Arquivo do mês: julho 2007

8/3_FRASE DA VEZ

Sabemos, por exemplo, aonde os sabotadores vão e com quem eles falam, mas não sabemos o que eles falam porque não podemos usar escutas ou interceptações

Gal.Jorge Armando Félix, ministro do Gabinete da Segurança Institucional

Derrotados os renanzistas no Conselho de Ética

Foram diferentes a sessão da tarde no Senado e a reunião do reempossado Conselho de Ética à noite. O plenário assistiu à tarde o desfile dos oradores onde se destacou o tom choroso que Arthur Virgílio usou nervosamente para sugerir o licenciamento de Renan da presidência do Senado. Apartes, “pelas” ordem e questões de ordem, choveram no molhado espelhando a nítida divisão entre a clientela de Renan e os defensores do aprofundamento das investigações iniciadas pela Polícia Federal a partir da documentação da defesa.

No Conselho, três coisas ficaram claras como a luz do sol: 1) Não há força humana que afaste Renan da presidência do Congresso, que só abandonará se for cassado; 2) é estranha e inexplicável a deserção da bancada do PT-partido, que teve apenas a presença da líder Ideli Salvatti – caladíssima, e de Eduardo Suplicy, reafirmando à sua maneira os princípios que vem defendendo ao longo do processo; e, 3) A ressurreição de Leomar Quintanilha, que se comportou com habilidade se sobrepondo às críticas recebidas anteriormente.

O Conselho não levou em conta o “fico” de Renan, nem considerou a reação pontual dos seus prosélitos. Um debate sobre a natureza das leis entre Demóstenes Torres e Almeida Lima, a princípio interessante, terminou enfadonho pela inumerável citação de códigos, regimentos, regulamentos, normas, artigos, parágrafos e outras ourivesarias jurídicas. Triunfou o conhecimento e a experiência de Demóstenes, apoiado pelos dois membros “independentes” da bancada governista, Eduardo Suplicy e Renato Casagrande. Assim não saiu a nulidade zerando o processo, como queriam os renanzistas, ficando clara a supremacia dos que querem concluir as investigações.

  • Comentários desativados em Derrotados os renanzistas no Conselho de Ética

FRASE DA HORA

Na movimentada sessão plenária do Senado que se encerrou neste momento, o senador Demóstenes Torres, referindo-se a um discurso do senador Almeida Lima, usou um pensamento de Millôr Fernandes, dizendo que Lima “chegou ao limite da sua ignorância, e no entanto, prosseguiu…”

Caos aéreo: a culpa agora é da natureza…

As pessoas que viajam, gozando o direito constitucional de ir e vir, riem de maneira desbragada tomando conhecimento da desculpa chinfrim do PT-governo, de que os novos atrasos nos vôos comerciais resultam das condições meteorológicas. “Nunca neste País” (coppyright de Lula da Silva) ouviu-se tal justificativa, e as condições climáticas não mudaram tanto desde o tempo em que a Panair do Brasil e a Cruzeiro do Sul – e depois a gloriosa Varig – nos transportavam pelo Brasil afora.

As autoridades governamentais deveriam quebrar a redoma que lhes protege e enfrentar a opinião pública; ouviriam nas ruas a exigência de que a verdade se imponha nos informes oficiais, parta de onde partir, da Presidência da República, do Ministério da Defesa, do Comando da Aeronáutica, da Infraero, da Anac, e, para relaxar, as orientações sexuais do Ministério do Turismo. Neste caso mais visível, e em outras situações de pouca projeção, o Presidente finge que governa e seus áulicos seguem o seu exemplo da maneira mais subalterna.

A nova onda de problemas, atrasos e cancelamentos de vôo, congestionamento nas pistas e desrespeito aos usuários do tráfego aéreo, já não podem ser creditados aos controladores de vôo. Uns foram remanejados, afastados e até presos, em nome da restauração da ordem – que, aliás, obedeceu a uma determinação de Lula da Silva antes de dançar forró na Granja do Torto. Medidas outras, troca de equipamentos e a nova escala com seqüenciamento de decolagens e aterrisagens, não foram capazes de restabelecer a rotina que o Brasil conhecia antes do acidente com o Boeing da Gol e o Legacy, em outubro do ano passado.

