Refém da Solidão – Baden Powell e Paulo César Pinheiro
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CÓDIGO DE BARRAS
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br )
“Eia, ó jovens da Nova Era! Oponde-vos aos mercenários ignorantes! Pois temos mercenários na caserna, na Corte e na Universidade!” (William Blake)
Prevalece entre nós a idéia de que a vida nacional só começa quando termina o carnaval. O povo brasileiro é sábio: Os acontecimentos políticos que assistimos na pós-folia já ultrapassaram todas as previsões da imprensa.
E se tivéssemos o segredo, a senha, um código de barras, as chaves para abrir a caixa preta do poder, encontraríamos coisas estarrecedoras. Lá estão amontoadas as ilegalidades das altas esferas do poder, dos hierarcas do PT e do seu chefe, Lula da Silva.
Se fosse a segurança mecânica dos cofres comuns, abriríamos as travas girando o botão circular numerado, número a número do segredo do Erário invadido pela pelegagem junta e misturada com banqueiros, empreiteiros, lobistas, doleiros e golpistas de todo gênero.
Se fosse uma senha falada, palavras-chave passadas por sentinelas na troca da guarda, ou atualizando conto das Mil e Uma Noites com o chefe dos ladrões gritando “Abre-te Sésamo!”, teríamos as fases da Lava-Jato, “Passe Livre”, “Pixuleco”, ‘Juízo Final”, “Triplo X” e agora “Acarajé”!
Quem sabe se poderíamos desvendar todas as maracutaias lulo-petistas com códigos de barras, a extraordinária adaptação gráfica do código Morse, feita pelos engenheiros norte-americanos Norman Joseph Woodland e Bernard Silver? Com essa tecnologia aparentemente simples, baseada em linhas estreitas, identificam-se bilhões de produtos…
No varejo da roubalheira recaem denúncias sobre o “Capo di tutti capi” que considero vulgares. Lula, segundo ele próprio, recebeu “presentinhos” que levou nos 14 caminhões da mudança que saiu do Alvorada para o sítio de Atibaia. Essas piroquetagens de Lula são banais, um empréstimo aqui, um financiamento lá, dispensa de dívidas acolá. Algumas MPs de favorecimento para atender um filho lobista…
Convenhamos, são furtos dignos de ladrões de galinha em comparação à destruição da Petrobras e aos roubos nas estatais e fundos de pensão. Representam apenas um traço na audiência das performances do Grande Gabiru e do seu poste na presidência.
É monstruoso o assalto praticado pelos pelegos lulo-petistas, provocando a indignação e a rebeldia de 93% dos brasileiros de todos os matizes político-ideológicos, acima dos partidos, filosofia de vida e religiões.
Este cenário degenerado da corrupção, desenhado pela violência, a falta de assistência médica e de Educação de qualidade, revolta o País, atestando que temos os poderes coniventes e em alguns casos participantes de organizações criminosas. A máquina pública está infiltrada de bandidos por compra de consciências, mercenarismo ou fanatismo ignorante.
O momento histórico exige a formação de uma frente nacional ampla para fazer uma real oposição, que os partidos que se assumem como “oposicionistas” não fazem. A unidade contra o governo lulo-petista é fundamental porque, embora debilitado, o poder nas mãos dos pelegos está consolidado.
Com raríssimas exceções, como o ministério público, determinados setores do Judiciário, da Polícia Federal e da imprensa, o aparelhamento cobre pesadamente o Poder Executivo, cortes de Justiça e o sempre flexível Legislativo.
Desse modo não há mais tempo para discursar sobre a crise, protelando o desastrado, incompetente e corrupto Governo Dilma. O código de barras nos leva ao impeachment que corre na Câmara Federal e ao julgamento que tramita no TSE. É urgente passá-lo no raio laser deletando a pelegagem para tirar o País do atoleiro.
Pressentimento – Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho
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Manuel Bandeira
Canção da parada do Lucas
Parada do Lucas
— O trem não parou.
Ah, se o trem parasse
Minha alma incendida
Pediria à Noite
Dois seios intactos.
Parada do Lucas
— O trem não parou.
Ah, se o trem parasse
Eu iria aos mangues
Dormir na escureza
Das águas defuntas.
Parada do Lucas
— O trem não parou.
Nada aconteceu
Senão a lembrança
Do crime espantoso
Que o tempo engoliu.
Ronaldo Cunha Lima
Imortal
Pode até meu amor já ter morrido.
Podes dizer que teu amor morreu.
Só não pode morrer, nem faz sentido,
aquele amor que nosso amor viveu.
Palmyra Wanderley
Fortaleza dos Reis Magos
Em frente o mar, fervendo e espumando de ira,
na nevrose do ódio, em convulsões rouqueja
e contra a Fortaleza imprecações atira
e blasfema e maldiz e ameaça e pragueja.
