Arquivo do mês: agosto 2007
Ao Debate:
Poço de cólera
“O PT quer ser o todo. Se alguém rejeita seu ideário, é elitista. Se a mídia critica, faz o jogo da direita. Facções internas vivem eterna disputa. Quadros mais equilibrados, como Tarso Genro, são patrulhados. O PT, como os adversários do tribuno Cícero, é um poço de cólera”.
Gaudêncio Torquato, jornalista (gautor@gtmarketing.com.br)
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Comentário (VII)
Cuidado. “Golpe” pode vir do outro lado
Com a pesquisa de domingo dando conta da manutenção dos índices de popularidade de Lula entre os mais pobres, o PT animou-se. Voltou a achar que pode mesmo cumprir a promessa feita outro dia por Lula em um de seus discursos e “dar uma surra” na oposição nas eleições de 2008 e 2010 e retomou o projeto de abrir espaço a mudanças constitucionais que permitam um terceiro mandato subseqüente ao atual para Lula por meio da proposta de convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para tratar de reforma política. Reforma esta que, quando tratou de assuntos como voto em lista, fidelidade e financiamento de campanhas, o PT ajudou os outros partidos a enterrar recentemente na Câmara. Reforma esta que, quando se trata de cumprir a interpretação do Tribunal Superior Eleitoral da perda de mandato aos trânsfugas partidários, recebe do PT e de quase todos os outros a mais absoluta indiferença.
Dora Krammer, jornalista
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FRASE DA VEZ_8/7
“Depois do sucesso no lançamento do último foguete brasileiro e dos processos no TCU, o senhor Sérgio Gaudenzi se credenciou perante o Presidente “não sabia de nada” Lulla para presidir a Infraero”.
Alberto Oliveira (aalloliveira@gmail.com)
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Resenha desta terça-feira dia 7.ag.07
S I N O P S E :
– O novo presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, assume o cargo prometendo pedir uma auditoria em todos os contratos firmados pela estatal com a ajuda do TCU. Mas avisa que “não é do ramo”. No Rio, a Anac resiste a liberar licença à companhia aérea TAM para operar uma linha entre o Aeroporto de Jacarepaguá e o Campo de Marte, em São Paulo.
– O ministro da Defesa, Nelson Jobim, desistiu da idéia de tirar todos os jatinhos particulares e empresas de táxi aéreo de Congonhas. A decisão tinha sido anunciada para diminuir a superlotação do aeroporto, mas parte deles continuará operando lá.
– O Bradesco fechou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 4 bilhões, 28% mais que em igual período do ano passado. É o melhor resultado para um banco privado brasileiro, nos últimos 20 anos. O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, atribuiu o aumento do lucro à queda dos juros e ao alongamento dos prazos de pagamento, que levaram empresas e consumidores a fazer mais empréstimos.
– A CPI do Apagão Aéreo do Senado vai convocar Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para depor sobre a acusação do brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, de que ela fez lobby para transferir o setor de transporte de cargas para o aeroporto de Ribeirão Preto (SP), onde o terminal é administrado por um empresário amigo dela. Em nota, Denise negou a acusação e disse que vai processar o brigadeiro. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, estuda aumentar o valor das multas aplicadas às empresas aéreas por atraso nos vôos. Ao tomar posse, o novo presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, disse que pedirá ao Tribunal de Contas que acompanhe as licitações, para tentar evitar a corrupção.
– A oposição protestou no Congresso e quer convocar o chanceler Celso Amorim para explicar por que foram deportados para Cuba os dois pugilistas que desertaram durante o Pan. O procurador Artur Gueiros criticou a decisão.
– A pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, o Supremo Tribunal Federal instaurou ontem inquérito criminal para investigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O pedido do procurador refere-se a todas as denúncias envolvendo Renan. Com a abertura do inquérito, o presidente do Senado será investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, porque tem foro privilegiado.
– “É muito difícil entender a razão da aquisição as Suzano pela Petrobrás”, disseram os analistas Tereza Mello e Juan Tavarez, do Citigroup, em Nova York. Eles calculam que a estatal pagou US$ 1 bilhão a mais pelo negócio. Na avaliação do JPMorgan, a compra é negativa porque abre espaço para a Petrobras, principal fornecedora de matéria-prima, deixar de lado a necessidade de maximização dos lucros. A Petrobras insistiu que o valor pago é razoável e justo por uma empresa em recuperação com importância estratégica e sinergias com a estatal. “É impossível estruturar o Comperj (refinaria e petroquímica, planejada para ser erguida no Rio) sem consolidar os ativos do pólo do Sudeste”, afirmou o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O projeto é avaliado em US$ 8,5 bilhões, o maior da estatal.
– CPI entra na briga entre Anac e Infraero – Senador Demóstenes Torres quer convocar Denise Abreu, diretora da Anac, acusada pelo ex-presidente da Infraero de favorecer amigo no transporte aéreo de cargas.
– Gargalos da Previdência – Governo monta operação no INSS para melhorar atendimento. Objetivo é zerar os 353 mil pedidos de benefícios ainda sem resposta e acabar com filas nas agências.
