DA CIÊNCIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
O saber natural começou a se diferenciar das visões míticas e religiosas evoluindo pela investigação científica a partir da Alquimia estudada por Hermes Trismegisto e exposta na Tábua da Esmeralda com a visão holística do cosmos e fundacional da alquimia.
Dos textos do Pai da filosofia hermética, da alquimia e da magia foram herdados pelos filósofos pré-socráticos da Grécia antiga, que lançaram as bases da Ciência tal como a conhecemos atualmente.
A Ciência na Antiguidade foi da filosofia natural à prática experimental, graças a Aristóteles, discípulo de Platão, usando o método filosofal primitivo, formalizando raciocínio e a observação como caminhos do conhecimento.
Historicamente se comprova que a partir de Aristóteles o helenismo viveu um esforço coletivo para aproveitar a sabedoria egípcia e babilônica; e assim, o raciocínio lógico alicerçou a observação, tornando a Filosofia a base da Ciência para sistematizar astrologia, a biologia, a geometria, a física e a metafísica.
Enfim, Tales de Mileto (século VI a.C.) previu eclipse solar; Euclides, Arquimedes e Eudoxo de Cnido desenvolveram provas geométricas com a matemática, criando modelos astronômicos e daí veio Eratóstenes que usando sombras em duas cidades diferentes, mediu com precisão a circunferência da Terra.
Infelizmente, tudo isto foi esquecido e negado na Idade Média dominada pelo cristianismo imperial católico e romano, baseado numa estreita interpretação literal da Bíblia, defendendo o modelo geocêntrico que põe a Terra no centro do universo.
Isto levou Galileu Galilei à prisão domiciliar perpétua por sua defesa do modelo heliocêntrico de Copérnico, que coloca o Sol no centro do sistema planetário; e o seu livro “Diálogo sobre os Dois Sistemas Mundiais” foi proibido pelo reacionário Index Librorum Prohibitorum.
A Idade Moderna que cobriu o período entre a queda de Constantinopla em 1453 até a Revolução Francesa em 1789, marcou uma virada na concepção científica graças aos instrumentos técnicos, telescópio, microscópio, termômetro e barômetro, que ampliaram as observações e as medições quantitativas.
Isto marcou a presença de proeminentes figuras como Johannes Kepler, Francis Bacon e René Descartes. Kepler descreveu o movimento elíptico dos planetas ao redor do Sol formulando três leis planetárias; Bacon sistematizou o método científico indutivo, composta por observação, hipótese, experimentação e conclusão baseada em evidências; e Descartes fundou o racionalismo moderno, introduzindo a geometria analítica e a dúvida metódica como parte do processo científico.
Ainda no século XVIII, Antoine Lavoisier consolidou a revolução química, refutando a Teoria do Flogisto e formulando a lei da conservação da massa e a nomenclatura moderna da Química.
Da máquina a vapor para cá, a Revolução Industrial trouxe ao século 20 a eletricidade, a informática e a automação, caminhando em direção à inteligência artificial; mas por outro lado, estabeleceu a Era Atômica, revelando o imenso poder de destruição contido no átomo inaugurando uma nova etapa na História da Ciência e da Tecnologia.
Assim, a Ciência moderna tornou-se uma força de transformação do conhecimento e na prática social, lançando as bases do mundo contemporâneo com o poder da Comunicação com o rádio, o telefone, a tevê e a Internet. Infelizmente trouxe também a mediocridade dominante entre lideranças globais, especialmente nos EUA e na Rússia.
Esta mediocridade revelou o esvaziamento da política e a polarização de personalidades despreparadas, trocando as concepções de direita e esquerda pelo populismo oportunista, sem qualquer formação de estadistas, e, negativamente, a tomada das decisões, depende deles.
Só o apoio dos governantes tornará a Ciência o fundamento para levar qualidade de vida às nações; mas, com a mediocridade que se reflete entre nós, o bem comum é desprezado no protagonismo polarizador da incultura que ocorre com Bolsonaro e Lula, ambos sem a instrução necessária a um presidente da República.
Confirmemos que o que recebemos deles em termos científicos foi o estúpido negativismo da Ciência contra as vacinas, pelo bolsonarismo; e, do outro lado, a corrompida iniciativa dos lulopetistas criando a tomada de três pinos para obter propinas…
DA FILOSOFIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Jiddu Krishnamurti, teosofista e líder espiritual contemporâneo, abria suas aulas sobre revolução psicológica, com o seguinte pensamento: – “Não há professor, não há aluno, não há líder, não há guru, não há mestre, não há salvador. Você mesmo é o professor, o aluno, o mestre, o guru, o líder, você é tudo.”
Assim se faz um Filósofo, que vai além de um diploma; para sê-lo, é preciso somente comprometer-se com o pensamento crítico, ser curioso, estar aberto ao diálogo e ler sem discriminações, principalmente os gregos antigos, Diógenes de Sínope, Heráclito de Éfeso, Platão e Sócrates.
Vieram depois, Baruch de Spinoza, David Hume, Francis Bacon, Galileu Galilei, Isaac Newton, John Locke, Kant, Nietzsche, Thomas Hobbes e, influenciando grandemente a filosofia ocidental, os franceses Bergson, Blaise Pascal, D’Alambert, Descartes, Diderot, Montesquieu e Voltaire.
