Artigo

NA UTI DAS IDEIAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Inspirou-me uma tuitagem que passou quase despercebida, mas que repassei por considera-la um exemplo da velocidade de como as ideias se enfraquecem para ceder lugar aos fatos recentes. Foi uma pergunta: “A guerra declarada por Israel significará o abandono dos EUA à Ucrânia?”.

A importância desta indagação está na diminuição, quase abandono, do noticiário sobre o conflito europeu. O interesse imperialista da Otan caiu para o segundo plano, e em breve a terceirização militar comandada por Zelenski estará enterrada na cova das coisas esquecidas.

Nos artigos, comentários e crônicas que publico, gosto muito de citar palavras que se enfraqueceram no coloquial e digo, “fui buscar a palavra tal na UTI da Gramática”. Para preservar a riqueza linguística evito a extinção de alguns vocábulos que adotei na mocidade como precisos e até poéticos.

Entre as lições que recebi da cultura popular mantenho o princípio de que “recordar é viver”. Isto tem uma força tão grande que a filosofia positivista afirma que uma pessoa só morre realmente quando se esquecem dela.

Assim, procuro manter na memória os ensinamentos domésticos e escolares. Com a morte da minha irmã Lúcia no ano passado, perdi uma ressonante referência do que vivemos quando crianças. A nossa educação doméstica e escolar foi de um valor incalculável.

Trago sempre na mente o aprendizado da Ciência, da Geografia, da História e da Matemática. Considero lamentável quem o perdeu….

Compreendo que muito poucos tiveram a oportunidade que tive profissionalizando-me como jornalista, um exercício quase forçado para o cérebro. A leitura permanente, a pesquisa aprofundada e isenta e a análise fria dos acontecimentos são, para a memória, uma verdadeira ginástica.

O aprendizado no dia-a-dia funciona como um gravador eletrônico; e é durável. Os estudos da anatomia humana mostram que diferentemente dos demais órgãos que compõem nosso corpo envelhecendo em ritmo constante e célere, as células nervosas mantêm-se ativas mesmo na idade avançada.

É, por isto, que devemos alimentar o nosso cérebro com a ambrosia da lembrança. Usar com afinco e prazer a cabeça em vez de nos preocupar com artifícios para remoçar o corpo, massagens, maquiagens e operações plásticas. Deixemos isto para os novos ricos ou os pelegos que chegam ao poder….

Caminhando no labirinto da política brasileira vimos a diferença das suas armadilhas para aquele da mitologia grega, o Labirinto de Creta, que encarcerava o Minotauro, dando-lhe anualmente como alimento o corpo de catorze adolescentes, sete moças e sete rapazes.

No nosso labirinto, o monstro hediondo não tem cabeça e rabo de touro; trata-se da abominável fake news, a figura mascarada de notícias falsas e da informação distorcida. Expostos ao sacrifício – todos nós –, não podemos esquecê-la por um minuto sequer, e somente assim estaremos resguardados da falsidade política.

Enveredando na galeria da política intricada, encontraremos apenas a falsidade das calúnias, difamações e enredos como apresentam agora descrevendo a guerra dos israelitas e palestinos. Tirando da UTI das Ideias, trazemos o pensamento do marechal prussiano Otto von Bismarck: – “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”.

 

OS PERIGOS DA LÍNGUA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Como parte corpórea dos animais e particularmente da anatomia humana, a língua é órgão móvel ligado à epiglote, ao osso hioide, palato mole, faringe e laringe, que se estende na região próxima aos dentes incisivos inferiores.

Lexicamente dicionarizada, a palavra língua é um substantivo feminino com ampla definição que vai da anatomia animal ao sistema de comunicação oral. Do ponto de vista fisiológico, língua faz parte do aparelho digestório servindo à deglutição e ao paladar. Pelo aspecto humano relaciona-se à fala.

Parece incrível, mas quem melhor definiu o aspecto vocálico da comunicação foi o escritor grego da antiguidade clássica Esopo, a quem se atribui a criação literária da fábula, sendo ele próprio, autor de várias delas tornadas populares mundo afora.

Pelo seu nome, há historiadores que dizem ter ele nascido na Etiópia, e chegou à Grécia vendido como escravo e comprado filósofo Xanto. Da convivência dos dois é que se registrou fabulosamente o conceito da língua, que li na tenra juventude e por sorte recuperei entre os livros de referência que mantenho.