Todo ele se baba. E se arqueia e delira,
na fervente paixão de vencê-la…Peleja.
Ergue o dorso e se empina e se estorce e conspira
e cai, magoando os pés daquela que deseja.
A Fortaleza altiva, agarrada às raízes,
nem parece sentir as fundas cicatrizes,
dos golpes com que o mar o seu corpo tortura.
Evocando o passado, avista as sentinelas,
no cruzeiro do sul a cruz das caravelas
a as flechas de Poti rasgando a noite escura.
Biografia de Palmyra Wanderley aqui
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Mário Quintana
Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…
Leia a biografia de Mário Quintana aqui
O ESPELHO
MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)
“Eu preferia ser louco com a verdade a ser sadio com as mentiras” (Bertrand Russel)
Para quem tem lido os meus artigos e crônicas, conhecendo o meu estilo, é evidente que não espera que eu venha discorrer sobre a Física e sua complexa vertente, a Ótica, escrevendo “O Espelho”
O espelho – palavra originária do latim, speculum – é uma superfície reflexiva com uma direção definida. Há vários tipos de espelhos, plano, esférico, côncavo e convexo – estes últimos fazendo-nos rir nos parques de diversão.
O lago em que Narciso se mirava era um espelho; mas os espelhos artificiais, segundo historiadores, surgiram a 6.000 a.C.. Eram pedaços de obsidiana ou placas de bronze polidos com areia. No Egito e na Mesopotâmia foram feitos de cobre e na China com cristais.
Os primeiros espelhos de vidro apareceram no antigo Líbano com uma camada de ouro no lado posterior; de lá foram para Roma e bem mais tarde, no Renascimento, artesãos alemães criaram um processo substituindo o ouro por uma fina amálgama de mercúrio. Depois veio o uso da prata e do estanho tal como conhecemos.
A imagem humana refletida no espelho é tema de várias manifestações culturais; no cinema temos um filme recente de 2013 “O Espelho” (lançado no Brasil em 2014) dirigido por Mike Flanagan, um drama psicológico, que indico aos cinéfilos.
O nosso genial Machado de Assis tem um conto com o título “O Espelho” no seu livro “Papéis Avulsos” – oferecendo uma interessante abordagem psicossocial. Sua teoria gira sobre a personalidade produzida pelas forças sociais que, por sua vez, existem graças à personalidade…
Machado nos inspira a espelhar a realidade e o nosso epigrafado, Russel (pensador da minha admiração pessoal) nos faz olhar o espelho para distinguir a verdade e a mentira.
Assim chegamos à política brasileira onde transborda a lama da mentira, que vem de cima para baixo, em conseqüência do rompimento das barragens da honestidade e da ética.
A impostura dos governantes que não engana mais ninguém é defendida apenas por 7% dos brasileiros comprometidos com a grande fraude lulo-petista; são os aparelhados sem concurso na administração pública, ou conformados com os restos do banquete da corrupção.
Na visão da esmagadora maioria dos brasileiros o PT-governo espelha o oposto do reflexo luminoso da verdade. Temos na presidência da República uma impostora criada pelo marketing fraudulento e astucioso, eleita por propinas e promessas eleitorais mentirosas.
O lado posterior da imagem real do espelho nacional, a camada de prata, foi surrupiada pelos pelegos no poder, na prática desonesta que vai da destruição da Petrobras, a venda criminosa de medidas provisórias até o furto da coisa pública, como fez Lula da Silva levando bens do Palácio da Alvorada para uso pessoal.
No filme “O Espelho” a protagonista (Kaylie) acredita na existência de um espelho assombrado e convence seu irmão (Tim) a quebrá-lo, acabando com a maldição que ele contém.
Proponho que quebremos o espelho do poder lulo-petista no Brasil, para dar um fim nas mentiras, na roubalheira e na hipocrisia reinante. Dizem que quebrar um espelho dá sete anos de azar; mas, da minha parte, me disponho a correr o risco…
Adélia Prado
Dia
As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
– ia dizer imoral –
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.
Para ler a biografia de Adélia Prado clique aqui
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Lêdo Ivo
O cavalo
No campo matinal
um cavalo assediado
pelo zumbir das moscas
mastiga avidamente,
o capim do universo.
Os insetos volteiam
no anel azul do mundo
– esfera sem passado
nos ares momentâneos.
Não há mitologia
espalhada na relva
que é verde, sem caminhos,
longe das longes terras.
E o cavalo sobrado
da inenarrável guerra
e da paz defendida
à sombra das espadas
mata a fome no campo
onde não jazem mortos
nem retroam clarins.
Sua crina estremece.
E seus cascos escarvam
a plácida planície
coberta pelos pássaros.
Já sem fome, relincha
para os céus que não guardam
as fanfarras e flâmulas
e a fumaça da História,
e se muda em estátua.
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