Arquivo do mês: julho 2007

Vôo 3054: Lula cancela compromissos da agenda

“Lula se esfalfa para evitar a versão de “tragédia anunciada”. Planalto vende sem parar a versão de que ainda é “cedo” para apontar culpados. Nenhuma autoridade relevante do governo veio a público depois da tragédia. Só saem notas e comunicados. Lula deixou a tarefa de enfrentar as câmeras para o seu porta-voz. O Presidente cancelou todos os compromissos do restante da semana (lançaria o PAC da habitação nos estados do Sul e ir ao Rio de Janeiro para o evento comemorativo de 100 anos da Academia Brasileira de Letras). O presidente terá poucos encontros durante o dia, mas está sendo informado dos desdobramentos da crise diretamente pelo comandante da Aeronáutica Juniti Saito”.

Fernando Rodrigues, jornalista e blogueiro

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Parece que só o PT-governo não sabia…

“Os problemas de segurança do aeroporto de Congonhas são velhos conhecidos de especialistas em transportes aéreos e entidades representativas da aviação civil. A constatação dos especialistas consultados ontem pelo Estado aponta para um problema crônico: a falta de uma área de escape para contornar eventuais problemas de derrapagens. ‘O aeroporto de Congonhas opera no limite de segurança’, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo (SBTA), Anderson Correia, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)”.

Reinaldo Azevedo, jornalista e blogueiro

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FRASE DA VEZ_2/19

“Infelizmente um Congresso desmoralizado reflete um governo desmoralizado. Até porque nenhum parlamentar conseguiria mensalão se não tivesse um governo corrupto, que viabiliza a liberação de emendas apenas para parlamentares corruptos”.

Heloísa Helena, professora, presidente do PSOL

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Lula: “Desastre? Estou fora!”

“O Governo chegou ao fim do dia de ontem convicto de que a tragédia envolvendo o Airbus A-320, do vôo 3054 da TAM, foi um desastre e não tem ligação direta com a crise da infra-estrutura aeroportuária do País. Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não planeja montar formalmente um gabinete de crise, mas pretende demitir em breve a cúpula da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e tirar poderes do ministro da Defesa, Waldir Pires. A idéia de Lula é reforçar o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), criado em 2003 para assessorar a Presidência nas questões relacionadas ao tráfego aéreo”.

Ricardo Noblat, jornalista e blogueiro

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Anunciado o “Carnaval” da pelegagem

“As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País. De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais”.

Carlos Marchi, jornalista

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As causas estruturais da tragédia

“Desastres de aviação, dizem os especialistas, sempre têm mais de uma causa. Com a tragédia do Airbus da TAM não é diferente. As causas são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios. Essencial é o descalabro que permite o funcionamento a plena carga do maior aeroporto brasileiro numa área já abarcada pelo centro ampliado de São Paulo; a recusa das companhias aéreas em reduzir as suas operações ali, ou ao menos desconcentrá-las dos horários de pico; a submissão cúmplice da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aos interesses das empresas que dominam o setor; a calamidade administrativa, a politicagem e a fraude endêmica na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero)”.

(Do Editorial do Estadão)

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FRASE DA VEZ_1/19

“O acidente da TAM foi uma tragédia anunciada, de proporções que jamais serão esquecidas. E impressiona a quantidade de matérias veiculadas na mídia com declarações de autoridades mencionando justamente a “tragédia anunciada”.

Caio Luiz de Carvalho, jornalista

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Hipocrisia, mentira e falta de transparência

“O presidente Lula produziu uma frase que poderia perfeitamente servir de dístico para o poder público brasileiro, o atual e todos os anteriores: “Em determinados cargos, a gente não diz aquilo que pensa nunca, a gente faz quando pode e, se não pode, a gente deixa como está para ver como é que fica”. Temos aí um condensado da hipocrisia, da mentira, da falta de transparência, numa ponta (a de nunca dizer o que pensa). Na outra, a versão moderna do Jeca Tatu (“o deixa como está”). Ou uma versão menos elaborada da “utopia do possível”, o lema de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, tão medíocre quanto o dístico de Lula”.

Clóvis Rossi, jornalista

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FATALIDADE?

Vamos ler o que escreve hoje a jornalista Eliane Cantanhêde, analisando, com raciocínio linear, o que ocorreu com o Airbaus da TAM. Abre aspas:

“O controle de aproximação de Congonhas autorizou o pouso, o Airbus-A320 tocou o solo e… não parou. Tentou arremeter, cruzou a avenida, bateu no prédio e explodiu. Tinha muita velocidade para parar e pouca para decolar. Por que corria tanto? Por que não conseguiu parar? Nem as autoridades aeronáuticas têm respostas, mas acidentes ocorrem por falhas humanas e de equipamentos. E as circunstâncias eram desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, as reformas são recentes, faltam as ranhuras (riscos para produzir mais atrito nas rodas). Pairando sobre o vôo 3054, havia também o Boeing da Gol e dez meses de crise, greve e prisão de controladores, nevoeiros, trocas de acusações, panes de rádios, suspeitas quanto aos radares.

Um sistema em xeque. Seus operadores, sob profundo estresse. Pequenos erros podem virar grandes tragédias. E há a falta de comando do governo e a ganância das companhias. Segundo pilotos e comissários, o acidente “não deve e não pode ser visto como uma fatalidade, e sim como um resultado do descaso das autoridades competentes, na regulação e na fiscalização do setor aéreo, e da corrida das empresas do setor por redução de custos”.

O Comando da Aeronáutica, o Cenipa (centro que investiga acidentes aeronáuticos), os controladores e a torcida inteira do Pan sabem que Congonhas combina dois fatores explosivos: é o aeroporto mais congestionado do país e, ao mesmo tempo, o mais condenado. Mas Infraero, Anac e empresas esperaram para ver. Deu no que deu. A pista pode ou não ter sido determinante nessa tragédia específica com o Airbus, mas a responsabilidade do governo não está aí, no detalhe. Está no fato de ter convivido todo esse tempo com o perigo, sem agir, sem prevenir. O acidente e as duas centenas de morte são dolorosos, terríveis. Mas, infelizmente, não foram uma surpresa”. (elianec@uol.com.br)

Ilações sobre o acidente em Congonhas

“Desde já estão abertas duas vertentes que irão tumultuar a apuração do caso.Culpa da Infraero e das autoridades da Aeronáutica que liberaram uma pista cuja reforma está inacabada, imprópria para um dia de chuva; ou culpa do piloto que fez a aproximação em velocidade superior à recomendada e atingiu o solo além do ponto indicado para o pouso, diminuindo consideravelmente a extensão da pista.Falha técnica (e criminosa) do aeroporto ou falha humana do comandante? Acima de qualquer suspeita, pelo menos até agora, está o aparelho, um Airbus tecnologicamente avançado, topo de linha para pequenas e médias distâncias. Na hora das reparações às famílias das vítimas, o jogo do empurra entre a Infraero e a TAM levará muitos e muitos anos”.

Carlos Heitor Cony, jornalista

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