A quebra do sigilo da caixa-preta
“Duas catástrofes aéreas em 10 meses, além da escandalosa incapacidade do Planalto de enfrentar, antes que a segunda se consumasse, o que já se havia transformado numa crise sem precedentes na aviação nacional, danificaram seriamente a imagem do País no exterior. Foi como se tivesse sido posto novamente a circular o famoso veredicto do general De Gaulle de que “o Brasil não é um país sério”, com a agravante de que, no mundo globalizado de hoje, uma avaliação de tal modo destrutiva tende a repercutir e a prejudicar o país avaliado muito mais do que nos anos 1960, quando o presidente francês a expressou.
Não bastasse esse primeiro rebaixamento, o Brasil tornou a cair pesadamente no conceito estrangeiro com a inédita divulgação dos trechos mais chocantes dos diálogos registrados na cabine de comando do Airbus da TAM que se espatifou duas semanas atrás em Congonhas, nos momentos que precederam a tragédia. Isso simplesmente não acontece em países sérios, muito menos quando a aguardada investigação de um evento do gênero está longe de terminar.
Existe até mesmo uma norma a respeito: o Anexo 13 da Convenção de Chicago, que, sob os auspícios da ONU, regulamenta a aviação internacional e da qual o Brasil é signatário, admite a divulgação do conteúdo das caixas-pretas de um avião acidentado apenas quando se suspeita de que o desastre tenha sido provocado deliberadamente pelo piloto. Embora não estipule punições formais aos transgressores, a norma é sensata e civilizada. Sensata porque a liberação de dados confidenciais pode prejudicar as investigações. Civilizada porque visa a proteger a privacidade das vítimas. As reações foram as esperadas. O presidente da Federação Internacional de Controladores Aéreos, Marc Baumgartner, ficou aturdido. “Essas informações deveriam ser as mais protegidas de todas”, protestou.
(Agência Estado)
OPINIÃO: De onde saíram as traduções da fita da caixa-preta? Quem foram os responsáveis ou “o” responsável? Foi aberta uma auditoria para responder estas perguntas? Enfim, algo deve ser feito para limpar o nome do Brasil no concerto internacional, e cabe ao Governo Federal agir nesse sentido, pois já bastam as vergonhas que passamos por causa da inaptidão, desídia e indiferença dos “companheiros” no enfrentamento dos problemas da aviação comercial brasileira. MIRANDA SÁ
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