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UMA FESTA PAGÃ

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Escrevi uma crônica leve, cheia de pitorescas curiosidades para ser lida na data em que se comemora o Natal que reverencio como todos os que sofrem a influência do cristianismo. Repetindo anos anteriores nos reunimos em família, mulher, filhos, netos e bisnetos.

Poderia ter usado isto como tema; não o fiz porque considero o que celebramos uma festividade pagã, lembrando que o 25 de dezembro fazia parte do calendário civil romano como o Dia do Sol Invencível.

Homenageava o deus Mitra, patrono da justiça e da aliança e condutor da luz com farras orgíacas. Ele era representado materialmente pelo sol. Estas festas pagãs duraram até que o cristianismo se tornou a religião oficial do Império Romano.

Então, o deus que vigiava a ordem cósmica, as estações do ano e a alternância do dia e da noite, foi substituído por Jesus Cristo divinizado; e o culto ao Sol Invencível foi proscrito pelo Edito de Teodósio, no ano 380.

Mesmo proibido, o mitraísmo continuou sendo a religião popular em mais da metade da parte ocidental do Império, sendo que muitos cristãos aderiam às festividades do Solstício de Inverno que ocorrem em dezembro no Hemisfério Norte.

A hierarquia católica sentiu isto e se apropriou da data, decretando o dogma da Natividade. Foi o trigésimo-sexto papa, Libério, que reinou sobre a Igreja Católica Romana de 352 até 366, que impôs o dia 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus Cristo.

Libério e seus acólitos estabeleceram a Natividade junto com as demais festividades católicas, como a Páscoa da Ressureição e o Pentecostes herdado dos judeus (que dignifica o recebimento por Moisés das Tábuas da Lei), adaptando-o para a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.

Pretendendo despertar e conquistar os pagãos para Cristo, o seu nascimento poderia ter sido em qualquer data. Antes, recebia a atenção de diversos seguimentos cristãos para o 7 de janeiro, o 3 de março ou o 13 de abril, adotados por antigas seitas cristãs.

Lucas no seu evangelho (Lc, 1, 26) expõe que o arcanjo Gabriel anunciou a vinda do filho de Deus a Maria, seis meses após o profeta João Batista ter nascido, o que ocorreu a 24 de julho. Portanto, por uma gravidez normal de nove meses, a noite do nascimento de Jesus dificilmente teria sido em dezembro.

Vê-se então que a adoção do 25 de dezembro, atendendo ao interesse expansionista do papado, não foi a única concessão ao mitraísmo. O sacerdócio católico vestiu-se igualmente ao vestuário dos prelados e do pontífice de Mitra, com os papas usando o turbante mitral, de que os rabinos judeus já haviam também se apossado.

Diversas vertentes do cristianismo discordam e contrariam a adoção da Natividade a 25 de dezembro no Ocidente, Europa e Américas; mas aceitam-na a Igreja Anglicana, a maioria das Igrejas ortodoxas e tendências protestantes nórdicas.

A Reforma protestante, proibiu a celebração do nascimento de Cristo admitida pelo Papado que segundo Martin Lutero. era uma das fraudes papistas e denunciou-a como uma volta ao paganismo.

Austero, o luteranismo combatia também o Carnaval por sua inegável ligação com o catolicismo. Tal como é festejado no Ocidente, antecede a Quaresma criada na Alta Idade Média por um período de 40 dias antes da Páscoa.

Como o culto do Sol Invicto, o Carnaval tem também a sua origem greco-romana e era celebrado em Roma no solstício de Inverno, como a Lupercália, que ocorria em fevereiro.

Tudo visto e pesquisado não se trata de uma crítica, nem uma condenação como fez Lutero; trata-se apenas de um registro histórico sobre as festas pagãs. Da minha parte, festejo o 25 de dezembro com os meus parentes e amigos. Trocamos presentes e semeamos alegria com comida e bebida.

O MELHOR REMÉDIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Um comentário que correu em Londres no após-guerra discorreu sobre a passagem de Churchill, à noite, por uma farmácia toda iluminada e disse: – “Eis o motivo de todas as doenças…”.

Não sei se é verdade ou simplesmente uma piada, mas foi notícia de jornal. Lembrando disto, matutei sobre a interpretação um tanto maldosa do herói inglês; vejo que por um lado, é uma afronta à indústria farmacêutica, e, do outro lado, expõe uma contradição: as farmácias produzem as enfermidades ou são consequência delas?

Constatamos que no Brasil esses estabelecimentos aderiram (por lei) à moda dos EUA, isto é, além de medicamentos e artigos de higiene, vendem também mercadorias de conveniência. Talvez, por isto, a multiplicação das drogarias debaixo da Linha do Equador é impressionante.

Não dá para explicar como isto ocorre nos países de livre concorrência. Nas grandes cidades do Brasil, por exemplo, elas são incontáveis. A Rua do Catete, no Rio de Janeiro, tem pouco mais de cinco quilômetros, e nela tem 42 farmácias, muitas delas vizinhas à outra.

