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MORTE (2)

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Morte, morte, morte que talvez seja/ o segredo desta vida…”
(Raul Seixas)

O homo sapiens surgiu de um animal especial, um primata antropomorfo, o único entre os demais que não tinha ciclos periódicos de cio relacionando-se sexualmente quando lhe apetecia. Talvez tenha sido isto que libertou o mecanismo cerebral de memorização para outras resoluções além do sexo.

A humanização do antropóide foi um processo de evolução por mutação que fortaleceu mentalmente as leis da vida, e a mais forte entre elas é a lei da sobrevivência; romper com ela, por exemplo, pelo suicídio, é insanidade mental.

Esta observação compõe a recente teoria das mutações que observa as variações físicas e mentais do homo sapiens produzidas inconscientemente por substituições gradativas e contínuas.

Um sermão do pastor inglês John Donne, conhecido como “Meditação 17” faz a elegia da morte, legando-nos um pensamento que emociona: “Nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. Dois séculos depois, o notável escritor norte-americano, Ernest Hemingway, tirou daí o título do seu livro mais famoso, “Por Quem os Sinos Dobram”.

A visão filosófica da morte repercutiu no Brasil, no 9º álbum de canções do cantor e compositor Raul Seixas, nosso epigrafado. No disco, Raul inseriu uma faixa com “Canto Para a Minha Morte”, reverenciando a morte com a linda poesia. “… vou te encontrar vestida de cetim/ Pois em qualquer lugar esperas só por mim/ E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,/ mas tenho que encontrar…”.

Entretanto, não desejavam morrer os moradores de Mariana e adjacências, afogados pelas ondas da irresponsabilidade governamental e submersos sob o lodo dos rejeitos minerais de uma mineradora culposa.

Não queriam morrer os parisienses e os turistas que se divertiam na noite de terror promovida por assassinos fanáticos, formados satanicamente pela seita fundamentalista do califado islâmico jihadista.

Os refugiados do Oriente Médio e da África subsaariana também não pretendem defrontar-se com o dilema ficar, sofrer e morrer, mas enfrentam a morte tentando chegar à Europa civilizada e rica. O instinto primitivo da sobrevivência é negado aos fugitivos da guerra e do arbítrio dos ditadores do Oriente Médio e da África.

Isto nos leva a compartilhar com a tragédia trazida pelas correntes do Mar Egeu para a praia de Bodrum, na Turquia: o inerte corpo de Aylan, uma criança síria de 3 anos, tornado símbolo do drama promovido pelos bandidos do Estado Islâmico.

Na emigração forçada muitas outras crianças também enfrentaram a fúria dos titãs do Mediterrâneo, somente derrotados pelo herói semideus Perseu.

Uma matéria da agência internacional de notícias France Press atesta friamente que os protagonistas dessa desgraça “pagaram com suas vidas para escapar da guerra”; mas não é em vão, seu infortúnio convulsiona o mundo, principalmente os países europeus. Entre os governantes do Brasil, não sei, pois a presidente Dilma defendeu na ONU o diálogo com o Isis…

Como amante da Paz, evocação da vida, rememorei a foto de crianças vietnamitas correndo, fugindo da sua aldeia bombardeada por Napalm. Uma menina do grupo, Kim Phúc, queimada, foi a imagem que se sobressaiu na famosa e comovente fotografia do repórter Nick Ut.

Foi tão grande a repercussão dessa imagem nos EUA que a voz rouca das ruas nas grandes cidades do país ecoou em protesto contra a injusta guerra mantida pelo Pentágono e contribuiu para o seu fim.

Que o sacrifício dos que suplantam o amor à vida fique na nossa memória como ensinou Rui Barbosa: A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima.

 

 

Marianne

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Na alegria ou na dor/ Mariana para sempre meu amor”  (Seu Jorge compôs e canta)

Abatido e revoltado com a brutal agressão do Estado Islâmico contra a República Francesa, reverencio seu respeitável símbolo, Marianne, figuração de mulher com o barrete frígio que personifica o liberalismo e valoriza a conquista da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Marianne, a mãe pátria dos franceses sofre com o ataque terrorista que ceifou 129 vidas e deixou feridas 350 pessoas, das quais 99 em estado grave. O banditismo horrorizou o mundo, promovendo atos de solidariedade e repúdio em centenas de países.

