Arquivo do mês: agosto 2007

FRASE DA VEZ_2/3

“Aquela pergunta que não quer calar: democracia é um regime em que os esfolados contribuintes e cidadãos só podem abrir a boca para concordar com o governo?”

Tereza Sayeg (tsayeg@terra.com.br)

Comentário (III)

Reação dos petistas a Nelson Jobim

O “desconforto” do PT com a presença de Nelson Jobim no governo não guarda relação, como alegam oficialmente os petistas, com a condição de “meio-tucano” do ministro da Defesa. Há outros bem mais híbridos no governo e nem por isso o PT se desconforta ao ponto de passar um recibo desse tamanho.O que aflige o PT é um problema de cunho eleitoral. O partido fareja a possibilidade de Jobim mais adiante se bandear para o projeto presidencial do PSDB – por exemplo, integrando como vice a chapa de José Serra – e, com isso, transferir de lado o PMDB, peça essencial para os planos petistas de continuar na presidência da República a partir de 2010.

Dora Kramer, dora.kramer@grupoestado.com.br

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No Haiti morre um soldado brasileiro

O soldado Rodrigo da Rocha Klein morreu ontem ao levar uma descarga elétrica depois de tropeçar num fio de alta tensão.

Antes dele, o general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar, que fazia parte da Missão de Estabilização das Nações Unidas (ONU), foi encontrado morto em seu quarto em janeiro de 2006.

Fonte: G1/Portal da Globo

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Renan e o assalto ao frigorífico Mafrial

O frigorífico Mafrial localizado em Alagoas e citado pelo senador Renan Calheiros como intermediário da compra de gado de suas fazendas, foi assaltado ontem por seis homens.
O estabelecimento está no centro da investigação que apura a origem dos rendimentos de Renan, suspeito de ter contas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior.
O frigorífico não tem autorização para comercializar carne, o que foi noticiado ontem pela Folha de S. Paulo, contrariando declarações do Senador que tentou explicar a venda de gado a empresas fantasmas. Ontem, o frigorífico foi assaltado, dois dias depois da fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado. Alguns funcionários do Mafrial disseram á polícia que foram perguntados sobre “os documentos do Renan” durante o assalto e que se referiram ao dinheiro encontrado no cofre, $400 reais, como “mixaria”. Não se sabe ao certo quanto foi levado e a polícia ainda está investigando.

Fonte: Folha Online

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ARTIGO PARA O JORNAL DE NATAL

Nunca, neste País, tanto cinismo

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br


O Brasil assistiu quinta–feira passada Lula da Silva declarar, de público, não saber da gravidade dos problemas no setor aéreo, atingindo o extremo limite do descaramento. Somente os aparelhados do PT-governo que substituíram mercenariamente a antiga e gloriosa militância do partido antes de chegar ao poder, podem aceitar essa desfaçatez; ou os comunistas dos irmãos Marx, satisfeitíssimos com as boquinhas que assumem na administração pública.
Nos círculos da imprensa televisiva os jornalistas lulistas-petistas se mostraram “surpresos” com as declarações do Presidente que, aliás, falou difícil, dizendo que a crise da aviação comercial, para ele, foi como “uma metástase que o paciente não sabia”… Metástase é o seu fracasso como governante, somente descoberta depois que o povo carioca, no Maracanã, cobriu-o de vaias.
Não satisfeito com tanta hipocrisia e oportunismo, Lula da Silva teve o despudor de comentar que só foi tomando um pouco mais de conhecimento sobre o assunto a partir do acidente com o avião da Gol, que matou 154 pessoas, em setembro do ano passado. Ele fala como se fosse uma ilha inóspita, e não um Presidente da República – supõe-se um administrador da coisa pública – cercado de auxiliares por todos os lados: Ministério da Defesa, Força Aérea Brasileira, Conac, Infraero, Cenip e a Anac, além do seu bem pago e melhor aparelhado Serviço Nacional de Informações.
Isso, para “corporativamente” deixar de lado sua Secretaria de Imprensa, ocupada por um dos mais inteligentes e eficazes jornalistas da velha guarda, Franklin Martins e ter ao seu lado a habilitada, capaz, proficiente, dinâmica, agitada e onipresente ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Dez meses se passaram do choque do Boeing da Gol com um avião Legacy em agosto do ano passado. De lá para o segundo desastre em Congonhas, com um Airbus da TAM, de frente das Câmeras de televisão que o povão assiste, Lula da Silva prometeu oito vezes que o tráfego aéreo seria normalizado e ainda não faz dez dias falou solenemente que assumia a administração da crise. Trocou o ministro Waldir Pires por Nelson Jobim; está fritando (até este momento em que escrevo o artigo) o brigadeiro Pereira, presidente da Infraero, e defendeu mudanças na agência reguladora do setor, a Anac.
Como então não tomou conhecimento da crise? Será que pensa estar falando para a fração de pelegos que dirigia em São Bernardo do Campo nos tempos de sindicalismo ou para os ignorantes garroteados na escravidão do Bolsa Família?
Lula da Silva diz besteiras diante de aspones aparelhados no governo ou claques organizadas a peso de ouro pelo agit-prop do Palácio do Planalto, e todo mundo gargalha às escâncaras. O primarismo de matuto inteligente se soma ao riso frouxo dos arrivistas que afogueiam ao pé da lareira do poder.
Depois de assumir e desassumir a promessa de fazer um novo aeroporto em São Paulo – embora não soubesse de nada sobre a crise aeronáutica – o Presidente defende agora mudanças nas agências reguladoras para permitir demissões dos comissionados indicados pelo Poder Executivo e aprovados pelo Senado Federal. O argumento é rudimentar: “Quem nomeia tem de ter o poder de demitir”, falou com o cenho cerrado no Conselho Político do Governo, diante de representantes de 11 partidos da base de sustentação.
De acordo, Lula da Silva. O povo que elege um presidente da República também deve ter o direito de derrubá-lo.

