Arquivo do mês: fevereiro 2008

FAROL DE MÃE LUÍZA – NATAL/RN

 

NOTICIÁRIO

DESASTRE FLUVIAL – Uma batida entre embarcações no rio Amazonas causou o naufrágio de um dos barcos e deixou ao menos 12 pessoas mortas e oito desaparecidas na noite de anteontem. O barco de madeira “Almirante Monteiro”, de transporte de passageiros, fazia trajeto de cinco dias entre Alenquer (PA) e Manaus (AM), com 112 pessoas a bordo -12 tripulantes e cem passageiros.

FECHANDO A PORTA – Agora a Petrobras vai reformular seu sistema de segurança, que apresenta falhas, conforme admite o próprio governo, depois do roubo de dados sigilosos sobre os megacampos de gás e petróleo de Tupi e Júpiter.

RESISTÊNCIA – Texto sobre a reforma tributária apresentado ontem no Palácio do Planalto enfrentará resistência no Congresso. A principal discórdia é a proposta de unificação das alíquotas do ICMS e seu recolhimento.

ESCÂNDALOS – Francisco Ricardo da Cunha, ex-diretor da Finatec, renovou o guarda-roupa quando assumiu o cargo. Gastou R$ 735,50 na compra de um blazer, três camisas, dois sapatos e um cinto. Francisco prometeu devolver o dinheiro.

IRRESPONSABILIDADE – Os presidentes Lula, Cristina Kirchner e Evo Morales vão se reunir para discutir a crise energética. O governo do boliviano Evo Morales vendeu a Brasil e Argentina gás que não tem.

BOLSA DE VALORES – A Bovespa superou os 64 mil pontos e chegou a subir 1,39%, zerando todas as perdas registradas no ano. Mas, no fechamento, recuou e fechou praticamente estável, em alta de 0,07%.

DENGUE CRESCE NO RIO – O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que a dengue cresce no Rio. Segundo ele, as principais causas são a falta de acesso do estado a comunidades dominadas pelo tráfico e o comportamento de parte da classe média, que não abre as portas para os guardas sanitários.

LIBERDADE DE IMPRENSA – Estão suspensos desde ontem grande parte da Lei de Imprensa, condenações e processos com base nessa lei, como, por exemplo, as ações da Igreja Universal. A liminar foi dada pelo ministro do STF, Ayres de Britto, em ação de autoria do deputado Miro Teixeira.

DÍVIDA EXTERNA – O que anos atrás parecia impossível, agora é realidade. O Brasil tem, pela primeira vez na história, dinheiro para pagar a dívida externa, do governo e das empresas. Segundo o Banco Central, no mês passado o volume de reservas internacionais superou em US$ 4 bilhões o endividamento em moeda estrangeira.

CPI DOS CARTÕES (II)

Decisão de Lula não é consenso

A CPI mista dos Cartões Corporativos criada ontem no Congresso, não trouxe consenso governista sobre os dois principais cargos da comissão, presidente e relator. O presidente Lula da Silva mandou o ministro José Múcio garantir o controle total da Comissão, mas os líderes do governo no Senado, Romero Jucá e no Congresso, Roseana Sarney, defendem que a presidência da CPI fique com a oposição. Ontem, Jucá e Roseana não conseguiram falar com o presidente Lula sobre o assunto. Na tentativa de pressionar o governo, a oposição cobrou do presidente do Senado, Garibaldi Alves a criação da CPI dos Cartões formada só por senadores.

BRASIL ISOLADO

Brasileiros podem ficar sem pão

A relação entre a Venezuela e a Argentina pode prejudicar as exportações de trigo do vizinho do Cone Sul ao mercado brasileiro e forçar os moinhos instalados aqui a buscar outros mercados. A aproximação entre o governo de Hugo Chávez e o argentino ajudou a intensificar as negociações para fornecimento do grão aos venezuelanos, em substituição ao trigo dos Estados Unidos. Segundo analistas, a Argentina possui excedente de 2 milhões de toneladas de trigo. Desse total, menos da metade teria como destino o Brasil. A decisão do governo brasileiro em derrubar a Tarifa Externa Comum (TEC) para a compra de 1 milhão de toneladas fora do Mercosul teria sido outro agravante que colaborou para a negociação com a Venezuela.