Quase um milagre. Fui surrupiado em quase 500 livros pelo “exército revolucionário de 64” por se tratar de literatura subversiva, incluindo-se filósofos gregos antigos, enciclopedistas, Monteiro Lobato e, como já contei como piada, “Nosso Homem em Havana” uma humorística ficção do romancista inglês Graham Greene, passada em Cuba na pré-revolução, tendo como personagem um vendedor de aspiradores de pó….

Depois disto, ao me mudar de Natal, Rio Grande do Norte, onde vivi 30 anos, de volta ao Rio, dei aos amigos e doei para bibliotecas interioranas cerca de 3.000 livros. Assim, o que me restou foram diretrizes, biografias, informações e saudosismo. Foi deste último que sobrou a fábula viva de Esopo. Conta que:

“Xanto, dono de Esopo, ainda não o célebre fabulista, mas um simples escravo, que fosse ao mercado e de lá trouxesse as melhores especiarias para servir num banquete que ofereceria a amigos.

“No jantar, foram servidos pratos frios com língua preparada de várias maneiras, de triviais a exóticas. Meio decepcionado, Xanto admoestou Esopo com severidade diante dos presentes: – ‘Pedi-lhe para trazer o que havia de melhor e só trouxeste língua?’

“Esopo, com altivez, respondeu: – ‘Não querias, meu patrão, uma iguaria excepcional que o mercado oferece?’; e justificou: – ‘Te obedeci. Nada é melhor que a língua; é o elo da vida social, órgão da verdade e da ciência, discurso que empolga assembleias?’ Os comensais o aplaudiram e Xanto se conformou.   

“Para novo convescote desta vez com adversários, Xanto recomendou ao Escravo para adquirir o menos conveniente acepipe, o que tivesse de pior no mercado. De novo, repetidamente, Esopo ofereceu vários pratos de língua, desta vez quentes, com molhos agridoces extravagantes contrastando com pétalas de rosas e folhas de louro.

– “O que é isto?”, perguntou Xanto espantado, – “Vais servir apenas língua?’. – “Senhor, tu me ordenaste a comprar o que houvesse de pior no mercado e eu acredito que só pode ser a língua!’; e explicou: ‘A língua é o que acarreta todas brigas, promove inimizades, arma traições, executa calúnias e perjúrios e falsos testemunhos. Até motiva guerras.’ Xanto calou-se e deu-lhe liberdade, tornando-o um cidadão livre.

Eu gostaria que esta lição fosse expandida em todos seguimentos sociais para alertar sobre os bens e males que a língua traz. Assim, quem sabe, os ministros Dino e Simone poderiam se conter em usá-la, e Bolsonaro e Lula não mais a usassem para mentir.

Também para pedir uma reflexão sobre a polarização entre os extremismos, para denunciar as falsas direita e esquerda do populismo, e defender o Centro Democrático!

 

 

 

SONHOS BONS E PESADÊLOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Escrevi outro dia sobre sonhos, lembrando Sócrates e Martin Luther King; o Filósofo prevendo o encontro com Platão, e o Pastor trazendo a esperança de um mundo melhor para o ser humano livre de qualquer tipo de fobia.

Gosto de refletir sobre até onde devemos nos preocupar com os sonhos. Psiquiatras e Psicólogos vêm se encarregando disto há muito tempo e em sua maioria concluem que o sonho é a coordenação simbólica das coisas vistas e ideias elaborada na vigília.

Nas suas obras, Freud dá um destaque aos sonhos. Dois dos seus livros “A Interpretação dos Sonhos” e “A Psicologia dos Sonhos” estão permanentemente na pauta dos estudos e discussão. Para o pioneiro da Psicanálise o sonho nem sempre é o que parece, e interpretá-lo não é uma tarefa simplória.

A interpretação só é simples para os autocratas. A História da Antiguidade fala da cidade-estado de Siracusa, reino localizado na Sicília, ilha ao sul da Itália. Relata que a linda cidade foi governada durante 38 anos por um tirano, Dionísio (430 a.C. 367 a.C.).

Talvez Lula diga que o Governo de Dionísio era uma “democracia relativa”, mas mentiria mais uma vez. Tratava-se de uma ditadura cruel que legou uma história muito curiosa. Um jovem siracusano contou numa roda de amigos que sonhara ter estrangulado Dionísio; e, mesmo entre amigos, tem sempre um dedo-duro que levou a história aos ouvidos do governante. Este condenou o sonhador à morte, sentenciando: “Ninguém pode sonhar à noite o que não tivesse pensando durante o dia”.