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Ditadura da incompetência

“Por que a OAB do Rio acha que o movimento “Cansei” é paulista? Por acaso os cariocas não estão pagando impostos exorbitantes? Não estão cansados de políticos corruptos e que só se lembram do povo nas eleições? Não morrem por causa de balas perdidas? Não viajam de avião? As estradas do Rio estão boas? Os hospitais públicos e as escolas funcionam bem? A lista é interminável, infelizmente! O movimento “Cansei” começou no Rio, na abertura do Pan, com as vaias ao presidente. Não é um movimento paulista, e sim brasileiro, que começou no Rio e está continuando Brasil afora.

Participei da passeata no último domingo. Fui para homenagear uma conhecida que morreu de enfarte, pois achou que o filho dela estava no prédio da TAM (não estava). Mas me senti de alma lavada ao gritar com os outros: “Exigimos respeito, relaxa e sai, fora Lula!” Lembrei-me da época de estudante, quando gritávamos: “Abaixo a ditadura!” Estamos agora vivendo a ditadura da incompetência. E todos somos vítimas. Eu cansei. O brasileiro cansou. Não importam o Estado nem a classe social. Cansamos. E estaremos na manifestação de 17 de agosto. Chega de sofrermos e morrermos por incompetência e corrupção.

Liliana Maria Brull Leme (lilibleme@yahoo.com)

OPINIÃO: Estou contigo, Liliana. Como sempre, os cariocas deflagraram o processo e os paulista organizaram-no. Também manifestarei, dia 17, meu desalento com a República dos Pelegos e o conseqüente domínio da incompetência dos administradores e o cinismo de Lula da Silva. E a estranha posição assumida pela OAB-RJ. MIRANDA SÁ

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Comentário (II)

Nunca sabe de nada…

“Na reunião do Conselho Político, o presidente Lula disse que desconhecia a gravidade dos problemas do setor aéreo. Novidade… Afinal, alguém pode me dizer o que ele não desconhecia?”

Panayotis Poulis (ppoulis@ig.com.br)

Há mais politicagem no ar do que aviões…

A crise aérea expôs com todas as letras a politicagem que domina o setor. O Poder Executivo planeja agora incluir no projeto dispositivo para permitir que o Congresso e o Palácio do Planalto proponham o “voto de desconfiança”, com o objetivo de derrubar diretores ineficientes em caso de dificuldades nas agências. “Não é possível que esses mandatos sejam imutáveis”, afirmou Lula, na reunião do Conselho Político, de acordo com relato de participantes. “Se a pessoa comete um erro, como fica?”, perguntou, ao lembrar que, na Anac, os mandatos são de cinco anos, maiores que os do presidente da República.