– O espanto provocado pela confirmação, no Datafolha, da estabilidade de Lula em vigorosos 48% de aprovação levou, como de hábito, ao Bolsa Família. Em síntese, a maioria dos comentários deduziu que, nas classes da carência, o efeito favorável do programa não se abala nem com a ineficiência do governo exibida no longo “apagão aéreo”, incluída a tragédia de Congonhas. É uma dedução linear, mas, se não suscita contestação, sua persistência sugere algumas ressalvas.
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Talvez Freud explique…
“Parece que o acidente da TAM agiu como catalisador de insatisfações difusas, desencadeou uma onda raivosa contra Lula, desinibiu ódios de classe, organizou anseios reacionários numa espécie de pauta embrionária do conservadorismo. O governo já é conservador, sabemos. Talvez não o bastante para quem acha que carrega o país nas costas porque paga imposto. De resto, a derrocada ética do PT, a desmoralização geral da política e o descaso prepotente do governo diante da crise aérea deram combustível à neodireita emergente.
Não são milionários (vão muito bem, obrigado). São, antes, a grande parte da elite que se vê como classe média eternamente ameaçada. Ora, praticamente 80% dos brasileiros ganham até cinco salários mínimos. É essa desigualdade brutal que está na origem da ilusão de ótica dos ricos de “classe média” que se dizem vítimas do país. Parecem ter medo, ódio e, agora, também inveja dos pobres. Razões econômicas para protestar? Talvez Freud explique”.
Fernando de Barros e Silva, articulista da Folha de São Paulo
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Costas esquentadas por quem?
“Dois anos depois de o funcionário dos Correios Maurício Marinho aparecer diante de todo o País recebendo R$ 3 mil de propina, num flagrante armado pelo lobista Arthur Wascheck, o autor da gravação é preso pela Polícia Federal exatamente por subornar funcionários dos Correios em troca de informações que lhe permitissem fraudar licitações. Muito bem, configura-se, então, sem sombra de dúvida, o caráter de briga de quadrilhas no episódio que serviu de estopim para o escândalo do mensalão. Havia mesmo, fica demonstrado, alguém interessado em expor as falcatruas de Marinho, indicado pelo PTB.
Esse alguém, conclusão óbvia, dava cobertura à ação de Wascheck e, conseqüentemente, foi também responsável pelo fato de o lobista-corruptor ter continuado a agir impunemente por mais dois anos. Afinal, até aonde a memória alcança, à época foi feita uma investigação interna nos Correios justamente para detectar a extensão das peripécias de corrupção na empresa, das quais Maurício Marinho era apenas um dos agentes.
(Agência Estado)
OPINIÃO: Este é o exemplo mais do que completo do que representa o loteamento do governo com os 300 picaretas do Congresso Nacional. Os protagonistas do episódio que enlameia dos Correios, tanto os ladrõezinhos de ponta como os seus padrinhos, “líderes partidários” que se beneficiam do dízimo; ambos acobertados pela indulgência do PT-governo e a desídia do presidente Lula da Silva. MIRANDA SÁ
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FRASE DA VEZ_7/7
“A oposição deveria organizar um meio de mostrar, em público, os principais problemas do Brasil ao Lula, dando destaque aos evidentes colapsos futuros, como o dos portos, o da Previdência, o energético, etc. Assim ele não poderá mais dizer que não sabia de nada…”
Rob de Wit (rdw_usp@yahoo.com.br)
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INFORMAÇÃO
Aécio e o veto
“O governador Aécio Neves assinou o veto integral à ampliação do foro privilegiado em Minas, iniciativa da Assembléia Legislativa para proteger 1.981 autoridades -entre elas os próprios deputados- da atuação do Ministério Público Estadual. Será a segunda vez. No início de julho, o tucano vetou o foro ampliado, que lhe chegou na forma de emenda a um projeto do Executivo. Não obstante a maioria folgada de que o governo dispõe na Assembléia, os deputados derrubaram o veto de Aécio e restabeleceram sua blindagem, desta vez por meio de emenda a um projeto do Ministério Público. De lá para cá, o caso ganhou repercussão nacional”.
Renata Lo Prete, jornalista
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O Cruzeiro, 19 de setembro de 1959
Há quase 50 anos, as garotas já chamavam atenção no futebol…Vamos rememorar!




Fonte:memoriaviva.com.br/site do Millôr
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COMENTÁRIO (VI)
Se o senador Renan Calheiros tem conhecimento de atos ilícitos praticados por empresas públicas ou privadas, ações ao arrepio da lei, e, como agente público, não tomou providências para denunciar e estancar estas ilegalidades, no mínimo pode ser indiciado por prevaricação.
A nós, como eleitores e contribuintes, só resta pedir ao senador Calheiros que conte tudo, não esconda nada, revele todas as malfeitorias dos senhores senadores e senhoras senadoras. Revele todas as malfeitorias praticadas por empresas públicas e privadas. Os eleitores brasileiros só têm a lucrar. Sem contar a economia.
Pois não custa lembrar que são os impostos pagos pelos eleitores brasileiros que custeiam essa verdadeira farra do boi. Fale, senador Renan, revele tudo. Será muito educativo, tenho certeza.
Lúcia Hipólito, historiadora e cientista política.
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