Foi freudiana a decisão, pois está entre os estudos do Mestre que o sonho constitui “uma realização (disfarçada) de um desejo (reprimido)”.

Tenho certeza que muitos sonhos premonitórios são sonhados no Brasil simbolizando o fim da execrável presença dos extremismos de direita e de esquerda. Não é uma faca em Bolsonaro, nem volta à prisão de Lula, mas afasta-los da política levando-os ao exílio, Bolsonaro nos EUA ou na Hungria e Lula em Cuba ou Nicarágua….

As ondas de sufista que varrem o nosso cérebro perturbam o sonho dos fanáticos cultuadores das personalidades dos dois polarizadores, assemelham a morfinômanos que se agitam uma ilusória lucidez, um estado passageiro que só ocorre quando a morfina circula no sangue e gera a apomorfina um antídoto que abate a euforia.

Assim, o fanático vai do sonho ao pesadelo porque para combater a apomorfina somente nova(s) dose(s) de morfina. Esta vem nos discursos de ódio, nas ameaças recíprocas, nas mentiras deslavadas que ingerem novamente a droga da demagogia.

O genial dramaturgo alemão Bertolt Brecht legou-nos um pensamento que nos faz refletir: “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis”. Penso convictamente que é impossível considerar o Capitão e o Pelego como heróis, somente os morfinômanos do fanatismo podem nomeá-los tais.

Tivemos heróis no passado que muito nos orgulham; no presente um zero à esquerda que nos traz a inveja do pastor batista negro Martin Luther King, Registro que completa 50 anos a “Marcha de Washington”, a ocupação da capital estadunidense em defesa dos direitos civis contra o criminoso apartheid.

Lembro que a manifestação marcou o momento histórico em que Luther King pronunciou seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”; e esta frase, repetida várias vezes, provocou um coro de milhões de vozes mundo afora.

É assim que eu gostaria ver a corrente do bem repetir o alerta de Ulysses Guimarães, contra o pesadelo da polarização que revolta os autênticos patriotas: “A Pátria não pode se tornar capanga de idiossincrasias pessoais”.

PREMIAÇÃO POR MÉRITO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Ouvi dizer que com ávida gulodice política e vaidade pessoal, Lula está ambicionando o Prêmio Nobel da Paz… Este respeitável prêmio leva o nome do seu criador, o arquiteto e industrial sueco Alfred Nobel, que patenteou a dinamite e enriqueceu desmesuradamente.

A dinamite mudou o curso das guerras e provocou grande mortandade no século 19, o que aguçou o sentimento pacifista de Nobel levando-o a doar grande parte da sua fortuna para custear os prêmios. Dentre os contemplados estão representantes das áreas da Ciência, Economia, Literatura e Medicina; tendo, em especial, o Prêmio Nobel da Paz.

Aceitem como sarcasmo, mas registro que Alfred Nobel foi o inventor da balistite, um explosivo militar sem fumaça e também da dinamite com base na nitroglicerina; mas não do canhoneio cujas cápsulas levam projéteis que são arremessados pela explosão da pólvora.

Assim, bazucas, canhões, metralhadores e revólveres nada devem a Nobel, como se diz a boca pequena…. É fake-news; e, pela embromação, justificaria a criação de um Prêmio Nobel da Mentira; este sim, que muito me agradaria para ver Bolsonaro e Lula disputando suas indicações em Estocolmo para conquista-lo.

Seria para os dois malandros um grande prêmio, não as xibocas sugeridas à surdina pela plebe rude, insatisfeita com a politicagem reinante no Brasil. Ouvi da choldra a proposta do “Prêmio Picareta do Ouro” para os parlamentares que legislam em causa própria criando fundos partidários e eleitorais.

Com o propósito de agraciar ministros do STF que julgam monocraticamente com sentenças que os acumpliciam com a corrupção, propõem o “Prêmio Toga de Platina”; e também apresentaram no Twitter o “Prêmio Capacete Viking” para militares golpistas que investiram contra a disciplina e a tradição legalista das Forças Armadas.

Com a ousadia típica da mulher brasileira, algumas senhoras indignadas pela representação feminina negativa, nos andares de cima da política, estão pensando em lançar o “Prêmio Ascenção pelo Amor”, para conquistadoras de influência por sedução pessoal.

Nenhuma destas homenagens se nivelaria com o Nobel da Mentira se por ventura fosse instituído. Além da quantia em euros da fortuna Nobel, traria um troféu de cristal translúcido representando a Mitomania, figura que, segundo Byron, “é o traje à rigor no baile da política”.