Tristemente, no Brasil, cuja política exterior se alinha ideologicamente com ditaduras africanas e latino-americanas e o uso sistemático do terror por guerrilheiros e pelo fanatismo islâmico, o PT-governo fez unicamente acenos hipócritas de apoio à França.

Isto reflete o que vimos, não faz  muito tempo, a amostra de  presidente, Dilma Rousseff, discursar na Onu propondo o diálogo com o Estado Islâmico repudiado pela maioria das nações livres.

O apego ao poder pelo poder do lulo-petismo também ficou demonstrado com a nossa Mariana, a cidade mineira devastada pelo mar de lama provocado pelo rompimento das barragens Fundão e Santarém, da mineradora Samarco.

Marianne e Mariana são gêmeas univitelinas na tragédia. Seu sofrimento é o sofrimento de todos humanistas. Mortos, feridos e desaparecidos reclamam a indignação dos corações e mentes constrangidos pela irresponsabilidade dos mandatários; uns, por tolerar a existência de um bando de criminosos; outros, pela incompetência de gerir a coisa pública.

Sabemos que pela cobiça do petróleo no Oriente Médio, a aliança dos Estados Unidos com países europeus, manteve e fortaleceu o Califado, mais preocupada em derrubar o governo sírio, deixando o preço a pagar para as populações civis indefesas.

Aqui, a ocorrência funesta em Mariana é fruto da irresponsabilidade dos governantes que se conformam em manter 14 fiscais para verificar a segurança de 750 barragens nas Minas Gerais; e, além desse visível desleixo, não tem um plano de alerta e proteção para as comunidades vizinhas ao represamento dos rejeitos de minério de ferro.

Na França, Marianne enlutada chora seus mortos; no Brasil, Mariana vive um sofrimento proporcionalmente idêntico, com oito mortos e mais de 500 pessoas desabrigadas e outras tantas por resgatar.

Temos uma dívida intransferível para as gêmeas na dor, Marianne e Mariana. A francesa, no seu país, padece sob o fanatismo desesperado do terrorismo islâmico; no Brasil, a nossa Mariana é vítima do terrorismo da incompetência, irresponsabilidade e roubalheira do lulo-petismo.

Para as duas Marianas, com sotaque ou sem sotaque, dedico a alegoria do Seu Jorge, “na alegria ou na dor, para sempre o meu amor…

GÊNERO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Cuando uma sociedade se corrompe, lo primero que se grangrena es el linguaje”
(Octavio Paz)

O nosso Rui Barbosa já alertava para isto e foi seguido por Machado de Assis, ambos aplaudidos pela intelectualidade da sua época. Em nosso tempo poucos se dão conta do perigo da distorção do idioma, considerando de menor importância ceifar a última flor do Lácio…

A desfiguração da linguagem faz parte de uma estratégia subversiva a serviço do narco-populismo bolivariano. Esta configurada traição nacional começou com a exaltação dos obreiristas da USP ao analfabetismo de Lula.

Com o discurso político do esperto Pelegão esta coisa não aparecia muito, e os bem informados em vez de combater os atentados à língua, faziam pilhérias com a criação do “lulês”, um palavreado chulo, mas sem dúvida hilário.

Quando Dilma –  o poste de Lula –, assumiu a presidência da República, transpareceu mais a tática antinacional da divisão social pelo racismo, religião, posição geográfica e gênero. Esta última, soprada nos ouvidos da personalidade psicopática presidencial, levou as extremistas do feminismo ao orgasmo mental.

Ela impôs aos seus cortesãos e aos eternos oportunistas chama-la de PresidentA, tentando introduzir uma linguagem “revolucionária”. Para os intelectueiros lulo-petistas a definição de “gênero” é distorcida.

Com origem no latim, (genus/generis), a palavra tem múltiplo emprego e uso conforme o meio. Em biologia, por exemplo, serve a classificação cientifica e agrupamento de organismos.

Neste caso, Dilma mostrou-se ignorante quanto ao “homo sapiens”, que pertence ao gênero “homo”, designando a espécie humana independente do sexo. Mais ignorante ainda, com relação ao idioma, não sabe que se pluraliza palavras sempre no masculino e que as palavras têm gênero, mas não sexo, e os seres humanos têm sexo, mas não gênero…

Quando as palavras são diferentes referindo-se ao feminino e masculino, como “homem” e “mulher”, “rapaz” e “rapariga”, tudo bem; mas a plataforma “revolucionária” do lulo-petismo, porém, levam-nos ao besteirol de criar ‘almirantA”, “brigadeirA” e “generalA”… Será que pensam evitar um golpe militar? Ah, se tivéssemos muitas almirantas, brigadeiras e generalas!