A leitura dos clássicos é fácil, até porque a gente encontra a sinopse de suas obras no dr. Google; difícil é analisar ideias com profundidade, duvidar das crenças, identificar contradições e revisar as convicções diante das evidências.
Mesmo sem querer “academizar”, lembro Sócrates: “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”; uma norma que vale para o Filósofo e para nós outros, pessoas comuns. Chegando à Grécia antiga, é impossível esquecer Platão, que ensinou a existência de dois mundos, o mundo sensível (mundo material) e o mundo das ideias (realidade inteligível).
Isto nos leva à dialética de Heráclito, muito anterior à Hegel e aos marxistas, quando identificou as contradições e transformações vitais dizendo que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”.
Daí, vem a ideia do confronto que Diógenes, que pela perfeição andava durante o dia pelas ruas com uma lanterna nas mãos à procura de um homem honesto. Já imaginaram se na atual conjuntura brasileira o aprendiz de Filósofo saísse nas ruas com uma lanterna na mão procurando encontrar honestidade entre os homens públicos que ocupam o poder estatal e governamental?
O aprendiz de filósofo, bem intencionado e autônomo, sem dúvida, se arriscaria a enfrentar o desprezo e a perseguição, na busca pelo “mundo ideal”; a Filosofia o obrigaria a isto. Este questionamento sobre os valores éticos que nos cercam, porém, terminaria por leva-lo ao desdém, à ironia e ao sarcasmo. Pior, se algum dos semideuses do Olimpo Supremo se julgasse ofendido, o levaria à prisão.
A palavra Filosofia, originária do grego “Philosophia“, significa amor à sabedoria e somente este amor resolve problemas existenciais; com ele o Filósofo precisa de integridade intelectual e o uso do método dialético para dar respostas conforme a “sua” concepção….
Conhecendo mais a História e a definição do que a própria Filosofia, apreciei e recomendo aos que querem enveredar por este caminho, o livro de Jostein Gaarder, O “Mundo de Sofia” que pela sua simplicidade na argumentação fiz questão de prescrevê-lo para os meus filhos.
Sofia põe em realce o pensamento sobre todas as coisas que fazemos; considera-as atos de consciência relacionados com a realidade que nos cerca; e, se assim acreditarmos, chegaremos à meditação búdica e, com suas variadas técnicas, veremos o que se encerra na nossa consciência.
Será meditando que enfrentaremos as dúvidas que pairam sobre nós, livres do fanatismo, seja religioso ou político. Assim fazendo, sentiremos a necessidade de enfrentar a realidade escapando da ilusão.
Da minha parte, assumo e me desculpo pela insistência de lutar cotidianamente contra a corrupção que grassa em nosso País e por considerar intolerável a existência de uma polarização eleitoral entre dois populistas corruptos, apoiados irrefletidamente pelos que cultuam estas personalidades.
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DO PATRIOTISMO
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Colisão de egos e desavenças geopolíticas trouxeram à baila uma velha polêmica sobre a diferença do Patriotismo com o Nacionalismo. As definições clássicas nos mostram que o Patriotismo é o amor pela pátria, pelo reconhecimento dos valores nacionais que se dispõe à sua defesa, até o sacrifício; o Nacionalismo é a subversão deste sentimento que converte o amor numa ideologia que leva ao totalitarismo.
A experiência histórica que nos leva ao século passado mostra a transformação do patriotismo à submissão cega ao regime dominante; exaltando nitidamente valores aos princípios fundamentados em concepção política e partidária, que incluem convicções, crenças, regras e punições.
Assim, viu-se no século 20 este quadro do patriotismo ser usado pelo ultranacionalismo nazista, defendendo a superioridade racial do “volk” alemão sobre todos os outros, subordinando a nação ao Führer por meio de propaganda e da violência.
Na Itália, também, o fascismo promoveu com a exaltação às glórias do Império romano a ideia do “homem novo”, do militarismo e a subordinação do indivíduo ao Estado; dessa maneira extinguiu as liberdades democráticas reprimindo os opositores.
Neste tempo pretérito assistimos no regime stalinista da URSS, a traição do princípio socialista do internacionalismo, institucionalizando o patriotismo com o forte culto à “pátria soviética” que, para impor unidade absoluta em torno do ditador, patrocinou uma repressão massiva com os chamados expurgos e processos fatais dos dissidentes.
Na conjuntura dos anos 1900 que percorremos com uma lanterna nas costas, levamos a luz para frente a fim de ver com clareza a conjuntura que inspirou o estudo do patriotismo: a ascensão de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.
No país que tem à entrada a Estátua da Liberdade, chegou à política “America First“, o projeto de construção de um patriotismo performático e excludente, voltado para o culto de um nacionalismo competitivo.
Podemos incluí-lo entre os que trocaram o amor pela pátria por discursos inflamados, marquetagem visual dos tanques em Washington, paradas militares e passeatas embandeiradas à moda de Goebbles. O pior é que este falso patriotismo a gosto da ultradireita herdeira da Ku-Klux-Klan, atravessa as fronteiras norte-americanas com ameaças a outros países.
