Arquivo do mês: abril 2008

O TERCEIRO MANDATO EM CURSO…

Terceiro mandato de Lula é plano A’, diz petista

Membro do diretório nacional do PT, o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, já se anima a dizer em público algo que um número crescente de companheiros de partido sussurram entre quatro paredes: “O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.”

Expressando-se no plural, João Paulo afirma: “Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a proposta de emenda constitucional do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil […]. Vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula, para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.”

Em menos de uma semana, o prefeito petista é o quarto personagem a desfraldar, nos arredores de Lula, a bandeira do terceiro mandato. O primeiro foi o vice-presidente José Alencar (PRB). Depois dele, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Na seqüência, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) voltou à boca do palco para informar que apresentará, nos próximos dias, a emenda que abre uma janela para a continuidade.

João Paulo preside a FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Nesta sexta (4), a frente realizou, em Niterói (RJ), sua 52ª Reunião Geral. Foi o repórter Ricardo Miranda, que acompanhava o encontro para o diário Correio Braziliense (só para assinantes) quem ouviu o prefeito petista sobre Lula e 2010. Vai abaixo a entrevista, veiculada neste sábado (5):

– O senhor defende o terceiro mandato?
Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a PEC do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil. Acho que foi normal quando se defendeu um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso, por isso vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.

– A bandeira é luta isolada de algumas poucas pessoas dentro do partido ou já conta com apoios de peso?
Não tratei disso diretamente com o presidente Lula em nossa conversa (semana passada, em Recife). Mas acredito que, pelo momento extraordinário que o Brasil está vivendo, pelo nível de estabilidade, não podemos arriscar perder este momento da história política e econômica do Brasil. Um filho do povo fazendo uma extraordinária gestão, dando estabilidade financeira ao Brasil, gerando empregos, levando o desenvolvimento a patamares que há muito não se via.

– Já combinaram isso com o presidente?
O presidente até hoje tem se colocado como um soldado do partido e tem o sentido de missão. Acredito que ele será sensível ao clamor não apenas do PT, mas dos partidos que essencialmente formam sua frente. Entendemos que a Presidência da República tem um nível de stress muito grande, muita tensão, onde se percebe claramente o que nós chamávamos na ditadura militar de “ódio de classe”, onde se vê setores do DEM e do PSDB com o preconceito estampado em cima do presidente.

– Fala-se que a ministra Dilma seria o nome favorito do partido.
O partido ainda não acumulou uma discussão mais profunda sobre esse tema. Mas o terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.

– Um terceiro mandato agora não seria um golpe?
Golpe “eles” deram na ditadura militar, aquilo era golpe. Se o terceiro mandato fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo mandato de Fernando Henrique.

– Qual a diferença?
Não podemos fazer política com dois pesos e duas medidas.

Fonte: Josias de Souza

POESIA

Fortaleza dos Reis Magos

Em frente o mar, fervendo e espumando de ira,
na nevrose do ódio, em convulsões rouqueja
e contra a Fortaleza imprecações atira
e blasfema e maldiz e ameaça e pragueja.
Todo ele se baba. E se arqueia e delira,
na fervente paixão de vencê-la…Peleja.
Ergue o dorso e se empina e se estorce e conspira
e cai, magoando os pés daquela que deseja.

A Fortaleza altiva, agarrada às raízes,
nem parece sentir as fundas cicatrizes,
dos golpes com que o mar o seu corpo tortura.

Evocando o passado, avista as sentinelas,
no cruzeiro do sul a cruz das caravelas
a as flechas de Poti rasgando a noite escura.

Palmyra Wanderley

Palmyra Guimarães Wanderley, filha de Celestino Carlos Wanderley e de Anna Guimarães Wanderley. Nasceu em 6 de agosto de 1894, na Cidade do Natal – Rio Grande do Norte. Publicou na juventude, o primeiro livro de versos, Esmeraldas (1918), bem aceito pela crítica.

Em 1914 foi uma das fundadoras da revista A Via Lactea, primeira revista feminina da cidade, com vida curta, desapareceu em 1915. Colaborou nos jornais e revistas: A’República; A Imprensa; União (RJ); Revista Feminina e Revista Moderna (SP); Paladino do Lar (BA); Estrella (CE); e outras.

