Ocultação de Cadáver
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Quando se fala em “ocultação de cadáver” nos parece ser uma referência repulsiva, um crime hediondo, coisa assustadora. Entretanto, é tratado no artigo 211 do Código Penal como uma coisinha de nada, aplicando-lhe uma pena de 1 (um) a 3 (três) anos de prisão, e multa…
Divulgado com estardalhaço pela mídia foi o caso do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio e ocultação de cadáver da sua amante, Eliza Samúdio. A pena foi de 22 anos e três meses, 20 anos pelo homicídio qualificado e seqüestro de Bruninho, filho de Eliza; e apenas dois pela ocultação do cadáver.
Também o crime de ocultação de cadáver agitou as reuniões da Comissão da Verdade entrechocando duas correntes jurídicas sobre a continuidade ou não do delito; entretanto, nada se concluiu ali como queriam os que defendiam que a Lei da Anistia não perdoasse responsáveis pelos caídos na Guerrilha do Araguaia e os desaparecidos na luta urbana contra o regime militar.
Vê-se que a figura jurídica da ocultação de cadáveres entra no capítulo político da História. No Exterior registramos que a Justiça do Estado de Israel julgou, em 1961, o bandido nazista Adolf Eichmann por crimes de guerra sob quinze acusações, inclusive ocultação de cadáveres, e o condenou à morte.
Foi rara, senão única, esta punição. Os crimes contra a humanidade praticados pelo nazismo aos eslavos, ciganos e judeus, caracterizando um genocídio étnico, racial e religioso estão quase esquecidos; e a bárbara perseguição do stalinismo aos proprietários rurais e opositores políticos, prisões, desterros para a Sibéria e fuzilamentos, foram justificados pelos seguidores do credo vermelho…
Há uma farta literatura denunciando Hitler nas bibliotecas, mas o desumano terror na URSS precisou de uma coragem inaudita de intelectuais que – embora simpáticos ao socialismo – se revoltaram com as ações funestas de Stálin.
De cabeça lembro-me do livro do jornalista brasileiro Oswaldo Peralva, “O Retrato”, que fotografa (usando um trocadilho) o que se passava no seio do partido comunista brasileiro subalterno aos comissários soviéticos; e é emocionante “O Deus Nu”, do grande escritor norte-americano Howard Fast, se auto-criticando por não haver enxergado as calamidades promovidas em nome do socialismo…
Para abrir as mentes e emocionar os corações, acuso os que se calam diante de atrocidades políticas acometidas em nome de qualquer coisa. Esta semana, ouvi no Manhattan Connection uma condenação a Jean Paul Sartre, que se acumpliciou, em nome da ideologia, aos assassinatos cometidos na URSS.
Já tinha conhecimento, através do filósofo inglês Roger Scruton (“Pensadores da Nova Esquerda”) que Sartre, pouco antes de morrer, assumira publicamente suas mentiras sobre a URSS e as atrocidades de que tomou conhecimento quando lá esteve em 1954.
Scruton responsabiliza também como enganadores, os carimbados “marxistas” Gramsci e Lukács, rivais pela maneira de justificar a vala comum dos que foram sacrificados pela “construção do socialismo”. Nada escreveu sobre a “esquerda” brasileira, nem da América Latina, com suas bandeiras descoloridas de fim de festa.
Aqui, e entre os “hermanos”, intelectuais promovidos pelos círculos oficiais ou auto-intitulados, defendem ditadores africanos e governos narco-populistas latino-americanos pela ocultação de cadáveres em nome da “ideologia”. Desde a revolução cubana que levou Fidel Castro ao poder, a violenta repressão em Cuba é aplaudida; e a sórdida caricatura chavista da Venezuela tem a chancela dos pelegos do PT-governo.
Dessa maneira, tristemente, sobrou para as Américas de Jose Marti, Ó Higgins, San Martin, Tiradentes e do próprio Bolívar, a prática de cárcere, torturas e mortes pelo governo Maduro e a marcha totalitária da pelegagem alçada ao poder no vácuo deixado pelas ditaduras militares do Cone Sul.
