Abrindo aspas para Eliane Cantanhêde
Paulos e Paulinhos
O brasileiro Paulo Vieira dos Santos saía da casa da namorada, numa favela no Rio, deu de cara com um daqueles tiroteios banais do dia-a-dia e, perna, para que te quero? Voltou correndo. Foi agarrado pela polícia, algemado com quatro bandidos e ostentado como troféu para a imprensa. Paulo é filho de pedreiro e empregada doméstica, tem 22 anos, começou a trabalhar aos 14 como ajudante de obras e é frentista de posto de gasolina. Tem endereço fixo, emprego, família, namorada e nunca teve ficha na polícia.
Qual foi o seu crime? O de ser pobre, talvez “negão”, quem sabe “baiano”, provavelmente “paraíba”. Um qualquer, enfim. Dessa gente de QI baixo, que só sabe tocar berimbau porque tem uma corda só, como nos ensinou o dr. Antônio Dantas, do alto de sua cátedra na Universidade Federal da Bahia. Essa gente tão burra, mas tão burra, que acorda de madrugada, enfrenta ônibus lotados e em péssimo estado e sobrevive (ou não) a balas perdidas, mas certeiras. Não estuda, como o doutor. E ganha uma ninharia, como milhões neste país.
Esperto mesmo, com um QI nas alturas, é um outro Paulo, o Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, deputado federal e presidente do PDT em São Paulo, investigado pela PF sob suspeita de receber R$ 325 mil para intermediar uma bolada do BNDES para a prefeitura de Praia Grande (SP).
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