Assim, vestidos de smoking e black-tie, os mitômanos atropelam a verdade nas pistas de corrida da sociedade. Não respeitam os princípios da convivência e persistem em ignorar a inteligência do povo.

Bolsonaro e Lula, bufões de pastiche político, nos alertam com o tinir dos guizos nas bordas dos braços e das pernas, usam a máscara da ilicitude populista e o chapéu colorido da demagogia.

Em cena, Lula aparece saracoteando no agitar frenético que justificou as dores de quadril, dando-lhe a desculpa para fazer cirurgia plástica de rejuvenescimento; e, também, com desenvoltura esperta, o Capitão Minto, graceja escamoteando o vício de embolsar dinheiro alheio, das rachadinhas às joias árabes….

Os dois mentirosos alimentam com a astúcia uma rede de intrigas formada por fanáticos seguidores que se manifestam cada vez em menor número, despertando aos poucos da letargia ilusória.

Por isto, defendemos uma terceira posição, o Centro Democrático, contra a arlequinada carnavalesca do populismo demagógico que não comporta mentirinhas insignificantes, mas grandes o suficiente para almejar um Prêmio Nobel da Mentira.

DA MILITÂNCIA IGNORANTE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Não custo de louvar um tuiteiro que me segue e mesmo adotando uma posição ideológica extremista que combato, faz críticas respeitosas aos meus textos, elogiando até as citações de filósofos antigos e modernos de tendência social-democrata. Escrevi outro dia sobre as contradições dialéticas citando Hegel e Marx, e este colega das redes sociais retuitou.

Este tratamento democrático não ocorreu com um tio bolsonarista da mulher do meu filho mais velho que se fez presente casa dele para o almoço que preparou para assistir a final do Flamengo e São Paulo, rubro-negros que somos.

O auto convidado é militar da reserva remunerada, e vinha sendo aproveitado em cargo civil pelo capitão Bolsonaro, acumulando salários. Para defender a “boquinha” exagera com um comportamento fascistóide que o colocaria entre os que queimaram livros na Alemanha Nazista, marchando com tochas diante de Hitler.

Falo de livros, porque vi-o passando a vista na estante da casa e examinando os dorsos, encontrou entre eles Darwin, Spencer, Voltaire (e até Platão, imaginem!); e disse em voz alta:  – “Pare que ler estes comunistas, meu sobrinho!”.

Imagino-lhe vendo a literatura que tenho como referência!…. Tenho Marx, Engel, Lenin e Trotsky e Rosa de Luxemburgo numa estante e, n’outra, “Escriti i dicorsi” de Mussolini, o Mein Kampf de Hitler e obras completas de Plínio Salgado. Sobre religião vou do Bhagavad Gita ao Talmud, dos evangelhos cristãos ao Alcorão.

Numa das visitas em minha casa – eu morava em Campina Grande na época -, agentes da ditadura de 1964 me surrupiaram 294 livros, entre os quais, mostrando a ignorância cívico-militar, levaram o “Nosso Homem em Havana” de Graham Greene, a história engraçada de um vendedor de aspiradores de pó….

Aprendi desde a infância a respeitar os conservadores, cuja seriedade no trato da coisa pública compensava uma ideologia parada no tempo. Foi o que ensinava o meu pai que adotava a doutrina positivista, defensora do progresso para alcançar a evolução da sociedade humana.

O Bolsonarismo, porém, nada tem de Conservador. Seu líder finge sê-lo e também fingidamente diz-se “de Direita”. Para se afirmar como condutor de massas, defende um ridículo anticomunismo herdeiro da “guerra fria”, mais de trinta anos após a queda do muro de Berlim; e ter agora o putinismo mandando na antiga URSS!

Para não faltar na contradição dialética dos extremismos, temos do outro lado os adoradores de Stálin lulopetistas, analfabetos que não leram o Relatório Kruschev mostrando-o como ditador sanguinário; e seus revolucionários “de botequim” na Câmara Federal põem o boné do MST, apoiando a invasão da Embrapa e o quebra-quebra de laboratórios de pesquisa.

Neste cenário da política brasileira, infelizmente, estas duas tendências se polarizam eleitoralmente; vemos de um lado as tropas de assalto fascistas servindo a Bolsonaro e, do outro, os seguidores da pelegagem populista de Lula….