Registro uma lembrança: há ocultações de cadáveres que eternizam as vítimas, tornando-as cadáveres insepultos. É o caso do promotor Nizman, na Argentina, cuja morte suspeita atraiu a culpa para o Governo Cristina K.. Politizados, 600 mil argentinos realizaram em Buenos Aires um magnífico protesto, a Marcha do Silêncio.
No Brasil da República dos Pelegos, de Lula, José Dirceu e Dilma, um depoente na CPI da Petrobras diz que tem medo de ser morto… Lembrou o cadáver insepulto do prefeito Celso Daniel, cujo assassinato se atribui à cúpula do PT. Não custa lembrá-lo e reverenciá-lo nas manifestações do Dia 15 de Março, em nome da Democracia e da Liberdade.
Falta Alguém, dr. Janot
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Eu era adolescente quando o jornalista David Nasser escreveu o livro “Falta Alguém em Nuremberg”, acusando os colaboradores de Hitler e os ditadores fascistas da Europa e América Latina. Como admirador de Nasser, lembrei-me do título “Falta Alguém” na lista dos investigados no esquema de corrupção da Petrobras pela Operação Lava Jato.
Nuremberg, a secular cidade alemã, sediou o tribunal internacional que cumpriu a tarefa de julgar os altos dignitários nazistas, generais e hierarcas do partido, responsáveis por crimes de guerra. Agora, Brasília sediará o julgamento dos bandidos que arrasaram a empresa estatal de petróleo. Espero isenção do STF, como agiu o ministro Joaquim Barbosa na Ação Penal 470, movida pelo Ministério Público contra os mensaleiros.
Joaquim Barbosa, com rara habilidade e decência, completou e preencheu a peça acusatória, condenando à prisão os assaltantes do Erário e do Banco do Brasil para comprar parlamentares corruptíveis em proveito do PT-governo.
Desta vez, no Petrolão, estão investigados 47 políticos com ou sem mandato. Detentores de mandato ficarão no STF, e os outros irão para instâncias inferiores; mas o banco dos réus é um só; tanto faz sentar-se na Alta Corte, como em outros degraus da ordem hierárquica jurídica…
Assim, é bom lembrar ao doutor Janot que no andar de baixo falta alguém. E para encontrar (ou encontrá-los), o fio da meada é o lead da jornalista Josie Jeronimo numa matéria publicada na Veja. Ela escreveu: “Quando, em fevereiro de 2011, Graça Foster assumiu a presidência da Petrobras, analistas de mercado de energia diziam que ela havia herdado do antecessor, José Sérgio Gabrielli, um campo minado”.
Então vamos lá. Gabrielli sucedeu a José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT, exemplo completo do aparelhamento promovido por Lula da Silva ao assumir a presidência da República. Dutra, sem entender lufas de administração empresarial e muito menos de petróleo, foi apenas aplainar o caminho para ocupação da Petrobras pelos “quadros” e “operadores” do partido.
Então começou com Gabrielli, prestigiado por Lula, o esquema de irrigação de dinheiro para as campanhas eleitorais do PT, PP e PMDB, através da nomeação de diretores e conselheiros comprometidos pelo isolamento dos engenheiros e técnicos corretos.
Ascenderam com ele à direção da Petrobras Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Renato Duque, e o Barusco começou a mostrar a cara… Foram estes “auxiliares” que abriram as trancas para o cartel das empreiteiras que, corrompendo agentes públicos corruptos, explorou a grande jazida de dinheiro vivo.
Registre-se que foi na Era Gabrielli que ocorreram os assaltos nas refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, Premium I, no Maranhão, e Premium II, no Ceará, além do caça-níquel que é o Complexo Petroquímico do RJ (Comperj).
Em 2006, ocorreu a suspeitosa compra da refinaria norte-americana de Pasadena que, segundo o Tribunal de Contas da União, deu um prejuízo de US$ 792,3 milhões. A maracutaia foi negociada por Cerveró e aprovada pelo Conselho presidido por Dilma Rousseff.
Após esses atentados à honestidade, muito ao estilo PT, Gabrielli – com escândalo de Pasadena já denunciado –, foi substituído por Graça Foster em 2012. A mineira de Caratinga foi indicada por Dilma. Eram amigas desde o tempo em que a presidente era secretária de energia no Rio Grande do Sul e ela ocupava a gerência da Petrobras para a implantação do gasoduto Bolívia-Brasil.
