Arquivo do mês: agosto 2007

Comentário (VI)

Sobe-e-desce

“Deitado eternamente em berço esplêndido…”, diz uma estrofe de nosso Hino Nacional. Nosso excelentíssimo presidente, senhor Lula, e seus asseclas estão deitados no “berço esplêndido” do poder, do qual se apossaram. Entretanto, chegará o dia em que eles deverão levantar-se de seu imerecido repouso, pois o poder é efêmero. Só a eternidade é eterna, senhor Presidente. A propósito, numa época em que abundam frases e gestos torpes e imorais, permito-me sugerir ao nosso digníssimo presidente que reflita um pouco (caso não se canse, obviamente) sobre a frase que o agora desempregado brigadeiro José Carlos Pereira proferiu ao comentar sua saída do comando da Infraero: “Tudo que entra sai. Tudo que sobe desce.” O senhor Lula um dia subiu a rampa do Palácio do Planalto para entrar na “Ilha da Fantasia”. Chegará também o dia em que voltará à realidade da planície, descendo a rampa do palácio, para nela não voltar mais a subir. Os brasileiros honestos e éticos aguardam tal ocasião com esperança, que o senhor Lula não conseguirá destruir”.

Paulo César Corrêa (pcorea@hotmail.com)

INFORMAÇÃO (2)

“O ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, defende o fim do voto obrigatório. E tem toda razão para fazê-lo. Na verdade, para muitos eleitores brasileiros, o ato de votar já se tornou um grande sacrifício, tal o baixo nível da grande maioria dos candidatos, independentemente dos partidos e dos cargos que disputam. Além disso, voto obrigatório facilita a existência do voto de cabresto e torna mais barata a eleição de péssimos candidatos”.

Sergio N. Lopes, jornalista

Comentário (V)

Greve no MinC

“Será que o ministro compositor e cantor itinerante tem conhecimento da greve (ou férias) de mais de dois meses dos servidores do Ministério da Cultura? E mais: que pretendem voltar ao “trabalho” por dez dias, após fazerem uma (re)avaliação do movimento, depois de terem conhecimento da nova proposta salarial a ser apresentada pelo Ministério do Planejamento? Acredito firmemente que o senhor ministro não saiba, pois está sempre na estrada com seu violão a tiracolo, relaxando e gozando… E o senhor Luiz Inácio da Silva, presidente de “todos” os brasileiros, será que tem conhecimento de todas as peripécias do ministro cantor e dos servidores em greve? Aguardo as respostas, se possível”.

Antonio M. Gonzales Sotello (tomsotello@uol.com.br)

FRASE DA VEZ_4/1

“Sou líder de uma organização onde há filhos de gente muito importante do PIB, mas ninguém teve preconceito comigo”.

Roberto Koloszuk, empresário e presidente do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp

O embate, na verdade, é elite vs. elite

“…É desonesto tentar caracterizar o atual confronto oposição/governo como uma contenda da elite contra o povão. Nada mais é que elite x elite. É desonesto, por exemplo, apresentar Luiz Inácio Lula da Silva como líder metalúrgico. Faz um quarto de século que Lula deixou de sê-lo (mais, na verdade, porque, como presidente de sindicato, já não pegava no torno). Entrou para a elite. Ou alguém aí conhece outro ex-metalúrgico que tenha renda para comprar um apartamento parecido com o de Lula e, de quebra, ter sobra de dinheiro para investimentos financeiros como os declarados pelo presidente? Não, não é crítica a Lula. É elogio.

É bacana ver alguém ascender na vida por seus meios e sua luta. Mas usemos os rótulos adequados, não uma falsificação. Marta Suplicy, por acaso, é operária? Aloizio Mercadante é camponês? Ricardo Berzoni é sem-teto? Essa gente toda faz -sempre fez- parte da elite. Nos governos anteriores, era a contra-elite, assim como a oposição atual é a contra-elite do momento. Um governo em que as principais políticas econômicas são determinadas por um banqueiro como Henrique Meirelles é contra a elite? Francamente ridículo”.