Uma mulher no comando teria mais sensibilidade para enfrentar a imbecilidade (e os crimes) do PT-governo. Condenariam a arrogante insistência em controlar a linguagem escrita na escola, com a introdução totalitária de livros “dirigidos”. Uma mãe não permitiria a exigência do engajamento compulsório dos seus filhos à ideologia distorcida dos pelegos.

Na nossa realidade, vale o exemplo do ENEM. O concurso de 2015 clareou a ridícula pretensão de jogar mulheres contra homens, criando uma polêmica que envolve todos os setores da sociedade. A prova deste ano teve uma questão que incluiu a frase ‘Não se nasce mulher, torna-se mulher’.

Não difícil imaginar de que grupo saiu a ideia de usar um parágrafo do livro “O Segundo Sexo”, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, que vem sendo contestado nos círculos acadêmicos e políticos.

Abriu-se uma discussão sobre ideologia de gênero nas escolas, bem a gosto daqueles que obedecem ao princípio de “dividir para dominar”. Nas redes sociais tivemos até pesquisas sobre Beauvoir e suas ideias estrambóticas, como a defesa da pedofilia e até simpatias pelo nazismo.

Essa psicopata veio a calhar para uso interno e externo das feministas profissionais e da facção político-partidária que quer manter o grosso da população na ignorância para submetê-la.

Felizmente, estas tentativas fascistóides não correm mais na frouxidão dos primeiros anos de deslumbramento com o PT. O povo sabe que contrariam a Constituição Federal, a Convenção Americana de Direitos Humanos e o Plano Nacional de Educação.

 

Chamadas de capa das revistas semanais

Veja

Capa – Teori do Casamento: Um ministro do STF pode confraternizar com advogados e lobistas do caso que ele relata?

Época

Capa –  A primavera das mulheres: As mulheres tomam as ruas e as redes sociais e criam um movimento que agita o país.

ISTOÉ

Capa –  As mulheres dizem não: Não ao assédio sexual; Não ao racismo; Não à perda de direitos civis; Não à intolerância; Não ao Eduardo Cunha.

ISTOÉ Dinheiro

Capa – A Hyper compra da Coty: A gigante global de beleza pagou R$ 3,8 bilhões pela divisão de cosméticos populares da Hypermarcas. Conheça os bastidores do negócio e saiba por que a fabricante de perfumes de luxo Calvin Klein, Davidoff e Marc Jacobs investiu essa bolada no Brasil.

Carta Capital

Capa – Assim caminha o Brasil: Projetos contra mulheres e índios e a favor da posse de armas coroam o ano mais reacionário da história do Congresso.

EXAME

Capa –  Um país mais pobre: A crise atingiu uma nova fase — a da escassez do dinheiro. O lucro dos negócios cai. Famílias perdem as conquistas dos últimos anos. O crédito está mais caro. A renda per capita entrou em declínio. A recuperação pode levar uma década — e deixar mais distante o sonho de um Brasil rico.

MORTE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O homem é o único animal que sabe que vai morrer um dia. Triste destino!” (Voltaire)

É fascinante o mistério da morte. A gente pode adotar qualquer concepção filosófica, idealista, como ocorre a quem acolhe uma crença religiosa, ou sem ter alguma fé, no ateísmo materialista ou no agnosticismo hesitante do apóstolo Tomé que “precisava ver para crer” e mesmo com a sua incredulidade virou santo.

Mesmo no seu ceticismo, São Tomé mostrou-se corajoso conclamando os demais discípulos de Jesus a morrer com ele, ameaçado de apedrejamento. Este destemor incrédulo encontrei no mestre Darcy Ribeiro que me confidenciou um dia: “Gostaria de possuir a religiosidade de minha mãe, que crê na vida eterna. Mas não posso”.

