Arquivo do mês: junho 2010

Defesa uruguaia e passividade francesa levam ao primeiro 0 a 0 da Copa

Toda a tradição e os três títulos mundiais das equipes não entraram em campo. Em um jogo que até o final da Copa deverá ser considerado um dos mais insossos de todo o torneio, França e Uruguai protagonizaram o primeiro 0 a 0 do Mundial da África do Sul.

O placar em branco se deveu principalmente pela postura das duas equipes. Os uruguaios mostraram sua tradicional força defensiva desde os primeiros minutos. Já a França pareceu não estar preparada para esse posicionamento do adversário. Com isso, mostrou-se passiva em campo, ainda mais no segundo tempo, depois de tanto bater de frente com a retranca rival.

A partida começou com o embate de dois conceitos táticos muito bem definidos. Os uruguaios não tinham nenhum pudor em ficarem bem postados na defesa. Não foram poucos os momentos em que havia seis sul-americanos dentro da própria grande área.

Esse ferrolho complicava a vida da seleção da França, que apostava mais em toques rápidos e na habilidade individual de seus atletas. Jogadores como Ribery e Diaby até conseguiam o primeiro drible, mas no segundo lance trombavam com um uruguaio.

Mas o Uruguai não foi apenas defesa. Mesmo isolado na frente, Fórlan buscava a bola e acelerava o jogo, quando sua equipe conseguia ficar com a bola. Só que o camisa 10 não conseguia fazer tudo sozinho, o que até gerou uma reclamação na ida para o intervalo.

O segundo tempo iniciou com ainda menos emoção que o primeiro. Esbarrar tantas vezes na defesa adversárias fez com que a França diminuísse seu ímpeto para chegar à frente. Rodando a bola próxima da área adversária, a seleção europeia ficava mais com a posse de bola, mas não levava perigo ao gol de Muslera.

Essa redução de ritmo dos franceses fez com que o Uruguai controlasse as ações da partida. O equilíbrio do jogo era vantagem para os sul-americanos e o goleiro Lloris trabalhou mais em 15 minutos da etapa que em todo o primeiro tempo.

Os técnicos ainda tentaram modificar o panorama da partida com substituições, mas pouco ousaram, sempre trocando jogadores das mesmas posições. Com isso, o placar em branco era quase inevitável.

A seleção francesa ainda esboçou uma pressão nos minutos finais de partida, principalmente após a entrada de Thierry Henry e a expulsão de Lodeiro, que havia entrado poucos minutos antes. Satisfeito com o único ponto que o empate lhe renderia, o Uruguai se fechou ainda mais e garantiu o 0 a 0.

Fonte: Uol Notícias

Irã critica sanções ao plano nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a criticar nesta sexta (11) a aprovação de novas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra seu país. Desta vez, ele atacou os Estados Unidos e disse que o presidente norte-americano, Barack Obama, “cometeu um grave erro” ao promover as sanções e não aceitar “vínculos amistosos”.

PRESIDENTE DO IRÃ, MAHMOUD AHMADINEJAD

Na quarta (9), o Conselho de Segurança da ONU votou novas sanções militares e financeiras contra o Irã em razão de seu controvertido programa nuclear. Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram contra a medida.

Fonte: Cláudio Humberto, jornalista

Cúpula impõe Roseana ao PT do Maranhão

Quatro dias depois de obrigar o PT de Minas a apoiar o PMDB na disputa ao Palácio da Liberdade, a cúpula petista deve avalizar nesta sexta-feira, 11, a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) a um segundo mandato, anulando a decisão do Diretório Estadual do partido, que em março aprovou a aliança com o deputado Flávio Dino (PC do B-MA).

O apoio a Roseana é uma exigência da pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, e do presidente Lula. Dilma comparecerá nesta sexta cedo à reunião do Diretório Nacional do PT, que vai bater o martelo sobre o imbróglio no Maranhão e ratificar a parceria em Minas com o PMDB.