  • Comentários desativados em Caos aéreo: a culpa agora é da natureza…

7/3_FRASE DA VEZ

O Ministério do Trabalho já nem fala no programa “Primeiro Emprego”, que prometeu dez milhões de empregos e não gerou unzinho, mas continua otimista: encomendou a confecção de 2,5 milhões de carteiras de trabalho

Cláudio Humberto, colunista e blogueiro

Como verdadeiro iô-iô, processo de Renan volta ao Conselho

Hoje, pela manhã, a Mesa Diretora do Senado Federal decidiu à unanimidade devolver ao Conselho de Ética o processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador Renan Calheiros. O senador Tião Viana defendeu a tese de que a Mesa reconhece como legítima a tramitação do processo, embora admita vícios em sua tramitação, inclusive por parte do presidente do Senado. Este encaminhamento obteve o respaldo dos membros da Mesa aliados de Renan, sugerindo que o caso voltasse ao conselho, sem adiamentos estratégicos que procrastinassem o processo.

O líder do PSB no Senado, senador Renato Casagrande, comentando a decisão, disse que “o presidente Renan tem de compreender que esse processo não pode ficar pairando como um fantasma assombrando a Casa”, enquanto o senador petista Eduardo Suplicy definiu-se, afirmando que é “favorável à continuidade das investigações. A Mesa Diretora do Senado precisa devolver o processo ao Conselho de Ética e lá dar prosseguimento ao caso”.

Nunca é demais lembrar que Renan foi acusado de ter o pagamento de suas contas pessoais pagos pela empreiteira Mendes Júnior, através do lobista Cláudio Gontijo, tendo como exemplo concreto o ressarcimento da pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.

  • Comentários desativados em Como verdadeiro iô-iô, processo de Renan volta ao Conselho

6/3_Frase da vez

O cenário que envolve a alta administração federal é um oceano de mixórdias; mas o Presidente da República assumiu a personalidade de homem honestíssimo, um santo cercado de malfeitores. Jamais percebeu algo de errado. Foi traído. Desta vez, contudo, não tem como pôr a culpa no neoliberalismo, no imperialismo norte-americano, na imprensa burguesa, nas elites que controlam os meios de comunicação. Esgotaram-se os clichês da grande farsa que sempre foram o Partido dos Trabalhadores e seu líder incapaz

Antonio Sepúlveda, escritor

Gozação aérea

Em meio ao caos aéreo, o que mais irrita os passageiros – desrespeitados pelas companhias aéreas e pelas autoridades – é o fato de ninguém se dar ao trabalho de, ao menos, informar que os vôos estão atrasados. Cada dia há uma desculpa diferente: motim dos controladores, panes em equipamentos e neblina. Por que nem ao menos dão satisfações aos passageiros, que esperam horas em antesalas de aeroportos? Porque todos os envolvidos acham que o passageiro não merece qualquer respeito. No País das balas perdidas, das gangues de jovens de classe média, da bagunça institucional, do Senado Bovino, isso não surpreende. Mas é lamentável, um deboche, um desrespeito, uma gozação. Nesse sentido, entende-se a frase da ministra: o gozar é de gozação, mesmo, de tirar sarro com a cara dos passageiros. O que recomendamos? Continuar colecionando notas fiscais de lanches, táxi, hospedagem para cobrar os direitos na Justiça. E processar, por perdas e danos, companhias aéreas e ANAC, agência nacional avacalhação aérea.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor

5/3_FRASE DA VEZ

Confesso que começo a temer pela sorte da democracia. Como tudo na vida, ela tem virtudes essenciais, mas também tem defeitos e está exposta a golpes silenciosos, como decorrência de seu multiuso

Pedro Porfírio, jornalista

Economia de mercado e tráfico de drogas

Pelo achado em cotejar o mercado e o narcotráfico, vamos abrir aspas para o lúcido comentário do jornalista Sebatião Nery:

“Como explicar que o combate ao crime seja tão combatido? ‘É a economia, seu imbecil’, dizia o marqueteiro de Bill Clinton. ‘O mercado é quem manda’, repetem Maílson da Nóbrega, Carlos Sardenberg, Miriam Leitão, os porta-vozes todos do dinheiro. E ao menos aqui eles têm razão.

Vamos a uma conta primária. As mais de 700 favelas do Rio consomem muito menos drogas do que apenas os cinco bairros mais ricos: Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea, Barra. Droga não germina na praia, não brota no asfalto. A droga entra pelas favelas, pelas periferias, pelos subúrbios, e de lá é redistribuída para os bairros ricos e chiques, para o ‘consumo conspícuo’.

Toda vez que a polícia sobe as favelas, entra nas periferias, ataca o tráfico de frente em seus ‘santuários’, como fez agora, não desbarata definitivamente seu poder, mas lhe dá muito prejuízo e golpeia seu esquema”.

  • Comentários desativados em Economia de mercado e tráfico de drogas