As sanções políticas e econômicas extremadas alcançam até o aliados tradicionais e pesam mais para o circuito China-Rússia e sua área de influência alcançada pelos BRICS, chegando ao Brasil respondendo a presidente Lula que candidato, e depois de eleito, atacou e ataca pessoalmente o presidente Trump.
Como inegável, isto me leva a constatar o choque psicopático de personalidades, em que o patriotismo fica resumido a um simples slogan estratégico; e, no caso brasileiro, mostra que a patriotada verde-amarela desmascarada dos Bolsonaro foi adotada por Lula e seus seguidores, decepcionando a esquerda autêntica.
Aliás uma decepção que vem de longe, quando o crítico, biógrafo, ensaísta, poeta e lexicógrafo inglês Samuel Johnson, ilustre figura da intelectualidade britânica, atacou os oportunistas da Câmara dos Comuns que justificaram o belicismo colonial, dizendo que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”; uma definição que desperta o desejo de usá-la contra os oportunistas de hoje.
Com relação a Trump, passo a editoria para The Washington Post, analisando que a política trumpista reduz amor à pátria a uma encenação, ignorando o que o país realmente representa.
E, no âmbito doméstico, vê-se com uma clareza meridiana que patriotismo substancial – a devoção à Pátria que mora no coração dos brasileiros – é trocado politicamente e aproveitado para revigorar a popularidade de Lula, que estava em baixa, pelos desmandos pessoais dele, preso à memória do peleguismo sindical.
… E desta maneira se iguala a Bolsonaro, que vestiu a camisa da seleção brasileira para vender seu pretenso patriotismo.
Estes dois oportunistas, Jair e Lula, que polarizam eleitoralmente, refugiam-se no sentimento patriótico nacional em proveito próprio. Esperamos que o eleitorado desperte para isto e ceda lugar a uma terceira opção que não roube como os populistas corruptos, a definição de patriotismo.
DA IMPRENSA
MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br)
Surgida na Era Mercantilista alemã, a imprensa escrita é capitulada na História com os boletins rudimentares limitados a noticiar a entrada e saída de navios mercantes, o comércio e as finanças. Graças a prensa de Gutemberg, expandiu-se rapidamente indo para a França e a Inglaterra.
Na França assumiu um importante papel político às vésperas da Revolução de 1789. Dois jornais =foram editados por Marat, com “L’Ami du Peuple”, e Hébert, com “Le Père Duchesne”, acionados para criticar aristocratas, denunciar o governo e mobilizar os parisienses para as manifestações de rua.
Por eles, a Revolução Francesa garantiu a liberdade de imprensa, incentivando o surgimento de centenas de títulos e opiniões; e assim se espalhou como o “4º poder”, mundo a fora. Infelizmente não alcançou o Brasil colonial, onde o seu primeiro jornal, o “Correio Brasilense”, editado em Londres, circulava de forma clandestina na Colônia e em Portugal.
Fundado pelo jornalista Hipólito José da Costa, o Correio adotou as ideias liberais do Iluminismo inglês e cobriu movimentos nacionais como a Revolução Pernambucana de 1817 formando opinião entre a elite intelectual lusitana e brasileira.
A divulgação de ideias pelos jornais subversivos teve entre nós um impulso ligado aos movimentos libertários no Brasil, como a Conjuração Baiana (1798) e a Confederação do Equador (1824). O exemplo mais-do-que-perfeito é a publicação criada em 1823 pelo médico Cipriano Barata, a “Sentinela da Liberdade”, defensora da República.
Barata, como editor, era preso frequentemente e mudava o título do seu jornal aludindo às prisões que enfrentava; assim, criou em Recife a “Sentinela da Liberdade na Guarda do Quartel General” e depois, no Rio, a “Sentinela na Guarita de Villegaignon” ….
Hoje, falar de jornais impressos pouco tem a ver com a Imprensa. Esta engloba todo espectro da comunicação abrindo o leque a partir do telefone, invenção tecnológica de Graham Bell em 1877, que o Brasil foi um dos primeiros países a usá-lo com o apoio do imperador Pedro II.
A seguir, no final do século 19, tivemos a criação do sistema de telegrafia sem fio e a descoberta do rádio creditada ao italiano Guglielmo Marconi. As ondas do rádio, então, empolgaram o mundo.
Depois, no cenário da Informação surgiu a televisão, inspirada na ficção científica das séries cinematográficas de Flash Gordon (1936-1940), uma explosão de futurologia pela adaptação visual das emissões radiofônicas; o personagem transmidiático usava narrativas televisivas.
A tevê, então, consolidou exitosamente a comunicação jornalística por um longo período, até 1969, quando apareceu nos EUA com a ARPANET, método computacional que favoreceu o intercâmbio midiático entre universidades e centros de pesquisa.
Um ano depois seguiram-na, Friendster (2002), MySpace (2003), Facebook (2004) e, em 2005, o YouTube. Mais popular entre eles, o Face, antes limitado aos estudantes de Harvard, foi aberto ao público em geral em 2006, introduzindo na web o Instagram e o WhatsApp. No entremeio, foi lançado pelo Google o Orkut.
O avanço científico e tecnológico favoreceu sobremodo as redes sociais, investindo-as computadorizadamente como a Imprensa da atualidade, democratizada e popularizada pelo telefone. Hoje, quase todas pessoas possuem um celular, usando-o para se comunicar e se informar….
