Arquivo do mês: fevereiro 2009
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Poesia
A Marmita
Em sua marmita
não leva o operário
qualquer metafísica.
Leva peixe frito,
arroz e feijão.
Dentro dela tudo
tem lugar marcado.
Tudo é limitado
e nada é infinito.
A caneca d’água
tem espaço apenas
para a sua sede.
E a marmita é igual
à boca do estômago,
feita sob medida
para a sua fome.
E quando termina
sua refeição,
ele ainda cata
todas as migalhas,
todo esse farelo
de um pão que suasse
durante o trabalho.
Tudo quanto ganha
o operário aplica
como um capital
em sua marmita.
E o que ele não ganha
embora trabalhe
é outro capital
que também investe:
palavra que diz
em seu sindicato,
frase que se escreve
no muro da fábrica,
visão do futuro
que nasce em seus olhos
que só com fumaça
se enchem de lágrimas.
Em sua marmita
não leva o operário
o caviar de
qualquer metafísica.
E sendo ele o mais
exato dos homens
tudo nele é físico
e material,
tem seu nome e forma,
seu peso e volume,
pode-se pegar.
Seu amor tem saia
pêlos e mucosas
e, fecundo, faz
novos operários.
As coisas se medem
pelo seu tamanho:
sono, mesa, trave.
No trem ou no bonde
nenhum operário
pode se espalhar
sem fazer esforço.
É como no mundo:
— tem que empurrar.
Vasilhame cheio
de matéria justa,
sua vida é exata
como uma marmita.
Nela cabe apenas
toda a sua vida.
E não cabe a morte
que esta não existe,
não sendo manual,
não sendo uma peça
de recauchutar.
(Artigo infinito,
sem ferro e sem aço,
qualquer um a embrulha
sem usar barbante
ou papel almaço.)
Fabril e imanente
o operário vive
do que sabe e faz
e, sendo vivente,
respira o que vê.
O tempo que o suja
de óleo e fuligem
é o mesmo que o lava,
tempo feito de água
aberta na tarde
e não de relógio.
E a própria marmita
também é lavada.
E quando ele a leva
de volta pra casa
ela, metal, cheira
menos a comida
do que a operário.
Ledo Ivo

O Poeta
Nasceu no dia 18 de fevereiro de 1924, em Maceió (AL). Em 1940, transferiu-se para Recife, onde passou a contribuir com a imprensa local e a conviver com um grupo literário de que faria parte Willy Lewin, o qual haveria de exercer grande influência em sua formação cultural.
Em 1944, estreou na literatura com As Imaginações, poesia, e no ano seguinte publicou Ode e Elegia, distinguido com o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras. Nos anos subseqüentes, sua obra literária avoluma-se com a publicação de obras de poesia, romance, conto, crônica e ensaio.
Quinto ocupante da Cadeira nº 10, eleito em 13 de novembro 1986, na sucessão de Orígenes Lessa e recebido em 7 de abril de 1987 pelo acadêmico Dom Marcos Barbosa. Recebeu os acadêmicos Geraldo França de Lima, Nélida Piñon e Sábato Magaldi.
É sócio efetivo da Academia Alagoana de Letras, sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, sócio efetivo da Academia Municipalista de Letras do Brasil, sócio efetivo da Academia Brasileira de Letras do Brasil, sócio honorário da Academia Petropolitana de Letras; sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.
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Gene Kelly – I’m singing in the rain
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Para lembra-lo no dia de seu falecimento, 2/2/1996. Não seria tão impossível que estivesse entre nós, pois estaria com 97 anos! Vamos lá com o inesquecível “Dançando na chuva” e a genialidade do artista.
Não se apressem com o “irritante” mas utilíssimo YouTube, deixem primeiro carregar o vídeo todinho, só depois assistam. ´É muito melhor sem aquelas interrupções. Abaixo uma pequena biografia de Gene Kelly.
Kelly, na verdade Eugene Curran Kelly, foi um astro dos musicais da década de 50. Entre eles, destacam-se Sinfonia de Paris (1951), baseado num balé de George Gershwin, que recebeu oito Oscars, e Cantando na Chuva (1952), no qual foi protagonista e coreógrafo.
Um dos pontos altos de sua carreira ocorreu em 1960, quando colaborou com o balé da Ópera de Paris em Pas de Dieux. Kelly realizou, em 1969, a versão cinematográfica do musical Hello Dolly, com Barbra Streisand.
Gene Kelly era dono de um histrionismo irrefutável..não obstante a fama de Fred Astaire, que viveu na mesma época, Gene tinha o dom de flutuar romantica e sensivelmente nas telas do mundo..possuia um equilibrio fora dos padrões de todos seus concorrentes.
Gene Kelly tinha alma, por isso jamais será esquecido por todas gerações. “Cantando na Chuva” é algo antológico, e, toda vez que chover, alguém se lembrará dele…fantasticamente inesquecível!
Gene nasceu na Pensilvânia em 23/08/12, falecendo em Los Angeles em 2/2/1996.
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Picasso

A menina com bandolim - 1915
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“Com a desculpa da inadimplência, os bancos continuam a cobrar juros pornográficos e batendo recordes de faturamento, sob o olhar impotente do governo Lula”. Elias Skaf (eskaf@hotmail.com)
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