Clóvis Rossi, jornalista

OPINIÃO: Mais uma vez Rossi acerta na mosca. Enquanto alguns colegas caem na defensiva tentando explicar o significado do vocábulo “elite” (eu próprio escorreguei nessa casca de banana) o texto acima é objetivo. Este esclarecimento acaba de uma vez por todas com a farsa “dos trabalhadores”. A pelegagem, com Lula, foi ao paraíso dos fundos de pensão, agências reguladoras, diretorias, assessoria, o diabo! E são piores do que a burguesia paulista, porque são “emergentes” e “emergente” é uma palavra vale por mil imagens… Alguém se julga mais “elite” do que um emergente? MIRANDA

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INFORMAÇÃO

Lula cancela ida a 12 estados

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou viagem que faria amanhã ao Pará e não irá a outros 11 Estados para anunciar investimentos previstos no PAC. As viagens serão substituídas por um evento conjunto, previsto para sexta-feira em Brasília. A presidência nega que a alteração tenha por objetivo poupar o presidente de novos protestos, após vaias na abertura dos Jogos Pan-Americanos e no nordeste. Com o evento em Brasília, ficarão faltando anúncios de investimentos para Rio Grande do Sul e Paraná”.

FRASE DA VEZ_3/1

“O êxito de Nelson Jobim na Defesa tiraria o governo das cordas e credenciaria o ex-presidente do STF a ser um protagonista em 2010”.

André Singer, jornalista e cientista político

Publicado áudio da cabine dos pilotos da TAM

As últimas falas dos pilotos com a torre de vôo já estão publicadas. É mais um momento de dor aos amigos, familiares e todos os que sentiram profundamente aquele acidente.

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A marca Caim da Era Lula

“Três dias depois da tragédia de Congonhas, quando enfim quebrou o seu silêncio ensurdecedor sobre a segunda catástrofe do gênero em 10 meses, Lula anunciou, entre outras medidas para normalizar o sistema de aviação comercial no País, a construção de um novo aeroporto na região de São Paulo, em um local a ser definido em 90 dias. Procurada naquela mesma sexta-feira para falar disso, a ministra foi cortante com os repórteres: “Nós jamais (sic) diremos onde será o novo aeroporto. Não somos fatores de especulação imobiliária.” Parecia não apenas que a decisão era para valer, como também que o governo tinha já alternativas em estudo.

Foi só falatório – a marca de Caim da era Lula. Anteontem, na reunião do grupo de coordenação política do governo, conduzida pelo presidente, a idéia foi remetida à repleta e empoeirada pasta “Soluções de longo prazo”. Prevaleceram, afinal, as objeções do governador paulista José Serra, que desde a primeira hora considerou a medida “pouco sensata” e disse isso ao seu amigo muito próximo Nelson Jobim. A questão, esclareça-se desde logo, não é que o governo – especificamente, o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) – tomou uma decisão muito sensata e dela recuou 10 dias depois porque um governador a criticou, ou por alguma obscura razão. (Editorial do Estadão)

OPINIÃO: É típica da vida sindical a prática do diz e do desdiz inconseqüentes. Tendo somente as assembléias gerais como órgão máximo decisório, os dirigentes sindicais (sobretudo os pelegos) dirigem a entidade “ad nutum” sem a necessidade de explicações às bases que só recebem a atenção devida quando o clamor é incontrolável. Na República, a assembléia geral deveria ser o Congresso Nacional, que cooptado por cargos, verbas e outras maracutaias. Os senadores honestos nada podem fazer. Só se lamentar. MIRANDA SÁ

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Comentário (IV)

Até agora, só Congonhas…

“A primeira medida objetiva anunciada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, derrubou uma das únicas medidas objetivas anunciadas pelo presidente Lula no pronunciamento à nação de 20 de julho, a construção do um novo aeroporto em São Paulo.As outras eram as seguintes: mudança do perfil operacional de Congonhas, “fortalecimento” da Anac, modernização do sistema de tráfego aéreo, exigência às empresas de aviões e tripulações sobressalentes para “casos de emergência” e inquérito da PF sobre as causas do acidente.Destas, só a operação em Congonhas foi posta em prática. A investigação policial já subiu no telhado porque os aeronautas querem a polícia fora das investigações”.

Dora Kramer, (dora.kramer@grupoestado.com.br)