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Saca-rolha – Zé da Zilda, Waldir Machado (1953)

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RESSACA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“Os homens têm clamado por liberdade, justiça e respeito”
(Jacob Bronowski)

“Ressaca” é uma onda que cai sobre si mesma quando recua da arrebentação. A palavra vem do espanhol “resaca”, a “volta da onda”. Quando é usada depois de um porre para males do fígado e estômago, dor de cabeça, náusea, vômitos, os médicos definem como “veisalgia”, palavra que vem do norueguês “kveis”, refluxo.

A “grande imprensa” ficou de ressaca por excesso na cobertura do Carnaval que durou duas semanas, um período nunca antes ocorrido neste País. É que o circo, mesmo sem pão, faz bem à massa, com todas as classes sociais juntas e misturadas…

A ‘massa’ é muito mais do que uma concentração de pessoas; é o ajuntamento humano com a perda da consciência individual. É um rebanho conduzido por influência externa e levado pelo modismo, para “aquilo que todo mundo usa” (Will); enfim, é a tropa dos “maria vai com as outras”.

O Carnaval de Rua – com seus blocos e cordões – é um exemplo disto. Nele não há espontaneidade como fazem crer os “sociólogos televisivos”. Atende, na verdade, ao comando da famosa indústria cultural, que propaga o que é do interesse do poder dominante para conduzir o povão.

Não é coisa nova. O “herr doctor Goebles” usou magistralmente essa indução pelos meios de comunicação para mobilizar as massas, e fez o povo alemão marchar a passo de ganso reverenciando o insano Hitler; também os marqueteiros tupiniquins elegeram Dilma – o poste de Lula – persuadindo os brasileiros no carnaval eleitoral com os confetes, as lantejoulas e os paetês da mentira.

A psicologia registra que após a mobilização das massas vem uma ressaca coletiva. Foi assim com o nazismo, o culto à personalidade de Stálin e as lisonjas socialisteiras da medicina cubana.

Assim foi também com a Ku-Klux-Klan e a caça às bruxas do macartismo e, no reverso da moeda, com a reação ao fascismo norte-americano pelo movimento hippie; e os dois, mostraram o mesmo extremismo. Observando isto, o teatrólogo inglês Arnold Wesker chamou Woodstock de “manifestação fascistinha”.

Temos também a ressaca do carnaval – bebidas à parte – a ressaca mental, com a volta dos indivíduos para si mesmos, pagando seus pecados, ou pela contrição religiosa da Quaresma ou conferindo a lista de despesas e das contas a pagar.

O nosso epigrafado, o escritor Jacob Bronowski, fala da busca inconsciente – quase irracional – da pessoa humana pela liberdade; assim, mudando o que deve ser mudado, a liberdade é de certa maneira conquistada na bacanal carnavalesca. Mas seu preço é altíssimo: a posterior tomada de consciência da realidade.

Por exemplo: tonteia-nos a ressaca da inflação, que é o samba enredo dos blocos lulo-petista; da carestia de vida que tem como carro alegórico as mentiras de Dilma, e do imposto de renda sob o estandarte do Dragão da Receita.  Estas ressacas transmitem uma dor de cabeça que não tem sonrisal que combata.

E pior, muito pior do que a ressaca da quarta-feira de cinzas é o tenebroso cenário da corrupção institucionalizada pelo PT-governo, e, pior ainda, o cinismo doentio dos seus defensores.

Enquanto se vê o grande gabiru Lula da Silva enrolado em vendas de MPs, compra de caças, triplex, sítio, ilha, escambáu, vem a marxista dos irmãos Marx, Jandira Fegali, criar a campanha do “Em Lula eu Confio”…

Não tem onda havaiana, fumo de rolo, cachaça braba, uísque falsificado, maionese deteriorada, nem chato de galocha, que produza indisposição maior do que assistir o Brasil afundar, e os ínfimos 5% de pelegos pendurados nas tetas do Erário cheirar o fedor cadavérico de um governo que acabou. Como o Carnaval.

O teu cabelo não nega mulata – Lamartine Babo e Irmãos Valença (1931)

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Linda Morena – Lamartine Babo e Mário Reis (1933)

Linda Lourinha – Braguinha (1933)

CINZAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Lembra-te, ó homem, que és pó
e em pó te hás de tornar”
(Genesis, 2,19)

Em todas as crenças conhecidas, das mais primitivas até as chamadas grandes religiões, há um período de jejum, abstinência de alimentos e de sexo. O catolicismo e algumas denominações evangélicas adotam a Quaresma, lembrando os 40 dias que Jesus passou no deserto suportando as tentações.

Espelhando-se na virtude do Cristo, os crentes se penitenciam refletindo o arrependimento pelos próprios pecados. Uma oração franciscana reza: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”.

A quarta-feira de cinzas, o primeiro dia depois do carnaval, dá início à Quaresma. A temporada de carnaval dura, teoricamente, quatro dias, denominados “gordos”; do sábado à terça-feira.

Em muitos países do mundo a festa carnavalesca ocorre somente na “terça-feira gorda”, e sob influência francesa, o Mardi Gras, chegou aos Estados Unidos e tornou-se famoso em Nova Orleans.

Ao fim numa ritualística emocionante, os altares se cobrem de roxo estimulando os beatos à contrição, pesando as próprias culpas.

Assim, o carnaval ficou para trás e inspirou o poeta Vinicius de Moraes o belíssimo poema cantado “Felicidade”: “A felicidade do pobre parece/ A grande ilusão do carnaval/ Aquele trabalha o ano inteiro/ Por um momento de sonho/ Pra fazer a fantasia/ De rei ou de pirata ou jardineira/ Pra tudo se acabar na quarta-feira”.

Pena que não haja na política brasileira uma quarta-feira de cinzas. A carnavalização partidária não se limita a um determinado período, estendendo-se anos a fio como assistimos e lamentamos na Era Lulo-petista.

O que se vê é a irresponsabilidade institucionalizada, a roubalheira desmedida, e o povo padecendo o desemprego, as carências na Educação, falta de assistência médica e insegurança. Testemunha-se um permanente desfilar dos blocos de organizações criminosas escarnecendo da sociedade.

Envergonhou-nos a revista inglesa ‘The Economist’ reportar que o “Brasil está ‘festejando a beira do precipício’”, apontando a incompetência e a corrupção, os problemas econômicos, sociais e políticos que vivemos às vésperas do carnaval.

Possivelmente a reportagem dará seguimento a essa falta de governantes sérios e a privação do povo. Faltando-nos uma imprensa realmente livre das influências do poder, os correspondentes estrangeiros também poderiam como do “The Economist” levar ao mundo o arrastão carnavalesco da política brasileira, a roubalheira e a impunidade.

A presidente Dilma e seu entourage de ministros, assessores, conselheiros dos andares superiores, e no térreo os puxa-sacos sem triplex e os lulo-petistas da geral, poderiam refletir sobre a Quaresma e o ”
Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris” – (Lembra-te homem, que és pó e ao pó voltarás).

E somente com a Presidente voltando ao pó de onde veio, o Brasil terá uma quarta-feira de cinzas política encerrando a irresponsável farra petista e restaurando o patrimônio nacional da Ordem e do Progresso.

 

A Jardineira – Benedito Lacerda, Humberto Porto (1938)

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Você pensa que cachaça é água – (Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)

https://youtu.be/RvtMybpcR0Q

Me dá um dinheiro aí – Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira (1959)

Mamãe eu quero – Jararaca e Vicente Paiva (1936)