Ando pelos bairros Glória, Catete, Laranjeiras, e não encontrei neles as especializadas em homeopatia e somente um único herbanário; mas competindo pela cura de enfermidades, temos vários templos evangélicos prometendo milagres.

Por este cenário se conclui que o povo está doente. Remédios industrializados monopolizam praticamente a demanda, mas ainda persiste busca de remediar pelos métodos tradicionais caseiros de chás, jejuns e lavagens; e pela religião, a crença na terapia com passes mediúnicos e rezas.

Ressalte-se que essa alternativa pelo miraculoso chama a atenção. Em favor disto lembro de um tio que ajudava os que buscam recuperar a saúde acreditando em milagres. Contava que assistiu na Índia um faquir enterrar uma semente no chão e tremulando as mãos sobre ela, conseguia em poucos minutos sua germinação, crescimento e produção de flores….

Será que os milagres acontecem realmente? Hoje em dia, milagres já não ocorrem como nos tempos bíblicos, como relatou João 18.10. que o apóstolo Pedro sacou da espada e feriu Malco, o servo do sumo sacerdote que acompanhou os soldados para prender Jesus; decepou-lhe a orelha direita e, segundo Lucas (versículo 51), Jesus acudiu, repreendeu Pedro, e tocando na ferida de Malco, estancou o sangramento e recompôs a orelha.

Estas práticas milagrosas condizem com as lições de Hermes Trimegisto (Três Vezes Grande) sobre a vontade enérgica transformadora. Citado por Tomás de Aquino na “Pedra Filosofal”, Trimegisto escreveu que “o poder da cura está nas mãos de qualquer um, desde que empregue as partículas da divindade presente em todos os seres”.

O milagre da cura desperta a curiosidade do intelectual irrequieto e do educador curioso, que procuram abrir as janelas de onde se contempla a Verdade. Então veem diante de si que o sobrenatural envolvido pelo véu da fé e da esperança disputa com as descobertas da ciência médica e com a tecnologia avançada da Inteligência Artificial.

Entre a metapsíquica e a pesquisa científica há espaço suficiente para pensarmos em nós mesmos, na nossa saúde, vigor e intento pela longevidade. Aconselha-se remédios, os melhores, segundo usuários: Um deles vem do noroeste do México indicado por um xamã da tribo yaqui, entrevistado por Carlos Castañeda para o livro “Uma Estranha Realidade”.

“Dom Juan”, como Castañeda o chamou, aparentava uma idade indefinida, talvez 80 anos. Sua fórmula para alcançar uma velhice forte e sadia chegada de tempos remotos, dos avós dos seus avós: um copo d’água quente em jejum, ao acordar pela manhã.

A outra terapia revigorante é do século 19, foi anunciada pelo naturalista François Huber, o prodigioso uso da geleia real das abelhas, cujo poder dá à rainha da colmeia idade 50 vezes superior à atingida pelas abelhas operárias.

Cheguei aos 90 anos e a aproximadamente a uns 20, faço o que Dom Juan indicou; quanto à geleia real, autêntica, é caríssima, não está no meu orçamento… Rsrsrs.

 

 

 

NINHOS DE SERPENTE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Neste segundo milênio da era cristã, com o fervilhar de notáveis avanços científicos e surgimento de grandiosos aparatos tecnológicos, a nossa Pátria Mãe acolhe na Praça dos Três Poderes, em Brasília, ninhos de serpente.

Constatar isto nos indigna e revolta assistindo os monstruosos ofídios por ovos e ver o nascimento de serpentezinhas no ninho, unidas com peles serpentiformes avermelhadas e verdosas, se diferenciando somente pela cor.

A coloração diferente dá-lhes uma ajuda para atrair e conquistar a opção de inocular o veneno de fanatismo nos desavisados, propagando a toxidade polarizadora que provoca o ódio entre os que se enfrentam nos confrontos eleitorais.

Desenha-se assim a metafórica contenda dos extremismos populistas, bolsonarista e lulista, que serpenteiam no Planalto. Contra Bolsonaro e Lula não devemos arquivar perífrases nem usar reticências. É obrigatório denunciá-los e combatê-los porque já não há dúvida de que ambos ultrapassam os limites da exploração de ideologias deturpadas à direita e à esquerda.

Estes dois populistas rejeitam princípios éticos e morais e devem ser acusados para evitar que trapaceiem a massa que se deixa enganar cativada pelo colorido e musicalidade de promessas demagógicas nunca cumpridas.

É preciso acusá-los de manter a população na ignorância pelo desprezo à Educação que lhes ajuda a manobrar o País. É por isto que peço licença aos críticos de Leonel Brizola, para citá-lo quando disse que “a educação é o único caminho para emancipar o homem; desenvolvimento sem educação é criar riquezas apenas para alguns privilegiados”.

Também o tribuno baiano João Mangabeira nos legou uma louvável proposta, ao afirmar que “no dia que os filhos do pobre e do rico, do político e do cidadão, do empresário e do trabalhador, estudarem na mesma escola…. Neste dia, o Brasil será o país que queremos”.