A tendência é o PT aderir à campanha de Roseana. Motivo: a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que tem a maioria do partido, fechou questão, ontem, pela aprovação da aliança com a filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

“Não se trata de intervenção porque o 4.º Congresso do PT, em fevereiro, deu ao Diretório Nacional atribuição para examinar em última instância as alianças nos Estados”, afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Fonte: Ricardo Noblat

África do Sul e México empatam na estréia do Mundial

O Soccer City cumpriu a risca o roteiro da data histórica. O maior e mais importante estádio da Copa de 2010 se pintou de amarelo, foi tomado pelo som incessante das vuvuzelas e de euforia pela tão esperada abertura do Mundial. E, depois de 45 minutos iniciais de marasmo técnico, o 1º dos 64 jogos do Mundial fez jus a toda expectativa que cercava a partida entre África do Sul e México. Um gol do incansável Tshabalala e um arremate de Rafa Marquez na etapa final fez o palco da festa tremer no empate por 1 a 1 que abriu o torneio.

Carlos Alberto Parreira sofreu com a ansiedade de sua equipe no primeiro tempo, com os erros de passe e a precipitação na definição de jogas. Foi à beira do campo e perdeu por alguns instantes a sua ilustre calma. No segundo tempo, o técnico brasileiro dos Bafana Bafana primeiro comemorou a vantagem no placar e depois lamentou o empate cedido, em vacilo de sua defesa.

Talvez tenha sido o nervosismo da estreia, misturado com excesso de confiança. Talvez o time tenha sentido a ausência de Nelson Mandela, que Parreira considerou a grande inspiração do time na vitória contra a Dinamarca, há seis dias. O fato é que a África do Sul só estreou na Copa no segundo tempo e correu sério risco de começar a sua trajetória com uma derrota.

Com mais objetividade ofensiva dos adversários, dois gols fizeram o Soccer City balançar na etapa final. Principalmente o primeiro deles, de Tshabalala, que motivou segundos de pura euforia na arena de Johanesburgo. Depois, um balde de água fria com o gol de Rafa Marquez, na falha da zaga. Assim, o empate de mexicanos e sul-africanos honra a reputação do grupo A de ser o mais equilibrado da primeira fase do Mundial – a chave ainda conta com França e Uruguai.

O placar de igualdade no Soccer City ainda manteve a sina mundialista de Carlos Alberto Parreira, que, apesar de ter se tornado nesta sexta-feira o técnico recordista em participações em Copas (com seis), jamais venceu uma partida do torneio por uma seleção estrangeira – triunfou somente à frente do Brasil.

Nas arquibancadas, mesmo confinados em espaços pequenos, em meio à multidão sul-africana, os mexicanos se fizeram notar. Mas, no placar da influência no jogo, as famosas olas astecas perderam de goleada para o som incessante das cornetas vuvuzelas, barulhento símbolo do futebol dos donos da casa.

Fonte: Uol Notícias

A Pantera No Jardin des Plantes, Paris De tanto olhar as grades seu olhar esmoreceu e nada mais aferra. Como se houvesse só grades na terra: grades, apenas grades para olhar. A onda andante e flexível do seu vulto em círculos concêntricos decresce, dança de ...

Publicado em por Marjorie Salu | Comentários desativados em Rilke

PV oficializa candidatura de Marina Silva

O PV aprovou nesta quinta-feira, durante convenção do partido, a candidatura de Marina Silva à Presidência da República e um orçamento de R$ 90 milhões para a campanha.

O coordenador da campanha, Alfredo Sirkis, afirmou que a “fase de partido nanico está definitivamente superada”, e que vai deixar hoje a coordenação nacional. Ele voltou a afirmar que vai coordenar a campanha no Rio para para se dedicar à sua candidatura a deputado federal. No lugar dele, assume João Paulo Capobianco.

Sirkis disse que Marina entra no eleitorado pobre feminino como faca na manteiga e que o PV vai ganhar no segmento de 16 a 25 anos. “Essa é uma faixa etária que não lê jornal. Esse é um segmento fundamental, não haverá vitória, se não houver vitória na juventude”, disse.

Segundo ele, tudo que se vê hoje nas pesquisa eleitorais é apenas o ponto de partida de uma disputa e não o ponto de chegada. “Estamos na disputa, no grande jogo, em condições de crescer, de atropelar, de ir para o segundo turno e vencer.”