As duas são tão íntimas que se tratam carinhosamente de “Dilminha” e de “Gracinha”, ou “Graciosa”, apelidos confirmados por quem privou de reuniões com elas. Esta relação explica o porquê Dilma manteve Graça na presidência da Petrobras por um tempo prejudicial às investigações que ocorriam na empresa.
Estes personagens da tragédia da Petrobras ficaram de fora do pedido de inquirições jurídicas e, embora transparentes, deixam perceber um sujeito oculto. Por isso, é aconselhável que os manifestantes no dia 15 de março, levantem um cartaz “Falta Alguém, dr. Janot”!
Sinopses das revistas semanais
Veja
CAPA – Saiu a lista de Janot! Começa o processo de investigação dos políticos implicados na Operação Lava-Jato.
Época
CAPA – Agora é com eles: A lista dos políticos acusados de envolvimento no Petrolão foi apenas o primeiro passo. O grande salto rumo a um Brasil melhor cabe aos quatro ministros do Supremo que julgarão o caso.
Exclusivo: Depoimentos inéditos revelam quais são os parlamentares que receberam propina para matar a CPI da Petrobras no Senado.
ISTOÉ
CAPA – A lista que encolhe o governo: A relação de Janot atinge em cheio a gestão Dilma. Ex-ministros e líderes no Congresso estão no centro do escândalo. Trapalhadas de bastidores e avaliações políticas desastrosas do Planalto às vésperas da divulgação dos nomes abrem crise institucional. Presidentes da Câmara e do Senado declaram guerra ao Executivo, que está cada vez mais isolado.
ISTOÉ Dinheiro
CAPA – Levy no País das armadilhas: O agravamento da crise política faz sua primeira vítima: o plano de ajuste econômico do ministro da Fazenda. O cenário surreal de Brasília agrava as incertezas, leva o dólar a R$ 3 e provoca a reação dos empresários contra o aumento dos juros e dos impostos
Carta Capital
CAPA – A lista de Janot: Sem nomes da oposição e de expoentes do governo, os pedidos de inquérito do procurador-geral empurram a crise política para o Congresso.
O PETROLÃO
Inquéritos contra 49 políticos investigam até propina semanal
Ministro Teori Zavascki, do STF, abre investigações pedidas pela Lava-Jato contra seis partidos. Dos que responderão, 31 são do PP, oito do PT, sete do PMDB, um do PSDB, um do PTB e um do Solidariedade. Para procuradores, corrupção na estatal era sistêmica
Após um dia de muita tensão, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem à noite investigação contra 50 pessoas acusadas no escândalo de corrupção na Petrobras apurado na Lava-Jato, entre elas 49 políticos e um operador, Fernando Baiano. A lista enviada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, detalha até pagamentos semanais de propina a investigados no esquema e inclui, entre os que responderão a inquérito, os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB. Segundo a acusação, Renan chegou a fazer reuniões em casa para tratar do esquema e “receber valores”. Já Cunha é acusado de achacar empreiteiros. Os dois negam. As investigações autorizadas ontem são baseadas ainda apenas nas delações do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef. Por isso, a maioria dos acusados é do PP (31), seguidos por PT (8) e PMDB (7). O PTB tem o senador Fernando Collor. E há dois nomes da oposição: o senador Antonio Anastasia (PSDB) e Luiz Argôlo (Solidariedade). Não foi aberta ação penal nem feita denúncia. Os políticos ainda serão investigados.
Campanha de Dilma de 2010 será investigada
O ex-ministro Antonio Palocci será investigado no Paraná, pela acusação de ter intermediado repasse de R$ 2 milhões desviados da Petrobras para campanha de Dilma em 2010.
Pedidos arquivados
O procurador-geral rejeitou pedidos de investigação contra quatro políticos ou ex-políticos. O STF concordou. Não serão investigados: Aécio Neves (PSDB-MG), Henrique Alves (PMDB-RN), Delcídio Amaral (PT-MS) e Alexandre Santos (PMDB-RJ).