Para que nenhum cretino de plantão resmungue que cito apenas opiniões do centro e da esquerda, declaro meu respeito à política educacional teorizada em 1974 pelos generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, atendendo à aspiração de libertar o povo pela instrução.

Entretanto, para os populistas que se revezam no poder, a incultura lhes garante a permanência no abominável cenário político que atravessamos. Assim, o serpentário traz uma distorcida concepção de Democracia, chegando até adjetiva-la, como fez Lula concebendo a ditadura venezuelana como uma “democracia relativa’, e Bolsonaro articulando um golpe contra o Estado de Direito.

Há quem apoie tais disposições deles e há quem se cale diante disto. Felizmente surgem aqui e acolá protestos, mesmo longe de atacar estruturalmente o esquema populista; é plausível, porém, que muitos entendem que só se conquista a Democracia pelo seriado educativo da conscientização e da alforria intelectual.

Precisa-se para isto de uma reformulação científica nos currículos escolares, estimulando o alunato e qualificando os professores, remunerando-os com os padrões mundiais (em Singapura o piso equivale a R$16 mil). Sem que isto se faça, tudo continuará no mesmo ramerrão de uma política educacional de fachada.

No plano internacional, lembro Dwight D. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, quando, no fim do seu mandato fez uma autocrítica digna de citação, dizendo que um dos maiores erros e mais notáveis que cometeu, foi em não ter dado prioridade à Educação.

O herói da guerra contra o nazifascismo conscientizou-se de que somente com a Educação poderemos manter a Democracia e programar o desenvolvimento econômico. Tivemos também um presidente que se preocupou com isto, Epitácio Pessoa, semeador no seu governo de escolas públicas Brasil afora. Mais tarde, não custa louvar Darcy Ribeiro que revolucionou o Rio de Janeiro com os CIEPs.

Estas personalidades nos ensinaram a eliminar as serpentes da ignorância que se aninham ameaçadoras com 60% de analfabetos funcionais no País; e são aliadas dos populismos auto assumidos “de direita” e “de esquerda”. Exterminá-las é uma prioridade fundamental; parece redundância, e se for, reforça a afirmação.

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FÁCIL OU DIFÍCIL ?

MIRANDASÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Não venho tratar de problemas de palavras cruzadas nem do Sudoku, mas de uma das lições mais inteligentes que recebi sobre as dificuldades ou facilidades de aprender, fazer e entender, é um pensamento de George Santayana que guardo comigo desde a adolescência (que vai muito longe): “O difícil é o que se pode fazer facilmente; o impossível é o que exige um pouco mais de tempo…”

Não conheço qualquer pesquisa de opinião ou estatística sobre isto, mas a minha grande dificuldade no estudo foi a Matemática, principalmente a sua etapa superior; e fiquei satisfeito em compartilhar isto com Shakespeare que disse: “Deixei de gostar da matemática depois que “x” deixou de ser sinal de multiplicação”.

Sou melhor que ele, porque gostava (e gosto) das expressões matemáticas em equações de primeiro grau que buscam a igualdade entre duas quantidades. E  amo a Geometria, o que me levaria a conviver com os antigos filósofos gregos….

Na alvorada da minha vida tive uma fácil compreensão geográfica e histórica; pena que a Geografia Política mudou do meu curso primário para cá com a descolonização na África e na Ásia e as consequências da 2ª Guerra na Europa.

A História ficou. Como o passado não muda, apenas enriquece com novas informações, tenho estudos arquivados na massa folheada dos meus neurônios, guardando curiosidades e anedotário sobre personalidades que se sucedem por gerações….

Lembro, por exemplo a narrativa do historiador pioneiro, Heródoto, sobre o primeiro grande faraó, Keops, que se vendo em dificuldade financeiras para concluir a construção da sua pirâmide, levou sua filha à prostituição, cujos honorários cobrados eram pedras de dez por dez metros…

Coisa pouco conhecida, como a consagração do Ovo que se transformou em caríssimas joias no reino czarista e foi adotado pelo cristianismo imperial como símbolo da Páscoa. Surgiu por uma coincidência: um ovo vermelho de galinha posto no dia do nascimento do imperador romano Alexandre Severo, que reinou nos anos 235 da Era Cristã e foi bastante influente na Igreja Católica Romana.

Para matar a curiosidade não podemos deixar de estudar e, satisfeitas as pesquisas feitas, é uma obrigação divulga-la. É necessário não deixar qualquer vácuo na informação; todas as coisas são importantes para o interlocutor.

Cumprindo a minha tarefa de descobrir coisas de interesse geral, descobri uma coisa simples para uma palavra que está internada na UTI da Linguística, mas em certas regiões brasileiras ainda é usada, a palavra Ponche.

Pensava que era francesa. Ledo engano: a sua etimologia é indiana significando cinco; isto mesmo, o número cardinal que fica entre o quatro e o seis…. Simplesmente se refere aos cinco ingredientes que o compõem: açúcar, água, canela, limão, rum, e bastante gelo.

