Arquivo do mês: julho 2007

ANVISA quer que farmácias vendam só remédios

“A atuação polêmica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) neste segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha agora um novo foco, com a intenção de seu presidente, Dirceu Raposo de Mello, de modificar profundamente a forma de trabalhar de farmácias e drogarias. Desde sexta-feira passada, está aberta a consulta pública uma resolução que pretende proibir esses estabelecimentos de vender produtos que não tenham vínculo com a “promoção à saúde”. Isso significa tirar das prateleiras biscoitos, chicletes, picolés, cartões telefônicos etc.” (Pelos jornais)

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O “novo” senador Gim sob investigação

“Um dia após a posse de Gim Argello (PTB-DF) no Senado, o corregedor da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), reafirmou que vai requisitar a órgãos públicos informações que possam comprovar “falcatruas” das quais o novo senador é suspeito de ter participado enquanto foi deputado distrital, de 1999 a 2006. “A própria circulação de notícias na imprensa e mais o dossiê apresentado hoje por cinco partidos fazem referência a falcatruas que ele teria praticado na Câmara Legislativa [do Distrito Federal], inclusive fraudando, segundo eles, três leis. A gente tem como buscar essas informações nos locais indicados e requisitar toda essa materialidade”, disse Tuma”. (MS/CB)

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PELOS JORNAIS DE HOJE (19.jul.07)

Vidas roubadas pelo descaso

“A dignidade das vítimas do acidente com o Airbus da TAM e seus parentes continua sob escombros. Autoridades aeronáuticas e a companhia aérea passaram o dia num exercício intensivo, que começou de madrugada com as famílias dos mortos, de protelar explicações. De real, só a dor da perda. E o silêncio dos que acompanhavam o trabalho de resgate, numa reverência aos que ainda estavam soterrados em meio a ferragens e concreto. Enquanto corpos eram recolhidos, dezenas de aviões voltaram a decolar normalmente de Congonhas, sobrevoando a memória dos que padeceram na maior tragédia aérea do país. Com frieza em relação à vida, parlamentares aproveitaram para politizar as investigações”. (Jornal do Brasil)

Mortes na tragédia chegam a 192

“Pelo menos 192 pessoas morreram no acidente com o Airbus da TAM em Congonhas. Os mortos são os 186 ocupantes do avião – na véspera, a empresa informara 176 – e seis no solo. Há três desaparecidos. Até ontem à noite, 177 corpos foram resgatados. Mais três pessoas morreram em hospitais. O aeroporto foi reaberto pela manhã, 12 horas depois do desastre”. (Folha de São Paulo)

181 corpos retirados; MP pede fechamento de Congonhas

“Depois da maior tragédia da aviação brasileira, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição de Congonhas, até a conclusão das investigações sobre o acidente com o Airbus da TAM. Procuradores alegam que o fechamento do aeroporto é crucial para garantir a segurança de passageiros, funcionários de companhias aéreas e moradores da área do aeroporto. Antes mesmo de decisão judicial, a Aeronáutica decidiu manter interditada a pista principal até amanhã. A TAM informou ontem que havia 186 pessoas no Airbus, e não 176 como informara na véspera. Até o início da noite, 181 corpos tinham sido retirados dos escombros do prédio da própria TAM atingido pelo avião. Além de passageiros e tripulantes, morreram pelo menos duas pessoas que estavam no edifício. O governador José Serra disse que vai pedir ao governo federal a redução do número de vôos em Congonhas. O presidente Lula informou a auxiliares que pretende afastar a cúpula da Infraero; ele não vê ligação entre o acidente e a crise aérea”. (Estadão)

Infraero, Anac, Decea, Cindacta, FAB… e não se sabe o que houve

“Uma extensa burocracia, representada por uma sopa de letras das siglas de mais de dez órgãos oficiais, não foi capaz ontem de apontar na mesma direção na investigação das causas da maior tragédia da aviação brasileira. O mesmo já acontecia com o acidente da Gol, ano passado. As principais autoridades, a começar pelo presidente Lula e o ministro Waldir Pires, não apareceram em público. O presidente da Anac, a agência que regula o setor e autorizou a utilização desordenada de Congonhas, Milton Zuanazzi, sumiu e só fala através de nota oficial. O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, tampouco apareceu. O chefe do Centro de Investigação da Aeronáutica (Cenipa), brigadeiro Kersul Filho, disse ser pouco provável que o excesso de água na pista tenha causado o acidente – mas os pilotos insistem nisso. As hipóteses de falha humana ou mecânica estão sendo consideradas, segundo ele, porque o avião estava acelerando, ao invés de frear, ao pousar. O Ministério Público pediu o fechamento de Congonhas. No vácuo de autoridades, um trabalho não parou: a contagem dos mortos. Já foram retirados 179 corpos, mas o número exato deve passar de 200”. (O Globo)