Este meio tecnológico firmou-se em virtude da degenerescência que o jornalismo tradicional sofreu pelo mercenarismo ou adoção partidária. Assim, a opinião pública transmitida democraticamente passou a representar a sociedade, e a sociedade não pode prescindir dela.
É por isto que o Sistema Político, corrupto e corruptor, mobiliza agentes para sufocar esta expressão livre do pensamento; sem ela não se toma conhecimento do que os ocupantes do poder praticam e a delinquência torna-se legal.
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DA EXPERIÊNCIA
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Venho atender a curiosidade dos mais jovens, sobre as memórias que trouxe no artigo “Estupidez”, lembrando o tempo antigo, o “meu” tempo, muito diferente do que convivo atualmente.
As doces (e também amargas) lembranças de quando o futuro parecia traçado mesmo com obstáculos casuais, transmito sempre a quem interessar possa…. Até considero uma obrigação fazê-lo para as gerações posteriores.
Filosofando, vejo que o olhar para o passado começa a partir das palavras; da sinonímia defasada entre “juventude” e “mocidade” que divide gerações. Castro Alves falou de “Mocidade”; três gerações após falava-se de “Juventude”. Rui Barbosa nos legou a bela “Oração aos Moços” e mais tarde, contra a guerra que nos ameaçava, adolescentes cantávamos: – “Jovens do vasto mundo/ Nós cantamos o Hino da Paz…”
Entretanto, para relembrar o passado é preciso trazer a Experiência, o armazenamento mental de coisas, fatos e pessoas, como escreveu Bertrand Russel: – “A memória que prolonga a nossa personalidade, recuando-a no tempo, é a memória da nossa experiência”.
“Experiência” como verbete dicionarizado é um substantivo feminino vindo do latim, “experientia“, derivada do verbo “experiri“, que significa “testar, experimentar”. São muitos os seus conceitos, tal como bagagem, competência, ensaio, prática, prova, significados, traquejo, vivência.
O “eu” e as suas sensações para atos e fatos concretos, não é mera conjectura e impressão, mas a conservação de informações sobre os acontecimentos; mas, por falta de um aprendizado técnico ou do mimetismo natural para gravar o cotidiano, nem todos possuem a mestria do lembrar-o-que-ocorreu.
Os cérebros de todas as pessoas são dotados igualmente de alegrias e tristezas, aversões e desejos, dores e prazeres, mas a maioria destes sentimentos se manifestam despreocupadamente. Tais acontecimentos acumulam tudo o que a formação biológica pressupõe no sistema espaço-tempo.
Muitos carregam tais lembranças na mente pensante; mas, para não “academizar”, – olha o neologismo aí, @profeborto – vejo a necessidade e a obrigação de quem as viveu, transmiti-las a quem deseje ouvi-las.
A História da Humanidade registra que nas sociedades primitivas sem escrita, havia pessoas que transmitiam de memória às crianças mitos, genealogias e tradições pela oralidade. Eram os “contadores de histórias” que exerciam um papel fundamental na preservação da memória coletiva.
Nas primeiras civilizações mesopotâmias e egípcia surgiu a escrita, e o saber ancestral passou a ser registrado em argila, pedra e pergaminho e, pela experiência adquirida, os relatos foram aprimorados, como temos na Epopeia de Gilgamesh e mais tarde, na Ilíada. Assim, os “cantadores” foram substituídos mais refinadamente pelos escribas e poetas.
Da Grécia Antiga, herdamos a História do século 5 até o século 4, de Heródoto, Tucídides, Posidônio, Políbio e Zózimo. Estudos e pesquisas revelam cerca de 856 historiadores gregos, incluídos os mitógrafos e cronistas.
As epopeias cederam lugar à História, numa transição que marca o nascimento da literatura. Passou-se a refinar a linguagem, criar personagens e refletir sobre o mundo, transformando antigas tradições orais em arte escrita. Conservou-se um rico acervo literário de contistas e fabulistas ocidentais e orientais.
Lembramos as alegorias de Esopo cujas fábulas com animais transmitem lições morais, e na Idade Moderna, La Fontaine, que adaptou esse legado à França do seu tempo. Da Índia nos chega o “Panchatantra“, coletânea de histórias de Vishnu Sharma, com forte teor pedagógico; e, na China, a adaptação da tradição oral nos “contos de sabedoria” de Zhuangzi.
Esta herança viva da literatura atende a curiosidade das novas gerações. Torna-se uma ligação temporal do presente com o passado, incorporada pela experiência reforçada pela memória e retocada pelo estilo.
Assim, mais do que palavras jogadas fora em mesa do bar nos tempos da brilhantina, no fim do trabalho ou após um filme avant garde, na madrugada, será preferível ir aos clássicos e neles encontrar lições como a que nos deixou Eleanor Roosevelt: “Se alguém trai você uma vez, a culpa é dele. Se trai duas vezes, a culpa é sua”.
Na filosofia cantada, que vem sendo lembrada no seriado que a Globoplay traz sobre Raul Seixas (embora fraca como biografia e rica de colagens repetitivas) também nos leva à experiência de enfrentar cantando o Sistema…
Muito me alegraria se a experiência conscientizasse que os jovens curiosos decidissem lutar contra a traição costumeira de Jair e Lula, e zumbizassem como a mosca de Raul na sopa desses fantoches do Sistema.