Não sei se estes figurantes do enredo ideológico da falsa direita e falsa esquerda, que veem a cultura apenas politicamente, fazem jus à Lei Rouanet; mas são atores protagonizando um duelo no palco da política sob as lâmpadas do neon colorido da polarização.

No final, porém, igualam-se na corrupção e contra as liberdades democráticas. Pensam assim, pela exposição na mídia mercenária, impedir a formação de uma consciência livre, disposta a lutar contra esta odiosa alternativa entre Bolsonaro e Lula!

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A DIALÉTICA DA CONFUSÃO

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Segundo Goethe, os homens de idade avançada possuem uma alma forte com poder de compensar o enfraquecimento físico, dotando-lhe uma mente juvenil. Certamente é uma visão poética, mas vou aproveitar-me dela.

Sinto uma necessidade imensa de combater a ignorância política que grassa no Brasil e nos leva a admitir que vivemos no cenário revoltante da “Dialética da Confusão”. Certo: entreabrindo uma polêmica, acuso o extremismo de responsável por esta mistificação ideológica.

A Dialética, como se sabe. tem uma definição antiga; os filósofos gregos consideravam-na a “arte” de alcançar a verdade pela discussão, destacando as contradições do tema, para derrubar os argumentos irreais.

Ficou por conta do filósofo materialista Heráclito sua principal referência, no princípio que elaborou: – “Ninguém entra duas vezes num rio; acontece na segunda vez que a pessoa já não é a mesma, as águas passaram, e o rio não é o mesmo também”.

Este conceito vem sendo desenvolvidos pelas cabeças pensantes como Descartes, Diderot e Spinoza, cada qual aplicando a dialética às suas especialidades. Entretanto foi Hegel que a definiu como método de análise aplicando-o à lógica diante de dois pontos de vista diferentes, determinando neste embate de ideias uma terceira e nova ideia.

O sistema hegeliano foi absorvido e desenvolvido por Marx, passando a ser visto como uma ciência. Para o filósofo alemão, os exemplos mutáveis da Natureza e o pensamento humano escapam à visão idealista de Hegel exigindo uma comparação materialista.

A dialética como método científico nos ajuda a analisar a realidade. Assim, sua aplicação é simplificada pela equação: “Tese x Antítese = Síntese”, sendo que a Tese é uma proposta; a Antítese, o pensamento discordante; e a Síntese é a resultante da justaposição das expressões divergentes. É curioso ver que na Era Tecnológica que atravessamos, a dialética tornou-se uma ferramenta da Inteligência Artificial.

Para descomplicar ainda mais a Dialética, os orientalistas a resumem como a oscilação dos contrários, o Yin e o Yang, princípios antagônicos que interagem ao mesmo tempo e estão presentes na Natureza como a energia universal.

O uso do método dialético de análise deveria ser fundamental no exercício da política, mas é uma coisa estranha para os capiaus que a exercem aspirando apenas conquistas pessoais; e, pior ainda, pelos autos assumidos “quadros ideológicos” de direita ou de esquerda. E entre estes últimos, os ditos lulo-esquerdistas são incultos e os bolso-direitistas ignorantes.

Daí surge a dialética da confusão. No principal entre os partidos comunistas, o PCB, o populismo demagógico de Lula se confunde no seu discurso socialista; e a insciência da direita bolsonarista chega ao obscurantismo religioso….

Estes dois opostos têm, porém, interesses semelhantes, e vão do culto à personalidade dos líderes à fartura das benesses ofertadas pelos governos. Enfrentam-se numa polarização alimentada pela mídia mercenária para se manter no poder, mas se juntam quando se trata de avançar nos cofres públicos.

Não há exemplo melhor do que a tal anistia das multas por crimes eleitorais cometidos pelos partidos que tramita no Congresso com e a defesa enfática de Gleise Hoffman, presidente do PT sócio do Partido Comunista Chinês e deveria ler os clássicos marxistas para não fazer asneiras….

Assim, se o exercício da política é uma Tese, e o desprezo pela conveniência nacional é uma antítese, e o resultado sintético não poderia ser outro: a Dialética da Confusão.

 

 

 

 

FEMINISMO & ANTIFEMINISMO

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

Independente de um lado ou do outro no confronto entre o feminismo e o antifeminismo, em homenagem à minha falecida mãe, que pranteio sempre, lembro uma poética expressão de Ruy Barbosa: “A mulher é a síntese de todas as perfeições”.