Em busca dos culpados

“A maior tragédia da aviação nacional provocou uma reação imediata em busca dos responsáveis pela morte de mais de 186 pessoas. As primeiras investigações indicam três hipóteses para o acidente com o vôo 3054 da TAM: falha do piloto, pane no avião ou problemas na pista do aeroporto de Congonhas. Fontes da Aeronáutica revelam que o piloto, ao tentar arremeter o avião, teria tocado uma mureta de proteção na pista de Congonhas. Sem estabilidade, o Airbus de 62 toneladas se chocou com o prédio da TAM Express. Em São Paulo, peritos ouvidos pelo Correio relatam que o avião da TAM demorou apenas seis segundos desde o momento em que saiu da pista até se espatifar no edifício da companhia. Fortemente pressionado por causa de mais um capítulo trágico da crise aérea, o governo determinou a abertura de inquérito para identificar se a pista de Congonhas foi liberada dentro das normas de segurança”. (Correio Braziliense)

Advogados ganham com apetite de fundos

“O crescimento das operações de fundos de private equity, que compram participações em empresas no Brasil, está movimentando também os grandes escritórios de advocacia e representa mais de 30% das operações de fusões e aquisições de algumas bancas. “É um nicho que tende a crescer. O mercado está muito aquecido”, afirma Maria Cristina Cescon Avedissian, do escritório Souza, Cescom Avedissian, Barrieu e Flesh. No Demarest & Almeida, as operações de private equity representam entre 30% e 40% do total de operações de fusões e aquisições realizadas pelo escritório. “Boa parte das operações (de fusões e aquisições) tem a participação de um fundo de private equity”, afirma o sócio do escritório José Dias. Há dois anos, o total dessas operações não representava mais de US$ 300 milhões”. (Gazeta Mercantil)

Tragédia de Congonhas tira fôlego do setor aéreo

“O trágico acidente com o Airbus da TAM, que provocou a morte de quase 200 pessoas em São Paulo, deve ter forte impacto econômico no setor aéreo brasileiro, que já se ressente das conseqüências da queda do Boeing da Gol, em setembro do ano passado. Ontem, as ações preferenciais da TAM foram as que mais caíram entre as do Índice Bovespa, 9,07%. As PN da concorrente Gol perderam 2,64%, a terceira maior queda, e as ON da Embraer, 1,37%, o oitavo pior desempenho. Vários bancos e corretoras, aqui e no exterior, que recomendavam investimentos no setor, resolveram revisar suas avaliações, prevendo queda nas receitas das empresas por conta do receio de voar que deve se seguir ao acidente no aeroporto de Congonhas. Diferentemente do acidente da Gol, este coloca em cheque todo o setor e a infra-estrutura aeroportuária do país”, afirma Eduardo Puzziello, analista da Fator Corretora, que está revendo as projeções para os papéis de TAM e Gol”. (Valor Econômico)

Vídeo mostra avião acelerado demais

“A principal pista para se chegar às causas do pior acidente da aviação brasileira são imagens de câmeras da Infraero. Elas mostram o Airbus da TAM aparentemente acelerando em vez de frear, segundos antes do choque seguido de explosão”. (Jornal do Comércio-PE)

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MANCHETES de hoje, 19.jul.07


JORNAL DO BRASIL – Vidas roubadas pelo descaso

FOLHA DE SÃO PAULO – Mortes de tragédia chegam a 192; Infraero cogita falha mecânica