Youssef disse que Lula e Dilma sabiam
Depoimento revelado ontem confirmou que o doleiro disse que Lula e Dilma sabiam do esquema na Petrobras, como publicara a “Veja” antes da eleição. (O GLOBO)
- Comentários desativados em O PETROLÃO
- Tweet This !
LISTA DE JANOT
Lava Jato atinge 34 parlamentares e campanha de Dilma em 2010
1. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
2. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara
3. Antonio Anastasia (PSDB-MG), senador e ex-governador
4. Fernando Collor (PTB-AL), ex-presidente e senador
5. Roseana Sarney (PMDB), ex-governadora do MA
6. Romero Jucá (PMDB-RR), senador
7. Gleisi Hoffmann (PT-PR), senadora e ex-ministra
8. Lindbergh Farias (PT-RJ). senador
9. Humberto Costa (PT-PE), senador e ex-ministro
10. Edison Lobão (PMDB-MA), senador e ex-ministro
11. Aníbal Gomes (PMDB-CE), deputado federal
12. Valdir Raupp (PMDB-RO), senador
13. José Mentor (PT-SP), deputado federal
14. Luiz Fernando Faria (PP-MG), deputado federal
15. Vander Loubet (PT-MS), deputado federal
16. Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro
17. Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-deputado federal
18. Ciro Nogueira (PP-PI), senador
19. Gladson Cameli (PP-AC), senador
20. Nelson Meurer (PP-PR), deputado federal
21. Mário Negromonte (PP-BA), ex-ministro das Cidades
22. Benedito de Lira (PP-AL), senador
23. Arthur Lira (PP-AL), deputado federal
24. Simão Sessim (PP-RJ), deputado federal
25. José Otávio Germano (PP-RS). deputado federal
26. Eduardo da Fonte (PP-PE). deputado federal
27. Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), deputado federal e ex-ministro
28. Carlos Magno Ramos (PP-RO). ex-deputado federal
29. Dilceu Sperafico (PP-PR), deputado federal
30. Jerônimo Goergen (PP-RS), deputado federal
31. João Leão (PP), vice-governador da BA
32. Luiz Argôlo (SD-BA. ex-PP). ex-deputado federal
33. Sandes Júnior (PP-GO). deputado federal
34. Afonso Hamm (PP-RS), deputado federal
35. José Linhares Ponte (PP-CE). ex-deputado federal
36. José Olímpio (PP-SP), deputado federal
37. Lázaro Botelho Martins (PP-TO). deputado federal
38. Luiz Carlos Heinze (PP-RS), deputado federal
39. Pedro Corrêa (PP-PE). ex-deputado federal
40. Pedro Henry (PP-MT), ex-deputado federal
41. Renato Moiling (PP-RS). deputado federal
42. Roberto Balestra (PP-GO), deputado federal
43. Roberto Britto (PP-BA), deputado federal
44. Vilson Covatti (PP-RS). ex-deputado federal
45. Waldir Maranhão (PP-MA), deputado federal
46. João Alberto Pizzolatti (PP-SC). ex-deputado federal
47. Aline Corrêa(PP-SP), ex-deputada federal
48. Roberto Teixeira (PP-PE), ex-deputado federal
49. Fernando Baiano, lobista
50. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT
- Comentários desativados em LISTA DE JANOT
- Tweet This !
Linguiça Calabresa
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
Meu tio João – o mais velho dos irmãos de meu pai –, com sua costumeira irreverência –, dizia que quem gosta de linguiça não deve jamais vê-la sendo feita. É claro que ele não se referia à lingüiça caseira, artesanal, feita com os cuidados de uma avó e uma tia… A feitura da lingüiça comercial visando lucro é horrenda.
Uma mistureba de todo tipo de carne e o toucinho do couro do porco com restos de pelo. Mescla-se tudo numa grande bacia e usa-se tripas de porco ou de boi para involucrar manualmente esses retalhos por um funil. Condimenta-se com alho, canela, coentro, cominho, cravo, erva doce, sal e colorau.
No balcão de embutidos dos supermercados encontramos vários tipos de lingüiça, e uma é especial, a calabresa, pois além de todos os temperos citados, entra também a pimenta do reino preta. Há outra coisa: originou-se da Calábria, a mais antiga região da península que era chamada Itália, por causa de um rei mítico, Ítalo.
