida por José Machado, ex-deputado federal do PT, o presidente da Anac (aviação civil), Milton Zuanazzi, é um petista, assim como a ANS (planos de saúde) e a Anvisa (segurança sanitária) são presididas por filiados ao PT, Fausto Pereira dos Santos e Dirceu Raposo. A ANP (petróleo) é presidida pelo ex-deputado federal pelo PC do B Haroldo Lima, e o também pecedobista, Manoel Rangel, dirige a Ancine (cinema). Outros dois diretores da Ancine são filiados ao PT, Nilson Rodrigues e Leopoldo Nunes. A mesma situação (três diretores, todos ligados ao PT) vive a ANS. Além do presidente, é filiado ao partido o diretor José Leôncio Feitosa. O outro diretor, Eduardo Marcelo de Lima Sales, disse ter deixado a filiação petista em 1997. A ANTT (transportes terrestres) é presidida por um aliado, José Alexandre Nogueira de Resende, filho do ex-senador Eliseu Resende ligado a Newton Cardoso.

Mostrar isto ao público leitor de jornais é golpismo? Apontar o controle de entidades para regulamentar importantes setores econômicos é conspiração? Que assim seja. Enquanto forem mantidas as prerrogativas da liberdade de expressão e de imprensa, do meu teclado sairão críticas e denúncias. E também elogios, mas são tão poucos…

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