No judaísmo a reencarnação fazia parte dos seus dogmas, sob o nome de ressurreição; apenas os saduceus, judeus da classe dominante, pelo dinheiro ou pelo prestígio político, defendiam a tese de que tudo acabava com a morte. A Igreja Católica, no seu Credo, profissão de fé em Deus Pai, Filho e Espírito, reza: “Creio na ressurreição da carne”. O pai do espiritismo ocidental, Alan Kardec, sem dúvida influenciado pelo budismo, adotou a reencarnação no seu “Evangelho, Segundo o Espiritismo”.

O hino luterano canta “Cristo já ressuscitou”, e as igrejas ortodoxas grega e russa festejam na Páscoa a ressurreição do Cristo; mas o pensamento da maioria das religiões e seitas não assumem a definição com clareza essa convicção.

A morte, seja como for, está presente no cotidiano da sociedade humana. Até na política. E na poesia de Afonso Romano de Sant Anna, a quem muito admiro e gostaria de conhecê-lo pessoalmente, mas o nosso amigo comum Chico Paula Freitas, também poeta, se recusa a apresentar-me dizendo que ele é “muito chato”.

Santana canta: (Os que governam) “Não percebem que já estão mortos, que já começam a mal cheirar. Mas se recusam a se deitar no caixão”. Não a nada que defina melhor o cadáver insepulto do lulo-petismo e sua representante na Presidência da República.

Quem tem percepção olfativa – não precisa ter um faro animalesco –, sente o cheiro rançoso e adocicado dos cadáveres que ocupam o poder neste infeliz Brasil na Era do Lulo-petismo. A incompetência e a corrupção já fediam, mas o cinismo putrefato de Lula e de Dilma, acompanhado por seus parceiros, está insuportável.

O bando que governa o país sob a batuta de Lula tem o mau cheiro das barracas de peixe em fim de feira. Não tem cartão corporativo que compre perfumes para subtraí-lo. Podem ser os mais famosos, francês ou italiano, ou a criação mexicana pouco conhecida e de fragrância suave e permanente.

A morte do PT-governo, não é igual á despedida de um ente querido que parte exalando flores e velas que também acompanham nossos adeuses. A morte inexorável do PT apodrece sem rigidez cadavérica. E não há velório, e sim uma manifestação festiva do povo nas ruas e nas praças exigindo deixe logo o caixão e seja sepultado com urgência.

É dessa maneira que assistimos o encontro dos patriotas em Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal e Porto Alegre. A luta alegre do acampamento no “Ocupa Brasília” e dos jovens paulistanos no vão do MASP.

A batalha pelo impeachment de Dilma – a morte conjunta e definitiva da claque “Cinismo, Corrupção, Incompetência e Mentira” exige a participação de todos, que reine entre nós a bravura e a tenacidade exigida no verso de Affonso R. de Sant’Anna: “Não há cova funda que sepulte a covardia; não há túmulo que oculte os frutos da rebeldia”

 

Chamadas de capa das revistas semanais

 

Veja

Capa – Os “chaves de cadeia” que cercam Lula: Ele sempre escapou dos adversários, mas quem o está afundando agora são os parentes, amigos, petistas e doadores de campanha investigados por corrupção.

Época

Capa – Exclusivo – O dinheiro suspeito: Um relatório da agência do governo que combate lavagem de dinheiro revela movimentações milionárias nas contas de Lula, Palocci, Pimentel e Erenice.

ISTOÉ

Capa: Exclusivo – “A lei é para todos”: O ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, diz que não vai interferir no trabalho da Polícia Federal e que comete crime quem tenta controlar as investigações.

ISTOÉ Dinheiro

Capa – O bilionário popstar: Com 2,6 milhões de seguidores nas redes sociais e a ambição de transformar o site meusucesso.com no netflix do empreendedorismo, Flávio Augusto da Silva virou o guru de quem sonha em criar o próprio negócio

Carta Capital

Capa – Discussão errada, obras certas: Do Porto de Mariel à barragem em Moçambique, o Brasil só tem a ganhar

STRIP-TEASE

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“A casa caiu/ Porque eu vacilei/ Como pude errar tanto assim, dancei” (Claudemir / Diney / M.indio)

Um dos mais encantadores contos de fada do genial dinamarquês Hans Christian Andersen, “A roupa nova do imperador” enfoca a vaidade palaciana no exercício do poder e a soberba intelectual do mandatário. Li quando era menino (o título era “O Rei está nu”) e, mais tarde, sem tirar o valor de Andersen, descobri que ele se inspirou no Livro dos Exemplos, coletânea espanhola de contos morais.