Como tratamos de diversão, encontramos também uma sutil diferenciação nos termos usados na Ciência Médica, na Botânica e na Zoologia. A primeira adota o grego e as duas outras latim; e é interessante a adoção do grego nas referências às manias e fobias pela psicanálise e psicologia – talvez por influência de Freud.

A fobia – fóbos/ou, medo, + ia – é a aversão exagerada por alguma coisa (o dicionário registra “receio patológico persistente”). Ultimamente na linguagem comum usamos o termo Homofobia combatendo o preconceito aos homossexuais. Aparentados, temos Agorafobia o medo da altura; Quenofobia, medo da escuridão, Claustrofobia, medo de lugares fechados e Oclofobia, medo mórbido de multidões.

O medo psiconeurótico, irracional e doentio, dificulta os portadores da Oclofobia impedindo-os de assistir um clássico do futebol; mas facilita a higiene mental no campo da política; não vai às manifestações extremistas, comícios e invasões a prédio públicos.

Isto é fácil de entender, embora dificílimo de evitar outras enfermidades fóbicas, algumas até benvindas, como a Bolsofobia e a Moluscofobia, ambas trazendo o medo de manter a continuidade da polarização patológica destas bactérias populistas e demagógicas.

RÉGUA & COMPASSO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

É muito conhecido o axioma “O homem é a medida de todas as coisas” que hoje para agradar as radicais (e hipócritas) antimachistas, tipo Dilma Rousseff, poderíamos dizer “O ser humano é a medida de todas as coisas” ….

Este enunciado é do brilhante sofista da Grécia Antiga, o filósofo Protágoras de Abdera, oposto as teses de Sócrates como defensor da verdade absoluta e das verdades de valor universal.

A expressão vem expressa num texto extensivo, que completo é “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Uma lição sobre o relativismo, a compreensão de cada pessoa pela maneira própria e específica de ver.

Pela régua e compasso da minha concepção das coisas, há uma exceção: não se pode mensurar o fanatismo político e religioso. Exemplifico com a correspondência de um pastor evangélico que criticou a minha afirmação de que a longa vida dos patriarcas judaicos é uma fantasia.

Como “homem de fé”, este contendor mostrou-se mais sofista do que cristão, usando uma hipótese para me contrapor. Seu argumento é de que o ser humano pode alcançar o tempo de vida que a Bíblia relata; seu raciocínio leva em conta que o cachorro vive 14 vezes a mais do tempo em que atinge a idade adulta, chegando aos 16 anos.

Esta falácia considera que o ser humano é adulto aos 20 anos, tempo que multiplicado por 14 dará 280 anos de vida….  É interessante esta comparação, mas não alcança os 777 anos de Matusalém…

Da minha parte, prefiro filosofar sobre a altura, espessura e largura das pessoas pelas suas dimensões corporais, ou ver no comportamento delas a sua formação, honestidade, integridade e lucidez.

Já imaginaram levar esta avaliação para os nossos políticos? Para Lula, de quem Brizola disse que pisaria no pescoço da mãe para se eleger; ou para Bolsonaro, usuário de rachadinhas e condecorador de milicianos?

Para mim, os políticos são incomensuráveis. O alfaiate pode tomar suas medidas para lhes fazer um terno e um sapateiro medir seus pés para produzir um sapato; mas é impossível um observador da política dimensionar o comportamento destes protagonistas da polarização eleitoral.

Como venho de longe, conheço o seu jogo. Os métodos deles são invariáveis: têm por base a demagogia populista, o uso do dinheiro e corrupção; então prefiro compará-los aos trapaceiros.

A trapaça é uma arte que esses vigaristas usam muito bem. Se pararmos para pensar, lembraremos que há trapaças criminosas e trapaças simpáticas. Criminosas são as que exploram toda uma Nação, roubando gente besta e gente esperta, pobres e ricos, contribuintes que pagam impostos na compra de um chiclete ou caixa de fósforos, em carros de luxo, jatinhos ou iates oceânicos.

Pagantes de impostos não veem como é aplicada a sua contribuição; veem apenas a exorbitância de benesses para os “mais iguais do que os outros”, juízes, parlamentares e ministros. E não há coisa mais revoltante do que pagar aposentadoria para políticos, porque política não é profissão.

Para esfriar as chamas da indignação falemos dos “trapaceiros simpáticos”, aqueles que enganam delinquentes como eles. No correr deste texto lembrei-me de um clássico dos contos de vigário, a história de um humilde músico de rua que entrou na padaria com um violino debaixo do braço e tirando trocados do bolso, comprou um pão.

Após comer ali mesmo, pediu ao gerente o favor de guardar seu instrumento por algum tempo, enquanto resolveria uns problemas. O violino exposto perto do caixa chamou a atenção de um freguês que após examiná-lo pergunta se está à venda e oferece uma desmedida quantia pelo o que reconheceu, como colecionador, um Stradivárius.