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DOS TRIBUNAIS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Ao longo da História encontramos tribunais, seus julgamentos e sentenças ilustrando o Direito. Isto, em várias culturas e épocas diferentes. Como verbete dicionarizado, Tribunal é um substantivo masculino de etimologia latina, “tribunal”, palavra originária de “tribus“, a jurisdição primitiva dos romanos.
Como órgãos decisórios, os tribunais se compõem de um ou de vários juízes que julgam conjuntamente; estes protagonistas intitulam-se magistrados que emitem sentenças; monocraticamente, coletivas em plenário ou atendendo a decisão de um júri especialmente convocado.
No perder dos tempos o Tribunal foi a cadeira onde se assentavam os monarcas. Ficou famoso então o julgamento das duas mulheres que disputavam a maternidade de um bebê pelo rei Salomão, ambas alegando ser mãe do mesmo filho após a morte do outro bebê. Salomão sacou duma espada e propôs dividir a criança ao meio; a mãe de verdade implorou pela vida da criança, propondo que se entregasse o bebê à outra; diante disto, o juízo do Rei viu o instinto amoroso materno revelado e entregou-lhe o filho. Este julgamento tornou-se o símbolo da Justiça relatado na Bíblia (1 Reis 3:16-28).
Os deuses mitológicos da Grécia Antiga também julgavam. Há o episódio em que Zeus, o rei dos deuses, julgou a desobediência do Titã Prometeu que roubou o fogo do Olimpo trazendo-o para a Terra a fim de ajudar os humanos; Zeus decidiu puni-lo com o máximo rigor como exemplo para refrear o ímpeto de alguns deuses em ajudar os mortais.
Prometeu foi acorrentado numa rocha, onde diariamente vinha uma águia para comer o seu fígado, órgão que se regenerava à noite estabelecendo um ciclo eterno de sofrimento.
A Justiça está igualmente presente nos Evangelhos que relatam o julgamento de Jesus Cristo no Sinédrio, presidido pelo sumo sacerdote Caifás; segundo o relato, consumou-se uma sentença irregular, com acusações de falsas testemunhas por blasfêmia, por declarar-se “Filho de Deus”.
Como os fariseus não tinham autoridade para aplicar a pena de morte, levaram Jesus a Pôncio Pilatos, governador romano. Pilatos, mesmo percebendo a ausência de crime contra o Estado, cedeu à pressão da multidão incitada pelos escribas, contemporizando ao transferir a decisão para o rei Herodes. Este fez apenas chacota com Jesus e o mandou de volta a Pilatos. Este, enfim, lavou as mãos e autorizou a crucificação.
O cristianismo imperial da Igreja Católica Apostólica Romana estabeleceu os tribunais do Santo Ofício da Inquisição, um grupo de instituições formando um sistema jurídico com a tarefa de combater heresias e castigar os hereges para manter a ortodoxia religiosa.
Os absurdos eclesiásticos atingiram o máximo quando, em 1633, Galileu Galilei foi julgado e condenado como herege pela “Santa Inquisição” por defender o heliocentrismo — a ideia de que a Terra gira em torno do Sol — uma verdade astronômica.
Conflitos entre a ideologia e a Ciência do Direito, registram os tribunais de exceção que deslustraram a Revolução Francesa, tão rica no idealismo libertário e na defesa dos direitos humanos. Estabeleceram a Era do Terror (1793–1794) julgando sumariamente suspeitos defensores da monarquia. A repressão jurídica se fez sob o argumento de consolidar a República.
Na contemporaneidade tivemos na década de 1920, dois exemplos degradantes: o julgamento que condenou à morte os sindicalistas Sacco e Vanzetti acusados falsamente de roubo e assassinato marcado pelo preconceito xenófobo nos EUA, aos imigrantes italianos.
Ao mesmo tempo, na URSS stalinista, registraram-se os Processos de Moscou entre 1936 e 1938. Estes tiveram o propósito de Stálin de eliminar antigos revolucionários companheiros de Lênin que lhe faziam oposição. Foram acusados de “sabotar” os planos econômicos e fuzilados para consolidar o poder absoluto de Stalin, feito em nome da defesa do socialismo…
O nazismo não poderia ficar de fora do arbítrio judiciário. Mal assumidos ao poder, em 1933, montaram o “Tribunal do Povo” mostrando a atuação fraudulenta após seus agentes incendiarem o Reichstag para acusar os opositores e legitimar a repressão gestapeana. Um dos Julgamentos, com o fito de defender o Reich dos Mil Anos, foi desmoralizado pelo sindicalista búlgaro, Georgi Dimitrov, tornado o símbolo do anti-nazismo como personagem do livro “A Defesa Acusa”.
Deve-se a um Tribunal, o STF, a volta da censura no Brasil; é triste constatar. Decidiu em reunião fechada um contradição dialética: uma sentença baixada com o argumento de “defender” a Democracia calando a opinião pública.
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DA ESTUPIDEZ
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Todas as exceções confirmam a regra de que toda regra tem exceção…. Não sei se vale para as conversas de bar, principalmente quando termina a última sessão do cinema e os cinéfilos discutem os “filmes de arte”, reconhecidos como tais por uma meia dúzia de três ou quatro críticos.