O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), relator do projeto que prevê a reestruturação das agências reguladoras, admitiu a necessidade de mudanças no texto. “De fato, é preciso haver uma salvaguarda, mas a possibilidade de exoneração dos diretores não pode ser simples, pois isso, causaria muito impacto no modelo de autonomia das agências”, disse Picciani. “Agora, o mandato fixo não pode servir de guarda-chuva para premiar a incompetência.” A bancada do PT na Câmara formou uma comissão, integrada pelos deputados Jorge Bittar (RJ), Walter Pinheiro (BA), Antonio Palocci (SP) e José Eduardo Martins Cardozo (SP), com o objetivo de propor mudanças no projeto.

“As agências não podem ter autonomia exagerada”, afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP), ao defender que senadores tenham assessoria técnica nas sabatinas dos indicados para ocupar cargos de direção nas agências reguladoras. “Elas não podem ser prisioneiras nem do mercado nem dos interesses políticos”, observou. Dos cinco diretores da Anac, donos de mandatos fixos, apenas um tem perfil técnico. Ao assumir o Ministério da Defesa Nelson Jobim admitiu a necessidade de mudanças na Agência. “Vamos ver se a modelagem da Anac serve para a aviação brasileira. Se precisar alterar, vamos alterar”, disse. “Não podemos ficar engessados.”

Dora Kramer, jornalista (dora.kramer@grupoestado.com.br)

OPINIÃO: Claudicando de erro em erro, Lula da Silva não faz autocrítica pelos seus desacertos. Foi ele mesmo quem vetou o artigo na MP que criou a Anac, tornando a estabilidade imexível… Também com sua assinatura foram indicados os “companheiros” estultos, ignorantes e negligentes, com o único sentido de “fazer política” na Agência; e agora vem com essa pressa de mudar as regras do jogo, apoiado numa declaração insofismável do aloprado Zé Genoíno ao enfatizar na Câmara que “as agências não podem ter autonomia exagerada. Quem não deveria ter autonomia era ele, Genoíno, impune apesarde se associar com o mafioso Marcos Valério. MIRANDA SÁ

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Comentário

Furnas

“Os últimos acontecimentos não serviram de lição. Luiz Paulo Conde vai ser o novo presidente de Furnas. Novamente o apadrinhamento político dando as cartas. Competência não interessa. Um passo importante foi dado no sentido de garantir o apagão elétrico. Paciência, só restam três anos e meio”.

Celso Battesini Ramalho (bagda@uol.com.br)

Cargos técnicos exigem ocupantes técnicos

As agências reguladoras existem em todos os países modernos e foram a forma impessoal encontrada para estabelecer normas, fiscalizar e regulamentar setores da economia anteriormente em poder do Estado. As agências são autônomas justamente para que sejam imunes às pressões dos sucessivos governos e, com isso, garantir aos investidores regras claras, transparentes e duradouras, condição indispensável para que apliquem seus recursos no setor. Essa é uma das razões por que seus diretores têm mandato e não podem ser demitidos.

O problema aparece quando, por ocasião da indicação dos nomes que comporão a sua diretoria, o próprio governo politiza a questão, preterindo os elementos com perfil técnico em favor de indicações de cunho político. Esses nomes têm de passar pelo crivo do Senado, é verdade. Mas o Senado brasileiro, por tradição, não costuma vetar indicações provindas do Executivo. Ao contrário, assina em cruz e nem se dá ao trabalho de verificar a idoneidade e a qualificação dos indicados. O caso da Anac é um exemplo típico desse mau costume.

Se os senadores se tivessem dado ao trabalho de verificar, teriam constatado que nenhum dos indicados para dirigir a agência tem a menor familiaridade com a aviação. São, isso sim, militantes políticos, cujas maiores credenciais são suas carteiras de membros do Partido dos Trabalhadores. O PT leva muito a sério essa questão de aparelhamento do Estado, que significa infiltrar seus membros em todos os espaços possíveis da administração pública. Mas tudo tem limite. Cargos técnicos exigem ocupantes técnicos.

João Mellão Neto, jornalista e deputado estadual paulista (j.mellao@uol.com.br)

OPINIÃO: Como o uso do cachimbo deixa a boca torta, o parlamentar Mellão trata do assunto sem atacar de frente o desastroso aparelhamento do governo pelo lulismo-petismo. É de lamentar que não haja um só entre os ideólogos do PT – mesmo entre os intelectuais uspeanos – alguém para levar esta crítica a Lula da Silva; não precisa atacar o “aparelhamento”, que o Presidente e a alta hierarquia do partido defendem. O problema está na escolha das pessoas, sem formação, ineptas e desqualificadas para ocupar os cargos que lhe são presenteados na administração pública. Isto é que é condenável, aqui e na Conchinchina… MIRANDA SÁ

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