O Padeiro diz que o violino não é seu, mas iria esperar o dono para propor o negócio; e quando o músico voltou, convenceu-o de vender o instrumento por um quinto da quantia oferecida pelo colecionador, e este jamais voltou à Padaria; era apenas o coadjuvante do golpe que rendeu vultuosamente aos dois trapaceiros.

Assim lucram com o dinheiro público os falsários do patriotismo, da liberdade e até da religião. São patriotas que só pensam em si mesmos, defensores da liberdade, de olho em tornar-se ditadores, e religiosos adoradores de santos do pau oco.

… Ou os brasileiros acabam com estes trapaceiros ou a Pátria desmorona por eles.

IDADE DA RAZÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Michel de Montaigne, filósofo, escritor e humanista francês, autor dos antológicos “Ensaios”, expressou nos seus escritos um pensamento notável, embora pareça óbvio: “Basta viver setenta anos para se ver tudo e o seu oposto”.

Daí, mesmo sem precisar da Inteligência Artificial, criei um personagem de ficção (gente como a gente, não um robô) e dar-lhe algo mais do que a simples vivência neurônica, através da palavra que se lê com as lentes da realidade: “Estudo”.

Na vivência sócio-política que atravessamos, vê-se que a educação dos filhos e netos tem agitado o pessoal do “X”. Tuiteiros até abrangeram sobrinhos-netos, o que me despertou a atenção, trazendo-me para participar desta discussão saudável no corredor da inteligência.

É ponto pacífico que todos querem a felicidade dos seus descendentes – e os mais altruístas estendem este desejo a todas crianças do mundo. É um sentimento nos leva a perguntar: – “O que é a felicidade?”.

Em todos estágios civilizatórios sempre se procurou conquistar a felicidade pessoal ou coletiva; mas a amplitude e complexidade da sua definição nos leva ao seu aspecto psíquico.

Seguindo Jesus, os cristãos defendem que a conquista da felicidade é amar o próximo, sem nada exigir em troca; os ateus pensam como o sociólogo argentino Christian Ferrer, que considera a felicidade um estado emocional e estabelece o princípio de que o ideal de felicidade é a reciprocidade de uns e outros.

Vendo a vida pelo avesso do alto dos meus 90 anos, considero que a alegria e a tristeza, estes sim, são estados emocionais; mas não vejo como enquadrar a felicidade nisto. Indo ao dicionário, encontramos o verbete Felicidade como um substantivo feminino significando “estado de uma pessoa feliz” com diversas definições relativas, êxito, sucesso, sorte e ventura.

O criador da Psicanálise, Freud, cuja importância no estudo da saúde mental dispensa apresentação, defendeu que todo ser humano é movido pela busca da felicidade através do princípio do prazer; e foi pessimista, considerando esta ansiedade um fracasso, pela impossibilidade efetiva de satisfazer a todos os desejos.

Do lado metafísico, as religiões entregam a Deus a probabilidade de conquistar a felicidade; e o budismo ateu é tão exigente quanto Freud, pois o Mestre ensinou que a felicidade só será obtida pela superação do desejo em todas as suas formas, o que é dificílimo para o ser humano.

Temos um cruel episódio protagonizado pelo último rei da Lídia, Creso de Mermnada. que a História registra. Conta que ele, aprisionado por Ciro na guerra que destruiu o seu país, foi condenado à morte; e, diante do carrasco, proferiu: – “Dada a incerteza das vicissitudes humanas e a inconstância da sorte, ninguém pode se assumir como feliz enquanto não chegar a sua hora final”.

Expressou o pensamento do poeta Sólon, o sábio fundador da democracia ateniense; e também do pessimista Nietzsche, que escreveu: – “A luz das estrelas mais distantes chega tardiamente aos homens; e antes que chegue, o homem nega que ali haja estrelas”. Triste negativa de que seja possível aspirar a felicidade à luz das estrelas….

Como a compreensão vem com a velhice, segundo Platão, creio que poderemos ser felizes, sim; considero-me um homem feliz.

Conquistei isto formando a consciência da realidade. Desprezei a relatividade das coisas e e o egocentrismo dos que só enxergam a si mesmos. Na Idade da Razão vê-se que a felicidade pode tardar a vir como a luz das estrelas, mas certamente chegará o dia da iluminação; e ela chega.

RELIGIÃO & ANTIBIÓTICOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Talvez pela idade, talvez pelo meu repúdio a qualquer tipo de charlatanismo, guardei um pensamento de Aldous Huxley que divulgo de vez em quando: “Dizem que é o medo da morte, e do que vem depois da morte, que leva os homens a voltar-se para a religião à medida que os anos se acumulam”.

Embora arreligioso, fica longe de mim qualquer pensamento antirreligioso; obrigo-me, porém, a criticar a pregação ilusória de futuras benesses post mortem encontradas nos estudos da religião escandinava que promete o Walhalla, com bebedeiras de hidromel ao lado de lindas mulheres.

