Poesia

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No Cabaré-Verde às cinco horas da tarde

Depois de oito dias, larguei as botinas
Pelo caminho. Eu entrei em Charleroi.
— No Cabaré-Verde: pedi torradas finas,
Manteiga e presunto, que é frio o lugar.

Feliz, estiquei as pernas sob a mesa
Verde: e contemplei os toscos motivos
Da tapeçaria. — E foi uma beleza
Quando a vi, enormes tetas, olhos vivos,

É ela! Não é um beijo que a apavora!
Risonha, trouxe a refeição na hora,
O presunto tostado, num belo prato,

O presunto róseo e branco perfumado
Pelo alho — e encheu-me o copo ávido
De espuma brilhante como um raio de sol.

Rimbaud (1870)


O Poeta

Arthur Rimbaud (1854-1891) foi um poeta francês, considerado um dos maiores expoentes do simbolismo literário do século XIX. Rimbaud começou a escrever ainda na infância e, durante a adolescência, já despertava a atenção por seu talento precoce na arte poética.

Seus poemas ficaram famosos pelas referências simbolistas, pela irreverência criativa e pelo desenvolvimento original de versos expressivos.

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