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Tucanato diz ‘não’ aos derradeiros acenos de Lula

O PSDB enterrou na tarde desta quarta-feira (12) a enésima proposta de entendimento feita pelo Palácio do Planalto. Foi um enterro comovente. No papel de coveiros, a maioria dos 13 senadores tucanos fez cara de compunção. Sobre a cova da negociação malograda, acomodou-se um epitáfio com a seguinte inscrição: “Contem conosco mais tarde.”

Se pudessem, pelo menos sete dos 13 tucanos diriam “sim” à CPMF, atendendo aos apelos de seus governadores, à frente José Serra e Aécio Neves. Da ala do contra, ficaram em pé apenas Arthur Virgílio, Álvaro Dias, Papaleo Paes, Flexa Ribeiro, Mario Couto e Marisa Serrano.

Embora alinhado à fileira dos minoritários, Arthur Virgílio teve papel central na articulação que levou à recusa da composição. O líder tucano fez ver aos seus pares que uma meia-volta agora, aos 45 minutos do segundo tempo, levaria à cova não o tributo, mas o próprio PSDB, carbonizado pela pecha da incoerência.

Acossado pelo bafo da derrota, Lula levou à mesa três propostas caras, caríssimas ao tucanato –100% da CPMF na saúde e renovação do tributo por apenas mais um ano e redução na alíquota do tributo. Deu-se, porém, tarde demais. O PSDB já avançara demais na picada oposicionista. Reunira-se uma, duas, três vezes com o DEM e com governistas sublevados. Comprometera-se demais.

“Quero respeitar os meus governadores, mas jamais abrirei mão da autonomia da minha bancada”, disse Virgílio há pouco, em discurso no plenário. “Quebrar a minha coluna dorsal ninguém quebra. Nossa bancada teve momentos muito duros. Parte da bancada queria abrir para um acordo agora. Seria um ano de prorrogação da CPMF, alguma redução de alíquota e reforço da saúde”.

Acrescentou: “Para mim, está sendo doído. Tenho contrariado figuras estimadas. Tenho tido conversas que não têm sido as melhores com companheiros meus. É verdade também que deixei todas as condições na mão da bancada para que facilitasse a aprovação. Até sem a minha presença na liderança. Não sou obrigado a ficar líder do partido. Digo com o que possa ter de boa fé no meu coração. Não consigo dar para trás na palavra que empenhei, no compromisso que assumi”.

“Estou aliviado”, concluiu o líder dos tucanos. “Fiz exatamente o que tinha que ter feito. Se for ruim para o país, a culpa é completamente minha. Se estiver correto, é para ser partilhado com o meu partido e com outros que acreditaram que tem hora que se paga qualquer preço, mas não se ajoelha, não se curva a espinha dorsal”.

Assim, sob a ameaça de Virgílio de abandonar a liderança da legenda, todos os tucanos renovaram nesta quarta a promessa de dizer “não” à CPMF. Mas mesmo aqueles que o farão de forma convicta estão sequiosos por negociar com o governo. Mais tarde, não agora. Para o PSDB, o governo erra ao rumar para o tudo ou nada. O partido preferia que a votação não ocorresse.

Nas palavras de Arthur Virgílio, pronunciadas na noite passada, o quadro é o seguinte: “Se votar e perder tem que começar do zero na Câmara. O ano de 2008 é eleitoral. Aí mesmo é que não aprova a CPMF. Se não votar e, portanto, não perder, a matéria fica estacionada no Senado. E, eventualmente, poderia recomeçar a discussão a partir do Senado, em 2008.”

Fonte: Josias de Souza

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