Arquivo do mês: fevereiro 2008

POESIA

Quando o Carnaval Chegar

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não possofalar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar

Chico Buarque

100 ANOS DE FREVO!

FOTO FREVO HILTON MARQUES

Foto: Hilton Marques

Curiosidades sobre Carnaval

Escola foi para avenida sem alegorias

No carnaval da Império Serrano de 1972, “Alô, Alô, Tai Carmem Miranda” a Escola do saudoso Mestre Fuleiro chegou com suas alegorias praticamente nuas na concentração, deixando os componentes da Escola da Serrinha, tristes e preocupados.

De repente, Fernando Pinto, o carnavalesco, foi montando folhagens, bichos, coqueiros que estavam embrulhados em plásticos, transformando os esqueletos das alegorias em uma deslumbrante e linda floresta. Era o gênio de Fernando Pinto que começava despontar. A Escola de Samba Império Serrano foi Campeã com um carnaval que ninguém se esqueceu até hoje.

ALCEU VALENÇA CANTA

Mandei fazer a minha fantasia
Alegoria de papel crepom
Que é pra você durante esses três dias
Me curtir todinha
E ao romper do som
Aprender na escola que é a rua
Ver a verdade nua
E não sair do tom

Pagar pra ver qual é
A barra de ser o que é
Ser pra você igual
Na vida e no carnaval
Meu negro tirei a máscara
Que até agora escondeu
Meu sentimento a mais rara
Das jóias que Deus me deu

Valério volta a falar de ligados ao mensalão

Durante o interrogatório ao qual é submetido na Justiça Federal de Minas Gerais desde as 14 horas, o publicitário Marcos Valério confirmou nome de outros acusados ligados aos partidos que teriam recebido dinheiro dos empréstimos feitos por ele mesmo nos bancos Rural e BMG. O publicitário responde por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.

Durante o interrogatório, Marcos Valério voltou a afirmar que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares autorizava o pagamento de quantias em dinheiro e selecionava as pessoas que recebiam. Ao prestar depoimento, Delúbio afirmou que os empréstimos pagavam dívidas de campanhas do PT.

Fonte: claudiohumberto.com.br

FRASE DA VEZ_2/1

“O povo toma pileques de ilusão com futebol e carnaval. São estas as suas duas fontes de sonho.”

Carlos Drummond de Andrade, poeta

CASCUDO É TEMA DE ENREDO

Câmara Cascudo é o tema do enredo deste ano da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo.

Um vôo da Águia como nunca se viu! Também somos folclore do nosso Brasil! é o título do samba-enredo que homenageia o estudioso e comemora os 110 anos de seu nascimento.

Cascudo já havia sido homenageado, indiretamente, no carnaval carioca, em 1999. Naquela ano, a cidade de Natal, onde ele nasceu e sempre morou, completava 400 anos e foi tema do enredo da Salgueiro.

CÂMARA CASCUDO

Nenê de Vila Matilde será a última escola a desfilar na primeira noite – sexta, 1º de fevereiro – de apresentação do Grupo Especial.

O samba da escola paulistana é uma composição de Seu Nenê, fundador e presidente de honra, Adriano Bejar e Sulu.

Conjunto Patati Patatá

Canta “Dona Baratinha” de Braguinha…

O CARNAVAL DA VIRADA DO SÉC. 19 PARA o 20

Entrudo: brincadeira de origem colonial em que se molhava ou enfarinhava os outros. Na sua versão mais comportada, a água, perfumada, era esguichada de esferas ocas feitas de cera ou borracha, chamadas limões-de-cheiro

Zé-pereira: manifestação popular acompanhada de bumbos e “tambores de latas de biscoito rufando à toda força”

Velho: fantasia que consiste numa cabeça de velho equilibrada nos ombros de um capoeira. O folião descrevia elaborada coreografia

Diabinho: bem diferente das fantasias de Lúcifer dos salões elegantes, era portada por escravos e trabalhadores pobres. Associada por alguns jornais aos negros capoeiras e aos tumultos

Cucumbi: folguedo de escravos e negros forros em que se celebrava a vitória do herói africano sobre uma tribo inimiga, vestida de penas como os índios brasileiros

Guerra às cartolas: consistia principalmente em derrubar e destruir cartolas alheias. A prática muitas vezes terminava em charivaris ou na delegacia

Grandes Sociedades: apesar de sua origem boêmia, esses grupos organizados de foliões acabaram relacionados às elites e aos intelectuais. Inspirados nos carnavais europeus, traziam para a rua grandes carros alegóricos e fantasias requintadas. Os mais famosos foram os Democráticos, os Fenianos e os Tenentes do Diabo

Ranchos: de origem humilde, também apresentavam alegorias sobre carroças. Havia uniformidade de enredo e um amplo naipe sonoro, que incluía cordas e sopro. De par com os cordões, é tido como pai das atuais escolas de samba. Mais conhecidos: Ameno Resedá, Recreio das Flores,

Afoché Cordões: muitas vezes confundidos com os ranchos, saíam no chão ao som de uma batucada sincopada. A defesa do estandarte muitas vezes causava brigas entre facções rivais. Rompe e Rasga, Tira o Dedo do Pudim e Nação Angola são alguns deles

Rua do Ouvidor: elegante e estreita, era a principal via dos desfiles, até ser destronada pela avenida Central. As sacadas de seus sobrados eram alugadas a “peso de ouro”. Situa-se no centro do Rio

CHARGE DO JORGE BRAGA

Fonte: chargeonline.com.br/Jorge Braga