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O debate perdido

O Brasil comemorou os 200 anos do Ministério da Fazenda com autoridades, ou ex-ocupantes do cargo, fazendo interpretações sofríveis sobre os fatos econômicos. Os ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff, por exemplo, mostraram-se convencidos de que a vasta e complexa crise econômica americana é apenas mais uma etapa da briguinha paroquial entre eles e o pretenso “neoliberalismo”.

O bicentenário do Ministério da Fazenda foi patético, pelo que houve e pelo que deixou de haver. Não houve um debate com a profundidade que se esperava de um país que passou por tantas situações limites, que superou problemas que pareciam insuperáveis, que construiu uma continuidade em governos diferentes e que está atravessando com relativa solidez uma crise mundial.

Houve um festival de declarações que constrangem pelo que revelam. A ex-ministra Zélia Cardoso de Mello ainda não entendeu que o Plano Collor foi só um confisco, desastrado, arbitrário e totalmente ineficiente no que se propôs. Dos planos econômicos fracassados, o Collor foi o que mais lesou a população, mais esqueletos produziu e no qual a inflação voltou mais rápido aos dois dígitos.

A pior maldade e a mais inútil. Ela tenta, ainda, salvar o Plano Collor com a ajuda da abertura comercial, que foi anunciada em outro momento e teve outro propósito. Melhor faria se admitisse o fracasso, e mostrasse que, em outra decisão, o curto governo do qual participou estava absolutamente certo. A abertura foi, sim, um marco no caminho de acertos do país.

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