O futuro dos mortos também dá prêmios no complexo religioso judaico-cristão. O misticismo rabínico afirma que as almas são imperecíveis e promete a reencarnação dando outro corpo para a “alma dos bons”, enquanto os maus vão para a “Gehenna” – o “Inferno” – onde serão julgados.

As vertentes protestantes seguem mais ou menos a pregação do judaísmo, e a Igreja Católica tem um postulado que vê a morte como uma passagem para os que seguirem Jesus Cristo conquistarem a vida eterna ao lado de Deus.

O Islamismo abre recompensas valiosas para os que se entregaram aos ensinamentos do Profeta. A Surata 56, versos de 12 a 39, do Alcorão, descreve o paraíso que os espera como: – “Nos Jardins da Delícia. Uma multidão dos primeiros (profetas e povos que os seguiram). E um pouco dos derradeiros (os seguidores do profeta Maomé). Estarão sobre leitos de tecidos ricamente bordados; neles reclinados, frente a frente (…) E haverá húris (virgens) de belos grandes olhos, iguais a pérolas resguardadas, em recompensa do que fizeram para Alah “.

Sentar-se frente a Deus nem se fale! O catolicismo medieval oferecia a maravilhosa companhia com as onze mil virgens de Santa Úrsula para o devoto que pagasse por isto; e, em paralelo, a visão “pagã” de um futuro radioso para o defunto escrito nos astros nos astros, como os astrólogos preveem para seus consulentes.

A comercialização do futuro sobrenatural é altamente rendosa. Nova Iorque, a capital do Mundo Ocidental, abriga nada mais nada menos do que 110 mil centros espíritas e congêneres, prometendo contato com pessoas mortas. Tivemos um exemplo disto num filme de 1990,  “Ghost: Do outro lado da vida”, dirigido por Jerry Zucker e estrelado por Patrick Swayze, Demi Moore, Tony Goldwyn, Rick Aviles e Whoopi Goldberg.

Englobando no roteiro drama, fantasia, mistério, romance e suspense, a película conta a história do espírito de um bancário assassinado que consegue ser ouvido por uma mirabolante “consultora espiritual”; e esta, por sua vez, se revela como médium auditiva.

Oda Mae Brown, interpretada por Whoopi Goldberg, rendeu o Oscar para ela; e nos mostrou a existência do sistema comercial da “assistência mística” para os que são atraídos pelo sobrenatural.

Entre os vivos, de pés no chão, as religiões guerreiam entre si, e sufocaram as heresias dos seus crentes no passado, punindo-os a ferro e fogo. Vale a pena relembrar o caso do papa Inocêncio 3º e seu emissário Simon de Monfort, que foi combater os albingenses. Simon perguntou o que fazer com os que não participaram do movimento…. E o Pontífice ordenou – “Mate-os todos; Deus saberá escolher os seus”.

Futuro duvidoso este, sem dúvida. Melhor faziam os índios guaranis acreditando que desejar a morte de alguém é prolongar-lhe a vida, uma crença repudiada pelos comerciantes dos óbitos.

Neste prolongamento lembramos a anedota do papa-defunto que indagado como iam os negócios, respondeu: – “Ruins, estou quase indo à falência; esta desgraçada invenção de antibióticos e vacinas adiam cada vez mais a morte…”

 

 

 

 

FALSO TESTEMUNHO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Jolly Roger” é um jogo que nunca se deu bem em Portugal nem no Brasil, mas foi bastante popular na França e na Grã Bretanha. Joga-se com cada um dos jogadores se assumindo como membro da tripulação de um navio pirata e dependendo de como o eleito conduza a embarcação, qualquer um dos participantes pode discordar dele e iniciar um motim, e se tornar o próximo comandante….

Não é tão complicado como parece e há explicações detalhadas dele no Google, que pode ser realizado somente com as intervenções pessoais ou o manuseio de cartas, parecido com a Bisca. O interessante é o uso de uma bandeira, de onde vem o nome do jogo.

“Jolie Rouge” é uma expressão francesa, que significa “vermelho bonito” para uma das bandeiras, todas com a caveira e as tíbias cruzadas. Tem a branca, a preta e a vermelha, sendo esta última a mais temida; branca e preta anunciam assalto; vermelha é assalto sem misericórdia.

Os lances requerem golpes de inteligência com valor imponderável de surpresas. Tem muita parecença de um tribunal (onde se aplica a lei de verdade) com acusado, acusadores, testemunhas de acusação, defesa e um juiz.

Assisti certa vez jogarem o “Jolly”; lembro-me de como atuaram os concorrentes. Agora me vem à lembrança que ocorre atualmente no navio pirata chamado Brasil. Jogam os togados do STF no camarote de Gilmar Mendes, coordenados ideologicamente por ele.

Nos meus tempos de estudante de Direito admirava o STF pela cultura jurídica e integridade dos seus membros. Tive alguns dos togados como professores, como Hermes Lima e Evandro Lins e Silva, e mantenho na certeza de que nenhum deles toleraria as decisões monocráticas, criadas para favorecer o crime e corromper o juiz.