O “Livro dos Exemplos” foi publicado em 1348 e “A roupa nova do imperador” em 1837; ambos trazem a curiosa história do conluio de alfaiates e tecelões vigaristas para persuadir o rei a comprar-lhes uma roupa invisível.

Levado pela frivolidade o rei se iludiu com a idéia. Com mungangas e trejeitos os trapaceiros executaram a farsa de vesti-lo e ele saiu despido pelas ruas. Antes, os áulicos e cortesãos distribuíram mortadela e tubaína para a massa aceitá-lo e aplaudi-lo, e houve uma festa na exibição da roupa nova do rei, até que uma criança inocente e honesta como toda criança, gritou: “O rei está nu!” e a casa caiu…

Também festivamente assistimos na pantomima política brasileira o strip-tease de Lula da Silva, sobre a qual me atrevo a parodiar Carlos Drummond de Andrade: “Há uma distinção óbvia entre o nu da moda e o nu da corrupção”…

Despindo-se do fingimento após enganar por algum tempo vestido de salvador da Pátria, louvado pela propaganda massiva e os livros de doutrinação do PT-governo, Lula não mais cobre a nudez impudica da corrupção.

Strip-tease em inglês quer dizer literalmente “provocação ao se despir”. Indica uma dança sensual de origem discutida pelos historiadores. Uns dizem que tem mais de 200 anos, exibido no teatro burlesco europeu; outros dão até o nome da inventora, a comediante Mae Dix, que se exibindo no bar National Winter Garden de Nova Irque, tirou a gola da blusa que a incomodava e, recebendo estrondosos aplausos, desfei-se dos punhos e atreveu-se a desabotoar o vestido.

O strip-tease foi considerado imoral e proibido nos Estados Unidos em certo período de conservadorismo, coisa inconcebível numa democracia liberal… O strip-tease ‘à brasileira’ foi ao  palco das investigações do Fisco, da Polícia Federal e do Ministério Público.

As peças da armação para enriquecer os comparsas de Lula e a ele próprio, foram caindo uma a uma. A primeira, do Mensalão, desnudou um pouco, e ante a aclamação pública despojou-se outra parte, o Petrolão. A extraordinária ovação popular trouxe agora o despir da Operação Zelotes.

A Zelotes desvendou uma porção mais lúbrica do que as anteriores. Mostrou o CARF e o despojo de R$ 40 bilhões subtraídos dos cofres públicos. Os strippers receberam favorecimentos dos devedores do Fisco, grandes empresas como Ford e Mitsubishi; os bancos Bradesco, Santander, Safra e Bank Boston, a Gerdau e a Petrobras.

“Consultores” e lobistas chegados ao poder compravam sentenças, conseguindo com os conselheiros do CARF reduções imorais das multas. Entre os suspeitos investigados, gente ligada a Lula; os ex-ministros petistas Erenice Guerra e Gilberto Carvalho e o seu filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva.

É assim que Lula se despe do mito que os fraudulentos tecelões e alfaiates da USP criaram. Ele dança sacudindo-se com a percussão das denúncias, cujos tambores ecoam por todo País, deixando o povão, até então alheado, de olhos abertos: “O Pelegão está Nu!”

 

ENTREVISTA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“É melhor não ser educado do que ser educado pelos seus governantes'” Thomas Hodgskin

O ENEM passou como um tsunâmi na vida brasileira. Mesmo quem nada tinha a ver com o provão que dá acesso à universidade se envolveu discutindo as questões apresentadas.

Não fui exceção à regra. Ainda tinha em mente a ansiedade que nós, mais velhos, tivemos quando nossos filhos se submetiam aos vestibulares, naquela tentativa de abrir as portas do futuro. E também a angústia dos pais acompanhando o anúncio dos aprovados…

Passei a noite recordando minha própria vida de estudante e pensando na Educação como uma necessidade básica para o desenvolvimento de um País; observei os erros e acertos que distingui durante a minha vida, e também as consequências estúpidas dos regimes totalitários tentando “estatizar” crianças e adolescentes.

Antes de me recolher para dormir, este último item permaneceu em minha cabeça e me fez exaltar o epigrafado, Thomas Hodgskin, o libertário inglês que nos legou a aversão pelas ditaduras.