Sirkis disse ainda que o partido não defende a descriminalização das drogas “neste momento”, mas que se propõe a discutir o assunto. “É inconcebível que um país, isoladamente, tome essa decisão. O país que fizesse isso sozinho viraria a Meca das drogas.”

Ele se esforçou para explicar aos dirigentes que as posições religiosas de Marina não são tão conservadoras. Segundo o coordenador, o maior atestado de que ela manteria a laicidade do Estado é que ela propôs dois plebiscitos: para descriminalização das drogas e do aborto.

Sirkis também falou de “temas malditos”. “A questão da união civil de pessoas do mesmo sexo. O PV tem essa posição há muito tempo e é uma posição com a qual a nossa candidata está 100% de acordo. No entanto, a nossa candidata e muito de nós se abstêm de denominar isso de casamento”, defendeu.

Segundo ele, Marina defende que casais do mesmo sexo possam se unir em união estável, mas prefere não chamar a união de casamento. Sirkis disse que ela está “100% de acordo” com a união civil de pessoas do mesmo sexo. “Qual o problema de não utilizar a palavra casamento gay? O importante é ser a favor do direito.”

A candidata, até aqui, se disse radicalmente contra o casamento gay e disse que defendia a união de gays no plano patrimonial.

Fonte: Uol Notícias

Polícia apreende tabelas da Copa com foto de Dilma em Alagoas

A Polícia Militar de Alagoas apreendeu na manhã desta quarta-feira (9) centenas de tabelas da Copa do Mundo com fotografias na capa da pré-candidata à presidência Dilma Rousseff (PT) e do pré-candidato a deputado estadual presidente do PT no Estado, Joaquim Brito.

O material foi apreendido no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada, em Maceió, maior complexo de escolas do Estado. No local, são matriculados em torno de 5.500 estudantes do nível médio.

Segundo a Batalhão de Policiamento Escolar, pelo menos cinco pessoas estavam distribuindo o material aos estudantes – entre elas três com menos de 18 anos de idade. Os militares faziam ronda de rotina quando perceberam a suposta propaganda eleitoral antecipada e abordaram os jovens.

Todo o material e os entregadores foram levados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que os encaminhou para análise do Ministério Público Eleitoral (MPE). Eles prestaram informações sobre as tabelas e foram liberados em seguida. Já o material ficou sob o poder dos procuradores eleitorais, que vão investigar o material e decidir se ingressam com representação por propaganda eleitoral antecipada.

Até o momento, o MPE já ingressou com representações contra 34 pré-candidatos por suposta propaganda eleitoral antecipada. Entre eles estão os principais nomes da disputa ao governo do Estado – Teotonio Vilela Filho (PSDB), Fernando Collor de Melo e Ronaldo Lessa (PDT) – e ao Senado – Benedito de Lira (PP), Heloísa Helena (PSOL), Renan Calheiros (PMDB).

Confirmação

Joaquim Brito confirmou que as tabelas foram confeccionadas e estavam sendo distribuídas à população. Ele afirmou que não tinha conhecimento da apreensão e disse receber a informação “com estranheza”. “Como apreenderam sem mandado judicial? Foi uma arbitrariedade dos policiais que fizeram essa ação, porque tabela da Copa não é propaganda, é material informativo”, disse o presidente do PT.

Brito afirmou ainda que vai esperar a notificação oficial, mas adiantou que não é o único a usar Copa do Mundo para se divulgar. “Vários candidatos fizeram tabelas, se a Polícia quiser, vá atrás que encontra. Por que apreenderam só as minhas?”, disse.

Questionado quantas tabelas foram confeccionadas, Brito disse que não sabia. “Foram amigos que mandaram fazer, não fui nem eu quem fez. Por isso, não sei lhe dizer quantas foram. Só sei que não é nada ilegal”, ratificou.

Contrário a Lula, Senado aprova divisão de royalties do pré-sal

Contrariando determinação do presidente Lula, o Senado aprovou nesta madrugada emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que divide de forma igualitária os dividendos da exploração do petróleo dos atuais contratos e das áreas a serem licitadas. O governo foi derrotado por 41 votos a favor da proposta e 28 contra.

