Montes desiste no Rio e Gabeira se lança candidato
Um dos mais indefinidos do País, o quadro eleitoral no Rio de Janeiro para este ano começa a diminuir a sua pulverização. Um dos líderes nas pesquisas de opinião, o deputado estadual Wagner Montes (PDT), anunciou a sua desistência em concorrer e o PSDB deve oficializar hoje a sua desistência de ter candidatura própria, para apoiar o deputado federal Fernando Gabeira (PV). Na reunião marcada para as 10horas de hoje, na sede regional do PSDB do Rio, Gabeira vai apresentar para as lideranças do PSDB, do PPS e do seu próprio partido as suas condições para encabeçar uma chapa de aliança para disputar o cargo .
O parlamentar já definiu o seu discurso: ao invés de concentrar-se em bandeiras polêmicas, como a defesa do direito de minorias e a legalização da prostituição, do aborto e de drogas, apostará na bandeira ética e fala em uma “frente de salvação da cidade”. “Vou colocar minhas condições para a frente, com uma proposta de mudança na condução da política e do governo “, disse Gabeira . O deputado não explicitou quais serão as condições que irá apresentar, mas uma delas é justamente a de que os partidos aceitem essa “mudança de paradigma no modo tradicional de fazer política”, visto como desgastado e incapaz de empolgar o eleitor carioca.
Gabeira optou pelo discurso voltado para a ética como forma de fazer com que seus adversários não se concentrem agressivamente em atacar suas idéias mais conhecidas. O parlamentar entra na disputa no momento em que o senador Marcello Crivella (PRB), uma antítese de Gabeira nas questões sociais que envolvem comportamento, se fortalece com a retirada da candidatura de Wagner Montes. O deputado estadual desistiu da disputa depois de participar de três debates internos do partido. Alegou que seu objetivo é o governo do Estado e pretende ser mais “assimilado” pelo PDT -onde enfrentava resistências.
Montes apresenta o programa “Balanço Geral” na TV Record, controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é um dos dirigentes. A emissora acaba de repaginar o cenário do programa de Wagner Montes. Seu contrato foi renovado no final do ano passado. A legislação eleitoral o obrigaria a ficar três meses sem apresentar seu programa. O PDT, que pretende ter candidato próprio no Rio, deve escolher o também deputado estadual Paulo Ramos, em encontro no próximo domingo. O partido não descarta, no entanto, uma aliança e composição no campo do Bloco de Esquerda, que envolve ainda o PC do B e o PSB. No quadro carioca, a única aliança que começa a ser formar é a parceria PV/tucanos.
A formação da frente em torno do nome de Gabeira começou a ser articulada dentro do PSDB por nomes do partido mais conhecidos por seus trabalhos técnicos e intelectuais, como o ex-presidente do IBGE Sérgio Bessermann e o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) David Zylbersztajn. A idéia, segundo o Valor apurou, ganhou o apoio de lideranças nacionais do partido, como o governador de São Paulo, José Serra, e recebeu o aval do principal cacique tucano do Rio, o ex-governador Marcello Alencar.
A vereadora Andréa Gouveia Vieira, um dos nomes do partido que se lançaram pré-candidatos a prefeito, já declarou apoio a Gabeira. “Com o nome do Gabeira, é claro que eu saio. Ele é capaz de articular pessoas muito competentes que hoje preferem estar fora da política”, disse. Além de vencer as resistências de outros nomes dentro do PSDB, a candidatura Gabeira ainda enfrenta outras interrogações entre os partidos que o apoiariam. Uma delas é a posição que tomará a juíza e ex-deputada federal Denise Frossard, que disputou o governo do Estado pelo PPS em 2006, obtendo mais de 2,4 milhões de votos, e é candidata natural a disputar a prefeitura pelo partido.
“Seria muito importante ela vir para o lado do Gabeira”, disse a vereadora Andréa. O Valor tentou falar com a juíza, mas ela não respondeu aos recados deixados nas secretárias eletrônicas dos seus telefones. Denise Frossard dividia a liderança nas pesquisas de intenção de voto com Crivella e Wagner Montes. Mas, assim como o senador do PRB, dependerá de coligações com outras siglas para aumentar seu tempo no horário eleitoral de rádio e TV, já que o PPS dispõe de espaço limitado.
Fonte: Blog do Fernando Gabeira
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