Já estava no segundo sono, como se diz, quando a campainha soou. O porteiro sempre avisa quando temos visitas, mas desta vez a chamada pela cigarra foi direta. Pelo olho mágico vi um senhor elegantemente vestido, de boa aparência, cuja fisionomia não me pareceu estranha.

Abri a porta e o visitante inesperado perguntou se poderia entrar, apresentando-se: -“Sou Ângelo Luzidio, um revolucionário, e gostaria que me entrevistasse…” Fiquei curioso: – “Revolucionário? Em plena democracia?” Ângelo pigarreou e disse: – “Fui eu quem liderou a revolta contra Deus; naquele tempo me chamavam Lúcifer…”

Espantado, perguntei-lhe o que fazia no Brasil. – “Ora, você não lembra que a presidente Dilma invocou o diabo, pedindo ajuda para ganhar as eleições?”

Embora um jornalista experiente, fiquei meio sem jeito, mas Ângelo me encorajou descrevendo os pensamentos que eu desenvolvera sobre a Educação. E insistiu que eu lhe perguntasse qualquer coisa a respeito.

Fui direto ao assunto: – “Porque o senhor se interessa pela Educação?” Ele atendeu prontamente: – “Quem me chamou atenção foi o monge agostiniano Martinho Lutero opondo-se ao monopólio do Vaticano na condução do ensino…

– “Foi então Lutero o responsável pela educação sem coerção?” perguntei. -“Não! Ele começou, mas se limitou à Alemanha; foi a Renascença que derrotou o obscurantismo teocrático da Idade Média…”

Como respeito a História, indaguei: – “Sei o que foi a Renascença, mas quem atuou nesse sentido?” Ângelo não se fez de rogado: – “Citarei três, Erasmo, Montaigne e Rabelais foram os baluartes da crítica à escolástica e defenderam a instrução universalizada…”

Inquiri: – “Escola para todos?” – “Sim!”, respondeu, “e foi um avanço em direção à escola pública, mais tarde instituída pós-revolução industrial!” Fez um curto silêncio e perguntou se eu tinha alguma bebida em casa. Disse que tinha uma cachaça paraibana, excelente, vinda de Guarabira. Assentiu com a cabeça e servi doses para os dois.

Depois de tomar um trago, o entrevistado – quase me ignorando – divagou: “Após a revolução industrial ocorreu a democratização do ensino, até por necessidade do desenvolvimento econômico”. Tomou outra lapada e me mostrou o copo pedindo mais e continuou: – “Interrompendo o processo, apareceram os regimes totalitários do século passado… O stalinismo e os fascismos italiano e alemão concentraram o poder nas mãos de um “chefe” que subtraiu a liberdade da instrução para doutrinar as crianças e os adolescentes”.

Prosseguiu: – “O interessante é o que os aprendizes de ditador de hoje, pelo mundo afora, tentam imitá-los. Surdos aos protestos das pessoas esclarecidas querem subjugar aos seus governos a orientação pedagógica e didática das escolas”.

Confesso que estava gostando daquela alocução satânica quando ele, olhando para o relógio, disse que o dia estava raiando e tinha que ir, dirigindo-se à porta..

Com a mão na maçaneta, arrisquei uma última pergunta: – “E aqui no Brasil?”. Ângelo deu uma gargalhada diabólica: – “Você acha que atendi ao apelo de Dilma a troco de quê?” E se foi…

Chamadas de capa das revistas semanais

Veja

Capa –  Os diários de FHC. Em entrevista ele diz que: “O governo perdeu o rumo” e que “Lula está enterrando a própria história”

Época

Capa – O ministro rebaixado: Desgastado no Congresso, sabotado pelo PT e ignorado por Dilma, Joaquim Levy perde o grau de confiança

ISTOÉ

Capa – A volta da miséria: Crise econômica, recessão, desemprego e desaceleração das políticas sociais fazem crescer no país o número de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza.

ISTOÉ Dinheiro

Capa – A estratégia anticrise da Loja Renner: Rede de varejo cresce a taxas chinesas em plena recessão e surpreende o mercado com abertura de novas lojas

Carta Capital

Capa –  Desigualdade sem limites: 1% da população mundial detém 50% da riqueza. O Brasil não escapa à regra.