Considero, por exemplo, que é inadmissível a anulação de uma sentença condenatória baixada em três instâncias jurídicas, baseadas em evidências, depoimentos acompanhados de delações premiadas e documentos. … Anulada com uma canetada só do Dias Toffoli.

Assim, os ventos e as marés do inconformismo provocam insatisfação popular contra a Corte e levam ao Congresso, principalmente no Senado Federal, o desejo de corrigir os erros seriados dos ministros nas decisões individuais. Senadores avançaram aprovando a PEC 8/2021, que limita o julgamento monocrático.

Inusitadamente, levantaram-se ministros togados raivosos, exclamando acusações e cobranças, com xingamentos aos senadores, em paralelo às autopromoções de donos da Democracia. Houve até insinuação de responsabilidade deles pela eleição de Lula….

Isto gera um clima anormal entre os três poderes da República e, pior, mostra-nos uma situação condenável, acompanhada com indignação, porque é defendida pelo ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do Tribunal.

Com isto, não bastasse o corporativismo que levou cônjuges, irmãos e parentes próximos dos togados a advogar na Corte, um privilégio abusivo, pratica-se no STF intervenções visivelmente políticas e até de falso testemunho. É o que ouvimos agora nas defesas feitas pela censura imposta às liberdades constitucionais de Expressão e Imprensa.

É demais para um magistrado ter uma conduta contrária à administração da justiça. O falso testemunho é um crime. Nas brechas da legislação inserida na Constituição de 88, leniente com os crimes e os criminosos, está escrito: – “Se o acusado de falso testemunho desistir da mentira e contar a verdade, no processo que ele mentiu e/ou omitiu, o crime deixa de existir.

Assim, os censores da Suprema Corte e seus cúmplices já ensaiam uma emenda para escapar, mas as suas tenebrosas transações já condenadas até pela nossa Pátria Mãe tão distraída!

Graças aos defensores do Estado de Direito atuando corajosamente nas redes sociais, a História mostrará a vampiragem que atua no STF à margem da Justiça vendada, sem enxergar os crimes que cometem em seu nome.

 

LIBERTAS QUAE SERA TAMEN

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Costumava-se exprimir frases latinas solenemente, para gravar um enunciado meritório; este “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”, por exemplo, foi o lema proposto por Tiradentes como senha para o levante contra a escorchante dominação da coroa portuguesa no Brasil.

“Libertas quae sera tamem” vem de um poema latino e hoje está inserido na bandeira do Estado de Minas Gerais, branca, com um triângulo vermelho com este dístico no contorno. Traduzido, é “Liberdade, ainda que tardia”.

O colonialismo deixou uma chaga no corpo da nacionalidade brasileira inconformada com a exploração do seu trabalho e das riquezas naturais. Começou com a instituição de um imposto – A Derrama – para cobrar percentuais sobre o lucro dos engenhos de açúcar, e chegou mais tarde nas Minas Gerais com a descoberta de metais preciosos no chamado Ciclo do Ouro.

A mineração de ouro, prata e diamantes era feita na maioria por brasileiros chegados à região de várias partes do país, com o objetivo de enriquecer com a prospecção de jazidas e sua exploração direta.

Os dicionários generalizam o verbete “Derrama”. Apresenta-o como um substantivo feminino relativo a “tributo, imposto repartido pelos contribuintes, proporcionalmente aos seus rendimentos”. Omite o seu significado histórico de meio de exploração  de 1/5 do valor do trabalho cobrado à população.

A História registra como terminou a Conjuração Mineira levando ao sacrifício nossos primeiros patriotas.

Após a independência, o Império e a proclamação da República, a Derrama hoje adquire uma nova acepção com alcance antidemocrático. Temos os primeiros ensaios para impor uma Democracia Relativa ao gosto dos fascistóides lulopetistas e seus aliados de vasta amplitude, que vai das Ongs do Comando Vermelho ao STF.

O pessoal do CV, representado pela Dama do Tráfico que circula pelos ministérios do Governo Lula-Centrão, tem a direção própria de eliminar os adversários; enquanto os togados preferem a sutileza da linguagem jurídica fazendo a repressão às liberdades de expressão e de imprensa parecer “constitucional”.

Contra isto a Associação Brasileira de Imprensa – ABI, já fez um alerta denunciando, além dos assassinatos, agressões e ameaças a órgãos de Comunicação e profissionais de imprensa, o que ocorre agora vendo a gangue lulopetista investir contra os jornalistas que divulgaram as relações governamentais com o tráfico.

Também a Associação Nacional de Jornais – ANJ, levanta dúvidas quanto a decisão dos ministros togados em definir uma punição aos entrevistadores pela opinião de entrevistados, detendo para eles mesmos a definição dos motivos que levarão a isto.

Em verdade, fica para o STF a interpretação jurídica de qualquer indício de falsidade e a exigência do editor em proibir falas “ao vivo” num programa de televisão. Em qualquer país democrático seria considerado censura ou sua rima freudiana, loucura.