Os senadores definiram ainda que caberá à União compensar as perdas de Estados produtores como Espírito Santo e Rio de Janeiro, os principais prejudicados pela emenda.

Há três meses, o governo já havia sofrido a mesma derrota na Câmara dos Deputados, que aprovou emenda dividindo os royalties do petróleo entre os fundos de participação de Estados e Municípios.

De nada adiantou o esforço do Planalto que mobilizou toda a base, buscando em casa a senadora Ideli Salvati (PT-SC), que chegou de cadeira de rodas após a meia-noite.

Os senadores definiram a nova divisão depois de aprovar, por 38 votos contra 31, o texto base do projeto que estabelece o regime de partilha (em vez de concessão) como novo modelo de exploração do petróleo e cria um fundo para reduzir diferenças sociais com recursos provenientes da receita do pré-sal.

As duas propostas foram unificadas num único projeto pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que excluiu a redistribuição dos royalties do texto por dividir Estados e municípios. Como houve modificação, a proposta volta à Câmara para apreciação.

O debate dos royalties foi retomado com emenda preparada pelo senador Pedro Simon, que restituiu a emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) aprovada na Câmara dos Deputados em que os royalties do pré-sal e dos atuais contratos de exploração de petróleo_ que estão sob regime de concessão_seriam igualmente distribuídos entre todos os Estados da Federação, sem privilégio aos principais produtores (Rio de Janeiro e Espírito Santo).

“Diferente da proposta aprovada na Câmara, agora ninguém perde um centavo. Nós vamos tirar da União para todos, produtores e não produtores de petróleo, saírem ganhando”, reagiu o autor da polêmica emenda.

O líder do governo no Senado ameaçou, em nome de Lula, que a distribuição dos royalties poderia ser vetada pelo presidente caso fosse aprovada pelos senadores. “Um projeto mal feito, onde a União terá que arcar com prejuízos de Estados e municípios produtores, o governo veta”, disse.

Os senadores pretendem votar, ainda nesta madrugada, o projeto de capitalização da Petrobras, o segundo item da pauta.

Fonte: Uol Notícias/ FERNANDA ODILLA/LEILA COIMBRA

achargeonline.com.br/Amorim

Para Sócrates, Brasil não ganha a Copa e pode ser eliminado na 1ª fase

O ex-jogador Sócrates excluiu o Brasil da sua lista de favoritos para ganhar a Copa do Mundo de 2010 e disse que a seleção terá dificuldades até para passar da primeira fase do torneio.

“Acho que o Brasil fisicamente está muito mal neste momento. Estou extremamente preocupado”, disse o ex-capitão da seleção à BBC Brasil, nesta quarta-feria, em Johanesburgo, onde ele divulga o projeto social 1 Gol, uma iniciativa mundial para ligar o futebol à educação.

Para ele, as seleções com mais chances de conquistar o título no dia 11 de julho são Argentina, Inglaterra, Holanda e Espanha.

“Mas o futebol hoje está muito feio. Não há mais espetáculo, não há mais arte. É só uma correria desenfreada”, define.

Aqui os principais trechos da entrevista.

BBC Brasil – Quais são as suas expectativas para esta Copa do Mundo?

Sócrates – Espero que, pelo menos, o mundo se dê conta dos problemas africanos, principalmente os dos países da zona equatorial. A grande vantagem de se realizar uma Copa aqui é tentar levantar as questões da realidade africana para que o desenvolvimento chegue aqui de uma forma mais agressiva. Este continente foi extremamente explorado por colonizações extrativistas. Destruiu-se muito da estrutura cultural e social de vários países.

BBC Brasil – Sempre que se realiza uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada se fala muito em legado. No caso da África do Sul e no caso do Brasil, para 2014, há muita gente criticando a realização desses eventos. Qual é a sua opinião?

Sócrates – Existe um interesse comercial muito grande em eventos desse tipo, mas também é algo que vai atrair praticamente todos os seres humanos do planeta. Então, os países precisam saber utilizar um grande evento esportivo direito.

Por exemplo, por que os países-sede não exigem determinadas coisas, em vez de aceitar ingenuamente aquilo que vem de fora, tanto do COI (Comitê Olímpico Internacional) como da Fifa? A Fifa chega aqui, toma todo o dinheiro de um povo, exige que não haja impostos, e o legado não é prioridade para ela. Porque a Fifa não tem nada a ver com a África do Sul, ou com o Brasil daqui a pouco.