A Calábria fica ao sul de Nápoles e é separada geograficamente da Sicília pelo estreito de Messina e, rival da famosa ilha, por causa da sua irmandade ‘Ndrangheta, concorrente da máfia siciliana Cosa Nostra. Não vou me enredar sobre a máfia italiana: Assistam o “Poderoso Chefão” filme de Copolla extraído do romance de Mário Puzo.
A mistura emporcalhada e o tempero da criminalidade lembra-me o PT, saído da bacia das almas para o poder federal, adubando-se e engrossado após afinar-se com os 300 picaretas do Congresso Nacional.
Há um fato curioso na política brasileira: O PT de longe é uma coisa, e internamente outra… Os passantes distraídos não vêem os lulo-petistas enchendo as tripas com as propinas da Petrobras, Telebrás, Infraero e BNDES. Por dentro é uma máfia sem cumprir o código de honra, os “Direitos e Deveres” encontrados com Lo Piccolo…
Uma coisa a Camorra petista cumpre: A “Omertá” mafiosa, o silêncio imposto pelo medo de denunciar, porque arrisca a própria vida e a vida dos familiares. Lembre-se que o PT impôs o seu poder com as mortes de Celso Daniel e Toninho de Campinas, afora os cadáveres ocultos…
A disputa das facções pelo mando no partido é incrível. A História ainda contará como Lula estabeleceu sua liderança como agente duplo do PCB e de Golbery. Um dia ficará esclarecido como José Dirceu – a indiscutível liderança ideológica do partido – foi derrubado da Casa Civil pelo fogo amigo pelo grupo do marido de Dilma e dela própria…
Ainda está meio obscuro na formação do PT, o tratamento diferenciado de Lula isolando Aloísio Mercadante, e prestigiando Gilberto Carvalho. O conteúdo da lingüiça lulo-petista também não explica a ruína da secção pernambucana pelo personalismo do sanguessuga Humberto Costa.
Mais estarrecedor e nefasto é o empurra-empurra dos propineiros do Petrolão; por exemplo, a turma de Dilma dedurou José Sérgio Gabrielli, para afastar as câmeras voltadas para a amiga e parceira Graça Foster. Nenhum dos dois é flor que se cheire, mas a Presidente confiou que cumpririam a “lei do silêncio”…
A toucinhama da Justiça, com o langanho da Advocacia Geral da União e as pelancas viscozas da Procuradoria Geral da República, se mesclaram em conchavos com Dilma, Lula, Cardozão, ministros do STF e Janot, produzindo um lanho de linguiça calabresa que salvou os preferidos…
Salvou-se a própria Dilma que, presidente do Conselho da Petrobras por ocasião da criminosa compra da Refinaria de Pasadena, ficou livre; e está flanando o bandidão Duque, que comprometeria Lula, mas foi solto por um subalterno do STF a pedido deste.
Restaram os “bois de piranha”: Uns em condições de defender-se, outros, nem tanto, mas têem à disposição a delação premiada… Nós, que não somos recheio de linguiça, nem da máfia petista, vamos às ruas no dia 15 de março, por um Brasil passado a limpo. Empunhemos o auriverde pendão da esperança, arrancando-o de quem o usa para cobrir tanta infâmia, covardia e roubos!
O Poder Invisível
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“A rede social dotou o cidadão de uma nova e magnífica ferramenta que necessariamente subtrai poder ao Estado” (Diego Beas)
Embora as estatísticas pouco informem, não será exagero dizer que 120 milhões de brasileiros navegam no mundo maravilhoso da Internet, visitando sites das redes sociais, Facebook, Twitter, Youtube e outras. São 60% da população.
Internautas, conscientes ou não, formam uma imensa corrente de opinião cujo acesso se multiplica, crescendo com os estímulos da curiosidade, busca de informações, necessidade de se expressar e até carecendo de relacionamento social.
O pessoal do Facebook transita num sistema buliçoso, bem informado, e mantendo uma polêmica viva; e os antigos tuiteiros, como eu, registram a impressionante adesão diária de interlocutores politizados que participam notícias e intervêm nos debates com liberdade e independência.