Conclui-se dessa maneira, pela versão do advogado constitucionalista André Marsiglia, que “a decisão da Corte levará, no mínimo, à autocensura nas redações”; e afirma que: -“o que o STF fez foi praticamente tornar a atividade jornalística uma atividade de risco, pois o exercício da liberdade de imprensa é um direito e transformar o exercício do direito num risco é absolutamente contraditório”.

Vê-se assim que a derrama repressiva do “andar de cima” à circulação pública da Informação é criminosa. Uma traição ao Estado de Direito que “elles” regurgitam defendendo; igualam-se, entretanto, a Joaquim Silvério dos Reis, que delatou os companheiros libertários de Tiradentes em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa.

Registra-se assim um troca-troca de dívidas e favores entre o Legislativo e o Executivo; resta-nos então, no fundo da caixa de Pandora, a Esperança de que o Legislativo reaja contra isto.

 

 

 

 

 

LINGUAGEM DO SILÊNCIO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

As teorias além da vida humana na Terra para o Universo, leva muita gente a perguntar como seria a comunicação entre terráqueos e alienígenas; a resposta é de uma simplicidade contundente: – “por meio de gestos”.

Talvez por isto nos surpreendam a quantidade de estudos sobre os gestos. Esqueci a fonte, pesquisei e não achei, mas tenho na memória a teoria de um antigo filósofo grego enunciando que: “É caminhando que, na prática, se demonstra o movimento”. Está aí o resumo de uma definição pelo gesto. A linguagem corporal, segundo estudos, expressa muito mais uma resposta do que a linguagem falada e escrita.

Transmitimos essas mensagens pela postura e gestos com várias maneiras de atitude e mímicas, como coçar a cabeça, contrair a face, cruzar os braços, inclinar o corpo e olhares dispersos…. Temos até acenos obscenos de ofensas que chamo de “pornomímica” … rsrsrs.

Há uma teoria formulada pelo professor Alberto Mehrabian sobre comunicação, que obedece à regra dos 7%-38%-55%, seja, usamos 7% com palavras, 38% pelo tom de voz (velocidade, tom, volume) e 55% para nossos movimentos, gesticulações e expressões faciais.

Vemos pessoas que gesticulam exageradamente, até mesmo falando ao telefone, e se bem atentarmos para as exibições das suas contrações, olhares e trejeitos, podemos julgá-los de várias maneiras e até ser interpretá-los equivocadamente.

Também as expressões corporais podem ser confundidas e muitas vezes o são; na linguagem do silêncio, só a escrita não decepciona, e a milenar sabedoria chinesa atesta isto afirmando que um desenho explica muito mais do que mil palavras. É por isto que quando certas cabeças duras não conseguem entender um fato, a gente pergunta: “Quer qu’eu desenhe?”.

Então, desenhando a realidade que temos atualmente à nossa frente, os traços nos levam a George Orwell ao aconselhar pelo seu “1984” que no enfrentamento ambíguo e duvidoso da verdade com a inverdade, devemos nos conscientizar que ficando com a verdade, mesmo que todo mundo fique contra, não pense que está louco.

Diante desta conjuntura, transmito a minha experiência pessoal: ao ler qualquer texto, sinto na escrita a melhor forma comunicativa do silêncio; então exijo do autor uma explicação clara, direta e elementar. Tento da minha parte cumprir este preceito, e logrando conquistar eleitores, redobro meus cuidados.

Um deles é compreender a guerra como uma continuidade da política, e desta maneira desprezar o maniqueísmo midiático contemporâneo vendo que nos conflitos atuais que ocorrem mundo afora, não assistimos uma luta do bem contra o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância, como ensinou Buda.

Os esclarecidos serão sempre vitoriosos, cedo ou tarde. Na linguagem do silêncio não há equívocos; e tenho como exemplo uma passagem em tecnicolor nas Mil-e-uma-Noites.

É o provérbio inserido na fábula do sábio que solicitou ao Califa sua participação entre os doutores que o assessoravam. Cochichos levaram o monarca a mostrar-lhe que o quadro estava completo, demonstrando isto com um copo cheio d´água até a borda; e, sobre ele, despejou com um conta-gotas um pingo, e a água transbordou.

O Sábio (não era por acaso um sábio) foi ao canteiro de rosas (o Califa despachava nos jardins do palácio) e colhendo uma pétala da flor colocou-a levemente flutuando no copo. Esta metáfora foi aplaudida por todos os presentes, e ele conquistou o cargo pleiteado e a certeza de como as expressões silenciosas são poderosas.

Entre elas, citei acima o gesto manuseado de um xingamento, que batizei de “pornomímica.” Aproveito-o com o meu dedo apontador hirto na direção dos ministros do STF, mandando-os se conformar de que não são senhores da verdade.

… E, com o mesmo gesto, para Bolsonaro e Lula enviando-os polarizarem “naquele lugar”.