Dona Anília, minha mãe, teve uma personalidade combativa em defesa dos direitos humanos e o equilíbrio cristão do seu lado humanista; a solidariedade e a caridade alicerçavam a sua religião.

Eu morava em Natal e recebi a visita de um primo, Ivan, já falecido, que me alertou para que ela corria risco, pois saía para fazer compras na Rua do Catete levando o dinheiro na mão.

Na primeira oportunidade em que vim ao Rio procurei um contemporâneo de infância que havia se tornado um perigoso marginal no bairro. Falei com ele sobre o problema e recebi como resposta uma bomba: – “Se alguém, seja lá quem for, tocar em D. Anília, morre!”.

Graças a esta imagem deixada pela minha mãe, não ligo para as profissionais do feminismo, ocupando com poses teatrais a telinha da tevê por dois minutos de fama; também estou me lixando para a estupidez machista, estéril e injusta.

Proclamo os direitos femininos de participação social e, principalmente, como profissionais no mercado do trabalho. Não admito que a mulher se julgue inferior ao homem, e muito menos que seja tratada como tal.

Vejo na magistratura mostrarem-se mais honestas do que os homens, suscetíveis a ideologizar ou vender sentenças. Uma mulher jamais cometeria a absurdez monocrática e criminosa do “advotogado” Dias Toffoli, enlameando tribunais em defesa do corrupto Lula da Silva.

Admito que no Legislativo a participação feminina é medíocre; igualando-se à mediocridade reinante no parlamento; mas no Executivo, todas as ministras salvam-se do lamaçal fedorento que o Governo da Picaretagem exala. Não vimos, até agora, nada que as desabone.

E, por abordar o Executivo, lembro que Lula da Silva, levado à presidência da República pela insanidade mental dos Bolsonaro, entra no debate “feminismo e antifeminismo” como ele próprio é, um pelego sindical machista.

Foi com este perfil que fez a criminosa maracutaia de trocar  a festejada atleta Ana Moser no Ministério dos Esportes por um picareta do Centrão, cujo currículo se resume no próprio nome, “Fuvuca”.

Vindo do Pelego, não foi surpresa; o que nos deixa chocados é ver as mulheres petistas e afins calarem-se por fanatismo sectário. As feministas petistas, ao contrário do que a História nos mostra, dos impérios da Antiguidade até hoje, não se assumem altivas e lúcidas, mas odaliscas de serralho.

Recordo uma anedota de Cleópatra e António no Antigo Egito. Houve um momento de altercação entre os dois e ele temeu ser assassinado por ela. Sempre nas refeições juntos, António levava provadores temendo a pelas iguarias servidas. Cleópatra divertia-se com isto; e preparou uma farsa incrível: Homenageou o amante com um banquete e cingiu-lhe a testa com uma tiara de flores.

Após muito vinho consumido, a Rainha propôs ao dignitário romano beberem as flores. António tirou as rosas da grinalda  e mergulhou as pétalas na taça, preparando-se para bebe-las; quando a levava aos lábios, Cleópatra deteve-o e chamou um escravo, mandando-lhe tomar o vinho e o infeliz morreu caído no chão.

Cleópatra disse então: – “Ao contrário de nós, mulheres, os homens não sabem aonde o perigo realmente está.

 

 

“MORRA: UM JOGO CHINÊS

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

No meu último comentário, escrevi sobre a mesa verde da política e o pif-paf jogado por Lula e Bolsonaro diante de torcidas fanáticas, reforçando a polarização eleitoral entre os dois. Falei dos viciados no baralho como um jogo de azar que adotam, defendem e divulgam, trunfando pela divisão nacional entre os extremismos.

Pela visão dialética, leva-nos ao Yin-Yang, colocando Bolsonaro e Lula, dois mentirosos, um de frente para o outro jogando a Morra chinesa. Lembram-se o que isto?

O jogo consiste em postar dois jogadores, cara-a-cara, escondendo a mão destra nas costas, para apresentar o punho fechado representando a “Pedra”, ou espalmando a mãos significando “Papel”, ou apresentando os dedos indicador e médio em V, como “Tesoura”.

Os resultados de cada rodada individual mostram que a tesoura ganha do papel, porque o corta; mas perde para a pedra, porque se quebra tentando cortá-la; e a pedra é derrotada pelo papel que a envolve.

A simbologia desta contenda expõe a realidade acima do discurso demagógico e populista feito pelos extremistas da falsa direita e da falsa esquerda. Diante desta situação vê-se o quanto os políticos mentem; sendo que os dois bonzos mentem desmesuradamente, cortando a verdade com a tesoura. envolvendo a ética com o papel e quebrando a vidraça da Democracia.