Roseira Brava, sua segunda edição, sob a responsabilidade da Fundação José Augusto, ganhou Menção Honrosa da Academia Brasileira de Letras e recebeu de Florence Carll, em Limois, um pedido do Roseira Brava, para figurar na sua tese sobre poetas latino-americanos.

ROLLING STONES

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Cantando “Angie”, sucesso antigo e grupo bem jovem!

ALDEMIR MARTINS

ALDEMIR MARTINS - O CANGACEIRO - 1999

Aldemir Martins (1922 — 2006) foi um artista plástico brasileiro, ilustrador e pintor e escultor autodidata, de grande renome e fama no país e exterior. No Ceará, participou do Grupo Artys e da Sociedade Cearense de Artistas Plásticos (SCAP), cuja atividade estava voltada para a renovação modernista no estado, juntamente com Antônio Bandeira, Inimá de Paula, Mário Barata, Barbosa Leite, João Siqueira, Luís Delfino, Raimundo Campos e Zenon Barreto entre outros.

Em 1946, mudou-se para São Paulo. Sempre se dedicou a temas relativos ao Nordeste brasileiro que, em geral, foram tratados de maneira estilizada e lírica. Em 1950, fez o Curso de Gravuras do Museu de Arte de São Paulo. Nessa época, sua produção também retratava o Nordeste, porém de forma severa e dramática.

FRASE_3/5

“Em política, o que não é possível é falso.”

Antonio Cánovas del Castillo, político espanhol

CHARGE MYRRIA

Fonte: chargeonline.com.br/Myrria

AUDITOR DO PT FISCALIZOU PSDB; OS DADOS VAZARAM

Num instante em que o governo busca explicações para o vazamento dos dados que compõem o dossiê com gastos da era FHC, descobre-se algo que deve intoxicar ainda mais as relações do governo com a oposição: a Receita Federal destacou um auditor ligado ao PT para varejar a contabilidade do PSDB.

Deve-se a descoberta ao repórter Leandro Loyola. A notícia consta da última edição da revista Época (só para assinantes). A exemplo das despesas de Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, os dados fiscais do PSDB são protegidos por sigilo legal. A despeito disso, vazaram. Foram às páginas da Folha, em reportagem veiculada no dia 19 de fevereiro de 2008.

O jornal obteve e divulgou, legitimamente, informações com alto grau de interesse público. Levou aos seus leitores detalhes de infrações que o fisco atribuíra ao tucanato. Revelou, por exemplo, que o partido fora autuado em cerca de R$ 7 milhões. Uma das irregularidades apontadas referia-se à inclusão de R$ 476 mil em notas fiscais frias na contabilidade da campanha presidencial de José Serra (PSDB-SP), em 2002.

Chama-se Julio Severino Bajersk um dos auditores que a Receita destacou para verificar a regularidade das contas do PSDB. Executou o trabalho em parceria com a colega Maria Aparecida Gerolamo. Bajersk tem ligações notórias com o PT. Nas eleições de 2004, candidatara-se, sob o guarda-chuva da legenda de Lula, a uma cadeira de vereador, no município gaúcho de Santo Ângelo.

Clique aqui para ler na íntegra
Fonte: Josias de Souza

VIA COSTEIRA

VIA COSTEIRA - NATAL/RN

Via Costeira com o Morro do Careca ao fundo

Editorial da Folha de São Paulo

Dilma fala

Tom enfático da ministra não disfarça desgaste com episódio do dossiê e necessidade de isenção ao apurar o vazamento

DEPOIS DE UMA SEMANA de desencontros e desgastes, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, veio a público para apresentar pessoalmente sua visão a respeito do emaranhado caso do dossiê contendo dados sobre despesas do governo FHC.

A necessidade de um pronunciamento oficial sobre o tema fazia-se sentir com especial urgência depois de esta Folha ter publicado, em fac-símile, um trecho das planilhas do dossiê.

Na entrevista, Dilma Rousseff afirmou que o trecho reproduzido pela Folha era diferente daquele entregue pelo jornal à sua assessoria, na véspera da publicação da reportagem. Com isso, deixava implícita uma suspeita de manipulação nas informações apresentadas pela Folha.

