Arquivo do mês: setembro 2008

QUIMERAS

País não tem navios, portos e plataformas para o pré-sal

Com as descobertas de petróleo na área do pré-sal, o país enfrenta a falta de portos, navios e plataformas capazes de atender ao novo mercado. O BNDES diz que, até 2042, serão necessárias mais 138 plataformas, ou seis novas por ano, a partir de 2020, sendo que cada uma custa US$ 1,7 bilhão. (…) Para fazer um projeto estratégico do setor nos próximos 30 anos, a Secretaria de Portos abriu licitação internacional. Segundo a Agência de Transportes Aquaviários, o pré-sal terá forte impacto nos portos, que já têm grandes problemas ambientais.

O GLOBO – País não tem navios, portos e plataformas para o pré-sal

TRIBUNA DO NORTE – Fátima sobe 2,3% e diferença para Micarla cai para 9,25%

FOLHA DE SÃO PAULO – Sigilo telefônico é vendido a menois de R$ 1.000 no país

TRIBUNA DA IMPRENSA – Eduardo Paes lidera em mais uma pesquisa

ESTADO DE SÃO PAULO – Ex-soldados confirmam tortura no Araguaia

CORREIO BRAZILIENSE – 2 mil espionados na disputa pelas teles

O POTI (RN) – Mais de 1.300 parentes já foram demitidos no interior

ZERO HORA – Exportação de gás boliviano ao Brasil está normalizada

JORNAL DO BRASIL – Impostos que você não vê

REVISTAS SEMANAIS

VEJA
Capa – ECONOMIA: À prova de crise? * Entrevista com Eric Hanushek * Bolívia e Venezuela começam a colher suas tempestades * Eleições: As surpresas em São Paulo e no Rio * Beleza: Todas querem o rosto “triangular” * Ex-chefe da Abin desmente delegados da PF.

ÉPOCA
Capa – REPORTAGEM: Por dentro da grampolândia * Da moratória ao grau de investimento * Entrevista: Richard Haass : O que falta para o Brasil ser potência * Na fronteira com as Farc Campanha nova, idéia velha * Há grampo até nas estradas.

EXAME
Capa – Reportagem: Executivos que valem milhões * A reação das multinacionais * O leão vai deixar sua empresa nua * Um mergulho no labirinto tributário * A Vale decide mudar * A dama do etanol * O mundo descobriu o design brasileiro.

ISTOÉ
Capa –
O ESPIÃO: Os olhos por trás do grampo * Alforria na telefonia * O pré-sal pega fogo * A sombra da motosserra * A crise dos poderes * A invasão do politicamente correto * Entrevista: Lourdes Catão : ”O high society ficou brega”.

ISTOÉ DINHEIRO
Capa – Entrevista: Fernando Blanco : “O endividamento das pessoas está irracional” * Dilma, a dona do sítio * O plano franco-russo de Jobim * Mantega vive seu momento * Investidor em retirada * O poder da ONG dos empresários * A TRIP ganha altitute.

CARTA CAPITAL
Capa –
O CHEFÃO DA JUSTIÇA * A política das milícias * Um freio à devastação * Presos até que outro confesse * Dantas, o supremo * O batismo de fogo do ex-bispo * Cidades feitas para excluir * O lado bufão da força * Vítimas do descaso

Poesia

Cadela Rosada

[Rio de Janeiro] Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas.
Nua, passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada…
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos…
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror…
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô…!



Elizabeth Bishop (Tradução de Paulo Henriques Britto)

A Poetisa

Elizabeth Bishop (Poetisa Norte-Americana, 1911-1979) “Cadela Rosada” (Pink Dog) é um dos últimos poemas de Elizabeth Bishop, uma americana com fortes ligações com o Brasil. Viveu no Rio de Janeiro e em Ouro Preto, e traduziu para o inglês poemas de Carlos Drummond, João Cabral e Vinícius de Moraes.

Bishop é, também, um dos nomes mais importantes da moderna poesia americana. Embora concluído em 1979, “Cadela Rosada” começou a ser escrito muitos anos antes. Refere-se a um episódio famoso, de 1962, quando se denunciou que mendigos cariocas estavam sendo assassinados pelo Esquadrão da Morte, que lançava os cadáveres no rio da Guarda.