Psicanalistas e Psicólogos concluem que pessoas mentem para alcançar algum objetivo, mas a mentira patológica do mitômano é neurótica. Bolsonaro e Lula são exemplos de mitômanos, mentem por mentir, mesmo sem propósito.

Lula sai agora tentando impor o ludibrio para alcançar a “reparação” da impichada Dilma, cujo governo – é inegável – nadou nas raias da delinquência e da fraude. Do outro lado, os Bolsonaro – sociopatas parentais – agem com uma falsidade inaudita para esconder a corrupção no governo familiocrata que exerceram, e mostram agora sua falsidade brilhando no lusco-fusco das joias árabes….

Não é difícil ver neste palco onde os mentirosos protagonizam uma representação real, bem acima da ficção, como a que assistimos no filme “E se Fosse Verdade”, uma fantasia cinematográfica que contei outro dia. E vou repetir, resumindo:

Os artistas, Reese Witherspoon no papel de Elizabeth, Mark Ruffalo como David e Donal Logue, como Jack, vivem uma situação em que Beth, uma médica que está em coma induzida, cujo espírito aparece a David, possuidor de dons mediúnicos.

Apaixonando-se por ela, David tenta convencer o amigo Jack a salvá-la, pois teria no hospital os aparelhos de sobrevivência desligados. Jack duvida que seja verdade a existência fantasmagórica de Beth; então e David pede-lhe para fazer nas costas a representação das marcas simbólicas da Morra, papel, pedra e tesoura. Jack o faz, e Beth, atrás, dá a dica para David que acerta tudo, até uma pornomímica final e assim empolga o amigo para perseguir o final feliz….

Fora da telinha da Netflix, o jogo de Morra também entrou na polarização política mostrando como os extremistas mentem inescrupulosamente, usando a camuflagem dos camaleões mostrando-se verdes ou vermelhos para fingir fraudulentamente uma posição ideológica. Estão ainda convencendo muitos; mas, espíritos me mordam, não será para sempre!

“MORRA”, UM JOGO CHINÊS

MIRANDA Sá (mirandasa@uol.com.br)

No meu último comentário, escrevi sobre a mesa verde da política e o pif-paf jogado por Lula e Bolsonaro diante de torcidas fanáticas, reforçando a polarização eleitoral entre os dois. Falei dos viciados no baralho como um jogo de azar que adotam, defendem e divulgam, trunfando pela divisão nacional entre os extremismos.

Pela visão dialética, leva-nos ao Yin-Yang, colocando Bolsonaro e Lula, dois mentirosos, um de frente para o outro jogando a Morra chinesa. Lembram-se o que isto?

O jogo consiste em postar dois jogadores, cara-a-cara, escondendo a mão destra nas costas, para apresentar o punho fechado representando a “Pedra”, ou espalmando a mãos significando “Papel”, ou apresentando os dedos indicador e médio em V, como “Tesoura”.

Os resultados de cada rodada individual mostram que a tesoura ganha do papel, porque o corta; mas perde para a pedra, porque se quebra tentando cortá-la; e a pedra é derrotada pelo papel que a envolve.

A simbologia desta contenda expõe a realidade acima do discurso demagógico e populista feito pelos extremistas da falsa direita e da falsa esquerda. Diante desta situação vê-se o quanto os políticos mentem; sendo que os dois bonzos mentem desmesuradamente, cortando a verdade com a tesoura. envolvendo a ética com o papel e quebrando a vidraça da Democracia.

Psicanalistas e Psicólogos concluem que pessoas mentem para alcançar algum objetivo, mas a mentira patológica do mitômano é neurótica. Bolsonaro e Lula são exemplos de mitômanos, mentem por mentir, mesmo sem propósito.

Lula sai agora tentando impor o ludibrio para alcançar a “reparação” da impichada Dilma, cujo governo – é inegável – nadou nas raias da delinquência e da fraude. Do outro lado, os Bolsonaro – sociopatas parentais – agem com uma falsidade inaudita para esconder a corrupção no governo familiocrata que exerceram, e mostram agora sua falsidade brilhando no lusco-fusco das joias árabes….