Os documentos, entretanto, são idênticos. A única alteração realizada foi rasurar os dados do arquivo que permitissem identificação da fonte da informação. O que mais uma vez se verifica, nessa insinuação, é a incapacidade do atual governo de lidar com seus desacertos -e sua propensão a ver na imprensa não um fundamento da democracia, mas uma fonte de perturbação a ser intimidada e combatida.

Clique aqui para ler na íntegra.

Artigo publicado n’O METROPOLITANO. Nas bancas

Nunca antes neste país se mentiu tanto

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O vazamento do sigilo das contas da Presidência da República, divulgando gastos de Fernando Henrique e de Ruth Cardoso, repete o que o ex-ministro Antonio Palocci fez contra o humilde caseiro que teve a coragem de testemunhar sua presença entre quadrilheiros de Ribeirão Preto, numa mansão do Lago Sul de Brasília.

Não é, portanto, a primeira vez que o PT-governo, com a divulgação do Dossiê FHC, fere os direitos constitucionais dos cidadãos. O que há de diferente é que nunca antes neste país se mentiu tanto: até agora temos uma meia dúzia de cinco ou seis versões para o fato. Senão vejamos:

A ministra Dilma Rousseff esbravejou afirmando que não havia um dossiê, ao mesmo tempo em que o ministro Tarso Genro dizia tratar-se de um relatório para uso interno do Planalto. A segunda interpretação veio da própria Dilma, levantando uma questão semântica, ao dizer que não se tratava de um “dossiê”, mas de um “banco de dados” levantado a pedido do Tribunal de Contas da União.

O TCU desmentiu a Ministra, e depois vem “unha e cutícula” como diz o líder do DEM no Senado, José Agripino. Erenice Guerra, a auxiliar de Dilma, confirmou a existência do “Banco de dados” para atender prováveis requerimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Cartões Corporativos. A seguir se descobre que o tal dossiê, ou relatório, ou banco de dados teve início muito antes da instalação da CPI. Com isso, surge outra variante apontando que o pedido partira da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A CCJ contesta a encomenda dos dados.

O desmoronamento célere das versões proporcionou agora, quando redijo este comentário, uma nova explicação: já não é um banco de dados, nem um relatório; voltou a ser um dossiê, preparado clandestinamente por um elemento infiltrado no governo pelos tucanos, com a interpretação paralela da possibilidade do subversivo se tratar de um aparelhado-traidor do sistema lulista-petista.

Como se vê este espetáculo de embromações, trapaças e embustes, vai entrar no Livro dos Recordes, suplantando todas as manifestações de tramas ardilosas dos pelegos, do achacamento de bicheiros, do assassinato de correligionários, das sanguessugas, do mensalão e do Dossiê Vedoin. Não é difícil represar esse turbilhão de serviços malfeitos e intrigas: basta o presidente Lula da Silva abrir suas contas e as dos seus familiares nos cartões corporativos.

Se é que não ocorram ilícitos inomináveis que atemorizem o Presidente seria isto o correto. Abrir tudo desde a criação dos cartões até hoje. Levar ao conhecimento público os gastos de FHC e de Lula, com abrangência aos seus dependentes. Caso Lula resista a mostrar suas despesas, a oposição parlamentar continuará a azucrinar a vida dos governistas, procurando inclusive a Procuradoria-Geral da República.

Confiante na impunidade, a ministra Dilma quer amenizar a crise com o paliativo de uma “comissão de sindicância” para identificar o autor clandestino do dossiê e do vazamento para a imprensa. Mas a comissão constituída é uma gracinha. Tem a participação de Edimar Fernandes de Oliveira, corregedor-geral substituto da Advocacia Geral da União (AGU) que já mostrou uma insignificante atuação no caso Waldomiro Diniz, de fim melancólico. Outro componente é Waldir João Ferreira da Silva Junior, corregedor-geral adjunto da União para a Área Social e o terceiro membro é Carlos Humberto de Oliveira, conselheiro do Fundo Nacional de Segurança Pública, dependente hierárquico de Dilma e Erenice.

Este grupo de trabalho não chega a ser uma nuvenzinha no céu de brigadeiro em que dona Dilma voa tranqüila. E cada vez mais arrogante, como se viu na sua bravata ao dizer que “não perde tempo indo ao Senado, pois tem mais o que fazer”… Esperamos que os senadores não baixem a cabeça mais uma vez.