Elizabeth Bishop identifica a cadela rosada com um mendigo. E pergunta: se estão fazendo isso com seres humanos, o que não farão com uma pobre cadela sarnenta? Mas é interessante também fazer outra leitura: em inglês, bitch (cadela) é, também, prostituta.

Então, muitos analistas vêem nesse animal uma metáfora da condição feminina.Para esses analistas, é a mulher pobre, sozinha, com filhos, sem um lar constituído. Portanto, um ser fora dos padrões, acometido de sarna moral, aos olhos da distinta sociedade. (…)

FRASE DA 3/13

“Lula prometeu ir a Natal dar uma ajuda à candidata do PT, batida nas pesquisas pela oponente patrocinada por uma aliança entre o DEM e o PV, e mandou Dilma para “ajudar” a governista”.

Dora Kramer, jornalista

OPINIÃO

“Com vergonha do SNI do passado, a democracia não se preparou para o futuro e ficou sem um serviço de inteligência de boa qualidade, bem organizado, com hierarquia estruturada, numa concepção estrita de defesa do Estado”.

Dora Kramer, jornalista

INFORMAÇÃO

Militares bolivianas repudiam Chávez

O comandante das Forças Armadas da Bolívia, general Luis Trigo, disse que não aceita a intromissão de Chávez ou de tropas estrangeiras, rejeitando assim a oferta do presidente da Venezuela de intervir em caso de golpe. O presidente Evo Morales decretou estado de sítio na província de Pando, onde os confrontos já mataram 14 pessoas. A fronteira da Bolívia com o Brasil, em Corumbá, foi fechada.

FRASE DA 2/13

“É mais útil ter uma visão histórica de que uma visão histérica dos problemas. E o problema que mais tem afligido a opinião pública é a onda de corrupção que tomou conta da nossa política”.

João Mellão Neto, jornalista

Comentário (II)

Economistas e controle da inflação…

Como digo sempre, os empregados celetistas, os servidores das estatais, os funcionários públicos brasileiros ganham hoje, na verdade, a metade do que deveriam estar recebendo. Em todos os níveis. O Cruzado Um, de José Sarney, reajustou todos os vencimentos em 50 por cento em fevereiro de 86. Só que, de fevereiro de 85 a fevereiro de 86, o índice inflacionário era de 101 por cento.

Assim, economistas transformam a realidade em milagre. E contêm a inflação à custa da apropriação dos valores do trabalho. Passam a diferença para o capital. Depois deixam o governo e vão fazer o quê? Fundam bancos, tornam-se executivos dos conglomerados financeiros. Sempre a nossa custa.

Pedro do Coutto, jornalista

O debate perdido

O Brasil comemorou os 200 anos do Ministério da Fazenda com autoridades, ou ex-ocupantes do cargo, fazendo interpretações sofríveis sobre os fatos econômicos. Os ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff, por exemplo, mostraram-se convencidos de que a vasta e complexa crise econômica americana é apenas mais uma etapa da briguinha paroquial entre eles e o pretenso “neoliberalismo”.

O bicentenário do Ministério da Fazenda foi patético, pelo que houve e pelo que deixou de haver. Não houve um debate com a profundidade que se esperava de um país que passou por tantas situações limites, que superou problemas que pareciam insuperáveis, que construiu uma continuidade em governos diferentes e que está atravessando com relativa solidez uma crise mundial.

Houve um festival de declarações que constrangem pelo que revelam. A ex-ministra Zélia Cardoso de Mello ainda não entendeu que o Plano Collor foi só um confisco, desastrado, arbitrário e totalmente ineficiente no que se propôs. Dos planos econômicos fracassados, o Collor foi o que mais lesou a população, mais esqueletos produziu e no qual a inflação voltou mais rápido aos dois dígitos.

A pior maldade e a mais inútil. Ela tenta, ainda, salvar o Plano Collor com a ajuda da abertura comercial, que foi anunciada em outro momento e teve outro propósito. Melhor faria se admitisse o fracasso, e mostrasse que, em outra decisão, o curto governo do qual participou estava absolutamente certo. A abertura foi, sim, um marco no caminho de acertos do país.

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