Mas os países têm que exigir isso. Agora, se o país não se coloca, o problema não é da Fifa. O problema é da questão política e social que está em um projeto como este. É possível deixar um grande legado, desde que haja interesse.

BBC Brasil – E como você espera que seja no Brasil, em 2014?

Sócrates – Provavelmente no Brasil vai ser muito pior que aqui, porque está na mão de gente que não tem compromisso com nada, só com interesses pessoais. Ou seja, quem vai gerir a estruturação da Copa do Mundo no Brasil não tem nenhuma preocupação com a nação brasileira, querem é captar recurso para sei lá o quê.

Nós vamos fazer estádios desnecessários, em locais que não têm estrutura esportiva adequada, não têm política pública de esporte. Tomara que a linha se modifique. Mas até lá não teremos condições de formar recursos humanos, porque nunca nos preocupamos com isso.

Se for investido nisso, será um grande ganho para o país. É uma oportunidade única, temos dois eventos com dois anos de diferença e temos até seis anos para realizá-los. Será que vão investir nisso?

BBC Brasil – Passemos ao futebol. Quem, na sua opinião, são os favoritos para ganhar esta Copa?

Sócrates – Em primeiro lugar, o futebol está muito feio. Não tem mais espetáculo, não tem mais arte. É uma correria desenfreada, muito contato físico. E existe extremo equilíbrio em relação a isso (entre as seleções).

Existem ainda grandes jogadores que definem. Hoje, muito mais que há 40 anos, as equipes dependem de uma estrutura coletiva, mas têm que ter alguém que se destaque nessa estrutura.

Então acho que quem tem chances são: a Argentina, se o Maradona conseguir montar um time para o Messi; a Inglaterra, se o Rooney estiver bem; a Holanda, se o Robben estiver bem; e a Espanha, que tem um grande time, mas precisa de alguém de destaque.

BBC Brasil – O Brasil não está na sua lista?

Sócrates – Eu não estou gostando do Brasil. Estou extremamente preocupado. Acho que o time está muito mal fisicamente, neste momento. Acho que o Brasil vai ter até dificuldade de passar da primeira fase. Isso não quer dizer que não tenha condição de ganhar. Se ele andar e a condição física dos atletas melhorar durante a Copa, a seleção tem grandes chances de brilhar. É a que tem mais jogadores que podem definir isso.

BBC Brasil – Como você vê o estilo do técnico Dunga, que é considerado muito diferente do estilo da seleção nas décadas de 70 e 80?

Sócrates – O estilo do futebol brasileiro hoje é uma agressão à nossa cultura. Está voltado para a competitividade, que é uma coisa que não tem nada a ver com a gente. Nossa cultura é extremamente liberta, criativa, voltada para o talento individual, para a habilidade. Hoje se joga por resultado. O Brasil pode até ganhar, mas eu não tenho prazer nenhum em ver um time jogar assim.

BBC Brasil – Dunga também foi muito criticado por ter deixado de fora os novos talentos do Santos e Ronaldinho Gaúcho. O que você acha?

Sócrates – Além desses que você mencionou, tem outros também. O Alex (do Fenerbace, da Turquia) é um grande jogador. O Pato é muito melhor que todos os outros que estão aí. Acho que ele (Dunga) talvez tenha optado por jogadores que sejam mais fáceis de manipular.

BBC Brasil – A seleção de 1982 é chamada, fora do Brasil, do “time dos sonhos” do futebol. Que equipe deste Mundial de 2010 tem o estilo mais parecido com aquele?

Sócrates – Ninguém. Não tem ninguém que hoje faça o futebol-arte. Os africanos perderam a ingenuidade a partir do momento em que começaram a atrair treinadores europeus. Eles apareceram para o futebol mundial como o Brasil fez décadas antes. Mas depois que começaram a importar técnicos estrangeiros – com a filosofia extremamente burocrática – eles ficaram presos. E o ser livre quando preso, não consegue expressar sua arte.

Fonte:  Uol Notícias