ESTADO DE SÃO PAULO – 181 corpos retirados; MP pede fechamento de Congonhas

O GLOBO – Infraero, Anac, Decea, Cindacta, FAB… e não se sabe o que houve

GAZETA MERCANTIL – Advogados ganham com apetite de fundos

CORREIO BRAZILIENSE – Em busca dos culpados

VALOR ECONÔMICO – Tragédia de Congonhas tira fôlego do setor aéreo

JORNAL DO COMÉRCIO (PE) – Vídeo mostra avião acelerado demais

TRIBUNA DE IMPRENSA – Avião da TAM acelerou depois de tocar no ponto certo da pista

DIÁRIO DE NATAL – Morte de família deixa RN de luto

TRIBUNA DO NORTE – Vítimas potiguares do vôo 3054 voltavam das férias

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Subserviência

“Lamentáveis e deprimentes as declarações do governador Sérgio Cabral de que o povo do Rio de Janeiro ama o presidente, e mais uma série de frases subservientes que provavelmente nem todo o povo do Rio endossa. Amar ou não amar não deve ser condição para um presidente tratar um Estado da Federação com a justeza cabível, assim como também a atitude de humildade de seu governador não eleva em nada o nível de seu Estado”.

Adelaide Oliveira Vieira Santos (adelaidescs@yahoo.com.br)

Vaias orquestradas?

“O presidente Lula vê nas vaias a ele dirigidas no Maracanã uma “orquestração da oposição” (provavelmente patrocinada pela “elite preconceituosa brasileira”, quiçá mundial). Na verdade, talvez Sua Excelência. esteja rememorando a intimidade do PT, na era Collor, com os adolescentes “caras-pintadas”. Uma análise mais realística do comportamento popular no estádio (lotado) pode considerar o protesto uma reação coletiva em face da percepção de um megadesvio de dinheiro público na organização dos Jogos Pan-Americanos”.

Jorge João Buruzanzian (burunlegal@hotmail.com)

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Oba-oba não é cera para tapar os ouvidos

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que considerou injusta a recepção negativa a Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Observou, porém, que vaias são manifestações populares e, portanto, democraticamente legítimas. O Ministro disse não acreditar que o prefeito do Rio, César Maia, tenha organizado a manifestação negativa. “Ele não seria capaz de uma barbaridade dessas”, declarou.

Já o líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), reforçou o coro dos puxa-sacos que acreditam que os apupos foram orquestrados. Lembrou que o mesmo grupo que deu vaias aplaudiu o prefeito do Rio.

Ex-ministro da Integração Nacional, o deputado federal Ciro Gomes, acredita que Lula deveria ter encarado as vaias e feito o discurso na cerimônia de abertura do Pan. “Acho que foi um erro ele não ter discursado”, comentou Ciro, que estava presente à solenidade. “Se ele falasse, virava (a platéia) na hora.” (Pelos jornais)

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Assumindo a responsabilidade…

“Fomos surpreendidos com a entrevista do ministro da Justiça dizendo que as vaias ao presidente Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Rio, foram “organizadas”. Ora, senhor Ministro, foi isso, sim, e fui eu quem organizou, ligando para 90 mil torcedores para que vaiassem o Presidente… Pode isso? Santa ignorância!”

F. S. Mello (fsmello@uol.com.br)

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FRASE DA VEZ_13/18

“Aeroporto não é shopping center. E esse equívoco criminoso, perpetrado com dinheiro público, tornou o ato de viajar uma temeridade, conspirando contra a segurança do cidadão e contra a própria economia e a indústria do turismo.

Não há outra palavra para designar a tragédia de Congonhas: vergonha!”.

Cezar Britto, Presidente Nacional da OAB

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Alguém (tirando o governo) tinha dúvida de que um desastre estava por acontecer?!

Maior do que a tristeza, só a raiva de saber que assistimos, impotentes, a um assassinato premeditado. As vítimas foram, por acaso, os passageiros do vôo 3054; mas desde o acidente da Gol, ficou óbvio para todo mundo — menos, aparentemente, para as autoridades responsáveis — que novas tragédias estavam por acontecer.

Um governo que dá prioridade às lojas e aos mármores dos aeroportos em detrimento da segurança, que permite a liberação de pistas inacabadas, que não consegue disciplinar controladores de vôo, que distribui cargos técnicos especializados a correligionários despreparados, não é apenas incompetente; é criminoso, mesmo.

Mas a culpa, vocês vão ver, vai ser do piloto.

Fonte: Blog da Cora Rónai

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