A ANTA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Um deputado idiota propôs a criação do “Dia do Saci” e outro, tanto ou mais, apresentou o projeto para comemorar a data com caráter xenófobo, querendo confrontá-la com a festa do Halloween importada dos EUA.

Dá para imaginar a origem deste besteirol: A proposta foi de Aldo Rebelo (PCdoB) e o projeto elaborado por Chico Alencar (PSOL) e Ângela Guadagnin (PT), uma trinca extraterrestre que acredita enfrentar dessa maneira o “imperialismo”. Desconhecem que o Halloween tem uma origem muitas vezes secular, de origem celta.

A mania dessas efemérides também ocorre nas ONGs World Land Trust e Rainforest Trust, que criaram o Dia da Anta, comemorado no próximo dia 31 de outubro. Com a defesa das baleias desgastada, os “ambientalistas” gringos prometem preservar as antas ameaçadas de extinção.

Yes, nós temos anta!  O mamífero brasileiro da família Tapiridae, Tapirus terrestris. O engraçado é que os tupis chamavam-na de “tapir”, derivado do original tapi’ira, e assim entrou na classificação zoológica. Entretanto,  adotamos o termo “anta” que vem do árabe “lamta”. E assim o “imperialismo lingüístico” se firmou…

O corpo da anta brasileira tem o formato parecido com os porcos, o que nos leva à “Revolução dos Bichos”, de George Orwell, de onde parece que derivou o apelido de “Anta” conferido à presidente Dilma.

Alcunhas são tradicionalmente atribuídas a presidentes brasileiros. Lembro que Getúlio Vargas era chamado de “Gêgê”; Eurico Dutra, “Caneco”; Juscelino Kubistchek, “Pé de Valsa”; Itamar Franco, Topetão”; e, José Sarney, “Madre Superiora”… Dos militares, desconheço, por que ficaram restritos à caserna.

No caso de Dilma, parece que veio do seu modo de andar desajeitado, mesmo agora que emagreceu; dizem, porém que nasceu do alheamento igual ao do animal homônimo, conforme registram os caçadores.

Os gozadores intelectualizados das redes sociais garantem que é mesmo uma alusão aos porcos humanizados de Orwell que traíram a revolução, como fez o Partido dos Trabalhadores cujo programa original se degenerou ao chegar ao poder.

Prefiro a primeira versão, o tédio de Dilma pela coisa pública. É notável a sua alienação nos problemas políticos e econômicos, uma indiferença por tudo que lhe cerca como as tenebrosas transações urdidas na Casa Civil, ao lado de seu gabinete.

Para reforçar a distração dos tapires, atribuem a Dilma presunção de inocência nos escândalos criminosos da Petrobras, quando, presidente do Conselho, assinou a compra da Refinaria de Pasadena e, como ministra, fazendo nomeações nada ortodoxas.

Sinceramente, nesta selva em que o Brasil se transformou na Era Lulo-Petista, vemos muitas cobras e lagartos; e não é difícil descobrir também camaleões mudando de cor conforme as circunstâncias…

Vivendo infelizmente no matagal da pelegagem, ouvi o comentário de um vizinho referindo-se aos bons tempos do Rio, sem violência, sem sujeira nas ruas, com assistência de saúde e escolas públicas de qualidade. Ele disse que tinha saudade dos “tempos do onça”, expressão que há muito tempo não ouvia… Lembrei-me até de um frevo (acho que do Capiba) que cantava “Soltaram a Onça, corre todo mundo”…

Na verdade, o “Tempo do Onça” é mais antigo, do início do século 18. “Onça” era o apelido dado ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Vahia Monteiro, que governou com probidade e rigoroso cumprimento das leis, sendo por isto respeitado pelo povo.

Os sucessores de Luiz Vahia não herdaram suas qualidades, e a população revoltou-se diante da falta de honradez, a insegurança e o abandono da capital, suspirando nos quatro cantos do Rio: “Ah, no tempo do Onça é que era bom!”.

No nosso caso não e lamentação, é revolta. Está insuportável ver-se o País no abandono, entregue a uma organização criminosa e uma governanta desacreditada, levando até nos discursos pronunciados na ONU suas mentiras compulsivas. Em vez de manifestar mágoa, temos ódio, queremos esquecer em breve “o tempo da Anta”!