Este novo campo sócio-político agita-se com a intervenção de políticos com mandatos executivo e legislativo, de porta-vozes de organizações partidárias e dos livre atiradores da contestação. Se fazem presentes apreciações filosóficas, críticas ideológicas, propostas administrativas e legislativas, ilustrações semióticas e charges inteligentes.
O aplauso e a vaia são livres, realçando entrechoques de facções diversas, intervenções ingênuas e o inseparável fanatismo no campo da polêmica. Há uma concepção profissional entre jornalistas de que a web oferece mais liberdade opinativa e mais honestidade porque não tem a exposição que na mídia televisiva expõe diante das câmeras.
Tenho notado pessoalmente que os vendedores de ilusão e os mercenários se perdem nas redes sociais pelas mensagens floreadas não convincentes, quando não pelos ataques pessoais acanalhados. Por isso, sua vida é curta; fuçam um pouco e voltam para onde nunca deveriam ter saído.
Do outro lado, os que exigem transparência das fontes de informação, como um culto à verdade, se impõem… E aumentam o número de admiradores e seguidores, premiados pela máxima de Oscar Wilde: “Se alguém diz a verdade, pode estar certo de que será descoberto, mais cedo ou mais tarde”.
Embora espontaneísta, o poder invisível da rede social supera a importância dos partidos e rebaixa a atuação dos venais representantes dos movimentos sociais apelegados que o PT-governo quer transformar em sovietes pelo famigerado decreto 8243.
Registre-se o empurrão dado na campanha da Ficha Limpa que empolgou o eleitoradoe obrigou deputados e senadores a aprovar, mesmo a contragosto, a iniciativa popular. Não se pode esquecer o apoio dado ao ministro Joaquim Barbosa quando puniu a cúpula do PT, envolvida nas fraudes do Mensalão.
Agora, vive-se a luta contra a impunidade dos ladrões que assaltaram a Petrobras. Está na atuação das redes sociais a maior pressão para se chegar aos responsáveis. É através do Facebook e do Twitter que são divulgadas as delações contra os hierarcas lulo-petistas e aliados envolvidos no escândalo, e estamos chegando muito perto dos maiorais Lula e Dilma.
Somente a ascendência das redes sobre a sociedade, atingindo e influenciando a mídia, e daí chegando aos três poderes da República, poderá barrar a marcha totalitária do lulo-petismo, que já escancarou a existência de um exército paralelo sob um estranho
silêncio das FFAA.
A convocação da manifestação do dia 15 de março contra a corrupção e pelo afastamento de Dilma depende de nós. O poder invisívelda Internet é decisivo para a participação popular na África, na Europa ou no Oriente Médio. Por que não aqui?
Pela mobilização intensa, poderemos impedir novos atentados à Constituição e à Democracia, e exigir uma reforma política que atenda a cidadania, e não remendos para eternizar a influência dos picaretas do Congresso Nacional e do Poder Executivo.
Vamos exercer nosso poder invisível, multiplicando as mensagens, digitando convites e conclamando o povo a seguir o exemplo dos caminhoneiros. Ouçamos a lição do grande Rui Barbosa: “A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade”
O Sonho Acabou
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Revisando conceitos jornalísticos e avaliações pessoais, deu-me uma vontade danada de dedicar um artigo aos petistas envergonhados, sem coragem de expressar publicamente o seu sentimento.
Nenhuma inspiração melhor para isto do que a canção “God” de John Lennon – despachando os Beatles com uma despedida de incredulidade amarga. Não sei quando, nem como, nem onde, tornei-me fã dos rapazes de Liverpool e transferi o entusiasmo musical e certa inclinação sensual para John.
Ouço sempre, e várias vezes seguidas o “Imagine”; mas “God”, de certa maneira me chocou, não por problemas políticos ou religiosos. Filosóficos, talvez. A abertura literal é pesada: “Deus é um conceito/ Pelo qual medimos/ Nossa dor.
A demonstração de descrença em tudo é uma carga pesada. Com a frase “O Sonho Acabou”, Lennon revela desconfiança em todo seu entorno e também nas personalidades de Buda, Hitler, Jesus e Kennedy, e dos seus contemporâneos próximos, Elvis e Zimmerman, e dos antigos parceiros, os Beatles.