Bem. Estou falando de um tempo antigo, do “meu” tempo, quando também se macaqueou a “happy hour” dos gringos, com a desculpa para deixar o trânsito amainar. Então se começava com o Chopp apreciado devagarinho ou com whisky diluído em água com gás. E assim se iniciava um papo ameno que, aos poucos, se alteava num crescendo, e a conversa de bar virava conversa de bêbado.
Descrevo coisas do Rio, lembrando que o bom é que tudo terminava às gargalhadas, abraços e “atés amanhãs”. … Saudades daqueles tempos….
Fico imaginando como se faz hoje em encontros protagonizados pelos extremistas bolsopetistas, assumindo-se fraudulentamente como de “direita” e de “esquerda” (entre aspas, pois me refiro a bolsonaristas e lulistas que não são conservadores nem progressistas). Estes assumem o que Stanislaw Ponte Preta considerou: – “Conversa de bêbado não tem dono”.
Uma coisa, porém, é certa. Com vistas à geopolítica física, comprovamos uma curiosa situação: nas conversas de bar desses “falsos adversários” dá-se um fim à hipótese matemática de que as paralelas se tocam no infinito. A estupidez leva-os a se juntar. Os dois lados defendem de uma maneira ou outra, a invasão russa na Ucrânia ou o ataque “preventivo” de Israel ao Irã.
Não podem esconder também alianças táticas em muitas outras situações. O bolsopetismo se iguala na política, seja internacional ou nacional; uma com base nas doutrinas da “guerra fria” há muito acabada, mas rediviva entre os semialfabetizados, e, de outro lado, remoem a visão anti-imperialista há muito ultrapassada….
Digladiando-se eleitoralmente para enganar os trouxas, arrebanhar fanáticos e recrutar mercenários, a obscena nudez do lulopetismo e do bolsonarismo está exposta além das conversas de bar. Está escancarada até nas redes sociais.
Não é para menos. Lembro o aforismo de Mark Twain afirmando que quatro quintos da humanidade é formada de desorientados. Fico imaginando este percentual de estúpidos pelo mundo afora…. No Brasil, pelas preferências eleitorais que as pesquisas divulgam, são milhões.
Para conhecer esta realidade que se hospeda nos quartos de fundo da política não é necessária uma observação acurada ou investigação policialesca; é transparente na mídia televisiva e na decadente mídia impressa.
Os “especialistas em tudo”, da Globo News e da CNN, chegam à insensatez de criticar a maior conquista da civilização, a Declaração dos Direitos do Homem; também os magistrados “garantistas” não se acanham de defender os políticos corruptos e chefes do tráfico, perdoando propinas e evitando prisões.
Até na Medicina se vê médicos que por ideologia distorcida ou falta dos estudos necessários ao profissionalismo, assumirem o negativismo científico, negando a eficácia das vacinas.
Temos também a tristeza de ver a cegueira fanática dos defensores da estúpida censura nas redes sociais, uma maquinação do Sistema para impedir críticas e denúncias ao poder, sufocando a liberdade de expressão.
O arbítrio repressivo vem acompanhado do argumento que aponta a presença na web de delinquentes, pedófilos e difamadores, ínfima minoria para quem a legislação vigente no código penal tipifica punições.
Os abusadores despóticos se qualificam como aqueles que enganam a si próprios, os que desvalorizam a liberdade, nostálgicos da escravidão, os que sofrem de ignorância histórica, e muitos que vendem opiniões. Todos vestindo igual camiseta da Estupidez.
“Elles” e “ellas” nos levam a relembrar máximas decoradas no curso secundário como o inesquecível enunciado do sábio Aristófanes: – “A juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, porém, a estupidez é eterna.”
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DOS DRAGÕES
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
No plano internacional, lembro Dwight D. Eisenhower, quando presidente dos Estados Unidos, fez no fim do seu mandato uma autocrítica digna de citação, dizendo que um dos maiores erros e mais notáveis que cometeu foi em não ter dado prioridade à Educação.
O herói da guerra contra o nazifascismo conscientizou-se de que somente com a Educação poderemos manter a Democracia e programar o desenvolvimento econômico. Tivemos também um presidente que se preocupou com isto, presidente Epitácio Pessoa, semeador de escolas públicas Brasil afora. Mais tarde, não custa louvar Brizola e Darcy Ribeiro que com os CIEPs revolucionaram o Rio de Janeiro.
Estas personalidades nos ensinaram a eliminar os dragões da ignorância que se aninham ameaçadores ao lado de 60% de analfabetos funcionais no País; e são aliados dos populismos auto assumidos fraudulentamente como “de direita” e “de esquerda”.
Neste segundo milênio da era cristã, com o fervilhar de notáveis avanços científicos e o surgimento de grandiosos aparatos tecnológicos, a nossa Pátria Mãe acolhe na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o ninho do dragão.
Era desconhecido entre nós; foi o populismo corrupto que trouxe o maligno, porque há dragões bons e maus. A palavra “Dragão”, dicionarizada em português, é um substantivo masculino de origem no grego antigo “δράκων” (drákōn), que significa “serpente” ou “grande serpente”.