FINANÇAS

Banco do Brasil vai ao exterior

O Banco do Brasil (BB) inicia uma ofensiva no mercado de varejo global com a abertura de um banco e de uma empresa de transferência internacional de dinheiro nos Estados Unidos. Serão anunciadas nos próximos meses ações semelhantes em países da América Latina e na Europa. O foco da instituição são países que abrigam grandes comunidades de imigrantes brasileiros – mas também estão sendo avaliados outros mercados, seguindo o exemplo do Itaú, presente no Chile e na Argentina. O diagnóstico é que, com o avanço dos bancos estrangeiros no Brasil, o BB precisará criar musculatura, inclusive externa, para competir no mercado. “A idéia é colocar o banco em todos os segmento do varejo em que nossa marca é reconhecida e faça a diferença, dentro e fora do país”, afirma o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco Lima Neto.

ESCÂNDALO DA UnB

Finatec comprou 5 tevês planas

Um relatório da Finatec (fundação ligada à UnB) aponta a compra de cinco televisores de tela plana, entre 2006 e 2007, para o apartamento funcional que era ocupado pelo reitor da Universidade de Brasília, Timothy Mulholland, até a semana passada. Após denúncia feita pelo Ministério Público, o reitor deixou o local para “preservar a instituição”. Os televisores não constam da denúncia da Promotoria, que aponta que foram gastos R$ 470 mil para equipar o apartamento funcional do reitor com móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Na denúncia, a Promotoria sustenta que o dinheiro deveria ter sido empregado em pesquisa e ensino.

LIBERDADE DE IMPRENSA

STF não quer uso de lei fascista

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, concedeu liminar determinando a juízes e tribunais de todo o país a suspensão imediata de processos e “efeitos de decisões judiciais” que tenham relação com 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa. A liminar -decisão provisória, válida (caso não seja cassada) até o julgamento do mérito da ação- suspende, entre outras coisas, a possibilidade de jornalistas condenados por crime contra a honra serem punidos de forma mais severa do que pessoas condenadas pelos mesmos crimes, só que com base no Código Penal. A Lei de Imprensa, sancionada em fevereiro de 1967 por Castello Branco, o primeiro general-presidente do regime militar (1964-1985), foi alvo de ação movida pelo PDT, por meio do deputado Miro Teixeira (RJ), que pede ao STF a sua total extinção sob o argumento de ela “é incompatível com os tempos democráticos”.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Salário-Educação fica de fora

Sem falar em redução da carga de impostos, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, apresentou ontem aos líderes da base aliada a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da reforma tributária, que inclui a desoneração da folha de pagamentos. Uma das medidas do texto que será enviado para o Congresso é o fim do salário-educação, contribuição que incide sobre a folha de pagamentos, com alíquota de 2,5%. Será reduzida também a contribuição patronal ao INSS – de 20% para 14%. Essa desoneração será feita em seis anos, com queda de um ponto percentual por ano. Oficialmente, Mantega disse que o percentual de redução não está definido.

CPI DOS CARTÕES

Lula quer controlar investigações

O impasse que impede o governo de compartilhar com a oposição o comando da CPMI dos Cartões tem nome. Chama-se Lula. Em reunião no Planalto, o Presidente informou aos seus dois principais operadores políticos que é contra a idéia de entregar ao tucanato a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Ouviram-no o coordenador político José Múcio e o líder no Senado Romero Jucá. Lula foi taxativo. Disse que o regimento do Congresso assegura aos dois maiores partidos – PMDB e PT—a indicação do presidente e do relator da CPMI. Portanto, não considera razoável que o governo ceda um dos postos à oposição.

Josias de Souza, jornalista e blogueiro

DÍVIDA EXTERNA

Banco Central diz que está “zerada”

Na tentativa de mostrar que o Brasil está bem preparado para enfrentar as turbulências do cenário internacional – e que, por isso, mereceria mais confiança do mercado financeiro e de agências de classificação de risco-, o Banco Central anunciou ontem que o país “zerou” sua dívida externa pela primeira vez na história. Segundo o BC, os ativos que governo e setor privado possuíam no exterior ao final de janeiro já superavam o valor de todo o endividamento contraído em outros países. Isso significa que o Brasil seria capaz de pagar toda a dívida externa usando só as aplicações que tem no exterior, o que sinaliza menor dependência dos fluxos internacionais de capital.