A 8 de dezembro de 1980, Lennon foi assassinado quando retornava do estúdio de gravação junto com Yoko, sua mulher. Ela divulgou semanas depois uma resposta dele à pergunta sobre o que pensava ser o sonho dos anos 1980. A resposta: “Faça seu próprio sonho… Eu não posso te despertar. Você pode se despertar”.
É esse “despertar” o que desejo aos últimos (e raros) petistas fundadores do Partido dos Trabalhadores. E será relembrando as antigas palavras de ordem, que hoje são recebidas como provocações oposicionistas ao pedir punição para os picaretas que roubaram a Petrobras.
Lembrar a mágica de um Brasil soberano, justo e livre, hoje desacreditada pelo lulo-petismo, assim como os princípios da moralidade e da ética. Para a cúpula do PT, a legislação só vale se for para servir aos interesses do governo na maquiagem dos números e das estatísticas.
Mal saindo do carnaval, lembro um samba maravilhoso “Recordar é Viver”. E com ele, trago à memória a participação dos petistas no impeachment de Collor. Hoje, eles todos estão exercendo mandatos e cargos governamentais, acumularam contas bancárias e, cinicamente, abraçam-se com o impichado.
Também não será exagero lembrar as lutas do braço sindical do PT, a CUT, defendendo os professores, o pessoal da saúde e os previdenciários! O que faz agora? Os sindicatos controlados pelos pelegos lulistas são apenas caça-níqueis e trampolins político-eleitorais deles.
Entre outros desvios de rumo no campo sindical, assiste-se o silêncio cúmplice dos petroleiros, técnicos e engenheiros da Petrobras diante da ladroagem que está destruindo a estatal. Esse comportamento desmoraliza os funcionários apontados de corruptos por Dilma e revolta pela hipocrisia.
E os artistas e intelectuais? São incapazes de uma autocrítica, de reconhecer o desmantelo de um governo incompetente em todos os campos de atividade. Na economia, traz a inflação de volta, e na política alia-se à banda podre do Congresso Nacional. Na verdade, para os artistas e intelectuais lulistas, o PT-governo é uma vaca de fartas tetas que alimentam os seus projetos.
Será que nenhum dos antigos militantes que mantêm a carteirinha e provavelmente paga o dízimo (embora a grana venha de outras fontes), se insurge contra a política externa do Itamaraty “do B”, controlado e ideologizado por um comissário delirante?
Será possível aplaudir o governo Maduro, da Venezuela, que fornece armas letais aos órgãos de segurança e permitindo seu uso contra manifestações populares? Que Dilma considere essa violência um problema interno daquele país? E, com dois pesos e duas medidas, rompa com Indonésia porque a legislação de lá condenou à morte um traficante de cocaína?
Qualquer um que se calar, e compactuar com a usina de amoralismo, cinismo e distorções programáticas do PT, é sócio solidário de uma organização delituosa. Não se trata de uma opção ideológica, mas adesão ao crime.
Por tudo isto, no próximo dia 15 de março, manifestando-me pela renúncia ou o impeachment de Dilma, a minha faixa será “O Sonho Acabou, PT!”.
SINDICATÃO FASCISTA
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
Está em todas as cabeças, como numa rede telepática, o repúdio às falsas representações sindicais que contrariam a concepção original dos sindicatos de trabalhadores. Ou seja, já não é a ocupação profissional que necessita de um sindicato representativo, mas são os espertalhões ou grupos de aproveitadores que criam sindicatos de fachada para obter vantagens pecuniárias ou políticas.
Houve tempo em que os sindicatos eram respeitados e era uma questão de honra para o trabalhador se sindicalizar. Era uma organização corporativa que vinha de longe; o próprio nome vem do grego “syndicos”, “defensor da justiça”.
Como representação dos produtores, atravessou os séculos e tornou-se uma ideologia na Europa medieval, o “sindicalismo”; esta, com a revolução industrial no século XVIII e o advento do capitalismo casou-se com o anarquismo, nascendo destas núpcias o anarco-sindicalismo.
