Poesia

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CHUVA DE VENTO


De que distância

chega essa chuva

de asas, tangida

pela ventania?

Vem de que tempo?

Noturna agora

a chuva morta

bate na porta.

(As biqueiras da infância, as lavadeiras

correm, tiram as roupas do varal,

relinchos do cavalo na campina,

tangerinas e banhos no quintal,

potes gorgolejando, tanajuras,

os gansos, a lagoa, o milharal.)

De onde vem essa

chuva trazida

na ventania?

Que rosas fez abrir?

Que cabelos molhou?

Estendo-lhe a mão: a chuva fria.


Mauro Mota



O poeta pernambucano Mauro Mota (1911-1984) nasceu em Recife mas se criou em Nazaré da Mata, em meio a quintais cheios de frutas, festas em homenagem ao santo padroeiro, chuvas e formigas de asa. Tudo isso ele transportou para sua poesia.

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