Estas criaturas mitológicas ocupam importante referência em diversas culturas. Na tradição chinesa, o dragão, conhecido como “long” (龍), é uma criatura benevolente associada à água e ao controle das chuvas, simbolizando poder, sabedoria e prosperidade. No Japão, os dragões, chamados “ryū” (竜), compartilham semelhanças com os chineses.
Nas civilizações pré-colombianas da Mesoamérica, destaca-se a figura da Serpente Emplumada. Entre os astecas, era conhecida como Quetzalcóatl, e entre os maias, como Kukulkán; em ambas culturas, eram associados à fertilidade, ao vento, à chuva e à criação do mundo.
No reverso, os dragões eram geralmente vistos pelas antigas civilizações do Oriente Médio como encarnações do mal. Nos mitos sumérios, por exemplo, frequentemente cometiam grandes crimes; e, na antiga Mesopotâmia, havia também uma associação de dragões com o mal e o caos.
O nosso, escamado de ignorância e com os chifres da obtusidade, aqui chegou para mergulhar o Brasil no pântano do semianalfabetísimo. É preciso exterminá-lo pois mantêm o povo cego pelo apedeutismo como desejam os políticos que só sobrevivem graças à insciência e só com o iletrismo podem manobrar o País.
Quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, sabe o que fazem os populistas que se revezam no poder; não reformulam cientificamente os currículos escolares adaptando-os à nova realidade; não estimulam o alunato e não qualificam os professores, nem os remuneram nos padrões mundiais (em Singapura o piso equivale a R$16 mil).
Sem que isto se faça, tudo continuará no mesmo ramerrão de uma política educacional de fachada, abandonando projetos futuros de desenvolvimento econômico como o mundo assistiu os Tigres Asiáticos fazerem com a sua revolução educacional.
É por isto que peço licença aos críticos de Leonel Brizola, para citá-lo novamente quando disse que “a educação é o único caminho para emancipar o homem; desenvolvimento sem educação é criar riquezas apenas para alguns privilegiados”.
Para liquidar o Dragão da Incultura e esmagar os seus ovos no serpentário do cenário político da distorcida concepção de Democracia, da corrupção desenfreada e da multiplicação dos impostos, é preciso seguir o conselho de José Saramago.
Ensinou o grande intelectual português, prêmio Nobel de Literatura, que: – “A única maneira de liquidar o dragão é cortar-lhe a cabeça, aparar-lhe as unhas não serve de nada” ….
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DOS SIGILOS
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Como amante da Democracia e da Liberdade ponho-me decididamente contra a decretação de sigilos nos governos, sejam emitidos por quem quer que seja; considero esta medida criminosa, vindo da direita ou da esquerda, ou de um partido político qualquer. É uma delinquência esconder fatos para livrar a cara de alguém chegado ao poder, pessoa que é preservada pelo segredo por causa de ações danosas ao patrimônio público.
Fugindo dos sigilos, informo que pela primeira vez, desde que passei a divulgar textos nas redes sociais, invoquei a IA em pesquisa feita sobre a corrida dos nazistas sobre a bomba atômica, que, se descoberta por eles, teria mudado o curso da História…
É um segredo, mantido debaixo de sete chaves, que ocorreu na Segunda Guerra Mundial sobre a pesquisa feita pela Alemanha nazista para a desintegração do átomo, acumulando os materiais essenciais, como água pesada e o urânio. Foi a estupidez racista de Hitler que salvou a Humanidade; o ditador levou ao exílio e campos de concentração, cientistas, especialmente judeus.
A insanidade fascistóide submissa ao Führer passou a considerar a física nuclear uma “ciência judaica”, resultando em menor prioridade e financiamento insuficiente para as pesquisas. Assim, felizmente, para derrota do mal, deveu-se às disputas internas pelo poder político e a desorganização administrativa a incompreensão do alto comando militar e do próprio Hitler o fracasso do projeto.
Ficou em segredo e é pouco divulgada, rareando na literatura e nos documentários televisivos…. Manteve-se algum tempo o Sigilo que, como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de etimologia latina, “sigillum“, que significa “selo” ou “sinete”. Nos idiomas lusófonos, o Brasilês define como segredo o que se mantém oculto; o que não se mostra, nem se conhece; acontecimento ou coisa que não pode ser revelado ou divulgado.
Outro capítulo que assombrou no século passado, ocorreu na antiga URSS. Foi o “Relatório Secreto”, apresentado por Nikita Khrushchov no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 25 de fevereiro de 1956. Revelou segredos pairavam sobre as repúblicas soviéticas e que o mundo desconhecia: as atrocidades do stalinismo, as repressões em massa, os campos de concentração, os expurgos de hierarcas da nomenclatura e o culto da personalidade.
O título do Relatório é uma verdadeira sinopse: “Sobre o culto à personalidade e suas consequências”. Dessa maneira, o discurso de Khrushchov, então secretário-geral do partido, marcou o início da desestalinização na URSS, levando à libertação de prisioneiros políticos e a uma maior abertura política.
Pelas repercussões internacionais, provocou a Revolução Húngara de 1956 e a cisão sino-soviética, terminando por instalar a glasnost (abertura política) promovida por Mikhail Gorbatchov.
Como repetição caricata da História, uma pesquisa inédita avaliou os 1.379 sigilos decretados entre 2015 e 2022, 80% deles impostos pelo Governo Bolsonaro. A maior quantidade de sigilos de cem anos foi decretada em 2021. É inegável que tais medidas representam um crime contra a nacionalidade escondendo o que devia ser público.