As lutas anarco-sindicalistas contra o autoritarismo estatal, o despotismo e a dominação do capital conquistaram grande influência junto ao proletariado e orientaram a I Internacional. Os anarquistas foram derrotados pelos comunistas no século XIX e duplamente derrotados pelo fascismo no século XX…
O movimento comunista usou os sindicatos; o fascismo criou o “sindicato estatal” – de trabalhadores e patrões. Esse modelo superado é o que existe no Brasil, o paraíso dos pelegos e trampolineiros políticos. O órgão social que deveria defender os interesses de uma coletividade, passou a ser um papa-níquel dos safados e trampolim eleitoral dos politiqueiros.
O próprio governo federal neste País tornou-se um Sindicatão Fascista, e, contraditoriamente, levou o sindicalismo como forma de organização social à degenerescência imprimindo a dependência política e financeira dos sindicatos pelo imposto sindical compulsório.
A cobiça dos larápios incentivada pelo PT e seus satélites é tantaque teve ocasião do Ministério do Trabalho registrar um sindicato por dia. Para quê? Para servir ao PT-governo, como se viu recentemente com as tropas de choque da CUT e da FUP uniformizadas, atacando manifestantes contra a corrupção na Petrobras.
Este episódio, ocorrido na calçada da ABI, nos leva aos primeiros anos do fascismo com Mussolini, os “fasci di combattimento” e defendendo que fossem armados, transformou-os em “esquadras de ação”. Raciocinemos: Quando Lula da Silva ameaça seus opositores com o ”exército de Stédile”, não é uma caricatura de Mussolini?
Depois de passar um período escondido, amedrontado em ser envolvido nas falcatruas que arrasaram a Petrobras, falando aos “intelectuais” do partido, foi peremptório (e tenho a gravação): “(Nós) sabemos brigar. Sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas”.
Que é que é isso, minha gente? Alô serviços de inteligências das Forças Armadas e das polícias militares! Já haviam denúncias de treinamento de guerrilha promovido pelo MST, mas nunca tivemos uma prova. Agora é testemunhal.
Há no Brasil um exército paralelo, organizado pelo braço camponês do PT para defender o assalto ao Erário e assassinar a Democracia. Antes fosse para defender a nossa soberania, guardar as fornteiras contra o contrabando de armas e drogas, mas é o contrário, apenas para garantir o narco-populismo corrupto e corruptor.
Essa agora! Primeiro transformaram os sindicatosem empresas de rendimentos e resultados, sem favorecer os trabalhadores e muito menos a população. Depois, estimularam os “sem-sem” para formar com os lupens, desempregados crônicos e drogados, esquadras de ação armada;
Minha intuição kantiana (anschaulich) leva-me a acreditar que este festim licencioso da República dos Pelegos terá urgentemente um fim. É claro que depende de nós organizarmos a reação para acabar com a subversão da ordem pública institucionalizada por um governo e um partido desacreditados.
Se não reagirmos – e tudo pode começar no dia 15 de março – entraremos para a História como uma Nação que permitiu a implantação um regime burocrático-policial a serviço no narcotráfico e do crime organizado, sob a capa de um Sindicatão Fascista.
Declaração de voto na ABI
Ao senhor presidente do Conselho Deliberativo da ABI:
Por dever de consciência e para registro histórico, solicito-lhe inserir na Ata do Conselho deste dia 24 de março de 2015 o meu protesto pela cessão do Auditório da Casa ao grupo político responsável pela dilapidação da Petrobras, assaltando os seus cofres na compra da Refinaria de Pasadena e no superfaturamento criminoso nas obras da Refinaria Abreu e Lima.
Essas pessoas não usarão apenas as dependências da ABI, pretendem se acobertar das nossas caras tradições de patriotismo. Levam-nos ao acumpliciamento na apropriação fraudulenta de valores e, mais do que isto, vão roubar também a nossa memória das lutas pelo monopólio estatal do petróleo na campanha d’ “O Petróleo É Nosso”.
Esta declaração de princípio é pessoal; mas, se porventura alguém propuser o meu repúdio, é também meu voto.
Saudações,
Henrique Miranda Sá Neto
Matrícula E-002506
Comentários Recentes