Não é difícil ver neste palco onde os mentirosos protagonizam uma representação real, bem acima da ficção, como a que assistimos no filme “E se Fosse Verdade”, uma fantasia cinematográfica que contei outro dia. E vou repetir, resumindo:

Os artistas, Reese Witherspoon no papel de Elizabeth, Mark Ruffalo como David e Donal Logue, como Jack, vivem uma situação em que Beth, uma médica que está em coma induzida, cujo espírito aparece a David, possuidor de dons mediúnicos.

Apaixonando-se por ela, David tenta convencer o amigo Jack a salvá-la, pois teria no hospital os aparelhos de sobrevivência desligados. Jack duvida que seja verdade a existência fantasmagórica de Beth; então e David pede-lhe para fazer nas costas a representação das marcas simbólicas da Morra, papel, pedra e tesoura. Jack o faz, e Beth, atrás, dá a dica para David que acerta tudo, até uma pornomímica final e assim empolga o amigo para perseguir o final feliz….

Fora da telinha da Netflix, o jogo de Morra também entrou na polarização política mostrando como os extremistas mentem inescrupulosamente, usando a camuflagem dos camaleões mostrando-se verdes ou vermelhos para fingir fraudulentamente uma posição ideológica. Estão ainda convencendo muitos; mas, espíritos me mordam, não será para sempre!

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NO BARALHO POLÍTICO

MIRANDA SÁ (mirandasa@uol.com.br)

É possível que nas grandes decisões, os políticos do andar de cima  joguem xadrez, como dizem os comentaristas televisivos; vá lá! mas na telinha não se fala como joga o “Baixo Clero” (a verdadeira qualificação da picaretagem parlamentar) que adota o baralho.

Para os picaretas é mais fácil decorar os naipes do que mover pedras na complexa estratégia enxadrista; os que compõem o Baixo Clero, apelidado de Centrão para confundir e queimar o Centro Democrático, antítese deles, picaretas parlamentares.

O Centro Democrático não se vende, nem se troca: defende a terceira opção eleitoral, independente e patriótica, contra a polarização extremista. É completamente diferente dos defensores da disputa bivalente dos auto assumidos fraudulentamente como “de direita” e “de esquerda”.

Enquanto os autênticos democratas querem um país unido, bolsonaristas e lulistas querem uma sociedade dividida em facções estúpidas e, por isto, mantêm uma guerra de desinformação sobre o mapa ideológico da política

É por causa dos polarizadores que o homem comum não é informado de que os extremismos que Bolsonaro e Lula carregam são apenas o culto à personalidade e o fascínio por símbolos, bandeiras ou cores. Não valorizam princípios éticos. Fingem brigar entre si, mas são iguais pelo avesso.

Não há dúvida que seus argumentos deles envoltos num populismo barato, enganam muita gente. Sob uma colorida demagogia, o homem comum adota, por preguiça mental, ideologias degeneradas travestidas de conservadoras ou progressistas.

Então, por ingenuidade, ignorância ou psicopatia, os eleitores engrossam a dupla fileira da bipolaridade eleitoral e olham o Brasil pelo retrovisor da História. Chegam até a enfrentar-se como fascistas hitleristas e comunistas stalinistas.

Também ingênuas, ignorantes ou psicopatas, há pessoas que embaralham o populismo demagógico com socialismo e acompanham a marcha oportunista do lulopetismo; e seus adversários, igualmente obtusos, trocam o ideário conservador pelo besteirol da direita bolsonarista sem ética e sem moral.

Eis os naipes do baralho da picaretagem: examinando-os, vemos que são manuseados pelos que defendem e divulgam a cisão nacional entre os extremismos, são viciados em jogos de azar e não com as singelas cartas infantis do “Mico” ou as ingênuas bisca e sueca familiares.

O carteado de sete-e-meio do Baixo Clero é esquizofrênico. Leva o jogador à desintegração da personalidade, recriando-se à imagem e semelhança dos seus chefes, Lula e Bolsonaro, escamoteadores da verdade.

Só não vê quem não quer Bolsonaro como mercador de bens públicos e da desonra militar confrontando-se com Lula, ex-presidiário, condenado em três instância por corrupção, mas infelizmente no poder por suspeitas ações jurídicas.

Assim, jogando na mesa do destino nacional apostando no futuro, esperamos, por amor à Pátria, que a sorte nos proporcione o az, o rei, a dama, o valete e o dez, do mesmo naipe, para formar um Royal Flush. E ganhar o jogo contra a corrupção, a mentira, o nepotismo, a pelegagem corrupta dos hotéis de luxo, das joias, dos piagets e dos rolexes…