O êmulo de Jair na imunda polarização eleitoral, Lula da Silva, descondenado após prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, adotou medidas semelhantes decretando sigilos em diversos casos ao assumir a presidência da República. Como são iguais!
Não sei qual dos dois é pior. Comparando, vê-se que Lula criticou na campanha eleitoral os sigilos do antecessor, mas acrescentou aos segredos visitas dos filhos e os gastos da mulher amada.
E fez coisa que resvala no crime, escondendo a desenfreada corrupção ao decretar sigilo de R$ 600 bilhões em gastos que incluem ONGs amigas, segundo do Estúdio I da GNews…; e procura distorcer e esconder a roubalheira no INSS. Para impedir a divulgação dos segredos dos seus fantoches, o Sistema quer a censura nas redes sociais, e para isto, Lula pediu ao presidente chinês Xi Jin Ping, um especialista em repressão da Web.
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DO HUMOR
MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)
Estive passando a vista na excelente antologia História da Caricatura Brasileira onde o Humor está presente, lembrei-me da observação de Aldous Huxley ao constatar que as paródias e as caricaturas são as formas mais agudas de crítica.
E senti que o Humor está perdendo os caricaturistas, humoristas e menestréis temerosos de repressão sócio-política do regime judicial que infelizmente sofremos na atualidade brasileira.
Isto sempre ocorreu nos regimes ditatoriais que temem o potencial subversivo que o Humor provoca, com a História da Humanidade registrando que o nazismo na Alemanha criou uma rigorosa censura artística, proibindo obras consideradas “degeneradas” e deviam ser banidas ou destruídas.
É um importante capítulo histórico a “Bücherverbrennung” – queima de livros ocorrida em 10 de maio de 1933 -, no início da tomada do poder por Adolf Hitler. Teve apoio das SS e da Hitlerjugend, Juventude Nazista e Liga das Moças Alemães repugnando autores considerados “não-arianos”.
Foram à fogueira as obras de Brecht, Erich Maria Remarque, Erich Kästner, Freud, Hemingway, Heine, Ibsen, Ricarda Huch, Stefan Zweig e Thomas Man. Lamentando a desgraça o poeta Heinrich Heine alertou: – “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”. O que veio a acontecer.
E, exilado em Londres, o grande Sigmund Freud lamentou a queima de livros pelos nazistas: “Os livros foram queimados nas chamas fumacentas do nosso ódio!”
Indo à minha infância e adolescência encontrei algo interessante: Getúlio Vargas, que como ditador do “Estado Novo” (1937-1945), manteve ferrenhas censura e repressão policial contra críticos ao regime, quando voltou em 1950, eleito pela imensa maioria do eleitorado, afagou artistas, cômicos, humoristas e intelectuais, rindo-se muitas vezes das próprias caricaturas e imitações cômicas em peças teatrais.
Vargas encontrou um seguidor deste abrandamento e convivência com a crítica. O presidente Juscelino Kubitscheck levou ao Palácio o compositor e intérprete Juca Chaves, autor da sátira mordaz e bem-humorada “Presidente Bossa Nova”.
Embora sustentando a censura sobre diversos setores culturais, a ditadura militar (1964-1985), fez vista grossa para “O Pasquim”, semanário humorístico que com o anedotário, caricaturas e quadrinhos fazia críticas gerais, tornando-se um dos símbolos da resistência cultural contra o arbítrio.
Afinal, o Brasil é o Brasil. O povo brasileiro é brincalhão, sempre bem humorado, com uma forma própria de ser ou de estar. Vê o Humor das marchinhas de carnaval e das comédias de teatro, televisão e rádio, como dicionário o define: este substantivo masculino de origem latina, humor,ōris, ‘fluido, linfa’, uma situação orgânica que produz um estado de ânimo nas pessoas.
É esta disposição que representa a aquiescência ao que é cômico ou que provoca riso ao longo da História. Desde a Antiguidade, o Humor é utilizado para satirizar costumes e comportamentos sociais. Como exemplo, temos na Grécia Antiga as comédias de Aristófanes, como “Lisístrata” e “As Rãs“, provocando risos ao criticar os políticos da época.
Vou repetir: vemos que entre nós, o humor perdeu a inspiração dos caricaturistas, humoristas e menestréis, acovardados com a repressão sócio-política do regime judicial instalado no Brasil.
É difícil manter publicações como foi o Pasquim e mesmo na sua expressão literária, como “As Farpas”, de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós… É inimaginável publicar-se uma caricatura ou a imitação caricata dos semideuses de toga.
Os amantes da liberdade lamentam que se tornou quase impossível divulgar paródias ou piadas jocosas na mídia impressa, televisiva e radiofônica. Saem pontualmente nas redes socais que não dão acesso do povão, ficando este sem compreender o porquê do silêncio ensurdecedor do STF sobre as fraudes do INSS.
Fica dessa maneira coberto o roubo dos aposentados e pensionistas do INSS pelos pelegos sindicais lulopetistas sem que nenhum seja preso ou restitua os valores do saque; e assim, o Humor, como ferramenta poderosa para questionar e refletir sobre a sociedade, está silenciado.
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